Frouxidão incurável

Trazemos na Coluna do Leitor de hoje um artigo enviado por e-mail por um leitor de Natal, Rio Grande do Norte. Na opinião de Carlos Eduardo Galvão, faltou ao PSDB uma postura mais incisiva nas críticas e isto explicaria o desempenho, até aqui, abaixo das médias históricas do partido. Leiam:

FROUXIDÃO INCURÁVEL

tucano machucado

Tucano machucado

A postura covarde do PSDB no papel de oposição não é nenhuma novidade para quem acompanha a política nacional mais de perto, mas em período eleitoral não desabafar a respeito desse tema, causa uma sensação no mínimo asfixiante.

Em qualquer democracia razoavelmente saudável, a inépcia governista e sua evidente tara autoritária seriam um banquete retórico para a oposição. Mas não aqui! Nesse país, o produto da revolução gramsciana atingiu sua forma mais bem acabada – provavelmente, nem o próprio Antonio Gramsci no melhor dos seus sonhos tenha vislumbrado um cenário tão “perfeito”-, e dentro desse contexto catastrófico, nosso principal partido de oposição, tenta combater o inimigo, engessado por uma espécie de código de conduta criado dentro dessa atmosfera gramsciana, por definição sempre favorável ao partido de esquerda hegemônico. Isso ajuda a explicar a sensação de “pisar em ovos” que transparece aos olhos de um observador mais atento, toda vez que os tucanos são “obrigados” a criticar ações do governo. Críticas essas, que fique claro, se limitam a apontar falhas pontuais na gestão petista. Algo a mais do que isso pode soar muito radical, não sendo nenhum pouco condizente com a imagem de bons moços dos nossos oposicionistas. Um Oposição frouxa num ambiente hostil, eis a nossa realidade.

Seguindo à risca um roteiro kafkiano, passou a ser terminantemente proibido falar diretamente à população sobre as investidas de caráter autoritário e golpista dos petistas, como o mais recente e escandaloso Decreto 8243; mostrar a relação promíscua do PT com grupelhos radicais, nunca!, como alguém poderia ser contra os “movimentos sociais”; mencionar o termo ‘Foro de São Paulo’, nem pensar!, isso é coisa de lunático da extrema direita.

Aí você me diz: “Ah, mas o mensalão? O PSDB bateu muito nessa tecla”. É verdade. Com todo aquele talento argumentativo para nocautear o adversário que lhe é peculiar, eles contribuíram bastante para tornar esse escândalo um caso de corrupção comum, e não o atentado descarado contra a democracia, como foi de fato.

A busca por votos e o trato com os eleitores são outros momentos onde a vocação derrotista tucana aparece com vigor invejável. Desconheço outro partido que renega os seus eleitores e bajula aqueles que jamais serão seus com tanta dedicação como faz o PSDB.

As tentativas desastradas de emular os petistas no quesito populismo são outras facetas do masoquismo tucano. Quanto mais o PSDB se esforça para parecer esquerdista além da conta, mais ele contribui para deixar o terreno nas condições ideais para o PT pôr em prática o seu nefasto repertório eleitoreiro.

Essa estratégia suicida se fez presente nas últimas três eleições, atingindo o auge do ridículo e patético em 2010, quando o candidato José Serra evitou a todo custo criticar o então presidente Lula, e para completar, escondeu a maior referência do seu partido, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Parecia que nesta eleição as coisas seriam um pouco diferente, os otimistas alardeavam que Aécio Neves vinha fazendo críticas mais duras ao governo e tomando posições mais liberais. Só que transcorridas algumas semanas de campanha eleitoral, o tom do candidato ainda não subiu, ficando num nível bem similar ao das eleições anteriores. Nessa toada, as chances de vitória, que já não eram grandes, vão diminuindo a cada dia que passa.

Em caso de mais uma derrota, restará ao PSDB torcer para que o movimento “neoconservador”(ainda tímido) que surgiu nos últimos anos não ganhe representatividade política. Pois a formação de partidos políticos que levantem bandeiras liberais-conservadoras legítimas, implicará na perda de boa parte do seu eleitorado. Nessas condições, ou os tucanos finalmente tomam coragem e viram à direita para sobreviver, ou será a derrocada definitiva dos frouxos incuráveis.

Carlos Eduardo Galvão

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3 comentários para “Frouxidão incurável

  1. Carlos Dall Alba

    Então, com isso, estamos fadados a mais 4 anos de ptismo seja com a anta ou seja com a ET? Tenhamos paciência…agora urge sair do ptismo, o gramscismo incrustrado, fique para depois. Uma luta de cada vez.

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  2. Nélio

    Aécio começou a perder essa eleição em 2006, quando o contingente nacional que enxerga esperava dele um desprendimento patriótico e ele negou isso à Nação. Antes disso, FHC já havia cometido um crime de lesa-pátria ao colaborar com a sobrevida petista.
    De lá para cá aquele contingente político só aumentou, mas a atitude de Aécio não mudou. Ele literalmente recusava-se a ser um contra-ponto ao PT, trocando a construção de um referencial por uma eterna cara-de-paisagem. Quem não se lembra do patético e medíocre discurso dos cem dias? Ali ele se identificou com o “status quo” político, cada vez mais odiado pelos brasileiros.
    Agora ele vem a bordo de um mega acordo e recheado de colaboradores de respeito, oferecendo uma realidade que ele negou à Nação.
    Aécio já perdeu esta eleição para Marina, como perderia para Dilma. Não porque esta última obteria uma votação consagradora. Para vencê-lo bastaria Dilma obter a votação histórica do PT, cerca de 33%. Aécio pode ter propostas para o pais, mas não se identifica com a Nação. Ele perdeu esta eleição porque se esqueceu de ser oposição, optando por se oposicinha. E ele não foi eleito senador para isso.

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  3. dudu

    Este é o ponto que eu concordo com o filósofo Olavo de Carvalho: o PSDB tem um acordo com o PT: o PT bate e o PSDB apanha… coisa de socialistas fabianos…

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