Reinaldo Azevedo tem razão

No debate público brasileiro, o jornalista Reinaldo Azevedo não é voz isolada no ataque à Lava Jato nem na defesa do Estado de Direito, mas é o único nesse campo que se autodeclara de direita, liberal, conservador e que defende brava e obtusamente o PSDB.

Justiça seja feita, seu estado-de-direitismo não é um siricutico oportunista, como o é no caso dos petistas diretos e indiretos, mas uma profissão de fé exercida desde ao menos o início de seu blog na Veja Online. Isso não o isenta de que seja seletivo na aplicação desses princípios, de que ignore argumentos jurídicos que descancam os seus ou de que recorra à política e à moral quando a lei não está ao seu lado.

Sua principal acusação à Lava Jato, por exemplo, foge ao legalismo simplório. Embora ele critique pontualmente cada peido que dão o juiz Sérgio Moro, o procurador Deltan Dallagnol ou o PGR Rodrigo Janot, sua grande crítica ao trabalho deles é o “salvacionismo”, a “refundação da República” e a “destruição do Brasil”.

Nisso, ele tem razão. A Redemocratização entregou o Brasil na mão de bandidos. A resolução de problemas que tornam a vida brasileira cotidiana um inferno e nos fazem ter vergonha ao invés de orgulho do nosso país passa por inúmeras instâncias de corrupção e ideologia, da altíssima carga tributária ao democídio de 70 mil assassinatos por ano. A Lava Jato sabe que para destravar esses caminhos não basta apenas cumprir sua tarefa. É pouco prender um Eduardo Cunha e um Luís Inácio quando os três poderes da República estão infiltrados por bandidos em seus mais altos escalões.

Mas é preciso fazer um reparo semântico: para Reinaldo Azevedo, “Brasil” significa uma rede de políticos mais ou menos corruptos. O temor que ele ainda não expressa claramente é que os destruidores dessa rede profissional não possam oferecer nada de bom para substituí-la. Talvez seja exagero e não seja assim tão difícil tocar um congresso com políticos amadores, servidos por assessores concursados que são os que realmente conhecem as engrenagens jurídicas, orçamentárias, fiscais etc., mas de fato há exemplos históricos da Rússia ao Zimbábue de revolucionários que expropriaram industriais e fazendeiros e que depois não tinham quem colocar no lugar.

Na terminologia conservadora, o nome desse temor é prudência. Reverenciada por muitos deles como uma deusa, é ela que confere razão ao jornalista quanto à defesa do Estado Democrático e de Direito. E ele está certo quando diz que só há duas maneiras de resolver as coisas: na política ou na porrada.

No Brasil Redemocratizado, 30% do eleitorado brasileiro flertam com a segunda maneira para lidar com os outros 70%, ou ao menos a lavar as mãos enquanto seus “aloprados” fazem o serviço sujo, como demonstra, por exemplo, a percepção que a esquerda em geral tem dos black blocs, que depois do rebranding são chamados pelo marcos-mionesco apelido de “antifa”. Dos 70% restantes e além, há um número cada vez maior disposto a retribuir a gentileza. Nossa própria história ensina uma lição do que acontece com a minoria radical quando ela chega ao poder e começa a tripudiar sobre os valores do povo: perde 400 e tantos militantes sob uma ditadura apoiada pela maioria silenciosa. E ainda tivemos sorte; a história do Terror Vermelho espanhol é parecida, mas os números e os episódios são infinitamente mais sombrios.

Reinaldo Azevedo não articula isso com todas as letras, mas a melhor justificativa para apoiar o PSDB é discutivelmente conservadora. Afinal, o que um partido de direita faria no poder, obstado por aqueles 30% que ora defendem “democracia representativa” como eufemismo de “tirania da minoria radical”? Colocaria mais dezenas de milhares de pessoas na cadeia? O Brasil do PT é uma onça possuída pelo demônio. Um presidente de centro-esquerda tenta agradá-la, mas um presidente de direita seria obrigado a tentar cavalgá-la. Neste ponto, Reinaldo Azevedo poderia aproveitar uma lição pacifista de Olavo de Carvalho: sem mudar a cultura do país, não adianta nada mudar quem dá as cartas no poder. É preciso pensar adiante, morder a onça e inocular o veneno que aos poucos cobrará o resto de sua minguante vitalidade.

E embora o jornalista tenha razão quanto a tudo isso, não deixa de estar profundamente errado quando se olha o quadro geral da cultura brasileira: temos um povo de costumes conservadores que não tem representação político-partidária, a não ser por uma ou outra figura avulsa. Na Redemocratização, esse povo foi obrigado a decidir sempre entre esquerda e centro-esquerda, que prometiam o que podem prometer: serviços materiais básicos gratuitos e de qualidade — e mesmo nisso foi deixado na mão.

