Coluna do Leitor

@reaconaria

Share

O Declínio do Estado Venezuelano – Leopoldo López

Como é regra em todo regime de esquerda que enfrenta pouca resistência a seus objetivos, a Venezuela começou o processo de execução de seus próprios cidadãos e aprisionamento de opositores das barbaridades de Estado. Embora seja uma constante histórica inegável, este absurdo acontece agora em um país vizinho e os governantes brasileiros só se manifestam para… defender o Estado totalitário chavista.

A resistência venezuelana tem sido minada por todas as formas dentro de seu país. E fora dele, como aqui no Brasil, conta com inimigos também na imprensa, que insiste em caracterizar todos os opositores do regime arbitrário como ameaças desumanas e criminosas.

Não é fácil fugir das armadilhas que a imprensa brasileira esconde no caminho de quem quer se informar sobre as arbitrariedades de mais um regime esquerdista. Uma das formas para evitá-las é buscar fontes originais. O que vai abaixo é o artigo de Leopoldo López, enviado direto de sua cela, e publicado no The New York Times. É um artigo particularmente vergonhoso para nós brasileiros por  sabermos que nosso Governo se coloca ao lado deste chavismo debilóide que só não desembarca por aqui de vez porque ainda há algumas barreiras. Ainda.

Leiam o artigo traduzido e publicado com exclusividade aqui na Reaçonaria:

O Declínio do Estado venezuelano 

Enquanto escrevo estas palavras na prisão militar de Ramo Verde em Los Teques, Venezuela, me sinto afetado pelo tanto que têm sofrido os venezuelanos

Durante 15 anos, a definição neste país de “intolerável” foi recuando cada vez mais até chegarmos hoje a um dos índices de assassinatos mais altas do Hemisfério Ocidental, uma inflação de 57 por cento e uma escassez de produtos da cesta básica sem precedentes fora de um período de guerra.

Nossa debilitada economia se vê acompanhada por um igualmente opressivo clima político. Desde que os protestos estudantis começaram no dia 4 de fevereiro, mais de 1500 manifestantes foram presos e mais de 50 relataram terem sido torturados em repartições policiais. Mais de 30 pessoas, incluindo agentes de segurança e civis, morreram em protestos. O que começou como uma marcha pacífica contra o crime num campus universitário expôs a intensidade da criminalização do dissenso por parte deste governo.

Estou preso há mais de um mês. No dia 12 de fevereiro exortei os venezuelandos a exercer seus direitos legais de protestar e se expressar livremente, mas para fazê-lo pacificamente e sem violência. Três pessoas foram baleadas e morreram naquele dia. Uma análise do vídeo pela agência de notícias “Últimas Notícias” demonstrou que os tiros partiram da direção de tropas militares à paisana.

LeopoldoLopezPreso

Leopoldo López é preso pela polícia chavista

Logo após aquele protesto, o presidente Nicolás Maduro pessoalmente ordenou minha prisão sob acusações de assassinato, ação incendiária e terrorismo. A Anistia Internacional disse que essas acusações aparentam ser “politicamente motivadas como uma tentativa de silenciar os opositores”.  Até hoje, nenhuma evidência de qualquer tipo quanto às acusações foi apresentada.

Em breve, mais prefeitos de oposição, eleitos numa esmagadora maioria nas eleições de Dezembro, se juntarão a mim atrás das grades. Na última semana o governo prendeu o prefeito de San Cristóbal, onde os protestos estudantis começaram, assim como o prefeito de San Diego, que foi acusado de desobedecer uma ordem de remover as barricadas dos manifestantes. Mas nós não ficaremos calados. Muitos acreditam que gritar apenas antagoniza o partido no poder – convidando Maduro a agir mais rapidamente para suprimir direitos – e fornece uma conveniente distração quanto à ruína econômica e social que está tomando conta do país. Em minha opinião, esse caminho é semelhante a uma vítima de abuso ficar  quieta por medo de atrair mais punição.

Mais importante, milhões de venezuelanos não têm o luxo de aguentar por muito tempo, de esperar por uma mudança que nunca chega.

Nós devemos continuar a falar, agir e protestar. Não devemos permitir que nossos nervos sejam amortecidos por constantes abusos de direitos que vivenciamos. E devemos buscar uma agenda de mudanças.

