Em 1939, Churchill já sabia das semelhanças entre nazismo e comunismo

O artigo “Os gêmeos terríveis“, escrito por Winston Churchill em 1939 e traduzido de forma inédita aqui no Brasil por nosso site, é um documento histórico que tem uma relevância muito maior agora que ganhou corpo em nosso país o debate sobre os matizes ideológicos do movimento nazista.

Publicado pela revista mensal norte-americana Collier’s, ele foi enviado por Churchill algumas horas antes de ser oficialmente deflagrada o que seria chamada depois de II Guerra Mundial. O então chefe da Marinha britânica mostrava como enfrentou resistências dentro de seu partido por ter sido, desde o princípio, contrário a tudo o que representavam os nazistas. Churchill explica como o mundo de então por algumas vezes via neles uma força opositora aos comunistas, enquanto os esquerdistas do mundo acreditavam que sua potência-mãe pararia os alemães.

O artigo foi escrito sob o grande impacto da união entre Stálin e Hitler celebrada dias antes. Churchill explica como eram muito circunstanciais as desavenças entre os regimes pois eles tinham certamente muito mais pontos em comum do que discordâncias. Se havia uma desavença real entre eles essa se manifestava apenas pelo fato de ambos acreditarem que somente eles poderiam reformar e dominar definitivamente a humanidade.  Mais importante, Churchill fazia o juízo correto especialmente por não guiar sua visão do que acontecia sob prismas restritos como os da ideologia política (esquerda vs direita)  ou da economia (liberal e capitalista ou estatista). Para ele, o que deixava claro o aspecto nefasto do comunismo e do nazismo podia ser percebido por qualquer cidadão normal e de bem.

Nas partes mais significativas do artigo, Churchill lembra como nazistas e socialistas atentavam contra os padrões morais da sociedade, tão duramente construídos e erguidos por muitos anos de experiência, erros e aprendizados. O nazismo e o comunismo atentavam sim contra as instituições novas e importantes como eleições livres e liberdade de imprensa, mas mais grave ainda era o ataque aos pilares mais antigos e duradouros da sociedade ocidental, como os ensinamentos dos 10 mandamentos. Sem falar isso, fica claro que para Churchill, ainda que algum desses dois caminhos tão semelhantes prevalecesse e a sociedade evoluísse materialmente, ela estaria se distanciando de um sentido mais elevado para a sua existência.

Mas Churchill errou em alguns prognósticos. Ele acreditava que o Japão, após a união comuno-nazista, tentaria se aproximar dos EUA e da Grã-Bretanha. Também esperava que Mussolini se afastasse de Hitler. Para azar dele e do mundo, houve o contrário. Mas também para sorte do mundo, Stálin não investiu firmemente nos planos de Hitler, preferindo acompanhar a escalada da guerra para tomar posição apenas quando estivesse mais fácil decidir qual lado, mais fragilizado, atacar. Numa época de insanidade social e científica, não dava mesmo para contar com respostas elementares.

Tanto tempo depois, as loucuras do mundo não parecem ter a mesma força de 1939 ao menos em um aspecto: não há forças centrais estabelecidas com os intuitos mais nefastos no comando de uma das grandes potências. As ameaças de ainda mais decadência para a comunidade global hoje são sem dúvida graves, e têm no extremismo islâmico sua maior expressão, mas não chegam perto do que representava o gigantismo russo e o poderio militar nazista. Por outro lado, por um relaxamento trazido pela ilusão da paz duradoura e de avanços tecnológicos, o mundo hoje não tem nos chefes de estado ou em seus conselheiros mais próximos homens com grandeza de caráter e espírito como Churchill, que praticamente sozinho (em 1939) conseguia olhar para os aspectos mais relevantes das alianças políticas que se realizavam e para onde elas levariam o mundo. Churchill foi um gigante  que se ergueu contra uma época de loucura, enquanto hoje os chefes de estado se dobram para promover movimentos segregacionistas e revolucionários que podem nos levar a uma crise que não vivenciamos desde a década de 1940.