O pacto pacífico de Reinaldo Azevedo é sustentado pela corrupção tolerável de Eugênio Aragão e vai aos poucos, no ritmo da malha metroviária de São Paulo, melhorando a economia e a infra-estrutura. Enquanto isso, os valores das pessoas vão para o brejo como discordâncias sadias, típicas da democracia. Esse espírito conciliatório entre a maioria silenciosa e a minoria radical é o mesmo que anima a ONU, a UE e o “deep state” americano, e é a manifestação de um problema cultural profundo: seja sempre feita a vontade das crianças, porque senão elas fazem bagunça.

Na Europa, a não ser pela Guerra Civil Iugoslava, esse pacto social de fato trouxe a paz. Mas no Brasil, nos Estados Unidos e além, ele trouxe também uma consequência injusta: o povo de direita nunca poderá ter um governo de direita. Agora, a maioria silenciosa, omissa e pacata tem a chance de decidir com consciência entre ser tripudiada, humilhada e comandada por aqueles que sustenta e que dela sentem asco e vergonha, ou ir para o quarto pegar a cinta.

Texto do nosso amigo Zambinos. Reproduzido com autorização do autor

9 comentários para “Reinaldo Azevedo tem razão

  1. Leonardo

    Pq Reaçonaria dá importância a essa bost.a de RA? Todos conhecem o tipo, nem quando parecia algo proveitoso e enganava alguns, me iludi. Daqui a pouco, vai aparecer em alguma delação, igual ao dilma bolada. Concordo, Bolsonaro é a cinta.

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  2. Pedro Rocha

    O texto é tão incoerente, cheio de erros e adesões ao esquerdismo (chamou governo da ARENA de “ditadura” é porque faz flerte com a linguagem terrorista de Mariguella e da esquerda) que a única coisa que deu para entender é a defesa enviesada da “estratégia das tesouras” como um mal necessário que trouxe paz à Europa (um muçulmano daria risadas) e a do pena de aluguel do PSDB.

    Fiquei até com medo agora de que o “Reaçonaria” também tenha dado um passo à esquerda, para publicar um texto tão pobre. Não seria o primeiro, nem o último…

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    • Editor Posts do autor

      Na verdade o texto diz que agora é a nossa hora e isso assusta. Talvez o título estimule uma leitura enviesada do que o texto não quer dizer: “Agora, a maioria silenciosa, omissa e pacata tem a chance de decidir com consciência entre ser tripudiada, humilhada e comandada por aqueles que sustenta e que dela sentem asco e vergonha, ou ir para o quarto pegar a cinta.”

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      • Pedro Rocha

        Obrigado pela atenção dispensada.

        Complementando, acho que não é só o título, mas o texto está confuso mesmo. Creio que o motivo seja a defesa do indefensável – Reinaldo Azevedo – pois ele hoje virou um pena de aluguel como qualquer outro. Sei que ele já foi melhor e até acho que ele esboçou verdadeiramente uma simpatia pelo conservadorismo na década passada (não é de agora que ele está mudando, como muita gente pensa), mas é difícil para um materialista se tornar conservador sem ser cristão, algo que Reinaldo Azevedo nunca foi por conta de ainda ter ideias socialistas.

        O autor concorda com o tucano de que a operação Lava Jato é “salvacionista” mas não diz o porquê, chama os governos da ARENA de “ditadura”, nomeia de “prudência” a defesa do establishment corrupto herdeiro dos bolivarianos, chama terroristas e simpatizantes de “militantes” e invoca uma comparação descabida com a Guerra Civil Espanhola! Além disso, se contradiz ao dizer que é necessário mudar a cultura do país mas que temos um povo de costumes conservadores: se é para mudar, só se for para deixar como está para continuar a ser esquerdizado!

        Não conheço o autor do texto, mas o que vai acima escrito não parecem ideias conservadoras, mas os tipos que têm medo da direita “true”/”xucra” e que prefere a coleira socialista Fabiana à liberdade. Não acho que a “direita” esteja pronta para 2018 pois sequer ainda temos um partido para chamar de nosso, mas não compactuo com esse conformismo derrotista.

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        • K Salles

          Esses dois sujeitos acima são perfis falsos do próprio Reinaldo Azevedo, ninguém percebeu?. Leiam com atenção para identificar o estilo dele.

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  3. Leonrdo X

    RA parece apostar que o Brasil continuará entre a foice e o martelo e em 2018 os tucanos voltarão ao poder depois do desmanhe do PT. Então, graças ao seu “notório saber jurídico” e reputação ilibada, ele será agraciado com um cargo na Suprema Cortesã pelos relevantes serviços prestados
    à facção trotskista – os mencheviques do PSDB.

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