Os defeitos dos políticos são os da sociedade brasileira?

“Se eu fosse Dilma… Pobre Dilma. Não posso dizer o que eu faria no lugar dela”, disse o ex-presidente do Uruguai sobre a crise política brasileira. “A direita tem os meios de comunicação, os defeitos não são do PT. São da sociedade brasileira.”

E é assim que Mujica justifica uma das maiores organizações criminosas da América Latina: a culpa é nossa. Se o partido no governo compartilha da mesma genética que o povo brasileiro, somos todos cúmplices dos seus crimes.

Isso não é totalmente falso, afinal, em alguma medida até os santos batalham com o próprio mal como explícito em Romanos 7:19, mas o pecado original não desculpa a ausência de punição e uma visão desproporcional dos males cometidos. Só em mentes trevosas que temos de ter a mesma misericórdia com um ladrão de bala para um serial killer. A solução para a corrupção governista não é caso de conversão religiosa mas caso de polícia. Se Jack o estripador não inventou o assassinato, mas o deu suas qualidades doentias,  o PT deu à corrupção as suas qualidades psicopáticas não imitadas por nenhum outro corrupto: transformou a corrupção em instrumento de acúmulo de poder com toques de narcisismo.

O “Somos Todos Corruptos” só tem servido a quem o diz, afinal são todos corruptos menos quem diz “Somos Todos Corruptos”. É uma maneira fácil de ser holier than thou sem precisar subir o Cristo Redentor na escadaria de joelhos. Culpar a corrupção no povo brasileiro é a mesma coisa que fanáticos religiosos culparem desastres naturais nos pecados babilônicos das sociedades modernas. A corrupção não é um castigo divino e o PT não é o instrumento sagrado de Deus para punir a nação brasileira.

Mesmo se acreditarmos que culturas são diferentes, e há culturas melhores e piores, para que a corrupção no governo reflita a corrupção da população é preciso crer que vivemos em uma democracia e que por essa razão o povo está sendo bem representado pela sua classe política.

É uma presunção fácil de refutar pois não há partidos de direita – embora haja nomes dentro de partidos de esquerda que são centro-esquerda, centro, ou centro-direita – e não espera-se que o partido que leva o nome de progressista seja conservador, ou que o partido social-democrata seja idêntico ao GOP.

Sim, não existe nenhum estrangeiro nas nossas instituições e tampouco lhes faltam eleitores, mas mesmo se formos dizer que somos bem representados e vivemos em uma democracia, ignoraríamos que:

1) Há um eleitorado que não é corrupto: Procure o histórico de brasileiros no campo e se descobrirá um povo com uma moral sacerdotal. Eles passavam muita fome, trabalhavam no sol quente todos os dias juntos com os filhos sem expectativa de luxo e glória terrena. Mesmo com pouca comida e muito trabalho não buscavam fazer disso justificativa de dependência de Estado, ou cotas, ou direitos humanos, e era taxativamente proibido furtar o trabalho de outrem. Se ocorria sonhar com algum luxo, a educação moral impedia de ser rico através de outra coisa que não o caminho duro do trabalho.

Observe também a ética de catadoras de lixo, que mesmo sob extrema pobreza trabalham e defendem suas famílias com unhas e dentes carregando peso em vez de pedir ajuda de governo que, ao contrário, o custeiam através dos impostos que vão aos think tanks de esquerda que viraram nossas universidades¹. Feministas que precisam de mulheres assim para seu sustento, afinal, ser bela, recatada e trabalhar no lar não é opção. A exploração das mulheres se dá pelas próprias mulheres de esquerda alienadas pelo feminismo.

A isso se dá nome de genuíno trabalho, não o trabalho que no Brasil leva o mesmo nome e é o que a esquerda defende. Afinal, o sentido que a esquerda dá de trabalho é físico e não axiológico. Trabalho ou esforço não agrega valor financeiro por si mesmo. Pense o trabalho que o assinante paga para fazer na academia, o trabalho que exercia Sísifo que não gerava nenhuma alteração no mundo à sua volta, empilhar cartas, ou brincadeiras com dominós, ou brincadeiras de crianças em geral: todos são fisicamente trabalhos, produzindo alguns um grande número de esforço para se concretizar com eficiência, mas que não geram riqueza. Alguém pode ser tão bom em cavar e tapar buracos quanto carimbar papéis do governo no Ministério da Pesca, o efeito na prática é o mesmo. As pessoas pagam para ver rolarem uma bola porque isso empreende um valor² que em cadeia é compartilhado por milhões de outros trabalhadores na forma de médicos, fabricantes de camisas, pipoqueiros de estádio, mas somos forçados a ser a bola sendo passada em jogos burocráticos sem beleza nem virtude para aplauso de sadoesquerdistas. Assim é aquele cujo trabalho deveria inexistir por sua deficiência econômica, afinal, cada excelente carimbador é sustentado por três a quatro reais trabalhadores brasileiros que prefeririam ter mais poupança para investir em futuros brasileiros.

