PSDB e Temer querem implantar o parlamentarismo à força

A coluna de hoje do jornalista tucano Reinaldo Azevedo na Folha de São Paulo deve ser lida como decisão tomada e sacramentada pela união tucano-peemedebista que comanda o país neste momento. No texto, Reinaldo diz que é urgente uma reforma eleitoral para a disputa de 2018 pois, nas palavras dele, sem isso a próxima eleição será dominada pelo PCC e Comando Vermelho. Segundo ele, a reforma hoje passaria por voto em lista fechada e logo a seguir a instituição do regime parlamentarista.

A argumentação de favelado mental surge na mesma semana em que Michel Temer se encontrou com Gilmar Mendes, o presidente do Senado e o presidente da Câmara para debater reforma política. O encontro só não é mais imoral porque ele ao menos é oficial, realizado após Temer e Mendes se encontraram às escuras por pelo menos quatro vezes neste ano – leiam Gilmar Mendes tem o quarto encontro fora da agenda com Michel Temer em 2017.

O parlamentarismo sempre foi o sonho do tucanato paulista, especialmente por sua completa incapacidade de criar líderes políticos populares ou que despertassem a paixão dos eleitores. Acontece que o cenário eleitoral para 2018 é tão ruim para o PSDB que ou FHC e os outros caciques se dobram diante de João Doria ou correm o risco de nem irem para o segundo turno.

É por isso que o tucanato quer o parlamentarismo às pressas. É a única forma de fazerem um presidente. De fato, uma união entre PSDB e PMDB somada aos partidos-satélites de sempre seria imbatível num sistema de eleição indireta. E o presidente nesse sistema parlamentarista poderia ser qualquer um dos envolvidos na Lava Jato: José Serra, Aécio Neves ou Geraldo Alckmin. Talvez até mesmo o já bastante debilitado intelectualmente Fernando Henrique Cardoso.

Os ataques à Lava Jato e a tentativa de anistiar o Caixa 2 viram coisa pequena diante desta pilantragem.

Fidalgos não entendem porque não embarcaram na Barca rumo ao Paraíso

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Revisado por Maíra Pires @mairamacpires

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2 comentários para “PSDB e Temer querem implantar o parlamentarismo à força

  1. Pedro Rocha

    Eu sou radicalmente contra o parlamentarismo porque ele simplesmente aumenta a concentração de poder no Legislativo em detrimento do Executivo, retirando o poder do povo de fazer as escolhas de forma distinta. Se adicionarmos a esse sistema o voto em lista fechada, não é mais possível chamar esse regime de democracia, pois o povo fica totalmente alijado do processo de escolha. E nem vou falar nada do financiamento estatal de campanha, tamanha a imoralidade desse último.

    Alguns podem me dizer que isso “funciona” em alguns países da Europa. Para estes faço apenas uma pergunta: qual foi o último líder político europeu realmente popular? Só me vem à mente João Paulo II, um monarca…

    Como já foi dito, o establishment tupiniquim fará de tudo para evitar a perda de seu poder, nem que seja por via de um golpe contra o povo nos moldes propagandeados pelo RA (não vou dizer “defendidos” porque ele já deixou de ter opinião própria perante seus 5 patrões). Considerando a blindagem de Lula ao ser mantido no foro do Supremo pelo seu PGR Janot* e Nelson Jobim defendendo a candidatura** daquele (entre outras barbaridades), fiquei com a impressão de que o “Pacto de Princeton” poderá apoiar o próprio Lula em 2018 sem escrúpulos em todos os sentidos!

    *http://epoca.globo.com/politica/noticia/2017/03/janot-pede-que-investigacao-sobre-lula-e-dilma-siga-no-supremo.html

    **http://epoca.globo.com/politica/noticia/2017/03/nelson-jobim-sem-paz-entre-lula-e-fhc-podemos-ter-um-trump-caboclo.html

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  2. Editor

    Comentário que fizemos em nosso Facebook sobre o parlamentarismo:

    Não é um artigo contra o parlamentarismo, é um artigo contra a reação do establishment político para manter as mesmas pessoas no centro decisório do país.

    Você acha que com esses políticos eleitos o primeiro ministro seria o líder do partido mais votado para montar o governo ou o bandido mais articulado dentro do Congresso?

    Você acha que um Aécio Neves da vida (que vai para o terceiro mandato como presidente nacional do PSDB) após perder a eleição renunciaria à liderança do partido? Ou mesmo os líderes na Câmara e no Senado renunciariam após alguma derrota?

    Você acha que o parlamentarismo dessa gentalha seria próximo do parlamentarismo britânico onde as maiorias das repercussões (escolha do líder, montagem do gabinete, renúncia, etc.) é mantida na tradição sem lei específica?

    Quem é responsável pelo mensalão e a lava jato são os bandidos. Não é o presidencialismo, ou, como dizem os mongoloides que gostam de desvirtuar as instituições e os sistemas para preservar as pessoas e poupar responsabilidades , o ‘presidencialismo de coalizão’.

    Mudar o sistema de governo sem mudar a estrutura partidária brasileira (e até mesmo a estrutura representativa) é manter as mesmas práticas.

    Você sabia que durante o impeachment o STF colocou na ordem do dia a mudança para o parlamentarismo sem ser necessário consulta à população? A pauta foi retirada porque as redes sociais se manifestaram.

    Não somos contra o sistema parlamentarista, somos contra a mudança de regime como forma de manter as mesmas pessoas no poder.

    _____________________________

    No ‘parlamentarismo BR’ Dilma cairia na crise e o PT indicaria o Lula (não é necessário ter mandato para ser primeiro ministro, é tradição). É só um exemplo de como se mudar um sistema sem se mudar estruturas que compõem esse sistema não acaba com os problemas brasileiros.

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