Leia:

Os gêmeos terríveis, por Winston Churchill

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13 comentários para “Em 1939, Churchill já sabia das semelhanças entre nazismo e comunismo

  1. Muzenga returns

    Coxinhas, aonde vocês enfiaram a panela que vocês bateram contra a Dilma? No cu? Só pode ser porque até agora não vi nenhum paneleiro protestar contra o Temer, o PSDB e o PMDB. “Somos apartidárioa”, eu vi sim. Meu amigo, nem nós da esquerda somos apartidários, eu pelo menos assumo isso. Se os outros esquerdistas não o fazem eu faço. Agora vocês coxinhas são muito caras de pau! “Somos contra a corrupção”…E contra a corrupção do PSDB? Vocês são seletivos, só escolhem um lado para criticar. Corrupto é sempre o outro né? Ae Morgenstern, quando você vai lá pra Virgínia de novo cheirar a rola do Olavo? kkkkkkkkkkkkkkkkk

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  2. Muzenga returns

    Movimentos segregacionistas por um acaso são criados por comunistas ou esquerdistas? Coxinha, pelo que eu saiba isso é característica dos conservadores e da extrema-direita. A esquerda luta por diversidade direitos humanos. O Trump é xenófobo e preconceituoso. Então ele é “esquerdista”? O que ele está fazendo querendo expulsar imigrantes ilegais não é segregacionismo puro? Não fala bobagem coxa! Só trouxa acredita em vocês, eu sempre soube que afirmar que nazismo era de esquerda era pura estratégia de vocês para manipular os idiotas úteis. Um coxinha mesmo me confirmou uma vez isso. Lógico que eu conversei isso via in-box com ele.

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  3. Muzenga returns

    O Flávio Morgenstern é tão “valente” que sempre bloqueia aqueles que conseguem refutá-lo no twitter ou no facebook. O aluninho preferido do profexô Olavinho é sempre facilmente refutado. Por isso cai fora quando o debate começa a desmascarar as mentiras que ele tanto dissemina.

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  4. Muzenga returns

    “Mas também para sorte do mundo, Stálin não investiu firmemente nos planos de Hitler, preferindo acompanhar a escalada da guerra para tomar posição apenas quando estivesse mais fácil decidir qual lado, mais fragilizado, atacar. Numa época de insanidade social e científica, não dava mesmo para contar com respostas elementares.” Quando eu imaginava que os coxinhas já tinham superado todas as bobagens que escrevem eis que surge isso. Vocês falam tanto da tal “doutrinação marxista” nas universidades e dos “Livros com conteúdo marxista do MEC” mas na verdade quem está doutrinando são vocês. A direita está tentando mudar a história oficial da Segunda Guerra e do nazismo empurrando eles para a “esquerda” quando todos os historiadores do mundo inteiro e incluindo aí, os judeus que a direita diz tanto defender e amar sabem muito bem que o nazismo foi um regime totalitário de extrema-direita. Coxinha só sabe analisar um regime, ou um governo apenas pela ótica econômica. Eles não analisam sob a perspectiva social, analisando o quanto as minorias sempre sofreram e foram perseguidas em governos conservadores.

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  5. Muzenga returns

    O sonho de todo fã do astrólogo embusteiro Orvalho de Cavalo é ir na casa dele lá na Virgínia e cheirar a rola daquele velho ridículo. Inacreditável isso, vocês são fanáticos por ele. Morreriam por ele e ficam com ódio quando alguém fala mal dele. Vocês são uma piada de mal gosto. E piada é legal contar e não se tornar uma. O Olavo de Carvalho faz a direita brasileira ser a coisa mais ridícula do mundo. Como que o Stalin poderia armar Hitler com aquele exército tosco e armamentos ultrapassados? Ele não tinha armamentos nem para ele, iria ter para o Hitler? Na verdade quem ajudou quem, foram os EUA cedendo armamentos para a URSS vencer os nazistas. E quem venceu a guerra foi a URSS, não os americanos e aqueles ingleses frouxos. Deixem de desonestidade coxinhas.

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  6. Muzenga returns

    Coxinhas, por favor deixem de enrolação e manipulação. Eu já sei que isso tudo é estratégia barata e dissimulada para enganar trouxa! Só cai nessa conversinha furada quem é um completo idiota. O nazismo era tão “marxista” que a maior ambição do Hitler era destruir de vez o comunismo e tudo que fosse de esquerda. Vocês nunca leram o Mein Kampf? Porra, lá o Führer deixa bem claro que repudiava o comunismo, marxismo. Ele odiava Karl Marx. Marx era judeu, e Hitler sempre associou os judeus aos comunistas. Ele perseguia os judeus não por causa dos “capitalistas” mas por causa que sempre os considerou subversivos e agitadores comunistas. Tinha também a questão da raça ariana porque considerava-os “inferiores”. Bem “esquerdista” ele não?

