Quando vai ter Black Friday do Judiciário?

Quem fizer uma breve pesquisa dos salários de quem prega desigualdade econômica no país, descobrirá não só o sentido da hipocrisia, mas que está custando cada vez mais caro manter esses anjos entre nós. Um governo estrangulado por sindicatos tem pouca capacidade para negociar redução de salários nessa crise nascente, por meio de cortes ou com abertura oportunidades a quem poderia fazer dez vezes mais por dez vezes menos. Dada a situação brasileira, não seria difícil encontrar substitutos mais vocacionados e com consciência fiscal.

Os privilégios perturbantes do judiciário chamaram a atenção do deputado Nelson Marchesan Jr. (PSDB/RJ), que está na luta contra os salários de megaempresários do STF, juízes e desembargadores. O Deputado, pelo seu twitter, tem recebido apoio popular e aplausos de quem exige que todos vivam sob a CLT. Apesar de críticas ferinas serem mais comumente dirigidas aos políticos, a fonte de renda de todos os que trabalham no setor público é a mesma. E o desperdício do erário popular é a norma, não a exceção. Diz o deputado em seu site:

O relatório do Deputado Federal Nelson Marchezan Jr., ao projeto de Lei 3123/2015, que tenta mais uma vez limitar o teto de remuneração de todos os servidores públicos, conforme determina a Constituição, deverá ser votado amanhã, pela Câmara dos Deputados.

Hoje, o teto de remuneração é a remuneração dos Ministros do STF, que é de R$ 33.763,00. Com as interpretações que privilegiam apenas a si próprios, as carreiras que já atingiram o teto, passaram a agregar outras vantagens às suas remunerações. Dessa forma, existem dezenas de milhares de servidores ganhando salários de R$ 60, R$ 80, R$ 90 mil, e outros ganhando ainda mais. Não há limites para as ilegalidades e abusos.

A intenção do projeto, que num ambiente jurídico sério seria desnecessário, é definir melhor o teto como tal. E, ao final, expressar que o cidadão não quer pagar a mais que o teto determinado, que já é um supersalário. “Temos verdadeiros abusos, uma corrupção legalizada, com interpretações das mais absurdas. Se antigamente tínhamos os nobres que cobravam tributos e deixavam migalhas para os cidadãos, hoje temos a neo-nobreza, essa casta dos servidores públicos que se acha melhor que todos os brasileiros”, reforça Marchezan.

Dar apoio ao deputado é ainda mais importante depois da vitória da pauta bomba, que mostra que a causa do funcionalismo é gerar mais desigualdade econômica. Precisamos pressionar a nobreza estatal a explicar o quão meritosos eles são para famílias que vivem com menos de dois mil reais por mês, que pagam aluguel e compram leite com o salário dos funcionários públicos embutidos nos preços. Quão necessários eles são ao criarem mais burocracias com o objetivo de gerar mais empregos no setor público?

Juízes teorizam que seus altos salários são justificados para se distanciarem do poder econômico, assim evitariam a sedução pelo setor empresarial em suas decisões. Com isso, eles chantageiam a população brasileira a pagar propina pela sua honestidade, e, quando achamos que estão satisfeitos, descobrimos que somos reféns. É impossível achar alguém no Brasil que seja honesto de graça?

Boa parte desse apelo popular de redução dos privilégios do judiciário são esforços de Claudia Wallin para mostrar a diferença entre modéstia dos funcionários públicos escandinavos aos sibaríticos servidores brasileiros. A página da jornalista tem o apoio de 22 mil pessoas, que regularmente assistem passivas à corrupção realizada pela via da legalidade.

O funcionalismo no Brasil é preocupante, pois não permite que funcionários sejam cortados quando tais medidas são necessárias. No casamento há divórcio por virtualmente qualquer motivo, mas demitir um funcionário público é virtualmente impossível. Uma vez passado no concurso, o servidor está ligado ao pagador de impostos até que a morte os separe. O serviço público perde sua função pública quando pensa em proteger mais os servidores do que o público.

Talvez, como gostam de dizer, a situação seja de inveja, mas só inveja quem quer imitar. Atrapalhar e trabalhar podem ser atividades forçosas, mas não são a mesma coisa. Há mais gente ganhando fortunas para atrapalhar a economia brasileira do que trabalhando para erguê-la. Não dá para se defenderem na ganância em que vivem, pois não fazem serviços públicos voluntariamente e recebem até mais que os gananciosos capitalistas do setor privado.

O funcionalismo é a maior base eleitoral da esquerda. Isso se dá não só por culpa do welfare interno ao sistema, mas porque se sua herança veio de um funcionário público e isso te tirou da pobreza, não importa se você é um empresário de sucesso, você ainda sentirá estar em dívida com o Estado, algo que dificultaria a formação de um pensamento cético com relação ao expansionismo estatal. Se Dilma resolveu mexer nos concurseiros, é porque a crise está pior do que pensamos.

Se querem discutir meritocracia e eficiência, podem vir! Irão finalmente entender porque a direita é a favor do capitalismo. Exatamente porque a ganância e prodigiosidade são fatores negativos na economia livre. Se liberais fossem menos míopes, enxergariam que só defendem esse sistema quando ele limita a ganância e beneficia toda a sociedade.

Ao fim, o funcionalismo está apenas atrasando o progresso do Brasil. O parasita mata o hospedeiro e morre com ele, e de nada adianta ir para a popa do Titanic na última hora. O poder de consumo distancia-se cada vez mais do salário, e tanto pobres quanto ricos sentirão isso. Talvez haverá um dia em que um funcionário do governo se pergunte: se o Mujica, que possui a responsabilidade de governar um país pode viver assim, eu não posso?

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

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