Jornalismo marginal

Qualquer descrição que se pretenda honesta sobre o Brasil de hoje deve enfatizar a grande presença de criminosos em nosso ambiente. Como já se repetiu aqui muitas vezes, o incentivo para cometer crimes é enorme e atua em várias frentes: na certeza da impunidade, na assimilação cultural dos marginais e, também, no apoio teórico e intelectual que o crime encontra nas elites. O jornalismo brasileiro, neste sistema, desempenha um papel fundamental.

A atuação do jornalismo é determinante na relativização dos crimes e no ocultamento da realidade. As grandes revistas semanais dão destaque mínimo ao tema. O Jornal Nacional só noticia violência quando há um fundo emotivo ou caso extremamente traumatizante, o que nos padrões brasileiros é um patamar semanalmente superado. Mas é nos jornais impressos, mais especificamente a Folha de São Paulo, que o criminoso se sente em casa.

Não bastasse contar com algumas dezenas de colunistas e jornalistas prontos a diminuir os crimes de orientação ideológica do PT, há um número ainda maior de profissionais da Folha de São Paulo dispostos a, além de minimizar a calamidade urbana, tornar os agentes da lei os verdadeiros inimigos. A capa do diário neste 19 de outubro de 2015 é a prova definitiva. Vejam abaixo:

25% da capa da Folha se dedica ao "problema das páginas policiais" que destacam bandidos se dando mal

25% da capa da Folha se dedica ao “problema das páginas policiais” que destacam bandidos se dando mal

Esta capa é especialmente maléfica se considerarmos que a Folha de São Paulo não deu nem um pedaço de sua capa para destacar o estudo divulgado no dia 08 de outubro e que mostrou que, em 2014, tivemos 58 mil mortes violentas no país (1). E  esta capa se torna praticamente um caso de polícia quando se pensa na insensibilidade dela ter sido publicada um dia após a triste notícia da morte de um policial que, não estando em seu horário de trabalho, atuou para impedir um assalto e por conta disso acabou morto por um bandido. A morte de Franklin Vieira de Barros, de 39 anos, há 13 anos na PM e pai de um menino de 12 anos não ganhou nem mesmo menção na Folha de São Paulo.

Triste morte de PM após ato heróico é ignorada pela Folha de São Paulo

Triste morte de PM após ato heróico é ignorada pela Folha de São Paulo

Pessoas normais torcem por PMs quando sabem de confrontos deles com bandidos. Pessoas normais não suportam a criminalidade e querem ver bandidos punidos. Pessoas normais riem quando bandidos se dão mal, ainda mais pelo fato disso ser exceção. Pessoas normais não justificam criminosos. Pessoas normais não publicariam na primeira página do auto-declarado “mais importante jornal do país” uma chamada a reportagem negativa em relação às páginas de internet que mostram cenas de bandidos se dando mal. Pessoas normais sentem um mínimo de pesar quando sabem de mortes como a de Franklin Vieira de Barros. Acontece que o jornalismo brasileiro foi tomado de assalto por uma cultura perversa que ama bandidos e menospreza as pessoas normais justamente porque elas não são capazes de dissimular em tolerância o que na verdade é apenas ideologia destrutiva.

O jornalismo brasileiro está inteiramente à margem do que se passa na vida dos brasileiros normais.

(1) Veja as capas da Folha de São Paulo nos dias 08, 09 e 10 de outubro. Nenhuma cita o inaceitável número de mortes violentas do país, que foi divulgado no dia 08 de outubro;

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

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