Precisamos de Uma Cultura do Carro

Essa semana houve a maravilhosa notícia para quem quer tirar sua carteira de habilitação (eu incluso): o governo finalmente quer que gastemos algum tempo em frente a um simulador, o que vai tornar ainda mais caro e demorado o curso para finalmente poder dirigir. O blog “tem algo errado ou estamos ricos” comenta que o preço  para tirar a carteira nos EUA é  tão baixo que se você ficar no semáforo uma tarde pedindo dinheiro dá para conseguir juntar.

Os valores do blog são antigos, mas se já reclamavam de 1000 reais da época, hoje valor dobrou para 2000 reais. E vi isso antes da regra do Ridge Racer – conservadores preferem Cruisin Usa e libertários Road Rash, divago.

Como mostra o site MyCSF o processo nos Estados Unidos é extremamente simples, rápido e barato:

  • Você não precisa assistir as aulas de legislação em uma escola conveniada, você estuda por conta própria e faz a prova;
  • Caso você reprove na prova de legislação, você pode tentar novamente no mesmo dia;
  • Caso você seja aprovado, você pode no mesmo dia tentar fazer a prova de direção;
  • Caso reprove na prova de direção, no dia seguinte você pode tentar novamente;
  • Você não precisa fazer aulas de direção. Ao passar na prova de legislação você recebe uma licença que te permite dirigir com alguém com experiência te acompanhando, dessa forma, os adolescentes (ou até mesmo adultos)  aprendem a dirigir com a ajuda de amigos/pai/mãe/familiares/etc.;
  • No Brasil o preço mínimo para tirar uma carteira de habilitação, é na faixa de 1000 reais. Nos EUA, com cerca de 30 dólares, você consegue ter sua carteira.

Não vejo acontecer mais acidentes nos EUA que no Brasil; pelo contrário, acho que o governo não quer que experimentemos as suas belas estradas.

O que acontece quando o governo encarece algo a ponto de se tornar inacessível e destruir os seus sonhos? Reduzir as regras e os gastos? Não! Ele torna isso gratuito. Agora ele pode forçar você a pagar de 10 a 30 carteiras através dos tributos. É uma maravilha para o governo e para quem fornece os serviços, afinal o governo toma o lugar do consumidor e é muito mais fácil agradá-lo do que um cliente. Logo estaremos dependendo do transporte público, e carteira será um item de luxo como por exemplo um certo smartphone de duzentos dólares.

O fetiche por ônibus que a esquerda possui supera o fetiche por caminhão do flogão. Bill Whittle, em um de seus melhores vídeos, comenta que a esquerda ama transporte público porque ama dizer quando e onde as pessoas devem ir. Carros e motos oferecem a cada pessoa a oportunidade de se programar e ir onde quiserem sem a ajuda dos iluminados do trânsito. É por isso que a cultura do carro nos Estados Unidos é tão forte que praticamente vem um na cesta básica.

Falando em carros, arrumaram um grande vilão para os preços absurdos praticados no Brasil: o lucro, mas das montadoras, não do governo. Qualquer um sabe – ok, políticos não – que é exatamente a busca por lucro que reduz a margem de ganho entre concorrentes livres (liberdade de concorrência no Brasil é estranho, mas temos bastante produtos em oferta). A suposta margem de lucro das montadoras, desconfio, é composta pelos tributos indiretos que ainda não vi serem contados: o preço do trabalhador brasileiro, os custos elevados de infraestrutura (energia, transporte, saneamento), e overall, respirar no brasil custa mais caro. Que dirá comer, pagamos mais caro não só por carro, mas até por salsicha.

Ao que parece, os Estados Unidos nunca condenou o lucro de ninguém. As gananciosas montadoras americanas e estrangeiras lá podem subir seus preços como quiserem e os preços ainda assim são mais baixos que aqui.

É a tributação indireta ou o protecionismo brasileiro mostra sua conta. Queremos garantia de empregos sobre poder de consumo, “ética protestante e o espírito do capitalismo” à brasileira.

De toda forma o lucro, em princípio, não é o vilão, é a salvação. Quanto maior a liberdade de barganha, maior o ganho do consumidor. Movimentar para haver mais concorrência é muito mais prático do que brincar de vaca amarela e fazer campanha para ninguém comprar carro novo. Quem comemora a saída de grandes marcas ou o fracasso geral da indústria automobilística brasileira pode começar a montar um estábulo.

Agora você sabe porque o governo quer investir em ciclovias. Corra que ainda dá tempo de achar alguma bicicleta em oferta antes que o governo comece a criar regras para ciclistas.

Cabe saber onde entram motos no esquema cicloativista. Essas maravilhas que tem tudo o que uma bicicleta tem, e mais, não fazem parte do plano porque poluem; e por isso, amigo motoqueiro, você que se vire costurando no meio dos carros.

Eu só acho que aquela idéia do governo construir estradas deu muito errado.

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

3 comentários para “Precisamos de Uma Cultura do Carro

  1. josé

    pagamos mais que um norte americano ou alemão em impostos para termos de infra estrutura ciclofaixas e pseudo ruas esburacadas e destruídas…. pergunte para um americano quantas vezes por ano ele faz alinhamento e balanceamento, troca de amortecedores, batentes, coxins e etc…. mas no projeto que nosso governo traçou para nós já pensaram nesses custos todos, afinal a manutenção da bicicleta é bem mais barata!!!

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