Ainda sobre o relativismo anti-petista

As críticas indiscriminadas a bandidos da política, mesmo aqueles que não são do PT, têm sido recorrentes neste site. Também têm gerado polêmicas, xingamentos e ameaça de boicote de leitores – tudo porque tenho chamado de serviçal de bandido àqueles que efetivamente têm defendido os bandidos que agora estão no poder.

No post em que falo do relativismo anti-petista (leiam aqui), há alguns comentários que acho interessante responder aqui pois representam boa parte dos “melhores” argumentos contra minha posição no tema. Aos comentários então:

De Gustavo:

entendo o que o autor quis dizer, mas ele está ignorando uma fatia das opiniões. Eu nao quero que alguem fique solto, muito menos porque isso desagradaria o PT. Trata-se de um posicionamento tático, quando o PT fazia cálculos e queria o Cunha preso primeiro, eu queria por último. Agora o mesmo: Se o PT vê vantagem no Temer ser preso primeiro, eu vejo que ele seja preso por último…

Ele continuou:

Se vocês respeitarem a ordem proposta pelo PT, ajudará eles a derrotar os próprios inimigos e depois tomará um chute na bunda quando chegar a vez dos petistas serem presos.. o PT quer limpar a bunda em vocês

E num terceiro comentário:

e o autor ainda acha que é correto partir incontinenti pra cima de todos os inimigos sem ver quem é quem.. um erro crasso esse partir pra cima com tudo, típico do barbarismo

O erro de Gustavo não é nem de opinião, mas de posicionamento. Quem lê o comentário tem a impressão que nós todos, pessoas normais e portanto vítimas dessas gangues, estivéssemos agindo no julgamento deles. Não estamos. Não somos juízes nem investigadores e não somos os adversários políticos de quem quer que seja, ao menos formalmente – não somos os candidatos.

Tendo-se em mente que tudo o que temos no caso são opiniões e que elas pouco interferirão no processo de fato, cada um deve decidir o que fazer com este pouco. Aqui, temos apontado seguidamente como este anti-petismo tem sido manobrado por gente que, no fim das contas, não difere e até se alia ao PT. A intenção é conter essa degradação que temos visto se alastrar entre gente “contra o PT”.  Além do mais, “torcer para o Cunha ser preso depois”, como citado no comentário, não deveria jamais motivar as pessoas a se manifestarem para dizer que Cunha não era bandido ou que a ele deveria ser dada alguma licença por ser um criminoso de espécie diferente dos petistas. 

Temer com Lula: 14 anos de parceria e cumplicidade. Vale a pena defender alguém assim?

O último comentário tem o erro de posicionamento elevado à loucura: com efeito, nosso papel é ir pra cima de todos noticiando o que conseguirmos para mostrar a linha criminosa dos meios políticos e da vida cotidiana. Mas nossas críticas não vão modificar a ordem de investigação, muito menos de punição. Se podemos influenciar alguém, que seja para fazê-la sentir desprezo por bandidos, jamais para defendê-los sob qualquer desculpa. E é de se destacar que toda pessoa que fala da necessidade de inteligência na ação tática sempre acha ter a melhor e mais inteligente das táticas para enfrentar profissionais da “ação tática inteligente” na política brasileira. O cidadão comum precisa entender que ele não pode competir nestes termos contra profissionais muito mais influentes, e que a grande colaboração que cada um pode dar contra esta gente é mostrar no cotidiano a superioridade moral de quem não se corromperá em nome de abstrações e malandragens de políticos. Se degradar publicamente para defender gente de tão baixo valor, como os tucanos e peemedebistas, é como deixar claro que seu potencial de pilantragem é semelhante ao de petistas, diferindo o resultado final apenas por uma questão de oportunidade.

A ilusão de grandeza, somada ao prazer em se envolver em uma disputa que leve a tomadas de decisão e posicionamentos imorais, fará com que a pessoa continue a ter seu ódio e todos argumentos contra os petistas sem saber que ela está se tornando tudo o que um petista precisa: um semelhante.

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2 comentários para “Ainda sobre o relativismo anti-petista

  1. Gustavo

    podia ter me ajudar corrigindo os meus erros de gramática, mas tudo bem

    “Além do mais, “torcer para o Cunha ser preso depois”, como citado no comentário, não deveria jamais motivar as pessoas a se manifestarem para dizer que Cunha não era bandido ou que a ele deveria ser dada alguma licença por ser um criminoso de espécie diferente dos petistas.”

    Aí é que está! Nunca vi essas pessoas que diziam que o Cunha não era bandido ou que mereceria uma licença especial. Só vi militantes petistas apontando pra essas pessoas e dizendo que elas eram hipócritas, mas nunca as vi. Todos com quem eu conversei tinham o mesmo posicionamento que eu: Cunha era um bandido que poderíamos usar contra os outros, que era útil, “meu malvado favorito” era o apelido dele

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