Fardas de sangue

Por Breno Machado

Na infância sonhamos em ser grandes. Nosso desejo de voar se traduz em ser astronauta, ser jogador de futebol para sermos lembrados ou  até um dos mais belos desejos de ser pelo menos parecidos com aqueles que nos inspiram: nossos pais. Na sua grande maioria, os meninos sonham em ser policiais: alguém que protege, defende e mata os bandidos. O que era sonho ontem para muitos hoje, se tornou desgraça. Com o crescente número de policiais mortos e a nossa inércia diante da situação fica a pergunta: por quê?

Este texto não trata de análise sociológica nem científica dos fatos, apenas uma analise humana.

Quando alguém se forma policial, ganha além da farda, um atestado de óbito em branco. No Rio de Janeiro, só até o presente dia (13 de julho), 59 policiais morreram, no ano passado esse numero não chegou aos 30, mas em 2014 foram 102 baixas, segundo estatísticas da própria policia militar. Policiais estão sendo mortos fora do serviço, onde a política de segurança mais enganadora da história, patrocinada pelo secretário de Segurança José Mariano Beltrame, as UPP’s espalharam a mancha dos crimes por toda a cidade e por todo o estado. Além é claro, das situações desumanas que os policiais são obrigados a enfrentar nas próprias instalações.

Para não só ficar no estado do Rio de Janeiro, em São Paulo, só no ano passado, 136 policiais foram mortos por estarem em serviço,  ou através de emboscadas ou por tentarem evitar algum tipo de crime.

No Brasil, manchado pelo tratamento zero que os governos do PT em 13 anos deram a segurança, é mais seguro ser bandido, do que ser policial. Homens que não podem chegar em casa fardados pra não levantarem suspeitas, esposas que precisam lavar a farda dos seus maridos e por pra secar em um cômodo escondido para não serem vitimas de atentados. O resultado disso são homens e mulheres que sonharam em um dia se doar pelos seus e que agora sofrem com depressão, síndromes e arrependimentos.

Morte de PM não vende jornal e nem dá audiência. Morte de bandido para até rodovia federal. Ficamos tão anestesiados com tanta violência, que a morte de um policial não nos comove mais. Pessoas que largam suas vidas para darem seu tudo a todos, são tratadas como indigentes quando morrem.

Há alguns dias atrás, a morte de cinco policiais em Dallas, nos Estados Unidos, gerou comoção pelo país inteiro. O “Memorial Service” contou com a participação do presidente atual e o seu antecessor. Aqui quem ganha “honras de chefe de Estado” é bandido.

As fardas não se encontram mais com esperança, orgulho ou fé. Mas com desespero, frustração, dúvidas e sangue.

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David Brown, chefe da Polícia de Dallas (Foto: Tony Guitierez – AP)

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