A liderança de oposição tem desenhado uma série de ações que são necessárias com o objetivo de nos levar adiante.

Vítimas de repressão, abuso e tortura, assim como os familiares daqueles que morreram, merecem justiça. Os que são responsáveis devem renunciar. Os grupos paramilitares pró-governo, ou “coletivos”, que tentam silenciar os manifestantes com violência e intimidação, precisam ser desmantelados.

Todos os prisioneiros e dissidentes forçados pelo governo a exilar-se, assim como os estudantes que foram presos por protestar, devem ter o direito de retornar ou ser libertados. Isso deve ser seguido pela restauração da imparcialidade a importante instituições que formam a espinha dorsal da sociedade civil, incluindo a comissão eleitoral e o sistema judicial.

A fim de termos nossa economia no rumo certo, precisamos de uma investigação sobre a fraude cometida através de nossa Comissão para o Câmbio de Divisas – ao menos 15 bilhões de dólares foram canalizados a empresas fantasma e suborno no ano passado, ação que contribuiu diretamente para a espiral inflacionária e a severa escassez que nosso país enfrenta.

Por fim, precisamos de um compromisso real da comunidade internacional, particularmente na América Latina. A  resposta clara das organizações de direitos humanos mostra um enorme contraste com o vergonhoso silêncio dos vizinhos da América Latina. A Organização dos Estados Americanos, que representa as nações do hemisfério ocidental, se abstém de qualquer verdadeira liderança na atual crise de direitos humanos e o espectro de um Estado falido, mesmo ela tendo sido formada exatamente para lidar com situações como esta.

Silenciar é ser cúmplice dessa espiral descendente do sistema político, econômico e social, sem mencionar a continuidade da miséria de milhões. Muitos lideres atuais da América Latina sofreram abusos semelhantes em seus tempos de juventude e não deveriam ser cúmplices silenciosos dos abusos de hoje.

Para os venezuelanos, uma mudança na liderança pode ser alcançada completamente dentro do estrutura legal e constitucional. Devemos defender os direitos humanos; liberdade de expressão; o direito de propriedade, habitação, saúde e educação; igualdade no sistema jurídico e, claro, o direito de protestar. Esses não são objetivos radicais. São as pedras básicas para construção de uma sociedade.

Artigo originalmente aqui.

A esquerda, a História e o acaso: a obsessão pelo controle

Trazemos hoje para a Coluna do Leitor uma ótima análise feita pelo historiador com doutorado em Ciências Sociais que quis se identificar apenas como “Leo N.”. Boa leitura:

A esquerda, a História e o acaso: a obsessão pelo controle

(O texto que segue é uma série de apontamentos reunidos com o intuito de sublinhar algumas questões. Utilizei-me dos termos amplos “esquerda”, “esquerdista”, “esquerdismo” para facilitar).

Desde o recrudescimento das manifestações de junho de 2013 esperava-se que uma coisa acontecesse: alguém morresse. Não uma morte “indireta” ou “acidental” ocorrida a partir das confusões, mas sim uma morte – ou assassinato – diretamente ligada às respostas da polícia frente os manifestantes. O máximo que se conseguiu, nesta situação em particular, foi um punhado de pessoas feridas por balas de borracha, o que foi largamente utilizado para demonstrar a “truculência” da polícia e, como um “resultado lógico” disto, conferir legitimidade às manifestações e aos atos perpetrados durante as mesmas. Quem quer que fosse morto, neste contexto específico, seria transformado em mártir, o que, possivelmente, seria explorado ao ponto de ser impossível arranhar a aura de legitimidade com a qual manifestantes (e seus atos) seriam recobertos.

Já em 2014, foi possível imaginar toda a esquerda segurando a respiração, tensa, esperando que o manifestante baleado em São Paulo morresse – deste modo, teriam o mártir pelo qual eles tanto ansiavam. Não foi desta vez – ele não morreu. E o pior: gravações mostraram que o manifestante atacara os policiais em primeiro lugar. Qualquer alegação de “execução”, de que a polícia “fascista” assassinara à sangue frio um inocente, que a ditadura militar estava de volta ou outros chavões tão caros à moral de rebanho esquerdista ficou impossibilitada de circular pelos meios tradicionais – imprensa e redes sociais, sobretudo.

