CAOS NO ESPÍRITO SANTO: Entendam a gravidade da insurgência e a omissão da imprensa

A opção do Brasil por ter suas polícias militarizadas traz, do ponto de vista do serviço público, algumas vantagens inequívocas. Por exemplo, policiais não podem ser sindicalizados. Também não podem fazer greve pois estariam infringindo o Código Penal Militar, Decreto-Lei nº 1.001, de 21 de outubro de 1969. No fim desse post trago algumas das infrações previstas no rígido Código Penal Militar.

A esquerda brasileira, quando fala na desmilitarização das polícias, não está pensando no bem-estar do policial ou no fato indubitável que, comparado a trabalhadores normais, eles têm regras muito mais rigorosas. Ela faz isso apenas como forma de ter mais força, mais controle das forças públicas para afrouxar o combate ao crime e ter mais capacidade de nomeação de companheiros em cargos públicos. Basta pensar no quanto é gasto para compra de veículos e equipamentos anualmente nas polícias militares para dimensionar o quanto os políticos deixam de roubar por não controlarem totalmente este fluxo.

A imprensa brasileira está ignorando o que se passa no Espírito Santo, onde para efeitos práticos a PM está em greve há dois dias, porque em algum momento seria obrigada a falar das péssimas condições de trabalho e dos problemas da vida policial. Nada importa menos para a esquerda brasileira e seus jornalistas,do que a vida de quem combate criminosos reais. Não é por acaso que no Brasil se noticie muito mais a morte de minorias organizadas, muitas delas provocadas por outros dessas mesmas minorias, do que de pais e mães de família que servem à população e morrem justamente por praticarem este serviço

Mas o menosprezo da esquerda em relação aos policiais é uma parte do problema. O outro, gravíssimo, é esta insurgência criminosa que está ocorrendo. Para driblar as restrições que somente sua classe possui, militares do Brasil  todo se organizam em associações, geralmente capitaneadas por aposentados ou familiares do militar. No caso agora do Espírito Santo, o caráter “sindicalista” da associação ficou evidente: ela agiu como sindicato bloqueando o acesso ao trabalho e impedindo o comparecimento dos PMs. Tudo combinado, tudo de mentirinha para fazer parecer que não foram os policiais que organizaram o ato, que não se amotinaram.

A situação de trabalho dos policiais é caso gravíssimo que deveria sim ser uma prioridade no debate público brasileiro. Porém, o desprezo da classe política esquerdista não pode ser justificativa para o ato covarde de abandono a que os militares do Espírito Santo expuseram seus concidadãos. A Polícia é importante demais para cruzar os braços. A Polícia não é como professores militantes e vagabundos, que fazem greves em todos os anos pares (eleitorais) e a sociedade não sente nenhum efeito. Se a Polícia não combate os criminosos, ela vira cúmplice deles.

Alguns trechos do Código Penal Militar que podem ser aplicados contra os PMs do Espírito Santo:

Art. 149. Reunirem-se militares ou assemelhados:

I – agindo contra a ordem recebida de superior, ou negando-se a cumpri-la;

II – recusando obediência a superior, quando estejam agindo sem ordem ou praticando violência;

III – assentindo em recusa conjunta de obediência, ou em resistência ou violência, em comum, contra superior;

IV – ocupando quartel, fortaleza, arsenal, fábrica ou estabelecimento militar, ou dependência de qualquer dêles, hangar, aeródromo ou aeronave, navio ou viatura militar, ou utilizando-se de qualquer daqueles locais ou meios de transporte, para ação militar, ou prática de violência, em desobediência a ordem superior ou em detrimento da ordem ou da disciplina militar:

Pena – reclusão, de quatro a oito anos, com aumento de um têrço para os cabeças.
Art. 163. Recusar obedecer a ordem do superior sôbre assunto ou matéria de serviço, ou relativamente a dever impôsto em lei, regulamento ou instrução:

Pena – detenção, de um a dois anos, se o fato não constitui crime mais grave.

