O Bananaman sabe mais que um Juiz do STF

“Em temas moralmente divisivos, o papel adequado do Estado não é tomar partido e impor uma visão, mas permitir que as mulheres façam a sua escolha de forma autônoma.”

– Ministro Barroso do STF

Mais uma vez o Direito brasileiro prova que está nas mãos de juízes sem juízo, reforçando meu dever moral de atuar a favor da justiça na marginalidade do sistema desde que obtive meu bacharelado.

Ray Comfort ficou muito conhecido por usar o argumento do design inteligente em uma banana, dizendo em tom desafiador que a fruta seria como uma lata de coca-cola desenhada por Deus para a mão humana. Por causa dessa gafe gravada em vídeo e muitas outras, Ray se tornou meme de cristão ignorante sobre a ciência ganhando de Dawkins a pecha – justificável – de “homem da banana”.

Mas ainda que erre mais que acerte, Ray é um bom cristão, pois mesmo não tendo alta capacidade intelectual é capaz de acertar pela sinceridade com que busca a verdade, foi assim que nasceu o documentário 180:

Nele aos 14:50, Ray faz um argumento que derruba o comentário do Ministro da Suprema Corte Barroso: O que se diria a alguém que vai demolir um prédio sem ter a informação que todas as pessoas saíram e estão fora do perigo?

Para o Ministro Barroso, que está investido no dever constitucional de proteger o direito à vida, a posição magnânima é que deixe que exploda e depois nós torcemos para não dar falta do Jorge ou do Mauro.

Assassinato não é uma posição moralmente divisiva mesmo que tenha variações semânticas como infanticídio e aborto. O pecado de Pôncio Pilatos foi ter lavado as mãos sobre uma vida inocente (considerado por Jesus um pecado menor em João 19:10-11, mas ainda pecado).

É exatamente por causa da prudência que a posição agnóstica do Ministro favoreceria em tese a posição pró-vida, mas escapou a conclusão das premissas da excelência da intelectualidade jurídica do país, uma conclusão tão simples que não escapa a um cristão comum.

O argumento de Comfort não é feito de maneira tão sofisticada quanto o do professor Peter Kreeft, que tem uma aula completa sobre a filosofia pró-vida que diz a mesma coisa tendo em conta uma apresentação mais adequada ao ambiente universitário, mas inegável que se ocupasse a posição de Barroso, decidiria com mais sabedoria.

É um dever moral que a mulher sustente a gravidez mesmo quando não a deseje, e isso até libertários radicais concordam, do Lew Rockwell:

Imagine que você está navegando com seu barco no mar, cuidando da própria vida, quando você ouve um barulho. Você se vira e encontra um maltrapilho escalando das águas para sua nave.

“Graças a Deus você apareceu!” ele diz. “Meu barco afundou, e eu estava apegado ao mastro já faz um dia. Eu quase abandonei a esperança.”

Você acena com a cabeça a ele, caminha pelo convés, levanta-o e o joga de volta ao oceano. Você explica a um audiência imaginária de espectadores chocados, “ele estava invadindo. Eu vim aqui para ficar sozinho, e a idéia que tenho de acomodá-lo me torna um escravo, não?”.

Para a maioria das pessoas e na maioria dos regimes legais, essa justificativa é patética e você é culpado de assassinato. E eu creio que esse veredito é correto. (…)

(…)  Uma mulher pode não ter desejado “pegar” o passageiro e pode achar sua presença irritante, inconveniente, etc. Entretanto, é certo que não é culpa do passageiro que ele se encontra lá, e ele não cometeu nenhum prejuízo contra ela. Matá-lo deliberadamente é um ato de assassinato tanto quanto jogar a vítima de naufrágio de volta ao mar – de fato, é mais forte o argumento para o feto que para o náufrago, porque o náufrago teve de propositadamente adentrar ao barco, enquanto o feto se encontra ali quer queira, quer não.

Pelo pouco que sabe e mesmo sendo sinônimo de cristão ignorante na internet, Comfort já nos soa mais perspicaz que maioria do STF. Será que algum dia teremos alguém entre nossos ministros capaz de nos enviar algum sinal de inteligência? Que se importam em estudar as causas que caem em suas mãos? Com cérebros incompetentes no motor da Justiça, a balança muito mais vezes penderá para o lado errado.

Quando se dá tal autoridade à juízes com a moralidade duvidosa, só podemos lamentar que agora o país paga com a vida. Clive Staples Lewis dizia que o cristianismo é como o sol, não por aquilo que é mas por causa que através dele podemos ver todas as coisas. Quando o cristão mais ignorante do mundo enxerga uma polêmica jurídica com mais clareza que o indivíduo pertencente à mais alta corte do país temos um testemunho disso.

Ao ministro Barroso e demais, cabe a leitura de quem estudou o mínimo sobre o assunto no link abaixo.

Scott Klusendorf e Como Defender a Posição Pró-vida em 5 Minutos

*Usuários de maconha tomam as ruas para defenderem seu vício em um país sem saneamento básico, diante disso não parece justificável a falta de coragem de botar a cara a bater para defender causas menos estúpidas.

Revisado por Maíra Pires @mairamadorno

Loading...

Um comentário para “O Bananaman sabe mais que um Juiz do STF

  1. Paulo Pedrpsa

    Deus abençoe o Bananaman!
    Foi o melhor documentário pró-vida que já assisti em minha vida!
    Ele demole facilmente a percepção que as pessoas têm do “direito de escolher” com argumentos puramente lógicos.
    Sensacional!!!
    Acho injusto taxar Comfort como uma pessoa de baixa inteligência por defender uma ideia estranha como a do design inteligente da banana.
    Dawkings não defende a tal teoria dos “Memes”?

    Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *