Dia D, 69 anos depois. What’s left?

Hoje temos uma edição extra e especial da “Coluna do Leitor”. O autor é um colega de todos nós da Reaçonaria e uma figura bastante conhecida pelas pessoas que acompanham textos políticos fora da imensa bolha governista: Flávio Morgenstern. Quem não conhece, pode acompanhar os twitts dele em @FlavioMorgen , seus posts no Facebook , seus artigos no Implicante e também contribuições antigas ao Instituto Millenium e Ordem Livre .

Leiam então o texto especial de Flávio sobre o Dia D

Dia D, 69 anos depois. What’s left?

Em 6 de junho de 1944, há 69 anos, tropas aliadas desembarcavam na Normandia para a batalha que decidiria a Segunda Guerra Mundial, selando de vez a já demasiadamente protelada derrota nazista. Os ensinamentos que a guerra poderiam ter deixado, ao contrário do comumente pensado, foram completamente perdidos.scissors_beat_paper[1]

A Segunda Guerra não precisou de muito para ser definida. Muito ao contrário da Primeira, a inferioridade bélica e econômica da Alemanha nazista era patente já no primeiro ano. A Primeira Guerra, de trincheiras (e carnificina muito mais cruel, apesar de, e talvez justamente por, não ser numa escala tão industrial), manteve-se empatada até a última batalha.

Seu significado político, cultural e ideológico – ou, mais especificamente, o imaginário coletivo que se criou sobre a Segunda Guerra – se perde entre as palavras. É comum, por exemplo, vermos associadas palavras como “conservador” e “fascista” como opostos a “esquerda” e “progressista”, quando deveríamos fazer um X com os conceitos invertidos.

Há poucos dias, pululou pelo Facebook, através da página Meu professor de História mentiu pra mim , a prova de um aluno que a orgulhosa professora de História Ana Caroline recebeu, após explicar a seu aluno que o nazismo (nacional-socialismo) é, afinal, uma variante do socialismo – portanto, ao contrário do comumente feito, uma ideologia que pode ser encaixada na extrema-esquerda (a história pode ser lida n’O Insurgente ).

Muito antes de qualquer debate racional, obviamente, o que se seguiu foi um octógono fechado com faniquitos puramente histéricos, com ataques de pelanca tão gritantes que as penas caíam na enfastiada plateia. Tudo porque a professora apenas cometeu o pequeno deslize de ensinar para crianças o conteúdo de conceitos sem tomar cuidado com o efeito sentimental que palavras como esquerda, direita, nazismo e afins têm sobre as pessoas.

A gramática política da irracionalidade

Palavras pesadas como nazista, racista, homofóbico, misógino são hoje moeda corrente na esquerda porque, como explicou Ben Shapiro, as pessoas assim pechadas pela esquerda odeiam ser associadas com essas coisas horrendas. Assim, com o tempo, acabam calando suas opiniões em público, para não sofrerem com essas associações. Afinal, não faz sentido chamar um soldado da Waffen SS de verdade de “nazista” ou um membro da KKK de “racista”, da mesma forma que Che Guevara não se importaria com um “xingamento” como “comunista”. Em outras palavras, quem usa demais desse expediente sabe no fundo que está proferindo uma mentira.

Outro fator que deve ser levado em consideração é que a linguagem possui diversas dimensões, como já foi notado por Aristóteles e muito bem trabalho pelos escolásticos, que criaram o Trivium []. Uma palavra possui, por exemplo, a dimensão conceitual (o que o conceito procura recortar da realidade), a dimensão etimológica (qual a origem histórica daquela palavra), a dimensão emocional (quais as emoções que, mesmo historicamente, são associadas a uma palavra – pense-se em “leproso” ou “doutor”, por exemplo).

É nessa dimensão emocional que as coisas se enroscam. Sempre que se profere uma palavra, quem a emite é um sujeito humano. Não é possível, portanto, falar em direita e esquerda sem ser uma pessoa que fale de direita e esquerda, e essa pessoa terá suas opiniões sobre tal espectro, que podem ou não corresponder às da sua plateia.

