Odebrecht, a empreiteira de Lula e do Foro de São Paulo

Documentos da Justiça dos EUA mostram ação da Odebrecht junto a partidos aliados ao Foro de São Paulo

Em dezembro de 2016, o Departamento de Justiça dos EUA tornou públicos os termos do acordo de leniência firmado com a Odebrecht. O documento é uma confissão impressionante de como a empreiteira se tornara uma multinacional da corrupção. Mais do que isso, ela se instrumentalizou em favor da esquerda, especificamente do Foro de São Paulo.

Uma análise deste acordo evidencia como a ação Brasil(Lula)-Odebrecht encontrava uma rota de propinas pelos partidos do Foro de São Paulo (leia este resumo histórico sobre o Foro de São Paulo).

A empreiteira ganhava contratos em países governados por filiados ao Foro, ou financiava campanha de partidos-membro para que esses chegassem ao poder e a favorecessem. Vejam na imagem em anexo um trecho do documento do Departamento de Justiça dos EUA – em destaque, países em que a Odebrecht atuou junto a membros do Foro de São Paulo

Durante o período relevante, a Odebrecht, junto a seus co-conspiradores, pagou U$ 788 milhões em propinas relacionadas a mais de 100 projetos em 12 países, incluindo Angola, Argentina, Brasil, Colômbia, República Dominicana, Equador, Guatemala, México, Moçambique, Panamá, Peru e Venezuela

Outra evidência da associação PT-Odebrecht-Foro de SP é o fato da engenharia criminosa se iniciar em 2003, quando Lula chegou ao poder. O trecho abaixo do documento produzido pelo Departamento de Justiça dos EUA traz a afirmação peremptória de que o esquema começou no fim de 2003 e continuou ativo até aproximadamente 2016, quando Marcelo Odebrecht por fim desistiu de desarmar a Lava Jato.

O esquema era uma via de duas mãos. Ganhava a Odebrecht, que usava os canais do Foro de São Paulo para apoiar políticos de partidos de esquerda, e em troca era recompensada com projetos lucrativos. Foram mais de US$ 439 milhões (aproximadamente R$ 1,4 bilhões) em propinas e financiamento a políticos do Foro que retornaram quase R$ 4,24 bilhões para a empresa em contratos públicos.


Dos 12 países em que a Odebrecht pagou propinas para ganhar contratos na América Latina, incluindo na conta Cuba e El Salvador, apenas três não foram governados por partidos filiados ao Foro ou por políticos que agiram em favor da organização. Na Colômbia por exemplo, embora ninguém da organização tenha chegado à presidência, é nítida a guinada nas políticas de combate às FARC após a chegada ao poder de Juan Santos. Álvaro Uribe enfrentava a narcoguerrilha, Juan Santos está prestes a anistiá-la. E Juan Santos, quando candidato, foi financiado pela Odebrecht, como evidencia o acordo de leniência e recentes denúncias no país.

A lista de países do acordo de leniência não inclui El Salvador, cuja delação feita no Brasil inclui o aporte de R$ 5,8 milhões feito pela empresa em uma campanha de 2008 para Maurício Fortes, filiado a partido-membro do Foro.

Vale lembrar que a Odebrecht não precisou subornar políticos em Cuba pois ali vive-se numa ditadura plena, não há políticos, apenas membros do partido que comanda o governo. E a empresa ganhou lá também ótimos contratos, como a construção do Porto de Mariel.

Com base no documento do governo dos EUA, segue abaixo uma breve lista das propinas em países governados ou influenciados pelo Foro de São Paulo (resumo das informações de propinas por país publicado na página de Mateus Leitão):

Venezuela
No período entre 2006 e 2015, a Odebrecht pagou ou fez com com que fossem pagos em propina aproximadamente US$ 98 milhões para funcionários do governo e intermediários para conseguir e manter contratos públicos.

Até pouco tempo o chavismo era visto como o principal patrocinador das ações do Foro de São Paulo pelo continente americano. Os métodos chavistas foram exportados para outros países administrados por partidos ligados ao Foro.

Argentina
No período entre 2007 e 2014, a Odebrecht pagou ou fez com com que fossem pagos mais de US$ 35 milhões em propinas para intermediários com o entendimento de que os valores seriam repassados, em parte, para funcionários do governo. Associados a três projetos de infraestrutura, os pagamentos geraram benefícios de US$ 278 milhões à empresa.

Os governos Kirchner atuaram em favor do Foro de São Paulo e do chavismo na América Latina.

República Dominicana
No período entre 2001 e 2014, a Odebrecht pagou ou fez com com que fossem pagos mais de US$ 92 milhões para funcionários do governo ou intermediários que geraram benefícios de US$ 163 milhões.