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    • Muzenga returns

      Bolsominios=nazistas. “Ah mas o Bolsonaro defende Israel”. O bisavô do Bolsonaro serviu ao exército nazista. Bolsonaro só defende os judeus por pura estratégia. Direitista no fundo admira o Terceiro Reich. No twitter alguns seguidores do Bolsonaro seguem David Duke(ex-membro da Ku Klux Klan) e até afirmam que Hitler “apesar de tudo combateu os comunistas”. Alguns outros chegam a afirmar que o comunismo é uma “criação judaica”. Seguidores do bolsonaro meu caro, eu já vi. Eu já fui de direita, já pensei assim também. Um conhecido meu me disse uma vez que isso tudo é estratégia da direita para poder trazer mais gente para o lado deles.

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  7. Pedro Rocha

    “Mas também para sorte do mundo, Stálin não investiu firmemente nos planos de Hitler, preferindo acompanhar a escalada da guerra para tomar posição apenas quando estivesse mais fácil decidir qual lado, mais fragilizado, atacar.”

    O verdadeiro motivo do rompimento do pacto entre os regimes socialistas de Hitler e Stálin foi o petróleo romeno. O pacto “Pacto Molotov-Ribbentrop” tinha uma série de acordos verbais, sendo que um deles era referente à não-agressão à Romênia – grande exportadora de hidrocarbonetos à época – por ambos os regimes.

    O motivo disso era óbvio: ambos queriam invadir o país em apreço, mas deixariam isso para resolverem depois do conflito. Entretanto, Hitler fez uma “intervenção disfarçada” na Romênia apoiando a chegada ao poder de Ion Antonescu no final de 1940, o que foi respondido por Stálin com a convocação de 2,5 milhões de homens. O resto dessa história conhecemos bem.

    Quanto a Churchill, no rol de pessoas que erraram no 2º conflito mundial ele ocupa lugar de destaque. Mesmo antes da invasão da Polônia, Churchill tinha uma visão fortemente imperialista e politicamente cega pelos rancores antigermânicos da 1ª Guerra Mundial e focava seu discurso belicista nos nacionais-socialistas alemães. Enquanto isso, grande parte do mundo acompanhava os horrores perpetrados pelos bolcheviques na Espanha e via corretamente a União Soviética como o grande inimigo da humanidade. Se não fosse essa cegueira, a Inglaterra poderia ter negociado perante os vários ultimatos que recebeu até mesmo antes da “Batalha da Grã-Bretanha” e perante a demonstração de “boa vontade” da Whermacht para com os ingleses em Dunkirk.

    Julgar fatos passados é fácil, mas o fato é que a Inglaterra não comprou uma briga que não era dela na Tchecoslováquia mas comprou a da Polônia sob os ideais do “Sanacja”, que não diferia muito em matéria de Direitos Humanos em relação ao nacional-socialismo. O inverno 1939/40 – a “sitzkrieg” – deveria ter esfriado as cabeças dos ingleses, mas Churchill foi um dos que não deixou isso acontecer.

    Vou resumir a questão de forma polêmica: Churchill ajudou a deixar um mundo muito pior em 1945 em relação a Charmberlain em 1938! Se acharam pesado essa constatação, o próprio General Patton caiu na real ao final do conflito e proferiu sua famosa frase: “We defeated the wrong enemy.”

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  8. Leonardo

    Hoje, ainda, vivemos sob a sombra dos atos de Stalin, o maior estadista e estrategista de guerra. Hitler foi um marionete em suas mãos. Ainda bem que a morte é para todos.

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    • Muzenga returns

      Hitler marionete do Stalin? Coxinha, quem conhece a história oficial da Alemanha e da URSS sabe muito bem que Hitler e Stalin se odiavam e nunca tiveram nenhum contato, nunca foram próximos. O aliado de Hitler era o Mussolini. E mesmo esse último possuia diferenças com o Hitler e segundo dizer não o suportava. Só era aliado dele por conveniência e estratégias políticas. Agora Stalin? Nunca! Quer me dizer então que a URSS condenar o anti-semitismo, defender judeus, minorias, combater o nazismo era só “fachada”? Vai estudar aluno do olavo de carvalho. Seu professor na verdade é um embusteiro meu amigo.

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