Opiniões podem ser bem fundamentadas ou não, mas sempre que se procura comunicar ou, ainda mais, discutir tais termos, é preciso lembrar que, arraigadas ou não, há emoções e valores associados a tais signos, antes mesmo de se tentar discutir seriamente algo (ou tente propor um “debate prós e contras do nazismo” por aí para ver o que te acontece).

Não se pode, portanto, partir tão somente de uma dimensão conceitual (analisando pura e idealmente o que um conceito representa, e suas semelhanças e diferenças de outro) tentando inverter sentidos históricos que, mesmo que de uma maneira postiça, ou mesmo invertida, se arraigaram a esse termo (por isso, mesmo com o socialismo no nome do nazismo, não adianta bater na tecla de que ele é de extrema-esquerda, ainda mais para pessoas de esquerda que não costumam conhecer as origens socialistas do movimento). Sobretudo, não se pode propor uma revisão de conceitos comumente usados (ainda nem havíamos entrado na esfera do uso da palavra), tentando encontrar um uso mais “científico” ou rigoroso, sem atentar para as emoções que as palavras carregam e suscitam.

A esquerda que você deveria conhecer, por Erik von Kuehnelt-Leddihn

Talvez o maior estudioso do fenômeno da esquerda tenha sido o teórico austríaco Erik von Kuehnelt-Leddihn. De família nobre e portador de uma herança que lhe permitiu não precisar gastar tanto tempo trabalhando, Kuehnelt-Leddihn gastava seu tempo estudando de maneira assustadora. Era capaz de falar oito línguas e ler em outras dezessete (!). Ministrou até aulas de japonês em Universidades americanas, dado seu conhecimento enciclopédico. Trocava de assuntos e cursos com facilidade de proporções googlísticas.

Erik (para evitarmos seu sobrenome) escreveu a mais recheada análise do movimento esquerdista, o livro Leftism, From de Sade and Marx to Hitler and Marcuse (disponível no Mises Institute), já assusta pelo título, ao colocar Hitler lado a lado com Marcuse como grande representante da esquerda. O complemento, Leftism Revisited, chegou até Pol-Pot.

Apesar de se auto-proclamar alguém de “liberal de extrema-direita” (ou seja, conservador de fazer Olavo de Carvalho e William F. Buckley parecerem dois libertinos), já se aproveitando do possível oximoro conceitual (mas cuja dimensão histórica quase deixa claro seu pensamento), teve como seu foco de estudos não o comunismo, mas o nazismo, tentando sempre responder como aquilo pôde acontecer.

Sua resposta vai de encontro ao sensus communis (em latim, justamente o poder de gerar ímpetos no indivíduo em uma representação coerente) que acerca tais termos: nazismo e comunismo são movimentos profundamente democráticos. Isto é, são movimentos que lidam com as massas, buscando novos privilégios que não existiam antes (o que nosso professor de História nunca notou de semelhante com o que narrava sobre a esquerda). Não à toa, são movimentos de democracia direta e decisões assembleísticas, com controle geral recaindo no partido dominante (a ponto de deixar de ser um partido e ser o todo político).

Erik demonstra que a democracia como movimento de massa reivindicando direitos próprios, anti-individuais e abstratos, sempre resulta em totalitarismo – ou a própria democracia, na prática, é um totalitarismo dependendo apenas de tempo e do controle total dos meios (acalmem-se, não falamos ainda do Brasil).

Para aliviar um pouco o choque, retomemos uma dimensão histórica: Platão, na República – na verdade Politéia (Πολιτεία), algo como a lei ou Constituição reinante num país território – define 3 tipos de governo, sendo a Politéia (chamaríamos erroneamente hoje de “democracia”) o governo de todos, democracia o governo de todos degenerado (chamaríamos “demagogia”, embora o termo também por ele usado e pouco conhecido oclocracia consiga descrever a situação atual do mundo de maneira assustadoramente perfeita). Assim, há uma oposição entre democracias de massa reivindicatórias conhecidas, em oposição a repúblicas como a Suíça e a América com sua Constituição.