O país é governado pelo Partido da Libertação Dominicana, filiado ao Foro, desde 2004

Equador
No período entre 2007 e 2016, a Odebrecht pagou ou fez com com que fossem pagos mais de US$ 33,5 milhões em propinas para funcionários do governo que geraram benefícios à empresa no valor de US$ 116 milhões.

Desde 2007 o país é governado pelo chavista Rafael Correa, da Allianza PAIS, partido filiado ao Foro.

Peru
No período entre 2005 e 2014, a Odebrecht pagou ou fez com com que fossem pagos aproximadamente US$ 29 milhões para funcionários do governo para garantir contratos públicos, obtendo mais de US$ 143 milhões como benefícios.

O Peru foi administrado por Ollanta Humala, do PNP, filiado ao Foro, de 2011 a 2016.  A ascenção de Ollanta na política do país se consolidou durante o governo de Alan García Pérez (2006-2011).

Colômbia
No período entre 2009 e 2014, a Odebrecht pagou ou fez com com que fossem pagos mais de US$ 11 milhões em propina para manter contratos públicos e teve benefícios que somam U$ 50 milhões.

A Colômbia nunca foi administrada por um partido filiado ao Foro de São Paulo. Porém, o atual presidente Juan Manuel Santos é investigado por ter recebido propinas da empresa. Desde o início de seu mandato, Santos rompeu a política de Álvaro Uribe de enfrentar as FARC e partiu para uma negociação que tenta, ainda hoje, anistiar a organização terrorista por seus crimes cometidos. Os pagamentos da Odebrecht coincidem com a ascenção de Juan Santos, que assumiu o seu mandato em agosto de 2010.

México
No período entre 2010 e 2014, a Odebrecht pagou ou fez com com que fossem pagos aproximadamente US$ 10,5 milhões em propinas para funcionários do governo para manter contratos públicos e obteve US$ 39 milhões em benefícios.

O candidato chavista no México, López Obrador, não conseguiu se eleger em 2012 nem em 2006, quando perdeu por apenas 240 mil votos.

Panamá
No período entre 2010 e 2014, a Odebrecht pagou em propina ou fez com com que fossem pagos mais de US$ 59 milhões para funcionários do governo e intermediários para garantir, entre outras coisas, contratos públicos. Obteve benefícios de US$ 175 milhões.

Guatemala
No período entre 2013 e 2015, a Odebrecht pagou ou fez com que fossem pagos aproximadamente US$ 18 milhões em propinas para funcionários do governo para manter contratos públicos e teve benefícios de US$ 34 milhões.

Otto Perez Molina, que foi derrubado do governo por corrupção, não pertencia a partido ligado ao Foro de São Paulo.

SOBRE O FORO DE SÃO PAULO

Por muitos anos, falar do Foro de São Paulo no Brasil era se expôr à marginalização em debates políticos. Afinal de contas, eram teorias da conspiração, “coisa do Olavo de Carvalho”. Se no início se negava por completo até mesmo a existência de tal entidade, o passar dos anos, a popularização da internet e o crescimento de movimentos de resistência ao esquerdismo evidenciaram o que era claro: aquilo existia e era fácil prová-lo. Superada a fase da negação absoluta, o tema continuava diminuído nos grupos políticos influentes: o Foro seria apenas uma congregação de partidos políticos que têm os mesmos ideais e debatem idéias. Até que os anos mostraram os mesmos métodos de derrubada do regime democrático aplicados na Venezuela serem repetidos no Peru, Bolívia, Equador e República Dominicana. A materialidade política da ação se evidenciava.

Era difícil comprovar a influência financeira na política de países com partidos filiados ao Foro de São Paulo porque, na maior parte das democracias republicanas, existem leis que vetam influência externa em disputa em eleições. Financiamentos eleitorais se faziam por treinamentos de agentes políticos, ações coordenadas de sindicatos, influência sobre professores universitários e jornalistas. O que o avanço da Lava Jato traz de novo a esse complexo organograma polítoc-revolucionário, subversivo e criminoso do Foro de São Paulo, é a prova monetária. A Odebrecht foi o braço financeiro e empresarial do Foro.

Aqui no Brasil já sabíamos que a Odebrecht usava sua influência sobre Lula para ganhar projetos e contratos em países governados por aliados do Foro. Mas a verdade é que não era a empreiteira quem se aproveitava de Lula, mas o contrário. O ex-presidente usava seu poder sobre a empresa para arrecadar fundos para seu partido e para partidos aliados por todo o continente americano usando o BNDES como fiador.

Revisado por Maíra Pires @mairamacpires

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Um comentário para “Odebrecht, a empreiteira de Lula e do Foro de São Paulo

  1. Ney Sartoretto

    Agora, todos vocês que negavam o “foro” e trataram o Olavo como louco(eu vivi aquela época) , estão por aí dizendo q o Trump é louco e a Hillary não é o q é

    Responder

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