 

Art. 183. Deixar de apresentar-se o convocado à incorporação, dentro do prazo que lhe foi marcado, ou, apresentando-se, ausentar-se antes do ato oficial de incorporação:

Pena – impedimento, de três meses a um ano.

 

Revisado por Maíra Pires @mairamacpires

9 comentários para “CAOS NO ESPÍRITO SANTO: Entendam a gravidade da insurgência e a omissão da imprensa

  1. denis

    Pensamento falido liberalóide, democraticalóide e também debilóide….vá você, a exemplo de milhares de policiais, fardados ou não, trocar tiros com vagabundos, arriscando sua vida, com péssimas condições de trabalho, tratando com o lixo da sociedade, sendo marginalizado pela “própria sociedade”, em uma atividade “extremamente corruptível” recebendo além disso uma salário imoral, indecente e ofensivo e por fim, sendo tratado ano após ano, década após década como “lixo” pelos verdadeiros “lixos” da sociedade, a saber a classe política a elite porca e parasita que está se lixando para os destinos do país. Entender da situação do ES é o que menos você faz com seu “textiuncúlo”

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    • Hudson

      Deixa de ser besta, rapaz, que esse tipo de rotulagem não funciona com a gente. Policial toma posse no cargo sabendo de todos os benefícios, malefícios, riscos, lei e regulamentos da corporação, de seu caráter imprescindível para a ordem pública e da impossibilidade de greve, ainda que com salários em atraso. Ninguém é escravo do governo neste país, tendo liberdade pra se retirar quando vê que, apesar das insistências, a negociação por melhorias não avança. Greve não é meio legal pra militares negociarem. Pensem em outra coisa ou peçam exoneração do cargo.

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  2. Marcos

    Parabéns ao site por dizer tudo na lata. Vi muita gente de direita com um discurso de que a situação dos policiais justificava este tipo de atitude. Alguns não chegaram a tanto, mas não quiseram se comprometer.

    Que fique bem claro: deixar de trabalhar em uma situação em que isso significa a perda de dezenas de vidas humanas é imoral. Quem acha que isso se justifica está com um raciocínio muito parecido com aquele que considera que é justificável o ladrão roubar por ser pobre. Dinheiro não compra vidas. Por mais que eu concorde que a situação da PM é ruim, um policial de verdade não pode usar o sangue da população como instrumento para fazer pressão no governo.

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  3. Pedro

    Vc tá bem alienado meu amigo….Pra fazer essa volta toda e colocar a culpa na esquerda (WTF) e fugir do cerne do problema q é melhorar as condições dos nossos polícias e dá péssima cobertura dá mídia nacional q somente no seu mundo é dominada pela esquerda.

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  4. Pedro Rocha

    Se o Comandante do Batalhão ordenar a desobstrução da entrada e os comandandos não cumprirem a ordem, pode-se configurar crime conforme o Art. 149, III do CPM. Se o Comandante Geral da PM der a ordem e o Comandante do Batalhão não a repassar, apenas ele se enquadra no citado.

    Mas quem vai dar a ordem para a tropa avançar sobre os próprios parentes?

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  5. Marcio Villensen

    É esse o resultado do populismo acéfalo que predomina no cenário socio- político do Brasil. E como é lamentável a infiltração do esquerdismo na imprensa! É nessas horas vemos a quantidade de meliantes é de pessoas de mau caráter que se revelam frente a ausência da Lei e da autoridade. Pois pelos vídeos postados nas redes, vemos não apenas bandidos, mas pessoas aparentemente de “bem” saqueando lojas e mercados. Que povo miserável, que nação moralmente empobrecida e promíscua!

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  6. Ricardo Bordin

    Nestas horas percebe-se o que a sensação de impunidade provoca nos seres humanos: mesmo cidadãos que não costumam praticar crimes saem saqueando lojas e acertando contas à moda (nem tão) antiga. E em Curitiba, ontem à noite, a polícia foi essencial para, digamos, “apaziguar” uma galera revoltada com o cartel das empresas de ônibus na cidade:
    https://bordinburke.wordpress.com/2017/02/07/revoltados-com-o-aumento-da-tarifa-de-onibus-pecam-mais-livre-mercado-kct/

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