O resultado de políticas de esquerda é atrapalhar a economia até o ponto em que as pessoas não trabalhem mais: o desemprego. Quanto mais a esquerda defende o trabalhador, menos trabalhadores há para serem defendidos. A esquerda também veio nos convencer que o roubo é um caminho justo para enriquecer, que trabalho duro é possível de se desviar com um atalho e eles são esse atalho. Esse pensamento maligno se infiltrou por toda a sociedade brasileira, principalmente por culpa da mídia e universidades, mas a maioria dos brasileiros, de todas as camadas sociais, continua sendo otimista com o potencial do trabalho como único caminho justo para o progresso econômico. A maioria acredita no motto reaganiano que “um emprego é o melhor programa social’.

Tanto o roceiro quanto a catadora de lixo sem ensino formal possuem uma ética de trabalho superior à de muitos universitários de influência, senão a maioria deles, que advogam uma ética similar à do crime, e contudo, seus valores que poderiam transformar o país não se transmitem às novas gerações com facilidade.

As pessoas estão indo às ruas não para mendigar direitos a canetada de político por serem coitadistas profissionais, mas porque exigem receber os frutos dos seus esforços. Quando a sociedade não tiver mais trabalhadores reclamando por serem roubados ou atrapalhados pelos seus governos na rua, o Brasil irá parar. E é essa classe trabalhadora que nenhum partido de esquerda que leva o nome de Trabalhadores jamais defendeu, apenas calou e explorou.

Observe os marchantes de março, da maior manifestação popular da história do Brasil… Os corruptos não representam essa parte da sociedade que não votou neles. Se vivemos em uma democracia, esse raciocínio é simplesmente lógico. 

Mas não vivemos pois não há oposição partidária que os represente, não há líderes que os convençam. Com Lula se jactando de não haver direita no país, culpar a sociedade é aceitar como de bom tom os abusos que silenciaram o contraditório.

2)Dilma-Rousseff-selfie-jornalistas_cafe-da-manha (1) Há um eleitorado especialmente corrupto: Uma pequena elite midiática e universitária de esquerda cria e decide os figurantes políticos no país. Eles estão sendo bem representados pois são os verdadeiros pais fundadores do Brasil que temos hoje. Eles criaram a narrativa que levou o PT ao poder e são os canais de influência de votos, os que instruem uma parcela de eleitores que roubar com a função de reduzir desigualdades não é corrupção. Assim como um milionário pode contratar um bom ladrão para lhe roubar algo de valor em seu lugar, estão elegendo políticos e criando leis com a mesma função: roubar o trabalhador pelo bem geral. Assim como o traficante do morro faz assistencialismo, o corrupto de estima da esquerda é tratado como um bom ladrão. Mas ladrão bom só o foi na crucificação.

São estes que impedem que bons valores se transmitam ao poder público. Para eles, causas populares moralizantes como armamento, pena de morte para bandidos ou impeachment da presidente não devem possuir voz, pois eles tomaram o domínio da voz, fazendo-se avatares da consciência popular. É por isso que Bolsonaro é muito mais popular que Dilma, suas intenções de votos ultrapassam o número de aprovação do governo da presidente: porque lidera e defende valores genuinamente sociais e não de uma pequena elite esclarecida de esquerda que é paga para nos substituir. A população das ruas, formada de militantes não profissionais, que paga a consciência dos movimentos sociais que o governo diz ser os verdadeiros representantes do povo pois são históricos, é considerada burra e manipulada por esses mesmos movimentos e feita de chacota pela mídia que recebe licença estatal para existir.

