EXCLUSIVO: Desemprego no Brasil ultrapassa os 20%

Por João Victor Peterossi Farias*

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Octavio de Barros, economista chefe do Bradesco, disse em uma palestra que a popularidade de um governante e a taxa de desemprego oficial são duas vezes mais sensíveis do que a popularidade e a taxa de inflação. Então, para um governante ou partido,  o segredo de se manter no poder não é tanto controlar  a inflação, mas sim o desemprego.

Paralelamente, temos o economista e ex-prefeito do Rio de Janeiro Cesar Maia [1],  dizendo que a taxa de desemprego, que hoje é de 5,6%, na verdade seria muito maior, estando próxima da de outros países em crise como Espanha e Grécia (para isso, ele aplica os critérios de medição de desemprego utilizados pela União Europeia).

Mas por que esses dados seriam tão discrepantes? Seria porque o IBGE é manipulado para favorecer o governo? Não, não é nada disso, ainda temos um instituto estatístico muito bom e eficiente, inclusive a taxa do ex-prefeito foi feita com base nos estudos do IBGE. A diferença é o método utilizado por ambos. Segundo o IBGE, desemprego é:

”A população desocupada na semana de referência compreende as pessoas sem trabalho na semana de referência, mas que estavam disponíveis para assumir um trabalho nessa semana e que tomaram alguma providência efetiva para conseguir trabalho no período de referência de 30 dias, sem terem tido qualquer trabalho ou após terem saído do último trabalho que tiveram nesse período.”

Enquanto para o ex-prefeito  o índice de desemprego deveria incluir não só a taxa de desemprego, mas também outras categorias de empregos, como: as pessoas que ganham menos por hora do que o suficiente para ganhar um salário mínimo no final do mês, pessoas que cansaram de procurar emprego, pessoas não ligadas a população economicamente ativa mas que querem trabalhar e, por fim, pessoas subocupadas.

O que esse índice de desemprego (com os critérios da União Europeia) faz é  medir a quantidade de desempregados mais a quantidade de pessoas que não trabalham da forma ideal, ou seja,  pessoas da PEA trabalhando no mínimo 40 horas semanais ganhando no mínimo um salário mínimo .

Critérios da U.E. aplicados ao Brasil vs critérios do IBGE

Critérios da U.E. aplicados ao Brasil vs critérios do IBGE

No gráfico podemos observar que a média desse índice é de 21,3%. Respeitando as sazonalidades, esse novo desemprego se mantém estável nesse período de 10 anos. Contudo, muito pouco o governo fez para que esse desemprego fosse diminuído, já que esses dados extras não aparecem em lugar algum.
Como as pessoas não têm interesse em olhar os dados profundamente, não criam expectativas com esse índice, e não o levam em conta para tomar decisões na escolhas de governantes. A situação geral é melhor observada  em detalhes,  e não pelo todo, por mais que o todo pareça melhor, os detalhes mostram que ainda estamos muito longe de garantir uma boa qualidade de emprego para uma grande parte da população.

*João Victor Peterossi Farias é estudante de Ciências Econômicas na FEA-USP.

[1] http://poderonline.ig.com.br/index.php/2012/11/29/para-cesar-maia-desemprego-e-de-221/

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

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3 comentários para “EXCLUSIVO: Desemprego no Brasil ultrapassa os 20%

  1. Artur

    Uma verdade seja dita o desemprego é bem maior que 5 ou 6% no mínimo o dobro ou o triplo!! ou seja 12, 20, 24% o governo mente descaradamente para se manter vivo no poder!!!

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  2. Pedro

    O que seria um exemplo de “pessoas não ligadas a população economicamente ativa mas que querem trabalhar “? Um jovem que nunca trabalhou, mas gostaria de fazer um estágio ou conseguir um primeiro emprego?

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    • Vladimir

      É importante que as pessoas saibam que a taxa de desmeprego, por si só, muitas vezes não reflete, ou demora a refletir, as condições do mercado de trabalho. Pra quem quer entender o que está acontece, é fundamental olhar para outros indicadores da pesquisa do IBGE. Mas, se o interesse for observar a relação entre o mercado de trabalho e o quadro político, essa série reconstruída pelo autor não parece ser adequada. O problema é que o comportamento dela não parece ter nenhuma relação com o quadro político que o Brasil viveu. Vejam que de 2003 a 2010, os anos de ouro (de tolo) do petismo, a série aponta até uma leve tendência de alta do desemprego, enquanto a série do IBGE explica parte da força do petismo. Ela também explica mal a confiança do consumidor e o próprio consumo nesse período. Nesse aspecto, a série original do IBGE tem uma performance muito melhor…

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