Impostos, Prosperidade e a Economia Norte-Americana durante a II Guerra Mundial

Um dos argumentos mais utilizados por quem procura justificar o intervencionismo militar Americano em regiões remotas consiste na afirmação de que conflitos geram prosperidade para a nação que participa da campanha militar.

Enquanto certos setores da economia como a indústria militar são verdadeiramente estimulados durante guerras, a origem do dinheiro utilizado para custear a criação de empregos nos setores de produção de materiais bélicos e forças armadas é geralmente ignorada.

A realidade é que a economia privada é altamente tributada para que o governo possa pagar pelos serviços e produtos necessários para que a guerra ou intervenção militar seja promovida.

É isso mesmo, guerras promovem o tipo de prosperidade que vive da pilhagem. Setores que poderiam prosperar por promover o intercâmbio pacífico e empregar homens e mulheres jovens que são carregados para o setor militar acabam perdendo duas vezes: quando economias locais perdem a força e quando são tributados extensivamente para custear as campanhas governamentais no exterior.

Os Estados Unidos prosperaram durante a II Guerra Mundial?

Do-With-Less1

“Se vire com menos – para que eles tenham o suficiente! O racionamento lhe dá sua parte justa.”

Não.

Bens eram escassos e ninguém tinha dinheiro para comprá-los. Durante a II Guerra Mundial, o governo Americano racionava gasolina, açúcar e manteiga. Famílias sabiam que precisavam economizar para que os esforços no exterior fossem bem-sucedidos. Sabiam que seus filhos, irmãos e maridos estavam lutando por algo em algum lugar distante e precisavam de todo o equipamento e apoio necessário para que suas missões fossem triunfantes. Sabiam também que milhares de Americanos jovens que nunca voltariam ao país para realizar seus sonhos morreriam em trincheiras longe dali.

Setores privados pararam de focar em servir a população e passaram a concentrar seus esforços em produzir o que o governo precisava para a campanha militar.

Anos de inovação foram interrompidos para que o governo pudesse participar de uma das maiores campanhas militares na história.

Quando governos se referem à prosperidade gerada por guerras, eles estão geralmente se referindo ao PIB, mas não explicam que valores gerados pelo estímulo de indústrias ligadas às campanhas militares são arbitrários. Isso mesmo.

A economia Americana não gerou preços reais do mercado já que a quantia direcionada às indústrias bélicas e aos membros das forças armadas não eram baseados em preços reais do mercado. Arbitrariedade econômica cria um número fantástico de PIB, fazendo com que a economia pareça ter crescido e a nação ter ficado mais rica, o que parece ser positivo para quem não entende nada de economia.

O incentivo artificial do mercado por conta do controle governamental sobre determinadas indústrias e sobre o preço de bens e serviços tem diversas consequências negativas. A riqueza gerada para o direcionamento voltado ao conflito não gera retorno em forma de bens ou serviços que promovem a prosperidade da nação que participa da guerra. A destruição faz com que milhares de jovens que poderiam participar ativamente da economia local do país percam suas vidas ou integridade física e/ou mental, criando gerações de cidadãos que dependem financeiramente do governo até o fim das suas vidas. Para responder às necessidades de soldados veteranos o governo precisa tributar ainda mais a economia privada, criando fardos ainda maiores para os contribuintes.

Um ano depois do fim da II Guerra Mundial, a economia privada Americana cresceu 30%. Durante o período entre 1944 e o fim da guerra, o valor real do PIB privado dos EUA caiu. Durante a guerra, o governo impôs o congelamento de preços e o racionamento que forçou Americanos a consumir menos e pagarem mais impostos.

Conclusão

Com o desenvolvimento da tecnologia, guerras são travadas com equipamentos e tropas mais eficientes que continuam sendo pagos da mesma forma: com recursos tomados de cidadãos através de impostos.

Como Frederic Bastiat explicou, existem duas formas de se obter os meios necessários para a nossa existência. Podemos criar por meio da caça, pesca, agricultura, etc., ou podemos roubar por meio da quebra da confiança, violência, força, fraude ou guerra.

Os dois métodos distintos geram também consequências distintas, mas apenas um desses métodos gera prosperidade.

