Apoio aos perfis da Polícia Militar de SP nas redes sociais

As redes sociais criaram uma nova oportunidade de comunicação do poder público com os contribuintes. Diferente das já consolidadas formas de contato propiciadas pela internet (email, página na web, formulário de contato), as redes sociais permitem tratar de assuntos abrangentes – como artigos ou blogs em páginas da web já permitiam – em comentários curtos e de rápida compreensão. Mais ainda, por carregarem o nome oficial das instituições, a sensação que passa aos usuários é a de que ali se tem uma legítima manifestação da instituição.

Não há consenso sobre como fazer este tipo de comunicação. O perfil da Casa Branca, para ficar num exemplo, faz proselitismo político puro de medidas e proposições do presidente Obama, chegando mesmo a pedir para os seguidores que enviem mensagens aos seus parlamentares pedindo voto em medidas dos democratas (*). Vimos aqui no Brasil recentemente a consolidação de um jeito “alternativo” de administrar estes tipos de perfis, provavelmente iniciado pela Prefeitura de Curitiba, que o faz por memes e piadinhas, o que agrada certos segmentos de usuários de redes sociais.

Obviamente, nenhum desses exemplos citados serviria para guiar o perfil de uma instituição como a Polícia Militar de São Paulo. Pelo peso de sua responsabilidade e por passar longe de qualquer agenda partidária (vantagem de ser uma instituição militar e não civil), é de se esperar que a administração desses perfis seja séria e informativa, nada mais. Foi sempre assim, com a diferença que os responsáveis pelo perfil costumavam se apresentar quando estavam em seu turno. Isto permitia uma dose de pessoalidade nos tweets que, espontaneamente, criava belas e realistas mensagens como a que vai abaixo, postada no perfil do Corpo de Bombeiros paulista:

No início deste ano houve uma pequena mudança, ao menos no perfil da PM. Com a ocorrência dos protestos de grupos extremistas e violentos de esquerda pela capital paulista, grupos estes que assim como seus representantes partidários (PT, PSTU, PCdoB, PSOL) abominam a polícia, os perfis foram usados para mostrar algumas faces destes grupos que a impensa costuma ignorar. Começaram então a ser publicadas fotos e vídeos que deixam claro o caráter violento deles (**). Como o Twitter permite um diálogo mais direto e rápido, ali mesmo alguns entusiastas dos criminosos começaram a criticar a PM, apontando para o perfil. Seguiram-se então respostas excelentes, que eram até engraçadas pela situação – e por serem corretas. Vejam os exemplos abaixo:

@cadulorena A Polícia Militar não representa o Governo, representa o Estado.
— POLÍCIA MILITAR – SP (@PMESP) January 9, 2015
@_mkastroam Obrigado pela interação. pic.twitter.com/nH4pozcOcW
— POLÍCIA MILITAR – SP (@PMESP) January 10, 2015
@OPOSICAO_JA @mpl_sp @schavelzon Para PMESP os manifestantes são pacíficos. Somente os vândalos são criminosos, contudo, não são terroristas — POLÍCIA MILITAR – SP (@PMESP) January 9, 2015

O setorismo de redes sociais da imprensa ignorou, por desgosto, o ocorrido no dia 9 de janeiro. Por muito menos e com muito menor classe já foram feitos textos e reportagens bajulatórias a perfis políticos ridículos que se prestam a puxar o saco camuflando o ato por piadinhas. Porém, assim que puderam, os militantes do jornalismo conseguiram dar uma nova visão negativa aos perfis.

Um post da PM no Facebook que trazia duas fotos, uma com ação do PCC em presídio e outra com mascarados dos Black Blocs, gerou a revolta e foi usada como mote para críticas.

Post "polêmico"

Post “polêmico”

Quando a má intenção se soma à burrice influente dos meios de comunicação o resultado geralmente é ruim. Foi assim que a Folha de São Paulo fez uma reportagem sobre o tema, com o título “Em rede social, PM compara “black blocs” a facção criminosa” (***).   Como resposta, tanto o secretário estadual quanto o governador Geraldo Alckmin condenaram a postagem da PM (aqui e aqui).

Para demonstrar esta burrice é bastante falar do básico, ou seja, o uso da língua e seus significados corretos. Por que diabos seria incorreto comparar o PCC, que o jornalismo brasileiro acha por bem não mais mencionar, aos Black Blocs? As comparações só se fazem para objetos, nomes ou idéias diferentes. Elas podem tanto induzir alguém de forma a destacar as semelhanças como o contrário, acentuar as diferenças. Se fossem exatamente a mesma coisa o post da PM não faria nenhum sentido. E é ao buscar as diferenças entre Black Blocs e membros do PCC que o usuário de rede social pode ver despertada uma sensibilidade para os fatos que nunca notara antes.

