Resumo da primeira prova do ENEM 2016

Novamente, o médico e advogado Sergio Nunes faz um comentário sobre os temas da primeira prova do ENEM.

Publicado originalmente em https://www.facebook.com/sergio.nunes.545/posts/1598101113548721.

ANÁLISE DO ENEM 2016

Para manter a tradição, fiz mais uma vez a análise do Enem, especialmente da Prova de Ciências Humanas e suas Tecnologias, na perspectiva político-ideológica. Em termos gerais a prova mantém seu viés anticapitalista, antimercado, ambientalista, antiglobalização, com menção a autores marxistas, e mantendo o grande problema de não abrir espaço para o contraditório, para autores de linhas opostas.

No entanto, houve uma discreta queda na abordagem parcial, um leve aumento de questões neutras, e uma leve melhora nos citados da linha esquerdista; um tipo de maquiagem tênue.

Assuntos:
– Contra a democracia deliberativa, contra negociação e consenso, a favor de ativismo de minorias que não faz concessão
– A favor do expansionismo chinês, contra visão ocidental
– Defende a visão trabalhista do Estado Novo
– Critica tecnologia industrial como fonte de desigualdade
– Questões sobre ambientalismo
– Questão afirmando uma coerção econômica que tolhe a liberdade
– Crítica contra expansão da fronteira agrícola
– Questão afirmando que a força de trabalho é equiparada a mercadoria
– Crítica a visão eurocêntrica
– Questão sobre feminismo
– Questão sobre “função social da cidade”, como crítica capitalista
– Fala corretamente contra as ditaduras sul-americanas, no entanto quando menciona perseguição de oposicionistas, não menciona terrorismo e guerrilha na contraparte que buscava outra ditadura
– Pontos de evolução: menciona em uma questão avanço técnico das telecomunicações, expõe graves sinais de simpatia ao nazismo e anti-sionismo no Brasil no período do Estado Novo.

Autores mencionados ou citados:
– Adorno e Horkheimer (ícones marxistas da escola de Frankfurt)
– Karl Polanyi conhecido por sua oposição ao pensamento econômico tradicional, na vertente heterodoxa
– Francisco de Oliveira, sociólogo cujas teses de seu livro famoso criticando a razão dualista, era baseada no marxismo e teses da Cepal
– Henrique Padrós integra(ou) conselho revista História & Luta de Classes, escreveu artigo sobre a esquerda tolerante do Uruguai (Frente Ampla)
– Dulce Pandolfi, ex-membro da ALN, diz sobre o discurso de Dilma no Senado: “Foi um discurso histórico, de uma estadista, que vai marcar a história desse país”. Aparece ostensivamente em foto com Lula.
– Porto-Gonçalves que tem foco em pesquisas de conflitos agrários, movimentos sociais, causas indígenas, crítico do neoliberalismo
– Rogério Haesbart, que aparentemente não se julga parte da geografia crítica, mas critica lógica capitalista, tem posições com base em autores como Marx, Gramsci, Harvey, Foucault
– Rachel Soihet, fala sobre feminismo e violência de gênero
– Marta Abreu, fala sobre “pós escravidão”

Autores de abrangência geral/universal ou então mais neutros (com aumento em relação a prova de 2015):
– Schopenhauer, Políbio, Descartes, Heráclito, Parmênides, Shakespeare, Nietzsche, Durkheim, Hans Jonas.

Em síntese, mantém-se uma visão particular estreita, sem abrir espaço ao contraditório, sem desenvolvimento de visões diferentes, no entanto com leve amenização; deixando desta forma a prova de 2015 ainda mais catastrófica.

Minha breve análise de 2015: http://reaconaria.org/colunas/colunadoleitor/resumo-da-primeira-prova-do-enem/


Sergio Nunes, 40, é formado em Direito pela USP e em Medicina pela Santa Casa de São Paulo e Mestre em Direito Econômico. Atualmente, é professor da Academia de Polícia de São Paulo e palestrante eventual da Escola Superior de Guerra.

 

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