O STF e seus interlocutores contra a prisão de autoridades

A Lava Jato e o ímpeto punitivo contra ladrões políticos que ela despertou têm sido combatidos e estão sim sob ameaça, mas não do governo Temer, como quer nos fazer crer a esquerda brasileira.

Os maiores interessados no impedimento do avanço da Operação são, de início, os petistas.  Logo após este grupo mais restritivo dos politicos há um outro que lhe segue que é composto pela elite política em geral, que neste caso inclui sim gente hoje no poder. Para toda essa turma, é temerário ver ex-ministro e senador sendo preso, suas casas vasculhadas e todo o sistema em que fizeram a obra de sua vida ameaçado de implosão.

Mas falar em elite política no Brasil inclui, lamentavelmente, o Supremo Tribunal Federal, tribunal que deveria ser constitucional mas é mais um elemento do jogo político. E inclui também grandes setores do jornalismo que se alimentam desse sistema, têm ligações profissionais e afetivas (vejam quantos marketeiros e assessores de políticos já foram jornalistas, vejam quantos políticos têm relacionamentos formais ou extraconjugais com jornalistas e por aí vai) com gente do meio.

O STF veio a campo ontem, quando Toffoli libertou Paulo Bernardo da prisão preventiva decretada pelo juiz responsável pela Operação Custo Brasil, Paulo Bueno de Azevedo. No mesmo dia, jornalistas ligados a determinados ministros do próprio STF defenderam a decisão ignorando o principal argumento do pedido de prisão, o de que haveria risco à aplicação da lei penal se Paulo Bernardo movimentasse os milhões roubados e conseguisse evadí-los:

O desvio de milhões de reais do Erário representa, em tese, um perigo concreto, porém invisível, para a sociedade brasileira, que não vê, pelo menos a olho nu, ao contrário do que acontece com os autores de crimes violentos, que o dinheiro desviado poderia ter sido aplicado na infraestrutura do pais e na melhoria dos serviços públicos, como a saúde e a educação. O. risco de que tal dinheiro desviado não será recuperado também representa perigo concreto à aplicação da lei penal.

De todos os textos absurdos contra a prisão preventiva, um chama atenção: o de Helena Chagas no site “Os Divergentes”. Para quem não conhece, o site “Os Divergentes” seria um gêmeo malvado de “O Antagonista”: o original tem fundo preto e é composto por 3 jornalistas sem nenhum histórico de ligação com o poder público cuja fama se fez por atacar certa burrice política, o PT e seus muitos criminosos; a cópia tem fundo branco, é composto por 5 profissionais das notícias que já tiveram alguma ligação com o meio político e têm clara simpatia ao PT,  partido campeão de envolvimento em crimes.

Vejam então o que ela escreveu:
Interlocutores_HelenaChagas

O sujeito indeterminado como grande fundamentação de uma tese

O título deste artigo acima  é “Aviso do STF aos navegantes: não queremos mais Moros”. Se o que está escrito pela jornalista é verdade, e não há motivo para afirmar que ela tenha inventado isto tudo, vemos novamente o STF se metendo onde não deve. O que o STF tem contra o juiz Sérgio Moro? O que o juiz Sérgio Moro, e agora Paulo Bueno, fizeram de errado? Mesmo se o juiz Paulo Bueno tivesse agido incorretamente no pedido de prisão de Paulo Bernardo, e não agiu, como pode ser percebido nos argumentos frágeis e absurdos da decisão de Toffoli, o Supremo deveria agir nos autos e às claras, não com insinuações e sopros na orelha de jornalistas próximos às mais diversas correntes políticas do Tribunal.

ReinaldoAzevedo_antecipandosupremo

O STF e seus “sinais”

A Lava Jato ainda não acabou e está gerando várias operações importantes por todo o país, mas isto não significa uma vitória definitiva. É preciso estar atento a cada movimento de bastidor, incluindo as mudanças de opinião de jornalistas e demais frequentadores do meio político. Se o STF quer mandar recados em sentenças (como a inexplicável e absurda citação de Toffoli ao Mensalão) ou por jornalistas, a sociedade deve reagir em igual proporção, incluindo essas pessoas iluminadas na lista de homenageados em manifestações e críticas em redes sociais.

AmeacasLavaJato

Tentativa de explicação em gráfico dos grupos que combatem a Lava Jato e suas intersecções

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

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Um comentário para “O STF e seus interlocutores contra a prisão de autoridades

  1. Marcos TC

    Esse STF com maioria indicada pelo PT, não parece ter a independência esperada para sua importância institucional. Vemos malabarismos jurídicos que escarnecem da real prestação de justiça.
    Como encarar o pedido de investigação dos bonecos infláveis ? ou então a investigação secreta sobre os líderes dos movimentos democráticos ? A nossa CF diz que os poderes são independentes e harmônicos. Como esperar isso se o STF tem a ultima palavra sem direito a recurso ? Quantos crimes prescreveram antes de julgamento? Quantos processos foram cancelados por filigranas jurídicas ? Só a pressão da sociedade pode fazer alguma mudança de paradigma

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