A Meta da Riqueza

Se perguntássemos hoje ou 500 anos atrás qual é a maior aspiração do Brasil como nação não se achará uma resposta que não seja prosperidade econômica. Não há espaço para objetivos modestos e menos radicais quando se quer atingir patamares europeus de qualidade de vida, se possível pulando etapas ou pegando atalhos. Com a remoção simbólica do PT do poder o país está ansioso para alcançar o primeiro mundo e isso não será um alvo impossível quando o Brasil deixar de sustentar ditaduras vizinhas.

Mas a recente canonização de Madre Teresa alerta, ou deveria alertar, que prosperidade não é o objetivo último da humanidade. Evidentemente não é errado o Brasil se unir contra seu problema da miséria, mas devemos estar cientes que a pobreza não é um pecado ou algo a se envergonhar. A tenra mulher era uma hábil administradora que enriqueceu a muitos optando livremente pela pobreza. Deus havia dado a ela todas as qualidades para ser rica, contudo a madre optou em ser o mais útil possível para a Igreja.

Essa não é uma época em que os ricos abraçam as causas da Igreja como outrora fizeram. Pelo contrário, a maioria descobriu como lucrar com a natureza decaída do homem. Basta ver como o mundo moderno investe pesado em novas tentações e obtém grande retorno: na música as cantoras são strippers com outro nome, todos os sites pornográficos se encontram nos mais acessados de toda a internet, o cinema, a moda, literatura e praticamente toda a cultura caminha para a pornograficação.

Os melhores artistas do Ocidente foram os vendidos para o Sistema

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Servir a Igreja não é uma posição economicamente irracional. A Madre Teresa se fez pobre enquanto passageira nesse mundo, mas no eterno ninguém se engane: ela será mais rica que todos os bilionários da terra conjuntos. Eis um fato que várias parábolas do evangelho nos ensinam: o empreendedorismo espiritual é superior ao material.

Quando Cristo cobrou que o jovem rico desse todas as suas posses, o rapaz mal podia compreender a oportunidade que estava deixando passar. O mesmo Deus que criou todas as coisas boas e prazerosas desse mundo não terá criado coisas até mais sublimes e incorruptíveis no próximo?

A guerra pela cultura é uma guerra entre ricos. Se olharmos a lista da Forbes quantos pró-cristãos encontramos? Vamos ver na verdade uma lista de patrões do movimento da esquerda que financiam todas as causas anti-cristãs. Os cristãos tem de combater a inveja em seu meio pois claramente estamos em desvantagem, mas não podemos deixar de cobrar responsabilidade dos ricos pela administração dos bens emprestados por Deus.

O Criador do universo criou o mundo pensando no bem estar de suas criaturas, a geração de riquezas não é invenção de ideólogos mas de um relacionamento social entre os homens. Os ricos brotam naturalmente quando a sociedade depende de suas qualidades, o que gera investimento. Mesmo o direito à herança advém da vontade resguardada a quem possuía anteriormente o direito à propriedade. O Diabo por sua vez, nada criou, e apenas usa as coisas boas de Deus contra os homens, enganando sobre a meta delas e as desviando de suas finalidades.

Odiar o rico não só não é o evangelho, como é algo imoral, segundo Dalrymple:

Há um grupo de pessoas ao qual é permissível odiar, alguém que nesses tempos de códigos de liberdade de expressão é permitido ou até obrigatório falar de forma rábica: o rico. Soa curioso quando se reflete sobre isso, pois ressentimento econômico foi responsável por mais mortes no último século que ódio racial. Enquanto ser racista é colocar a si mesmo fora da paleta de uma sociedade decente; ser um igualitário econômico é estabelecer sua generosidade de espírito e profundo senso de justiça.

Não é difícil o caminho para a popularidade se condenar os ricos como o faz a teologia da libertação, a cultura dita que para ser melhor capitalista tem de se tornar cada vez mais mau, e para ser um melhor socialista tem de se tornar cada vez mais bom. Contudo, o que escapa é que os socialistas é que tornam os capitalistas selvagens – um caso de profecia auto realizável – afinal, para sustentar a classe burocrática do socialismo é necessário trabalhar em ritmo desumano e os patrões acabam sendo alvos fáceis como a face visível desse sistema de exploração.

É nessa condenação preconceituosa e mal refletida que se baseia o tabu contra as privatizações. Quando o dono da Nestlé achou melhor a administração particular de recursos naturais, na ocasião a água, o mundo teceu comentários que o colocaria no Sexteto Sinistro, comentários feitos por pessoas que não sabem o que acontece quando se deixa de pagar a conta de água ao governo. Não se ouviu em defesa dele o sucesso que houve quando uma corajosa Thatcher privatizou a água na Inglaterra. Pelo visto é a ideologia estatista, e não a água, que esperam que mate a sede.

A fortuna das futuras gerações depende dos ricos, os únicos que podem materializar idéias, abrir caminhos e levantar pessoas. A direita tem feito o (im)possível contra a corrente de dinheiro que financia a esquerda e não se sabe por quanto tempo ainda resistirá sem o apoio financeiro para essa cruzada. Calvino, considerado por algumas apostilas de ensino fundamental como ideólogo da burguesia, compreendia os deveres do rico com Deus. O reformador francês contava:

Da mão de Deus tens tu o que possuis. Tu, porém, deverias usar de humanidade para com aqueles que padecem necessidades. És rico? Isso não é para teu bel prazer. Deve a caridade faltar por isso? Deve ela diminuir? Não está ela acima de todas as questões do mundo? Não é ela o vínculo da perfeição?

Os Estados Unidos é a nação mais solidária do mundo como nos conta Peter Schweizer. Se desejamos ser uma nação de ricos é mais inteligente aprender a ser antes “a nation under God” para que quando todos os bens dessa terra deteriorarem-se, termos ainda algo a desfrutar na pátria eterna.

Revisado por Maíra Pires @mairamadorno

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