Um mês de administração João Dória, o presidenciável

Passados os primeiros 31 dias da administração de João Dória Júnior, é quase impossível não ter alguma opinião sobre o prefeito da maior capital brasileira. As medidas tomadas e as ações de marketing do prefeito foram tão eficientes que seu nome já deve ser cogitado como presidenciável, especialmente pelo provável cenário de terra arrasada que restará na política nacional após as delações da Odebrecht e de Léo Pinheiro.

É bom lembrar o que eu pensava dele antes do início do mandato. Primeiro de tudo me causava indignação o sucesso da criação de imagem do homem empreendedor, trabalhador e distante da política. Como já mostramos num post por aqui, isso nunca foi verdade. Também sempre vi como uma obra de marqueteiro os ataques, muito eficientes, que fazia contra o PT e Lula. Embora ele expressasse ali muito da minha indignação, aquilo nunca me soou natural e fico a pensar se em 2010 um Dória candidato não falaria as mesmas bobagens da campanha de Serra, coisas como: Lula é intocável, fez um bom governo mas Dilma não é confiável e Serra seria uma melhor continuidade. Qualquer pessoa fora da bolha imprensa-elite política percebia que em 2016, Lula e o PT estavam na lama e antagonizá-los era um ótimo negócio – o grande crescimento de sites e adesão de famosos à oposição ao PT é um dos sinais mais evidentes.

Outro pré-requisito na avaliação dele é lembrar que parte de um patamar de comparação muito baixo. A administração de Fernando Haddad foi um desastre sob todos os aspectos relevantes para pessoas normais. Logo, a simples saída de um prefeito petista eleito com dinheiro roubado e que se julgava superior ao cidadão comum já representaria, para o povo de São Paulo, um alívio. Muitos falamos em forma de piada, mas é em parte verdade: ao prefeito que viesse após Haddad bastaria revogar a infinidade de absurdos cometidos em seus quatro anos e usufruir o resto do período de administração descansando tranquilamente.

Dito tudo isso, Dória empolgou a população em seu primeiro mês. Isso não é uma avaliação puramente minha, mas algo que está além da minha vontade. O fato dos institutos de pesquisa já estarem fazendo pesquisas de avaliação sobre seu mandato com tão pouco tempo é uma necessidade de provar o que já se percebia nas ruas.

Boa parte dessa boa avaliação é resultado de ações de marketing, notadamente aquelas em que o prefeito se veste de contratado da prefeitura em serviços de varrição. Reforça a imagem de homem trabalhador. Dória também sai para esses serviços bem cedo, em horários inimagináveis para o “carteiro Jaiminho”, como foi apelidado Haddad pelo historiador Marco Antonio Villa devido à sua pouca disposição para o trabalho.

Outra parte relevante de sua boa avaliação é uma medida que, agora posta em prática, surpreende não ter sido feita ou pensada antes: o “Corujão da Saúde”. Diz-se por aí que as centenas de milhares de exames que serão pagos pela Prefeitura em hospitais privados de qualidade não custarão mais de R$ 15 milhões. Convenhamos, é uma pechincha diante do impacto positivo que isto tem na vida das pessoas, ainda mais quando falamos do orçamento de São Paulo que arrecada mais de R$ 50 bilhões por ano.

O que mais ele fez? Anunciou que doaria todos os seus salários para instituições de caridade, e já fez sua primeira doação referente a janeiro. Anunciou o combate à sujeira da cidade, em especial à poluição visual causada por criminosos (pichadores), o que também tem amplo apoio da sociedade. Anunciou um corte no aluguel de veículos que geraria enorme economia (com uma enorme dose de exagero, como apontamos por aqui). Criticou publicamente uma Secretária que chegou atrasada a um compromisso público logo na primeira semana. Continua dando boas entrevistas com respostas de impacto.

O status de João Dória Jr. subiu meteoricamente na política nacional. Antes membro dos planos de Alckmin, que tinha tudo preparado para roubar de Aécio Neves a candidatura presidencial do PSDB, Dória agora ofusca o governador e também o cada vez mais minguante senador mineiro. Se antes Dória fazia parte da barganha de Alckmin, que poderia incluí-lo num pacote de deserção massiva para o parceiro PSB, agora é ele quem deve despontar em breve como mais forte nome nacional para combater Lula, caso o ex-presidente consiga levar adiante sua candidatura presidencial.

Uma série de armações internas que garantiram sua vitória interna no PSDB, eficiência no marketing eleitoral e governamental, mas também boas ações catapultaram João Dória. Passado este mês fulminante, não há porque negar o que a realidade tem imposto: João Dória é candidato a presidente.

Revisado por Maíra Pires @mairamacpires

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6 comentários para “Um mês de administração João Dória, o presidenciável

  1. Pedro Thompson

    Ruim ele não é. Agora, o pessoal da direita só aceita se for o messias perfeito 100% conservador… Nem sempre dá, meu povo. E olha que eu sou, sou mesmo, eleitor do Bolsonaro, hein.

    Se o Dória disputar a presidência em 2018, sei não. Acho que aí fica difícil pro Bolsonaro. Vamos ver. Ainda fico com o Bolsonaro, sem dúvida. Estou apenas sendo objetivo na análise da realidade.

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  2. Heloisa

    Por enquanto eu não estou gostando, não… Tá muito marketeiro, gastando energia com o problema das pichações e ainda não vi ninguém tapando buraco lá na região onde moro, que tá parecendo queijo suíço… De bom, só usufruí das marginais. E tô desabafando aqui porque parece que é proibido falar mal dele…

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    • Daniel

      O problema Heloisa é que a questão envolvendo o conserto dos buracos depende de processos de licitação para contratar as empresas que irão fazer o serviço. O Dória precisa mostrar resultados nos primeiros cem dias dentro daquilo que é possível e sem custo nenhum para a cidade, porque a imprensa naturalmente irá pegar no pé dele pelas mais variadas situações (e é muito bom que isso ocorra, diga-se). E lembre-se: falta grana para investimentos. Manter a máquina funcionando em 2017 já é um milagre.

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  3. Leonardo

    Oh Reaçonaria! Estão querendo ficar igual “o antagonista”? Parei de ler aquela porcari.a porque só sabem criticar, não interessa quem, basta ser um desafeto, e vcs, parece, estão indo no mesmo caminho. Ninguém é perfeito, mas o Dória está trabalhando. Digam uma atitude errada que ele tomou como prefeito, não me lembro de nenhuma. Se ele quer virar presidente, trabalhando como agora, qual o problema?

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      • Leonardo

        Acho que sou mesmo isso aí que você escreveu, talvez, para os inteligentes seja melhor a administração Haddad, Kassab, Alckmin, Serra, até o famoso, roba mas faiz, Maluf. 99% dos políticos são corruptos e o 1% quando tenta fazer algo, é massacrado, vamos dar uma chance ao Dória, parece que está indo no caminho certo, como escrevi antes: Se ele quer virar presidente, trabalhando como agora, qual o problema? Do jeito que vamos, o Brasil nunca será um país decente. Conheço a África e vejo que temos que melhorar muito, pra ficar igual lá. Desculpe àqueles que não compartilham do mesmo pensamento meu.

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