A Cueca Cinza do Rei do Dendê

Por Tom Martins.
Postado originalmente aqui:
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A sátira, desde a comédia grega até as esquetes de Monty Python, passando pela ópera-bufa italiana e as cantigas de escárnio e maldizer do trovadorismo galego-português, sempre foi uma manifestação artística de grande importância.

Para sentir a minha língua roçar a língua de Luís de Camões, compus um singelo soneto satírico em versos decassílabos sáficos (com acentuação na 4ª, 8ª e 10ª sílabas) e rima abraçada nos quartetos e cruzada nos tercetos.

Advirto os leitores que esta é uma obra artística de cunho ficcional e que qualquer semelhança com fatos ou pessoas reais não passa de mera coincidência.


A Cueca Cinza do Rei do Dendê

Tão certo o gáudio da ilustre fama
De um homem nobre a esconder o ouro
Não buscaria o infeliz agouro
De deflorar aquela jovem dama

Decerto o flerte não foi por beleza
E nem tampouco foi pela estatura
Pois todos sabem que o gajo é pura
Ossada magra de causar tristeza

Foi mesmo a fama do reizinho ascoso
E seus vinténs, não a sua idade
Que a fizeram, do ser ardiloso

Desperdiçar a própria mocidade
Com afetado velho indecoroso
Perdendo assim a própria virgindade

Famigerado relacionamento
Que começou já no jargão penal
Continuou numa luta campal
Pra ter o público financiamento

E, entre um lobby e um protesto inútil,
Rios de dinheiro e muita alegria
Enfeitiçavam a mocinha fútil
A proibir qualquer biografia

Tão certo como dois e dois são cinco
Este casal agora era o capo
E, do dendê, a máfia era um brinco

Mas que ninguém mais tinha muito saco
Para aturar os dois com muito afinco
Sem que o ouvido amanhecesse um caco

Camaleoa, gueixa e a menina
Do velho magro foram os troféus
Mas é cruel o desígnio dos céus
E os troféus viraram uma angina

Ao defender o rapagão pelado
Sendo apalpado por uma criança
Voltou ao povo a velha lembrança
Daquele caso que estava apagado

É proibido proibir aquilo tudo
Que ele gosta assim como o dendê
Quem vê até pensa que ele é transudo

É bem melhor cobrar o seu cachê
E com imposto aproveitar bem tudo
Com um reforço dessa Lei Rouanet

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