Equilibre-se na Reforma Trabalhista

É bem vinda e até surpreendente, em um país em que se discute fixação de preços, a redução dos resquícios do fascismo varguista nas relações de trabalho. O maior medo da esquerda é que os trabalhadores viciem nos efeitos positivos da acanhada reforma e peçam para aumentar a dose.

Todos sabem que capitalismo funciona, mas embora seja fácil defender o capitalismo, é quase impossível defender capitalistas. Já está formado no imaginário popular que o patrão, não fosse impedimentos legais, escravizaria o funcionário. O marxismo não seduziria pessoas que não leram Marx se a relação entre patrão e empregado fosse sempre de igualdade, se as necessidades em jogo fossem idênticas e o empregado tivesse igual poder de negociação. Toda sorte de política no Brasil passa pelo plano de harmonizar esse relacionamento que há séculos é tido como exploratório.

Os Direitos Trabalhistas foram conquistados com muita luta.

Todavia, quanto mais o governo procura intervir nessa relação para equilibrá-la, mais tem inibido as ofertas de emprego e aumentado o poder de barganha do patrão sobre os empregados. Por se ver ameaçado de adentrar os milhões de desempregados crônicos, o funcionário se vê nas mãos de chantagens do empregador e é muito mais suscetível à abusos psicológicos e desmandos para se manter empregado. Demitido, o empregado pode passar meses ou anos sem encontrar um sustento. O período de desemprego é tão absurdo que se criou uma expectativa legal mínima* de três meses para que outro emprego apareça. A desmoralização do trabalhador, a crise familiar que se cria com o desemprego pode até mesmo levar ao suicídio.

Por isso a CLT é criada para o empregado, mas seu efeito acaba ironicamente dando mais poder para o empregador.

Editorial do New York Times de 1987 advogando a extinção do salário mínimo.

Uma maior oferta de emprego com a redução dos riscos de contratar e demitir tende a equalizar essa relação. As empresas não ficarão com quadros estáticos, pois o crescimento demanda novas contratações, havendo assim mais oferta de emprego e mais empregadores, aumentando a chance do empregado encontrar rapidamente um outro emprego, e mais necessidade do patrão manter funcionários. Na mesa fica muito mais fácil ao empregado dispensar uma má oferta do empregador quando há outras opções no mercado.

Também a reforma estimula a contratação de jovens, os maiores atingidos pelo desemprego quando se fixa um salário mínimo. Foi feliz dar a opção pela remuneração exclusiva por produção dispensando o mínimo, quebrando um grande tabu.

Por mais que algumas empresas não seriam bem sucedidas e alguns patrões seriam maus patrões mesmo se todas as barreiras governamentais caíssem, há solução contra a criação artificial do desemprego e do fracasso para criar eleitores de esquerdistas. A visão de que o empregado é uma presa do capitalismo pode vir a mudar nesses próximos anos, quando os patrões começarem a competir por funcionários.

* Seguro-desemprego.

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