Contra a Hoplofobia

Foi coincidência que na madrugada em que lia “Adiós, América” um filho de imigrantes poderia se tornar mais um caso escrito no livro por Ann Coulter se ele não tivesse sido lançado antes. A musa conservadora que foi talvez a maior responsável pela vitória de Trump nas primárias também acertou quando no dia seguinte a mídia se esforçava em soltar inúmeras cortinas de fumaça, culpando todos sem contar o fato do terrorista islâmico ser eleitor democrata filho de um imigrante legal – Na América dos democratas um defensor do Talibã tem mais chances que um cientista sueco de conseguir seu green card.

Países atrasados naturalmente buscam acompanhar os países de primeiro mundo, não é incomum o debate brasileiro ser dominado por problemas de países desenvolvidos e buscarmos importar legislações estrangeiras, mas a questão é bem mais interessante quando países de primeiro mundo querem importar políticas de países que estão atrás de seu nível de desenvolvimento. O desarmamento já mostrou ser um fracasso no Brasil. E não adiantou fazer passeatas de paz para responder bandidos que amarram pessoas em colchões e ateiam fogo (parece que bandidos não obedecem quando usamos cores que soldados usam para se renderem).

Talvez por isso o Brasil não se conforme à lei: em matéria de resultados de políticas atrasadas, estamos à frente dos americanos. Por isso em cada tragédia nos EUA o debate sobre desarmamento volta a ocorrer no Brasil instantaneamente em sentido contrário, pela armamentização, mesmo que a mídia brasileira se esforce em repetir o lero-lero da mídia progressista. O país mostra sinais de saúde quando deseja no meio da desordem ao menos poder proteger o seu bem mais imediato: a vida.

O brasileiro não foi deseducado pelo MEC ao ponto de crer, como esquerdistas, no pensamento primitivo de que é possível uma sociedade desarmada se livrar da violência. Para a esquerda, a arma é um item que não existirá no mundo que sonham, portanto quanto mais nos livrarmos delas mais próximos ficamos do mundo perfeito. Esse pensamento é um desvario sobre a natureza humana. Mais que um fracasso observado pelas estatísticas, o desarmamento é imoral.

Estes indivíduos sonhadores jogam no debate público para confundir as pessoas que matar e assassinar são a mesma coisa, portanto armas são irremissíveis e más em si mesmas por servirem para matar.

Mas a justa razão pela qual todo cidadão pode usar uma arma advém da mesma razão pela qual as forças públicas existem: auto-defesa de si ou dos outros. As armas policiais e militares existem precisamente para defender o direito à vida de todo cidadão em território nacional. É curioso assumir que os cidadãos não possuam igual interesse para si mesmos e possa assumir todos os deveres que vêm desse direito. Armas não são carros que possam vir a ser igualmente letais, elas são melhores pois não é propósito de um carro salvar vidas. A primeira função de uma arma é matar pessoas, não assassinar pessoas. Nós não assassinamos mosquitos nem agressores que atentam contra nossas vidas. As armas possuem um bom propósito. Assassinar, matar um ser humano inocente, é um desvio de finalidade.

Se todo disparo efetuado é um assassinato, elas não deveriam estar nas mãos de nossos oficiais públicos. Ao pressupor que a ferramenta de trabalho mais comum do Estado – que até quando dispõe a capturar armas usa armas – é uma espécie de fruto proibido, chama-se todos os agentes da força policial e militar de homicidas por conclusão, esta é a chave para entender porque é popular na esquerda a idéia de desarmar policiais e não condecorá-los quando salvam pessoas. Quando o terrorista de Orlando foi morto por uma arma em uma gun free zone, ele não foi assassinado.

Em Ferguson, Mike Gutierrez e Adam Weinstein protegeram seus negócios dos saques com Ar-15s

Em Ferguson, Mike Gutierrez e Adam Weinstein protegeram seus negócios dos saques com Ar-15s

Uma mulher pode encontrar uma gangue de estupradores, um comerciante uma turba de vândalos, e a indústria bélica tem sido eficiente em criar diversidade para toda demanda. Não consta que as fabricantes criam armas visando vender para criminosos. Sabe-se que certas armas não são para a sociedade, sempre haverá um controle legítimo sobre armas. A NRA não deseja que um Jihadi as obtenha.

A sociedade reconhece como herói a vítima que vira o jogo. Quando a lei de desarmamento tira uma arma das ruas, a esquerda dorme tranquilamente imaginando que evitou que ela fosse usada em um assassinato, quando em efeito ela deixou de ser usada em legítima defesa. O Estado, na sua força policial, não é onipresente para atender orações e os bandidos sempre podem contar com seus cúmplices ideológicos derrubando as cercas para os lobos entrarem.

Estes pacifistas subliminarmente acreditam que é melhor que a vítima morra do que permitir que tenha acesso à meios de defesa testados todos os dias por policiais. Se somos obrigados a culpar alguma fobia pelos homicídios e atentados: é a hoplofobia.

Não obstante, como homossexuais foram vítimas, foi necessário culpar os cristãos por algo que pregam em púlpito em meio à uma lista que vai de bêbados, meretrizes, ladrões, fornicadores, mentirosos à petistas. Difícil correlação pois qualquer que busque converter outro pela violência também ganha passagem só de ida para o inferno por cuspir no amor demonstrado na cruz. Segundo essa forma de raciocinar, quem condena ladrões se torna responsável pelas centenas de crianças mutiladas por roubar, punição prescrita no Hudud. Se bêbados começassem a reclamar de bebumfobia quando apanham por serem incômodos, os cristãos ganhariam mais uma dor de cabeça.

Nós nunca vamos ter uma tradição armamentista como a dos EUA porque nosso país não foi fundado por uma milícia, razão da revolução americana ter obtido sucesso sobre o então mais poderoso exército do mundo. Para o americano não é irracional o cidadão ter armas potentes o suficiente para resistir a seu governo, e esse é o principal propósito da Segunda Emenda. Um país que está sempre pronto a combater tiranias caseiras e estrangeiras nunca poderá transferir o domínio sobre sua vida para o elitismo estatal.

Mas tanto lá quanto aqui é perigoso permitir que somente os maus possam usar armas, o mundo já conhece o que houve quando só a esquerda podia usá-las, nem mesmo o domínio total sobre a sociedade parou o que caminha com a humanidade desde Caim. Se há alguma cura para esse pecado original, ou o mal inerente do homem, talvez esteja nas mãos dos cristãos “homofóbicos”, pois afinal, eles foram os únicos a colocar o temor de Deus em mujahidins.

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

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