Uma massa é domada de maneira simples: as pessoas têm vontades e ânimos, mas estes são individuais. Os movimentos esquerdistas dissolvem invariavelmente o indivíduo (pode-se ver isso bem na Escola de Frankfurt ou em Foucault) e busca-se um “bem comum”, abstrato e disposto a votações repetidas, em que, afinal, os próprios ânimos individuais digladiam pelo mesmo direito, vencendo os oradores mais fortes. Não é por outra razão que a esquerda é pródiga em formar oradores, músicos, artistas e intelectuais ligados à linguagem e ao imaginário coletivo.

Ou seja, tanto comunismo, buscando a “igualdade” e a libertação do homem do trabalho… através do trabalho, quanto o fascismo, vendendo o “bem comum” através do romantismo de uma realidade moldável através de um poder absoluto, apenas precisando ser ocupado pelas pessoas sensatas manipulando a onipotência estatal, são movimentos idênticos, e contrários à direita política. Esta, anti-revolucionária, individualista e contrária ao centralismo e ao Estado gigante por definição, não teria como deixar de ser inimiga mortal do nazismo.

Não é sem razão que os “reacionários” eram cantados no hino nazista, a Canção de Horst-Wessel, como os grandes inimigos do nazismo. Não é sem razão, tampouco, que um conservador como Churchill definiu sua convicção a uma plateia carola no tom provocador de emoções da frase “Se Hitler invadir o inferno, eu me aliarei ao demônio”. Foi com o socialista Stalin que Hitler fez um pacto de não-agressão contra as “potências imperialistas”, afinal.
O resultado é consabido. O comunismo ainda palpita como uma realidade possível em corações juvenis,. Mas o que aconteceu com seu “gêmeo heterozigoto”, segundo definição de Pierre Chaunu, o fascismo?

O fascismo que sobrou: totalitarismo invisível

Lew Rockwell, num dos textos mais importantes para se compreender política neste novo século, The Fascist Threat (aqui em podcast), diz o que todos sabemos: ninguém se considera um fascista em público, a não ser um pequeno grupo de militantes pouco expressivos, geralmente vindo de subúrbios onde grassa o desemprego (não à toa, o neonazismo é muito mais comum nas cidades da antiga Alemanha Oriental do que nas cidades dominadas pelo capitalismo).

Contudo, novamente os conceitos nos confundem mais. Alguém é favorável a sindicatos controlando as empresas contra a liberdade do “mercado” agir por conta própria? Alguém defende compra de votos e eleições fraudadas, como no mensalão? Alguém defende um governo se auto-sustentando por “gastos sociais” e expansão de crédito e muitos empréstimos?

Alguém é contra a planificação econômica e o fim da propriedade privada por acharem-nas muito radicais, mas favorável a um “reformismo” através de autarquias regulatórias, chamando de “capitalista” a um governo extremamente burocrático baseada no princípio da liderança carismática que desconhece seus limites, tendo sempre o mais precioso dos poderes – o poder para ter mais poder?

É exatamente isso que o fascismo é. É exatamente o modelo de governo que o Ocidente inteiro tem feito crescer em escala vertiginosa.

Quando se fala em fascismo e comunismo, lembramos sempre do fator mais emocional: o genocídio e o trabalho escravo, que fisicamente destruiu vidas de maneira industrial tanto no Holocausto quanto no Gulag, tanto na Shoah quanto nos expurgos.

capitalismo-socialismo-maniqueismo-imparcialidade-honestidade-intelectual-blog-thomas-conti-nova-historia-critica-mario-schmidt[1]Não é assim que será o fascismo do séc. XXI, que já existe diante de todos os nossos narizes, sob uma curiosa propaganda rigorosamente “anti-fascista”.

Como Ludwig von Mises já demonstrou no seu livro Socialism: an Economic and Social Analysis, o socialismo é impossível de acontecer, pelo problema do cálculo econômico. Ao menos, o socialismo “conceitual” dos livros de história e idolatrado pelo seu professor.

O que existe é sempre um sistema de dominação estatal completa da vida do indivíduo, que só consegue sobreviver trocando o que falta com seu vizinho de maneira proibida. As estimativas dizem que 50% da economia cubana é “mercado negro” (de café, pão e outras quinquilharias). É o que Mises já previra em 1922. O que resta é um sistema de controle da economia, deixando-a livre quando é preciso enriquecer, pegando o dinheiro quando chegou a hora.
Se matar os inimigos (seja por classe, como no socialismo, seja por raça, como no nazismo) não é mais função do Estado, não é por bondade: toda a morte passa á criminalidade, que cada vez mais é defendida sob pressupostos “sociais” e de “ideologia” ou “política” em seus crimes, e o discurso de ódio simplesmente passa aos intelectuais, que não matam diretamente, mas defendem os assassinos e suas atividades e sua soltura.