3 comentários para “Impostos, Prosperidade e a Economia Norte-Americana durante a II Guerra Mundial

  1. Renato Souza

    Especificamente sobre a Segunda Guerra, deve-se observar duas coisas:

    1. Os japoneses começaram a Guerra com os EUA, não o contrário.

    2. Espantosamente, a Alemanha, em seguida, declarou guerra aos EUA, não o contrário.

    Também acho criticável a posição de Ron Paul, quando esta refere-se aos EUA como se fossem os grandes agressores. A URSS invadiu e submeteu todo o leste europeu. Foi uma potencia extremamente agressiva, espalhando guerrilhas e terrorismo por todo o globo. Os EUA foram essencialmente reativos, como dizia a sua própria doutrina, chamada doutrina da contenção. Creio que lembrar disso coloca as coisas nas suas devidas proporções.

    Quanto à questão econômica, você tem inteira razão. Guerra é uma desgraça, e só traz pobreza, nunca prosperidade.

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  2. Daniel Osterreicher Laporta

    Cara Alice,
    Seus textos apreciam temas convidativos ao pensamento libertário e desde já tem o meu apreço e me permita “intervir” com minha opinião. Gosto muito da tese de não intervenção adotada pelo Ron Paul. Contudo, acho importante você tentar rever a dialética que envolve a política externa norte-americana, observando a situação de todas as partes envolvidas. Creio que podemos expandir melhor essa discussão.
    Guerras são horripilantes, traduzem o que a de pior na humanidade, proporcionando ao planeta uma destruição desnecessária. Creio eu que tivemos pouca experiência com o que realmente representou aberrações como a Primeira Guerra Mundial, a Segunda Guerra Mundial e a Guerra Fria, ainda que esta última tivesse ceifado um número muito inferior de vítimas. Porém, a meu ver, adotando uma realpolitik, algumas guerras são necessárias e tentarei aqui argumentar minimamente o meu ponto de vista. Adianto, não há guerras justas, mas há guerras minimamente sensatas e para analisá-las é importante olhar para o seu contexto histórico e social.
    Em uma definição bem genérica, guerras são a disputa militar entre duas ou mais partes. As guerras podem se caracterizar como um conflito local, regional, continental ou global, total ou limitado, motivado por uma disputa cultural, étnica, territorial, ideológica, emancipatória ou mesmo econômica. Quase sempre, essas motivações se combinam, em maior ou menor grau.
    O maior erro do não-intervencionismo adotado pelo Ron Paul é justamente crer que tais disputas, seja no Sudão, seja na Síria, não é problema dos americanos e não deve ser pago pelos contribuintes americanos. Isso é, a meu ver, uma visão economicista-isolacionista que entra em completa contradição com os valores libertários que fomentaram a própria constituição dos Estados Unidos da América, ou seja, crer que a Democracia, em seu sentido amplo, é um valor universal.
    Considero que os Estados Unidos da América não é uma polícia econômica e política com jurisdição mundial.
    Considero também que muitas guerras à custa do dinheiro dos contribuintes (sem falar em golpes de Estado) fomentadas pelos Estados Unidos da América, ao redor do globo, foram sim, em diferentes épocas, de caráter imperialista e adotava a posição de interesses de conglomerados industriais americanos deletérios a economia mundial.
    Não sei, mas me parece um assunto mais complexo do que simplesmente tratá-lo como uma questão tributária.
    Mas falemos também de intervenções planejadas junto a ONU, OTAN e Aliados (Não vou falar da Segunda Guerra Mundial, pois os EUA foram atacados e falar mal de Hitler é bater em cachorro morto), como a Guerra da Coréia, o suporte a existência do Estado de Israel e mais recentemente a intervenção no conflito da Bósnia e, posteriormente, Kosovo. Quer dizer que, pela lógica do não intervencionismo, isso tudo foi dinheiro público mal gasto? Uma questão tributária que sufoca as economias ricas e locais? Uma questão de guerra de pilhagem?
    Em um cenário fantasioso, eu queria saber a opinião dos prisioneiros de Auschwitz-Birkenau, Banja Luka, os curdos iraquianos ou os civis dos subúrbios de Damasco contemplados pelo gás Sarín. Mas não, para estes, a intervenção chegou tarde demais… e os “contribuintes” agradecem.

    Bem, termino por aqui, se quiser debater mais a respeito e conhecer melhor minha opinião sobre o assunto, meu email é tutoread.daniellaporta@gmail.com

    Abraços a você e a equipe do à toda equipe do reaçonaria,

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