A “Última Hora” da Folha

Dezoito de abril de 2015, o dia em que a Carta Capital reconhece a força da campanha do impeachment e a Folha prefere repetir a versão governista de que é “desespero da oposição”. As aspas são minhas.

Na mesma capa, a Folha tenta dar ares de notícia ao ‘spin’ petista sobre o Implicante​, usando a velha tática de assassinato de reputações e falsas equivalências que a esquerda é inigualável. o que renderá um processo judicial pelo que diz o Fernando Gouvêa. Que se faça justiça.

Quando a Carta Capital parece a VEJA ao lado da Folha é porque o jornal de maior circulação do país está num momento crítico de sua história e precisa ser repensado. É o mesmo jornal que na semana do primeiro turno da eleição presidencial do ano passado disse que Aécio não iria para o segundo turno e depois deu capa para um “pobre” virando as costas para Aécio recusando um cumprimento.

O Brasil tem uma longa tradição de jornais governistas. O caso mais emblemático de todos foi a criação da Última Hora em 1951 por Samuel Wainer. Getúlio Vargas foi eleito em 1950 e usou a máquina do governo e o dinheiro do Banco do Brasil para que o país tivesse como seu principal jornal um veículo alinhado e obediente.

Wainer definiu a Última Hora como um “jornal de oposição à classe dirigente e a favor de um governo”, não deixando dúvidas sobre a que veio. De uma hora para outra nascia, do nada, um jornal com o maior e mais moderno parque gráfico do país, colorido (uma novidade para a época), trazendo diversas inovações e um time impressionante de colunistas e jornalistas. Não bastasse tudo isso, ainda era vendido mais barato que os concorrentes e tinha toda publicidade do governo e das estatais.

O que não estava nos planos era que do outro lado estava Carlos Lacerda, dono da Tribuna da Imprensa. Se você não conhece a história da briga de Wainer e Lacerda na primeira metade da década de 50, saiba que o Brasil já foi muito mais interessante que hoje. Voltarei a esse assunto.

O que sobrou da Última Hora foi vendido para a empresa controladora da Folha em 1971. A viúva de Samuel Wainer, Danuza Leão, é colunista do jornal e o neto de Samuel, João Wainer, é o criador e chefe da TV Folha, além do diretor do filme “Junho”, patrocinado pela própria Folha sobre as manifestações de 2013. A história sabe mesmo ser irônica.

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8 comentários para “A “Última Hora” da Folha

  1. Luiz

    A capa do Estadão de sábado é quase a mesma. A foro do menino gritando e a chamada sobre a oposição. Ate achei que o post era sobre Estadao x Carta Capital.

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  2. BETO

    TÁ CADA VEZ MAIS DIFÍCIL DE ENTENDER. SÓ ACHO.

    FOLHA OFICIALIZA ADESÃO AO IMPEACHMENT DE DILMA
    :
    Em editorial, o jornal de Otávio Frias Filho, que fez pesquisa Datafolha sobre apoio à derrubada da presidente antes das manifestações de 12 de abril, argumenta que as chamadas “pedaladas fiscais” são argumento suficiente para derrubar um governo; “Caso prevaleça o entendimento do TCU, estará aberto o caminho para o Ministério Público Federal processar os gestores envolvidos. O tribunal também poderá recomendar ao Congresso a rejeição das contas do governo Dilma, o que seria inédito e permitiria, em tese, a abertura de processo de impeachment contra a presidente”, diz o texto; para o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, tese representa desespero da oposição

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  3. Thiago Cortês

    Artigo demolidor! É incrível como a História se repete: mais uma vez um jornal governista, um governo autoritário e um esforço conjunto governo-mídia-chapa-branca para demonizar a oposição crescente. Os restos de um jornal governista transformados em um moderno jornal chapa-branca que descaradamente milita pela manutenção no poder dessa paródia de getulismo que é o lulo-petismo.

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  4. Luiz Felipe

    Uma sugestão:

    Deem uma olhada no aumento de investimento publicitário de empresas públicas na Folha e na circulação e assinantes do jornal. Tem uma desproporcionalidade absurda que eles obviamente não contam. O mesmo está acontecendo com a Band, aliás.

    Depois deem uma olhada no aumento da audiência da Jovem Pan e do corte total de investimento publicitário de empresas públicas na rádio nos últimos dois/três anos.

    Os números são reveladores.

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  5. Marcos

    Caro Alexandre,

    Eles empreendem as últimas forças para continuar com a negação do obvio, ninguém neste país PF ou PJ consegue ser mais vil que o PT como partido e projeto, não há limites para esta turma, o problema agora é que eles sentiram que os discursos lacrimejantes de Lula, Dilma e Cia estão sendo confrontados com a realidade por pessoas preparadas, instruídas, sem esqueletos no armário que tem o couro duro contra todas estas pirotecnias dos esquerdistas, ai bate o desespero mesmo, a Folha é só um sintoma da dispersão do poder do PT, vão se debater até o último, mas acredite até para a violência física deles as pessoas estão preparadas, deixe que venham com suas calunias e selvageria.

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  6. Shlomo

    Eu já fui entrevistado pela Folha, quando havia a briga entre iG e UOL pela internet. Viram meu comentário na Folha e foram atrás de mim. Sabe o que eles fizeram? Deturparam minhas palavras para falar contra o iG.

    A Folha sempre faz esse tipo de ignomínia, e a razão é sempre uma só: INTERESSES COMERCIAIS.

    A Folha está colhendo o que está plantando. Virou um panfleto governista, cheia de jornalista com raciocínio estranho e alinhados demais com o governo. Nada mais justo do que ser criticada, dentre outros pelo Implicante e Reaçonaria (que destruiu os jornas da Folha em algumas ocasiões)*.

    Mas não… Eles querem os frutos milionários do governismo SEM as críticas. O fato é que as críticas ESTÃO ATINGINDO SUAS FINANÇAS. Quando o governo trocar, vai ficar deficitária porque naquele panfleto ofensivo ao cidadão não vão entrar os milhões dos nossos impostos.

    *OBS: os jornas estão sendo obrigados a fazer aqueles tipos de matérias, e devem se sentir extremamente mal por isso. Quando a crítica da Reaçonaria vem, e ela vem forte, o mal estar deve se multiplicar porque eles sabem que estão ali com um propósito, que não é fazer bom jornalismo. É reviver o Última Hora. Portanto, viva os nossos Lacerdas do Reaçonaria, do Implicante, e viva Fernando Gouveia! Não nos calarão!

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