Levantamento da audiência e repasses de verba federal, feito por Fernando Rodrigues no UOL (FONTE)

Levantamento da audiência e repasses de verba federal, feito por Fernando Rodrigues no UOL (FONTE)

Desde que a internet cresceu no país, o ambiente ficou mais aberto à influência de idéias e notícias que antes eram mais facilmente filtradas conforme o design e narrativa da esquerda. Se antes era difícil encontrar alguma oposição à única via racional possível, hoje há mais formas de pensamento a trilhar. Há uma oportunidade de as pessoas buscarem se educar sobre vários temas. E a liberdade proporcionada por essa ferramenta aculturou os brasileiros a amarem serem livres talvez pela primeira vez em sua história, percebendo que a liberdade ajuda a sociedade a se fortalecer, a se unir contra o mal. Não precisamos mais de atores nos representando diante dos políticos, a internet nos deu poder de representarmos a nós mesmos. Portais mantidos por jovens como o Reaçonaria atingem melhores resultados que os que o governo comprou com verba de publicidade.

Há uma reformulação radical no ideário da América Latina se aproximando. A esquerda sabe disso, e o Foro de São Paulo tem colecionado várias derrotas com Lugo, Zelaya e agora Dilma. E tem somente perdido sobre aquele ente único que não se pode dominar: o povo.

As pessoas descobriram o Partido dos Trabalhadores. E isso por culpa do próprio Partido dos Trabalhadores que, por viver sem oposição partidária, se tornou arrogante ideologicamente, cafona esteticamente e sem fibra. Uma oposição nasceu no eleitorado e está pedindo representatividade com um objetivo bem claro: remover a corrupção de todas as esferas do Estado. Qualquer tendência aparente só acontece pois o peixe maior são membros da elite do Partido dos Trabalhadores. E acertando o mal na cabeça, intimida-se que novos ratos do setor público ganhem coragem. Não é que a Câmara seja composta de heróis: os partidos pró-impeachment eram base do governo há pouco tempo, mas mudaram pois estão sofrendo pressão para exercer a vontade do povo, que é a verdadeira oposição ao PT.

Toda a força moral do momento reside nesse apartidarismo, na manifestação autêntica. Afastados das consciências compradas dos movimentos sociais dos governistas, as pessoas comuns saem de suas casas para lutar contra um governo cada vez mais alienígena. O brasileiro que saiu as ruas representar a si mesmo teve uma surpresa: não está sozinho e ele é maioria, a espiral do silêncio foi quebrada.

É esse também um bom momento para a Direita pois, se os valores do povo não foram representados por seus governos, é hora da classe política buscar romper com a esquerda para alcançar votos. O eleitorado mudou e está com sede de quem tenha bravura política para representá-lo, por isso Bolsonaro mantém-se bem votado, continuando presidenciável mesmo com todas as polêmicas em que conscientemente entra.

É razoável uma revolução ideológica pois um discurso de pacificação pode ser mais radical que um discurso de ruptura. Soa mais radical que, cortando a cabeça de todos os corruptos da nação, mantenham-se firmes sua projeção sobre o Brasil, salvando investiduras e imposturas por culpa que, uma vez, foram aprovadas por outros corruptos na forma de leis, de nomes só louvados pela mesma categoria política profissional. O Brasil precisa recomeçar e apagar da sua história no mínimo 40 anos de trevas: o povo precisa de outra estrada para caminhar, não sapatos novos. Todo povo que passou pela febre do socialismo teve de reiniciar.

Não existe sociedade composta de pessoas perfeitas. Os europeus ou os asiáticos não são pessoas perfeitas e o Brasil não pode justificar ser um dos países mais atingidos pela corrupção no mundo por não ser a exceção, por não sermos uma sociedade angélica. Que as fraquezas pessoais nunca nos tornem hipócritas diante de ladrões profissionais, criminosos que dominaram as vias de poder e pessoas que nos usam para alcançar o topo sem os esforços da caminhada. O juiz que sentencia o criminoso na visão de Deus também é pecador, mas sua função é punir o mal e com a punição dos maus se premia o bem.

1: Ótima observação de Filipe Garcia.

2: Valor esse que remove da favela os pobres, para rancor da educação da esquerda universitária que pode doutriná-los para virarem bucha de canhão em protestos.  O esporte foi a maneira que o capitalismo encontrou de ajudar os pobres do brasil tirando vários da pobreza e dando a alguns o mundo, coisa que nenhum professor marxista conseguiu fazer. O futebol é um melhor programa social que qualquer um inventado por Lula.

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

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