O trabalho escravo também não precisa mais ser feito em campos de concentração (como se vê em Gulag: Uma História dos Campos de Concentração Soviéticos, de Anne Applebaum, os campos gêmeos fascistas e socialistas foram feitos para serem auto-suficientes, nunca conseguiram e apenas acabaram sendo as prisões políticas mais violentas que o mundo já viu). O dinheiro continua indo pro governo através de impostos, crédito artificial, empréstimos e a criação artificial de dinheiro pelo Banco Central (vide o livro O Fim do FED, de Ron Paul).

O fascismo do séc. XXI aprendeu uma lição política fundamental: deixou de fazer as coisas direta e nominalmente em cima da população. Privatizou seu lado perverso, ou o escamoteou por manobras invisíveis à população, que continua a acreditar viver longe da ameaça fascista para todo o sempre.

Trocando Laranja Mecânica por Admirável Mundo Novo, criou-se o mais perfeito totalitarismo, em que sempre se ganha eleições e o povo aprendeu a aplaudir e dar a patinha.

*Agradecimentos à @Camila_F_P pela inspiração

Flavio Morgenstern
Redator, Tradutor, Analista de Midia

18 comentários para “Dia D, 69 anos depois. What’s left?

  1. Anonimo

    Como vocês são burros! Fascismo e Nacional Socialismo(nazismo) são doutrinas diametralmente opostas. O Fascismo Italiano não era racista pelo menos até setembro de 1938 quando Mussolini por imposição de Hitler implantou a lei racial contra os judeus não naturalizados na Itália. E o Mussolini tinha uma amante judia que escreveu vários discursos seus. O Nazismo era diferente, não cultuava o estado e para eles o cidadão vinha em primeiro lugar(pelo menos aqueles que faziam parte da raça ariana). O Hitler nunca condenou o livre comércio tanto que existia total apoio aos capitalistas. Não falem asneiras, não mintam com o intuito de angariar cada vez mais idiotas úteis para o lado de vocês. O Fascismo Italiano sim se aproximava da esquerda mas somente no campo econômico e olhe lá.

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  2. Anonimo

    Quanta idiotice em um só texto. E é engraçado como tem gente tonta e idiota que leva o astrólogo embusteiro a sério. Cala a boca Flávio Morgenstern, seu almofadinha metido a intelectual, cheio de palavras rebuscadas para parecer um “Intelectual”. Vai lá pra Virgínia cheirar a rola do seu ídolo kkkkkkkkkkk.

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  3. dudu

    Essa menina-criança Elza é daquelas patetinhas que o Pondé chamada de “inteligentinhos”!!! Burra como uma porta quebrada, arrota ter um “bogri”, onde de cima de sua superioridade esquerdopata “ençina” os “inguinoranti reassionarios” a “intender” o valor do “pençamento” esquerdopata e sua “çuperioridade” natural….kkkkkk. Burra, minha criança, leia de novo o texto 10 vezes, sem a sua mordedeira e tente entender o quão simples são as coisas…

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  5. Augusto Paiva

    Excelente texto. Vim parar nessa página através de outro texto mais recente do mesmo autor (A cruzada contra Rachel Sheherazade), que dispensa comentários, nada a acrescentar e todo elogio ainda é pouco. O que eu achei curioso é a gravura do ”comparativo” entre capitalismo e socialismo, cujo livro eu já folheei, quando minha caçula tinha um desse. Nos antigos livros de Geografia/História do ensino fundamental é assim, e muitos que liam exclamavam-se orgulhosos como socialistas. Há quem ainda diz que foi o socialismo que garantiu os direitos trabalhistas, quando na verdade foram os sindicatos nos EUA. Nos países socialistas não existem sindicatos tampouco direitos, vide Cuba que a esquerda festiva tão ufana. Deveriam fazer um x na gravura, colocando os significados de acordo com as imagens.

