Resumo da primeira prova do ENEM 2015

O médico e advogado Sergio Nunes faz um comentário sobre os temas da primeira prova do ENEM 2015.

Sobre o ENEM. Julguem por si mesmos.

Dei uma breve analisada nas 45 questões de ciências humanas, e separei alguns autores citados e temas mencionados. Será que os jovens estão sendo treinados para analisarem as diversas visões de mundo? Ou apenas uma?

A questão aqui não é contradizer ou discutir a opinião de algum autor específico, ou ainda algum tema, mas mostrar que apenas um lado é discutido. Seguem alguns citados e alguns temas:

– Nada como começar com o filósofo Slavoj Zizek, uma das estrelas do marxismo atual, que nesta prova, emergiu com um texto propondo um ato de alteridade, comparando a ação do exército americano com o terrorismo do Talibã.

– David Harvey, geógrafo marxista que propõe a ocorrência de um cataclisma no sistema de produção capitalista (não especificamente na questão desta prova).

– Karl Mannheim, muito influenciado pelo marxismo, apesar de posteriormente se afastar da hipótese de violência revolucionária. Estudou em um Grupo de estudos de Lukács. Na questão, obviamente propõe que a visão individual é condicionada pela sociedade.

Simone de Beauvoir, com suas ideias feministas, arguida por ter sido ao mínimo colaboracionista com o regime nazista, com algumas idéias que podem associar-se com pedofilia e misandria.

– Robert Reich, democrata americano que, contra todas as evidências empíricas, propõe uma hipótese de relação inversamente proporcional entre capitalismo e democracia. Para ele: “tax are the price we pay for a civilized society”. Se posiciona criticamente a teias globais.

– Milton Santos, geógrafo com posições antiglobalização, anticapitalismo, antiburguesia, pró-socialismo.

– Agostinho Neto, antigo governante de Angola de partido de esquerda, inicialmente marxista, posteriormente centro-esquerda.

– Maria da Glória Gohm, professora de educação da Unicamp, defensora dos Conselhos Populares e do MST.

Paulo Freire, que dispensa apresentações, um dos pilares da falha educacional no país, com sua educação libertadora, que não educa e nem liberta.

– Sidney Chaloub, historiador da Unicamp, que afirma: ” O governo Dilma foi exemplar nesses quesitos. Por conseguinte, a hipocrisia de caluniá-lo por isto é especialmente danosa à democracia e ao atual processo eleitoral”.

– Ali Masrui, apesar de crítico do comunismo na África, porém também é crítico do capitalismo e neoliberalismo no continente, com posições contra Israel.

– Jacques Le Goff, que se considerava “um homem de esquerda”.

– Muniz Sodré, que integra(ou) o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do governo, votou em Lula, apesar de tecer algumas críticas recentes.

– Porto Gonçalves, membro do Grupo Hegemonia e Emancipações do Conselho Latino-americano de Ciências Sociais (Clacso). Colunista (ou ex) da Revista Carta Maior.

– Nicolau Sevchenko, que afirmou sobre a elite: “esse processo como uma espécie de estratégia dos grupos dominantes para manter o sistema de privilégios nos quais estão encastelados desde a colônia”. Fala a favor de grupos civis que são críticos a biotecnologia.

– Wlamyra Albuquerque, pesquisadora que, dentre seus artigos, escreveu para revista Perseu, da Fundação Perseu Abramo do Partido dos Trabalhadores (PT).

– Lilia Morics Schwarz, professora da FFLCH, também empática ao conceito de conflito de classes e preconceitos, favorável a cotas.

– Ziraldo, que aparece com uma charge, não sendo demais afirmar que integrou comitiva com a Dilma, e diz que a ama.

– Sergio Buarque de Holanda , vinculado à esquerda .

– James Rachel, com tendências utilitaristas, defensor de ações afirmativas e idéias vegetarianas .

– Cita a publicação Caros Amigos, de tendência óbvia.

– De formação clássica, os únicos autores citados que detectei foram David Hume e São Tomás de Aquino.

– Em relação aos temas, várias questões ambientais, a proposição de grupos criminosos como o MST como forma de atuação democrática, questiona a direção econômica da China como oposição à extinção de classes, aborda a crise de 2008 com epicentro nos EUA esquecendo da crise atual com epicentro AQUI mesmo.

Ressalto que a questão no momento (isto pode ser feito em momento oportuno) não é combater qualquer um dos aspectos acima, uma vez que os estudantes devem conhecer todos os lados e abordagens, mas sim mostrar que os estudantes têm tido acesso apenas a uma visão de mundo, sendo tolhidos de maiores incursões em uma cultura mais geral. Mostrar também mais uma ingerência ideológica governamental na educação dos jovens.


Sergio Nunes, 39, é formado em Direito pela USP e em Medicina pela Santa Casa de São Paulo e Mestre em Direito Econômico. Atualmente, é professor da Academia de Polícia de São Paulo e palestrante eventual da Escola Superior de Guerra.

Loading...

5 comentários para “Resumo da primeira prova do ENEM 2015

  1. Misael

    Concordo com todos os comentários acima! Eram questões claramente enviesadas, formuladas com o único intuito de pôr em ação o plano de dominação marxista encampado pelo PT, movido a petrodólares cubanos e a soldo também de Rússia e Coréia do Norte! Ridículo que somente os sujeitos à reprogramação marxista satânica que atenta contra os valores universais de Deus, pátria e família passem nesse exame. Não é de se estranhar que, nas universidades, só estudam Marx e outros ”pensadores”.

    Responder
  2. Walter Pereira de Carvalho

    Que o exame existe e está ai sendo aplicado é fato, todavia, qual o seu objetivo ?
    Diante de tudo o que li aqui e das posições de cada um defendidas, vem a minha mente uma única pergunta:
    – O aluno está preparado emocional e tecnicamente, com maturidade o suficiente para esse debate ?
    Acredito que o exame está sendo usado como plataforma e o aluno está mais uma vez esquecido.
    A prova não é feita para avaliar ninguém que nela está inscrito, salvo melhor juízo, inclusive por ser uma prova extensa em demasia e que impede qualquer reflexão de um jovem de 17 anos.
    Não esteremos sendo egoístas demais em manter esse modelo de avaliação ?
    Um cadastro com os prontuários dos alunos e gente séria para avaliá-los não seria uma boa forma de levarmos os alunos à Universidade ?
    São apenas algumas idéias se o interesse real for mesmo a formação acadêmica de pessoas livres para decidirem o seu destino.
    Gostaria que as respostas não viessem como peça processual, cheia de julgados e doutrinas de outros autores, pois o que está em discussão aqui é a capacidade individual de apresentar sugestões para a melhoria. Ademais, advogados que se apoiam em doutrinas para firmar convencimento são aqueles que usam o verbo para esconder o raciocínio.
    Abraços a todos.

    Responder
  3. Marcelo Vicentin

    Este Exame faz jus ao nome: Examinar quais cabeças estão melhor doutrinadas para passar à próxima fase de alienação. As cabecinhas marxisatanizadas obterão bom êxito no resultado da prova.

    Responder
  4. Marcelo Vicentin

    Um sujeito com tantas dificuldades com a Língua Portuguesa, considerado autoridade em alfabetização explica a conjuntura atual da deseducação de nossos alunos.

    Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *