Papa, e a Ganância do Socialismo?

A passagem do Papa pela América tem levado a inúmeros artigos devido às suas críticas ao capitalismo. Do NYpost ao Breitbart e ao USAToday, ninguém da mídia ficou indiferente. O papa tem sido criticado e aplaudido por sua posição. Mas será que essa não é uma posição inadvertida? Veremos se o capitalismo não é o maior aliado do Papa.

Dinesh D’Souza em seu livro America: Imagine a World Without Her comentou que ninguém defenderia um sistema imoral somente porque funciona. É fácil defender o capitalismo e sua ilimitada geração de riqueza mas quase impossível defender capitalistas. Transformar em virtude algo que por toda a história compreendemos como um pecado capital é um golpe civilizacional. Quem é John Galt diante de Jesus Cristo? Quem é John Galt indeed! Se estamos defendendo um sistema baseado no menos pior, significa que não há modelo econômico para pessoas boas?

O problema ético também reside na popularidade de profissões heróicas que caracteristicamente pertencem ao Estado. Policiais, bombeiros e soldados são figuras indispensáveis que decidem colocar a vida em jogo e não importa o quanto recebam, jamais se superará o que podem perder exercendo o serviço. São essas pessoas que tornam sair na rua possível e mesmo os que não entendem de economia entendem o valor do sacrifício por essa razão. O american way of life seria impossível sem o mais poderoso exército já criado. As pessoas não trabalham na polícia porque não têm nada melhor para fazer que usar um colete no dia a dia como ferramenta de trabalho.

Como bem observado por Jonah Golberg em seu imprescindível Fascismo de Esquerda, a esquerda sempre slippery slope* para o militarismo por essa razão. No militarismo se encontram os ingredientes necessários como vigilância, coletivismo, obediência hierárquica e sacrifício ao dever. O socialismo não existe um dia sem um estado de guerra constante e sem forçar virtudes militares na sociedade e na economia, militarizando-os. As pessoas boas vêem, ao menos na juventude ou até chegar ao poder, o socialismo como um ideal heróico a ser alcançado, um bem fantástico que vale todo sacrifício, mas será que capitalismo exclui pessoas boas e não oferece um bem a ser realizado muito mais concreto?

O capitalismo como diz George Gilder, obriga até o mais ganancioso dos homens a colocar o outro sobre si mesmo. Ele não pode forçar ninguém a entregar dinheiro para ele então precisa dar algo de valor aos outros em troca Assim como o casamento constrita o desejo sexual em algo benéfico ao parceiro e toda a sociedade, o capitalismo ordena um sacrifício pelos interesses da sociedade. Um capitalista não necessariamente trabalha somente para si, mas para os interesses também de sua família, amigos, de sua Igreja e tem de colocar a sociedade sobre tudo para suprir esses interesses.

Os consumidores também não procuram comprar de pessoas gananciosas e imorais, a competição por preços acessíveis sempre vai beneficiar quem produz melhor com menos ganância, serviços são boicotados diariamente baseados na conduta de seus donos e empregados. Levar uma vida sem vícios, sem filhos fora do casamento ajuda a acumular fortuna enquanto que o socialista defende o vício com social safe nets** para que as pessoas dependam mais do Estado, e portanto dependam mais dele. O fato de milionários como Zuckerberg e muitos outros terem continuado trabalhando mesmo após não precisarem mais de dinheiro prova que há coisas que escaparam aos intelectuais, como o prazer de ver as pessoas aprovarem seu trabalho.

Nâo é o mesmo comportamento de um ganancioso que adentra o governo, que através de sindicatos e outros meios, com violência, toma dos outros para seu próprio welfare***, estando protegido por estabilidade e como está fora das regras CLTistas do trabalhador comum, não é possível boicotá-lo nem negociar com ele sem a ajuda de um político. Por ele dizer que oferta tudo de graça enquanto cobra pelos seus serviços ele pode ser o mais ganancioso dos homens. Ao caridoso seria menos penoso buscar ofertas no livre mercado que gerariam menos custos e ajudariam mais pessoas, mas não é assim quando é o socialista que monopoliza esse serviço. O socialista fica livre para cobrar o dobro do que qualquer empresário lucra em nome do hipossuficiente.

Direita: Lavando a louça antes de salvar o mundo.

Direita: Lavando a louça antes de salvar o mundo.

O capitalista tem de restringir seus apetites para ter sucesso, ao socialista basta transformar seus desejos em ordens aos políticos. Não importa agradar o pagador de impostos, mas fazer pressão sobre os eleitos pelo seu voto.

Não é difícil notar que é pior quando a ganância vem com violência e sutileza. É fácil admirar a austeridade thatcherista de Mujica – o primeiro socialista sem rolex – mas um governo que não oferte salário de megaempresários a funcionários públicos é hostilizado como se não desse valor ao serviço público: se quer ver o mais fiel comunista defender meritocracia e desigualdade econômica, critique a indústria do concurseiro. Pelo visto custa caro pregar igualdade econômica.

Veja como Estados ficam acorrentados demais pelos gananciosos para negociar austeridade. Sabemos que se o Estado demitir os gananciosos do seu meio, ainda assim haverá milhares de outros profissionais dispostos a fazer o mesmo serviço público com regras mais flexíveis que folgariam para o pagador de impostos ou abririam vaga para investimentos, mas o Estado não pode ofertar mais por menos porque todo um sistema paralelo ao governo foi gerado para proteger a ganância de uns poucos contra a sociedade e isso é visto como uma atitude libertária anti-Estado.

Ganância também é o que motiva Estados comunistas: O trabalho que fazem coletivamente é para superar um Estado que lhes seja concorrente, especialmente se for um Estado capitalista. O socialismo pode não desejar que empresários concorram entre si, mas fazem o que podem para que seu Estado seja mais forte que o do vizinho, econômica e militarmente, como a rivalidade da Coréia do Norte com a do Sul. Liberais, com bom senso, não são sempre pró-ganância, especialmente por pedirem limitações à ganância monopolizadora estatal e moderação nas aventuras militares, pena que perdem o bom senso quando não percebem que é a ganância que desrespeita as regras da competitividade e cria o protecionismo.

Capitalismo também justifica a caridade como melhor que o roubo.

Caridade e roubo tem os mesmos efeitos de redistribuição de renda, mas foge ao socialista que ao momento em que todos têm o mesmo nível econômico, a mesma quantidade de dinheiro, a mesma quantidade de propriedades, o que haverá em seguida? As pessoas criarão desigualdade porque irão comprar dos ricos de novo. Os ricos serão eternamente necessários para produzir os bens que precisamos comprar.

Esse é o problema da “caridade” governamental: a caridade não destrói o rico, não o sequestra e parasita, não usa violência para tomar seus bens, seu foco não é uma reivindicação de um direito sobre as propriedades dele, isso se assemelha mais ao pensamento de um assaltante. A caridade redistribui renda protegendo o direito de propriedade, o socialismo transformou o assalto privado em público, gratuito e de qualidade.

Mais importante, um ladrão pode usar o dinheiro que toma de forma ordeira e até gerar riqueza com ele, é fácil notar que se roubo fosse parte das estatísticas de redução de desigualdade, ajudaria a eliminá-la. Porque você acha que a esquerda defende sempre o lado errado em um assalto?

Fica bem claro qual sistema econômico promove a ganância em nome da utopia e qual coloca cada vez mais barreiras a ela em nome do bem comum, basta ao Papa ter essa percepção. Podemos discutir o problema ético das escolhas individuais dos consumidores mas não se trata de um problema econômico e sim cultural, basta o motto “O capitalismo é bom, o homem o corrompe” para entender esse problema. O Papa certamente tem grande dificuldade em achar virtuoso um sistema que transforma Nicky Minaj em milionária.

O maior dano que políticas socialistas causam é no caráter moral de uma nação, deseducando para de forma legal e com aparência de justiça justificarem a cobiça e a inveja aos que são maiores porque servem aos outros. Então nós temos um sistema que premia o auto-sacrifício, que limita a ganância, que limita a prodigiosidade, que desencoraja os vícios, contra uma ideologia que dá a todos os defeitos de caráter um passe livre usando o Estado. É fácil saber qual é a escolha das pessoas que desejam ser virtuosas e qual em tese, deveria ser a escolha aprovada do Papa.

Críticas ao comunismo certamente ficarão para uma próxima passada em Cuba.

* Trocadilho que em português ficaria algo como “corre inevitavelmente”

** Rede de proteção social

*** Bem-estar

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

Um comentário para “Papa, e a Ganância do Socialismo?

  1. Octavio Franca

    Esse Papa não me representa. O viés de esquerda adotado por ele desagrada profundamente a liberdade que nos foi concedida gratuitamente por Deus. Talvez por ser oriundo da América latina, continente que, por razões históricas, desenvolveu uma cultura anticapitalista, o Papa atual, motivado pelos apelos populares que norteiam as crendices da Teologia da Libertação, faz da razão de viver um compromisso com o próximo sem nenhuma contrapartida que possa estar em conformidade com a doutrina católica, condenando, com isso, o milagre da economia de mercado, o qual em seu bojo realiza com eficiência a multiplicação dos pães.

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