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  8. Elza A.

    Fiquei tão fascinada com seu artigo (não sabia que os comentários dependiam de moderação…) que não resisti e copiei para comentá-lo posteriormente no meu blog! Realmente, foi hilário!Abraços.

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  9. Elza A.

    UAU! Que imensa confusão vocês fizeram… Odeio a falsa esquerda brasileira, como também detesto a simulada direita nacional… Mas, esta tua AFIRMATIVA, é dura de digerir,kkkkkkk Dizer que “Palavras pesadas como nazista, racista, homofóbico, misógino são hoje moeda corrente na esquerda porque, como explicou Ben Shapiro, as pessoas assim pechadas pela esquerda odeiam ser associadas com essas coisas horrendas. Assim, com o tempo, acabam calando suas opiniões em público, para não sofrerem com essas associações. Afinal, não faz sentido chamar um soldado da Waffen SS de verdade de “nazista” ou um membro da KKK de “racista”, da mesma forma que Che Guevara não se importaria com um “xingamento” como “comunista”. Em outras palavras, quem usa demais desse expediente sabe no fundo que está proferindo uma mentira.”
    Então, nesta esteira, quem crucifica gay não é mais homofóbico? Quem odeia negro não é mais racista? Quem tem em casa bandeirinhas da Social Democracia e se veste de SS, festejando o aniversário do Füller, não é mais NAZISTA? SÓ porque o Ben Shapiro não quer??? UAU! E ELAS DEIXAM DE SER HOMOFÓBICAS,RACISTAS E NAZISTAS PORQUE “odeiam ser associadas com essas coisas horrendas.”? …,rrrrr… CARA, Você viu bem o que você escreveu? MORRI DE RIR COM A ARGUMENTAÇÃO “PODEROSÍSSIMA”! kkkkkkk
    Ah! Esta é realmente de matar! Bem típica de quem curte a total incoerência do Meu professor de história que mentiu pra mim…Aquela pagininha primária e enganosa do face que, a princípio, até engana masque no final, mostra quem realmente é: Incoerência e pretensão puras! Frutos naturais da imaturidade, PARA SER OTIMISTA ….

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    • Alisson

      Desculpe, Elza, mas você cometeu um erro de interpretação grosseiro.
      O texto nunca disse que membros da KKK não eram racistas nem que soldados da SS não são nazistas, o que ele disse é que essas pessoas NÃO SE INCOMODAM de assim serem chamadas, já que elas têm consciência do que são.
      O autor quis dizer que se uma pessoa se incomoda por ser associada com esses termos, é muito provável que ela não seja aquilo de fato, e esse incômodo causado pelas ofensas muitas vezes é utilizado como ferramenta para calar as pessoas que discordam de você.
      Por favor, leia o texto com mais atenção.

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    • Alexandre Telles

      Cacete, Elza!! Você tem um blog mesmo? É sério? Mesma com essa terrível dificuldade de interpretação de texto? Fico imaginando a qualidade dos textos e discussões que devem ser encontrados por lá.
      Deixa eu tentar te explicar o que o autor quis dizer:
      A maioria dos esquerdistas, na falta de argumentos, tem por hábito apelar para o [i]ad hominem[/i], com os famosos “fascista”, “nazista”, “reacionário”, “autoritário” e etc. Aliás, isso é comum no pensamento e [i]modus operandi[/i] deles de uma forma geral: acusam o outro de ser/fazer o que eles são/fazem. E isso vai desde uma simples discussão na internet até as “autênticas” arruaças que promovem nas ruas contra o aumento da passagem de ônibus (aham, claro, isso tudo só por R$ 0,20… acredito). Mas estou digredindo. O ponto é que pessoas que nem se conhece são acusadas de coisas sérias pela esquerda, na tentativa de desmoralizá-las e desqualificar seus argumentos. E como o autor explicou, alguns, de fato, ficam constrangidos e se calam, pois não querem ser associados à essas barbaridades. Em nenhum momento ele quis dizer que um soldado da SS não é nazista, que um caipira perseguidor de negros com capuz triangular não é KKK e racista, ou que o Che Guevara não é comunista. Pelo contrário! A ideia é que justamente por serem o que são (ou o que foram), ninguém vai acusá-los disso, pois a acusação perderia o sentido de constrangimento. A esquerda, quando faz este tipo de acusação a alguém, sabe de antemão que é mentira, que a pessoa não tem qualquer tipo de relação com tais movimentos, mas a função não é ser verdadeiro, é fazer com que o outro se cale através do desconforto, humilhação, etc.
      Espero que desta vez você consiga entender, caso contrário, você não estará rindo sozinha.

