A escolha de Alexandre de Moraes é imoral

O presidente Michel Temer anunciou no dia de ontem sua primeira escolha para preenchimento de vaga no Supremo Tribunal Federal: o atual Ministro da Justiça, Alexandre de Moraes.

É uma escolha sem-vergonha.

Apontar ao Supremo alguém filiado a partido político já é indicador bastante para comprovar que a escolha não foi feita pensando no resguardo da Constituição, mas em politicagem. Para piorar, ele está sendo indicado no exato momento em que ocupava um cargo no ministério do Presidente e tendo como vantagem adicional para a “governabilidade” o fato de sua ida deixar vago mais um cargo importante para negociação no balcão político. E o que é mais ultrajante nesta indicação é vê-la acontecer no momento em que um dos estados da federação vivencia cenas infernais com os bandidos dominando totalmente as ruas, enquanto policiais militares inventaram de fazer uma greve.

Alexandre de Moraes tem inúmeras qualidades intelectuais e acadêmicas. É provavelmente mais qualificado do que Edson Fachin, Toffoli e Lewandowski, para citar algumas escolhas descabidas e extremamente politizadas da época petista. Porém, aqui como em tudo o que tem feito Michel Temer, não se deve usar a baixaria da época anterior para justificar o que também é vulgar neste.

Usar os extremos do governo petista, neste caso, é normalizar o absurdo. Nunca esperamos grandes coisas de Michel Temer, afinal de contas se trata de alguém que se esbaldou na era petista e tinha a moral frouxa o bastante para ser aliado daquela organização criminosa. Ele no mínimo fazia vista grossa a tantos crimes. O que seus recentes atos para influir nos outros dois poderes mostram é que, se não é tão propenso a crimes absurdos como a turma do PT, é ainda mais competente na gestão política de atos descabidos.

Revisado por Maíra Pires @mairamacpires

3 comentários para “A escolha de Alexandre de Moraes é imoral

  1. Maria

    Os ministros da Alemanha que foram acusados de plágio (Karl-Theodor zu Guttenberg e Annette Schavan) RENUNCIARAM e PERDERAM O DOUTORADO.

    No Brasil, o doutor foi promovido, indicado para o STF.

    E ABANDONOU a nação e o cargo de ministro da justiça JUSTAMENTE em meio ao caos na segurança pública.

    Aqui pode até não haver conseqüência alguma mas JÁ HOUVE REPERCUSSÃO nos meios acadêmicos INTERNACIONAIS.

    Logo logo doutorado brasileiro vai valer MENOS que papel de pão.

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  2. Heloisa

    E o pior é que de repente todo mundo gostou da ideia. Sei que o Datena não é exemplo pra nada, mas ele criticou pra caramba a atuação dele como ministro, mas ontem defendeu a indicação para o STF… Oi?! Ele foi defendido pela “sumidade jurídica” do Reinaldo Azevedo. Meu Deus! Sai a Dilma e esse nó cego continua fazendo a mesma merda??? Ainda mais porque agora ficam inventando que o país melhorou… Onde? Onde a inflação abaixou? Cadê a atualização da tabela de desconto do IR na fonte? Tô revoltada!

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