As razões para ir no dia 12

Eu vou ao protesto do dia 12 de abril, assim como fui no dia 15 de março.

E escrevo aqui um resumo de razões, obviamente pessoais, pelas quais eu acho que você deveria ir também.

A primeira delas é uma questão de pressão. Independentemente de o impeachment ser pouco provável, acho importante que o mal-estar que existe com o governo seja manifestado democraticamente nas ruas, assim como ocorreu no dia 15 e nos diversos panelaços. Estamos aprendendo a fazer barulho agora e já provamos que sabemos nos manifestar de maneira pacífica e ordeira. Vamos de novo.

A segunda razão é que o impeachment, mesmo que improvável, seria a solução correta para começar a resolver um grande problema moral do país. Muitas pessoas, ou porque ainda acreditam no petismo (também não entendo como) ou porque querem ser “isentas” argumentam: “mas o PT não inventou a corrupção”. Todos sabemos que não, o PT não inventou a corrupção. Mas o PT ampliou a corrupção até torná-la sistêmica. E a institucionalizou. E instituições dependem de legitimidade, que vem de sistemas culturais. O PT criou um discurso e espalhou-o (usando seu dinheiro e “jornalistas” que se vendem por qualquer valor) até torná-lo um mantra entre seus apoiadores. E qual é esse discurso? É o discurso de que “todos fazem”, minimizando, portanto, a gravidade do problema. É também o discurso de “corrupção é coisa do coxinha que não quer ver pobre andando de avião”. O crime de corrupção é, em tal concepção, pouco relevante perante a “justiça social” que só seria obtida por meio do PT. E todos aqueles que criticam o partido seriam necessariamente opositores da “justiça social”. Acredito que a institucionalização da corrupção em tais moldes seja uma das piores heranças que o PT deixará para o país. É a reinvenção do “rouba mas faz” com um componente moral que coloca todos aqueles que criticam o partido como vilões. Eu vou para a rua no dia 12 para dizer que rejeito tal discurso.

A terceira razão está relacionada à responsabilização. Mesmo que o destino da operação Lava Jato, por questões jurídicas, acabe em pizza e mesmo que não haja fundamentos jurídicos para um impeachment pois não haveria crimes neste mandato, o fato é que Dilma foi durante muito tempo presidente do Conselho de Administração da Petrobrás. E por isso ela é responsável, pelo menos em parte, por todos os “malfeitos” que vêm sendo divulgados. Sem contar as diversas intervenções feitas por seu governo na empresa, que sangraram o caixa da Petrobrás e definharam a estatal. Eu vou para a rua no dia 12 para dizer que a Dilma é responsável pelo caos na Petrobrás (e no setor sucro-energético por tabela).

Vamos novamente!

A quarta razão é que, diferentemente do que muitos dizem, o PMDB não é o maior problema do país. Primeiramente, o PMDB estava na chapa do PT. Quem votou no PT votou também no PMDB. Em segundo lugar porque o PMDB, ainda que fisiológico e com muitos políticos corruptos, não tem relações de sangue com grupos como o MST e o MTST (do Guilherme Boulos), que se um dia foram movimentos sociais com pautas legítimas, há muito deixaram de ser. Além disso, o PMDB não importou médicos cubanos para sustentar ditadores. E também não houve nenhum político do PMDB fazendo campanha para Nicolás Maduro. O PMDB tem os problemas típicos de partidos brasileiros. Mas não faz elegia desse antro de mediocridade que é a esquerda bolivariana latino-americana, uma estrovenga que deveria ficar apenas em filmes ou livros de ficção que misturassem distopia com humor, pois são ditaduras por demais caricatas. Também não ameaça a imprensa pedindo “democratização dos meios de comunicação” a cada vez que se sente acuado. Além disso, o PMDB sustentou a relativamente frágil democracia brasileira em momentos de crise sem arroubos autoritários. Honestamente, Michel Temer seria bem melhor que Dilma Roussef e um congresso com o PMDB nervoso é bem melhor que um congresso apático. Eu vou às ruas dia 12 para dizer que o PT é bem pior que o PMDB.

A quinta razão é porque não podemos abrir mão de nossos valores e opiniões e deixar, como deixamos por tanto tempo, que pessoas ligadas ao Partido dos Trabalhadores obtenham o monopólio da virtude. Faz bem pouco tempo que opiniões divergentes passaram a ter algum espaço no debate político brasileiro. A internet teve um papel primordial nisso. Falar em privatizações há até não muito tempo era um sacrilégio (a Petrobrás “é nossa”) Falar em reduzir a burocracia trabalhista era “reduzir direitos”. Tentar um debate sobre violência pública que não colocasse a desigualdade de renda como causa primária era “fascismo”. Tais posicionamentos, muitas vezes dogmáticos, representavam o monopólio da virtude por parte do PT. Estamos conseguindo ter mais pluralidade hoje. E por isso volto às ruas dia 12. Nem o discurso, nem as ruas, nem a virtude devem ser monopólio de um grupo, especialmente de um grupo como o PT.

A última razão é porque eu quero deitar minha cabeça no travesseiro e saber que eu tentei fazer do Brasil um país um pouquinho melhor. Quero dizer aos meus futuros filhos que eu fiz o que estava ao meu alcance. Que discuti, que li, que protestei, que escrevi, que tentei falar com as pessoas… Eu tentei. Eu tento.

Por isso eu vou. Vou mesmo que eu seja a única na minha cidade (o maridão pelo menos vai junto, espero!) Mesmo que esteja chovendo. Vou porque desejo para meus futuros filhos um país mais livre, mais seguro e mais maduro em seu debate político-intelectual.

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4 comentários para “As razões para ir no dia 12

  1. Marcos TC

    Carol, seus bons motivos, são os mesmo que todos nós temos. Uns mais outros menos, mas todos com a prioridade de sacar de cena um grupo que se julga dono do Brasil e dos nossos destinos.
    Chega, basta, passou da hora de pessoas assumirem o papel de cidadãos e colocar suas vozes em sua própria defesa. Vamos lá, vamos todos demonstrar nosso valor como gente que busca uma nação melhor, mais justa e democrática.

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