Retorno às aulas: mensagem aos professores

Mais um post enviado à “Coluna do Leitor” por grande amigo da Reaçonaria.

O que vai abaixo é um desabafo, ou uma declaração de amor à profissão, de Paula Rosiska. É especialmente importante de ser lido por quem, por ideologia burra, transporta o ódio a uma figura simbólica como “O Estado” para pessoas de carne e osso que trabalham nessa máquina: os funcionários públicos.

Leiam. E abaixo há um pequeno complemento feito por mim.

Retorno às aulas

Amanhã as minhas férias terminam de fato. E é necessário ter uma grande preparação psicológica para suportar um ano letivo. Não tenho dúvidas da minha vocação e da minha capacidade. Não fosse isso, já teria saído dessa área há tempos. Mas isso tudo somado à experiência dos mais de 10 anos de carreira (somado o tempo de voluntária no cursinho são 15 anos), não é suficiente para nos permitir atravessar certas situações escolares sem ferimentos físicos e emocionais. A configuração de escola pública como depósito de criança já é algo desastroso para quem ama a tarefa de ensinar. Sentir-se por vezes carcereiro de crianças e adolescentes, usando a própria voz como cassetete (sim, com dois esses, podem procurar) não é das melhores coisas. Mas o pior, creio eu, são os discursos floreados e adocicados, que encobrem uma acusação vinda de quem jamais pisaria numa sala de aula de periferia: “nossa educação vai mal porque não estamos preparados para… mas somos sonhadores”. Desde que cursei a Licenciatura, ouço essa acusação. E tome formação continuada, e tome palestrante ganhando dinheiro para não oferecer nenhuma alternativa prática aos nossos dias, e tome acadêmico fazendo mestrado em cima da incompetência dos profissionais da educação. A incompetência costuma ser a forma de se referir à não aceitação do novo, do aluno do século XXI, que, em tese – e só em tese- é questionador, utiliza as tecnologias para se informar, é autônomo, mas, que na verdade, questiona coisas como “por que eu devo recolher a sujeira que eu fiz se tem as tias da limpeza”?, utiliza tecnologia para o Facebook e é autônomo para não ir de uniforme, embora a sociedade pague até pelas meias que recebem.

De tudo isso, há duas coisas que se sobressaem, sendo uma triste e revoltante e a outra, irritante. Começo pela irritação. Professores que estão em sala de aula conhecem a realidade, são vítimas da utopia freireana, e acatam a culpa pelo fracasso escolar. O triste e revoltante é ver que há muitos alunos excelentes, brilhantes, que não podem se desenvolver porque são reféns dos canalhas, dos violentos, dos barulhentos, contra os quais pouco se pode fazer. Eu sou de briga, eu sou insubmissa e jamais aceitarei esse tipo de injustiça calada. Mas reconheço minha impotência diante da necessidade de atender os que querem aprender.

Ano passado uma aluna me disse que aguardava ansiosamente a minha aula, pois eu era a professora que atendia os bons e colocava os maus nos devidos lugares. Não com essas palavras, mas com os termos “bons” e “maus”. Se continuar a ser vista assim, o ano escolar que se inicia, valerá a pena.

Desejo um bom retorno a todos os professores. E, quanto aos meus colegas: parem de acatar essas culpas. Vocês são ótimos.

Um adendo personalíssimo: entre familiares e amigos posso dizer que sou rodeado por professores que trabalham na rede pública. Nesse tempo marcado pelo crescimento da renda em paralelo à violência e à queda na qualidade do ensino, é seguro dizer que os alunos das escolas públicas são, em sua maioria, muito pobres. Muitos dos pais que são “apenas um pouco pobres” buscam escolas e escolinhas particulares, um negócio muito lucrativo por sinal. Aos que ficam com os alunos da escola pública restam os alunos que convivem com muito daquilo que torna nosso país ainda mais triste: violência familiar, doenças de países paupérrimos, tráfico de drogas e bandidagem no cotidiano, pais perdidos pelo consumo e tráfico de drogas e, por fim, miséria.

O meu recado a todos esses professores, complementando a mensagem da Paula, é que se inspirem nessa belíssima música abaixo. Salvem essas flores!

NatureDesertFlower

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3 comentários para “Retorno às aulas: mensagem aos professores

  1. Suely Rosa da Cruz Costa

    É uma pena que a educação no país tenha chegado a esse ponto. É uma tristeza
    Onde começou o erro? Sempre me pergunto isso e não acho a resposta.Lembro que quando eu estava no “primário”, cantávamos o hino toda a semana com muito respeito e entusiasmo, eu fazia parte do pelotão da bandeira, tinha tanto orgulho disso, hoje eu vejo que falta isso. Na escola onde trabalho, a última vez que se cantou o hino, alguns anos atrás, foi muito difícil, pois os alunos não estão acostumados com isso, eles não paravam, balançavam as mãos, conversavam, poucos respeitavam. Acho que falta no nosso país é isso, PATRIOTISMO, Não só dos alunos, mas de toda a sociedade em geral, principalmente da maioria dos políticos. Se houvesse patriotismo, não haveria toda essa corrupção.

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