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    • Julio Alan

      Desenhando: Adjetivos são usados sempre que um questionamento (quando não se concorda pela fé) é aberto, normalmente por alguém mais imparcial. Este caso de adjetivação é o ataque “ad hominem”; uma opressão pelas palavras, ondem um não quer ouvir mais nada do que o outro tem a dizer; um “cala-boca” de recreio do 4º ano.

      Acontece quando alguém condena uma trepada em plena “parada gay”; a pessoa é tachada de “homo(sexual)fóbico”. Ou então não concorda com cotas raci(stas.)ais.

      Em um ou outro momento ou local, muitas pessoas deixam de questionar idéias do “status quo” pra não serem tachadas, sendo que apenas são pessoas que não concordam porque “disse-que-disse” e pronto.

      Simples assim.

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    • Rodrigo

      Elza A,
      ou você não entendeu nada do que leu ou é desonesta mesmo. Vou acreditar que foi somente não ter entendido o que leu. O que o autor disse foi exatamente como no seguinte exemplo: o sujeito diz que o socialismo matou mais de cem milhões de pessoas e o esquerdista logo o chama de nazista, racista, homofóbico, blábláblá. OU SEJA, o esquerdista xinga no lugar de contra argumentar, chama de nazista alguém que defende o capitalismo (nazismo = nacional SOCIALISMO, ou seja, é o oposto do capitalismo); chama de racista alguém que diz por exemplo que o Mandela defendia o genocídio de brancos, e isso está claro em videos no Youtube; chama de homofóbico acha falta de respeito que dois gays se beijem dentro de uma igreja, seja católica ou evangélica, numa celebração religiosa, mesmo que esta pessoa fale que é igualmente falta de respeito um casal hétero se beijar na mesma situação. Entendeu agora ou precisa desenhar? Entendeu o que foi dito, que a esquerda usa estes termos para xingar pessoas de coisas que elas não são e não praticam? Entendeu que é mentira chamar alguém de racista porque denuncia genocídio de brancos? Entendeu que chamar alguém que defende o capitalismo de nazista é mentira, porque o nazismo é uma ideologia filha do socialismo? Entendeu que é mentira chamar de homofóbico alguém que defende limites de comportamento para TODOS, inclusive para os homossexuais? Já conseguir entender ou devo achar que é desonestidade?

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  10. Slow Learner

    Parabéns, Flávio, pelo excelente artigo.

    Esse livro do von Kuehnelt-Leddihn é fantástico, tanto pela enorme erudição do autor como pela apresentação pouco convencional que ele faz da “democracia moderna” como grande inimiga da liberdade individual, e merece maior divulgação. Eu nunca tinha visto alguém além do Olavo comentar essa obra no Brasil.

    Uma coisa que me chamou a atenção, logo que comecei a ler, foi o cuidado do autor em apresentar a chamada “esquerda” como um fenômeno multifacetado, cujas distintas correntes competem entre si (ressaltando que essa competição não inviabiliza colaborações, assim como duas fábricas de sapato concorrentes certamente se uniriam diante da tentativa de abolir o uso de calçados). Compare isso com a irritante mania de apresentar todo o pensamento dito de “direita” como um bloco unívoco, de forma reducionista, para facilitar o ataque.

    Aliás, o pessoal “progressista”, diante de um autor como von Kuehnelt-Leddihn, não precisaria sequer ter o trabalho de ler uma página; bastaria dizer que o autor é um “Aristocrata-católico-reacionário” e que tudo o que escreve é em defesa da manutenção de seus privilégios. Assim, fazendo uso do polilogismo do qual falava von Mises, não é preciso encarar o debate; basta denunciar a “origem de classe” do autor para impugnar suas idéias. O triste é que não consigam ver a profunda relação entre essa postura e o nazismo…

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