Quais são as semelhanças entre os dois grupos? Membros do PCC, assim como os Black Blocs, não são institucionalizados, embora em seus grupos seja vantajoso se apresentar como tal. As duas “instituições” não têm CNPJ ou representação oficial. Os dois grupos tentam se aproximar do poder para obter facilidades na atuação. Esteticamente, as camisas cobrindo os rostos deixam-nos muito parecidos. Ambos odeiam a PM. E a atividade que notabiliza os dois grupos é a prática de crimes (vandalismo uns, tráfico de drogas outros). As semelhanças se encerram aqui. Quais as diferenças? Em número (tráfico de drogas mata mais e é mais grave que vandalismo), classe social (o tráfico emprega jovens pobres, os black blocs são garotos de classe média alta), etnias (black blocs são em sua maioria brancos, no tráfico a diversidade é muito maior) e no apoio logístico partidário (black blocs são próximos a partidos de extrema-esquerda enquanto o PCC apenas tinha um vereador do PT em São Paulo). Obviamente PCC e Black Blocs não são a mesma coisa pois as diferenças entre os grupos se dão na essência deles.

Seria curioso pedir a um jornalista militante que apontasse as diferenças entre o PCC e os Black Blocs. Especialmente porque a esquerda brasileira é caracterizada por uma dificuldade imensa de condenar o crime, mesmo o tráfico de drogas, pelo que ele é, partindo então para condicionantes da lógica  oprimido x opressor também muito comuns por aqui: vitimam mais os pobres e negros (deixando a entender que o tráfico em si não é ruim, ou não seria tão ruim se só vitimasse brancos e ricos).

Cabe, por fim, louvar a iniciativa da PM. Tomando os devidos cuidados para evitar exageros ou o destempero de quem estiver comandando os perfis, usar as redes sociais para rebater acusações estúpidas é uma boa forma de retrucar a atitude de confronto ostensivo da esquerda contra sua instituição. Obrigado pela interação!

* Exemplo de tweet partidário do perfil oficial da Casa Branca: https://twitter.com/WhiteHouse/status/494588090217160704. E aqui um exemplo de postagem “engraçada” devido ao tema: https://twitter.com/WhiteHouse/status/537617841928015872.
** Alguns posts: 1, 2, 3, 4, 5.

*** Como já demonstramos na série “Imprensa Golpista”, sempre que há este tipo de reportagem enviesada elas são totalmente copiadas por órgãos concorrentes mas que rezam na mesma cartilha. Também neste caso o fenômeno ocorreu. Vejam as reportagens do Terra e Extra sobre o caso, são idênticas à da Folha de São Paulo.

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

5 comentários para “Apoio aos perfis da Polícia Militar de SP nas redes sociais

  1. Alberto Mendes

    A Polícia Militar de S.P. esta para proteger e ajudar os cidadãos de bem, que trabalham, estudam, criam seus filhos com dignidade, moral e patriotismo, quando são chamados para conter vagabundos, que se dizem manifestantes financiados por grupos de esquerda com dinheiro público desviado, devem ter todo o apoio da população, e na verdade tem, como pôde ser visto na manifestação de 13/03/2016 na Paulista. Na verdade ela age de forma muito cautelosa, as vezes até deixa a desejar, devia ser mais rigorosa e se fazer respeitar para coibir vândalos( MST, MTST, CUT e outras porcarias ), e mesmo assim a imprensa vermelha fala mal.
    A população de S.Paulo se orgulha da PM, pois também são pessoas que trabalham, estudam, tem dignidade e moral, como nós.
    BRASIL VERDE E AMARELO, vermelho jamais.

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  2. Kleiton Gonçalves

    Acredito que as postagens em resposta deveriam mais duras, mais cruas, sem parcimônia e tom de “mea culpa”. Mas compreendo a tesão que talvez ronde a assessoria de comunicação da Polícia Militar.

    Ao menos temos páginas não oficiais onde há maior liberdade de expressão, alimentadas com material enviado por policiais. Um bom exemplo é a “Faca na Caveira” do Facebook.

    Dentro do assunto: e o tom debochado do Humaniza Redes? Quem são esses funcionários? São ocupantes de cargos em comissão escolhidos por qual moleque?

    Fazendo um jabá de meu site (onde quase não abordo política), fiz uns “prints” de alguns comportamento “esdrúxulos” da equipe por trás dos teclados.

    Link: http://kleitongoncalves.blogspot.com.br/2015/04/humaniza-dilma-momento-mi-mi-mi.html

    Abraços!

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  3. dudu

    A “Grande mídia golpista”, usada como desculpa pelos canalhas da esquerda caviar não passa de redação do Partido dos Terroristas, aquele que diz querer fazer o “controle çossiau da midia”. Estadão, Falha, Carta CaPTal, Terra, IG, todos são financiados pelos mesmos grupo de corruptos que destruiu a antiga Petrobras e a converteu em PTbras.

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