Então, aconteceu aquilo que ninguém, sobretudo a esquerda, sequer cogitou: um assassinato cometido pelos próprios manifestantes – a vítima, o cinegrafista da Rede Bandeirantes Santiago Andrade. Não foi uma morte “indireta” ou “acidental”, muito menos provocada pela política “truculenta”, “despreparada” e “fascista”. A esquerda, cuja história está repleta de verdadeiros massacres – e cuja ideologia apregoa e utiliza a violência como meio legítimo de alcançar seus objetivos – é quem foi a responsável pela morte. Ela, que esperava um mártir para sua causa, conseguiu, de certo modo, um fantasma para assombrá-la.

Decerto a esquerda não esperava por isto, ficou atordoada. Tanto é que, nos primeiros dias, só houve o silêncio, e quando surgiram os primeiros indícios claros da ligação entre os assassinos e os Black Blocs (e, por tabela, toda a esquerda), verdadeira tropa de assalto das manifestações, a SS da esquerda (peço desculpas por fazer esta referência batida ao nazismo, mas creio que ficará mais claro para os esquerdistas entenderem, pois a utilizam a torto e a direito, ignorando os grupos de extermínio que são parte de sua própria história), começou o corre-corre para que se ocultasse e negasse a ligação. O PSOL, por exemplo, condenou (com algum atraso) a violência dos Black Blocs e das manifestações e disse que nunca apoiara seus métodos. Correndo, retiraram de seu site um artigo que dizia justamente o contrário. Sendo assim, mentiram. O PSOL apoiava, sim, o uso da violência – se não, por que nunca emitiu uma nota condenando-a? E um de seus heróis, Marcelo Freixo, já deixara isto bem claro. Aliás, foi seu nome que ganhou destaque com a entrada em cena de “Sininho”. (Para um resumo, ver aqui)

Tem-se, aqui, dois elementos que trabalham juntos em uma situação que a esquerda não esperava: primeiro, o assassinato do cinegrafista, cometido pelas forças da esquerda; segundo, a ação destrambelhada de Sininho tentando mostrar serviço, o que acabou por evidenciar a conexão Black Bloc-PSOL (e a aderência irrestrita do PSOL à violência como meio de ação legítimo). Por que a esquerda não esperava isto? Por que precisou, depois, recorrer à teorias conspiratórias disseminadas pela internet – e que ganharam, inclusive, espaço no jornal O Globo – para aliviar o lado do PSOL e de Freixo (e da esquerda em geral)? Por que seus intelectuais orgânicos estrategicamente posicionados na “grande mídia” correram para defender seu herói e sua ideologia redentora? Por que o Salão Nobre de uma universidade federal (IFCS/UFRJ) foi utilizado para um “ato em defesa” do grande herói, portador das virtudes mais elevadas, e ao mesmo tempo para condenar à mesma “grande mídia” da qual a intelectualidade orgânica se vale diariamente para sua doutrinação?

Simples: a esquerda não é capaz de reconhecer o acaso e o caráter contingencial da realidade como elementos cruciais para a composição da durée da vida. Não existe, no pensamento de esquerda, espaço para o acaso, para a contingência. Quem olhar para algumas teorias [sic] esquerdistas, como o marxismo e o feminismo, verá que estas nada mais são do que teorias conspiratórias (da história). Por quê? Porque elas são capazes de colocar o mundo em ordem, de explicar tudo como fruto de maquinações de algumas pessoas: os “ricos” que se juntam para explorar os “pobres” em todos os momentos da História; os “homens” que se reúnem para subjugarem as “mulheres”, criando uma cultura machista mundial. Luta de classe e patriarcado são chaves da história: explicam o mundo, dão sentido à História, facultam às pessoas um acesso a uma realidade mais verdadeira. Deste modo, tudo acontece por um motivo bem definido e identificado. Não há acidentes, nem imprevistos. Localizando-se o problema, basta enfrentá-lo. A complexidade do mundo – o que impede sua compreensão total e, o mais importante, a resolução de todos os seus problemas de uma só vez – é reduzida, por todo o pensamento de matriz de esquerda (e aqui estou incluindo o nazi-fascismo, cujas ideias centrais seguem o mesmo caminho com simplificações grosseiras), a uma monocausalidade capenga.psol[1]

Não é á toa que o pensamento esquerdista despreza a ideia de liberdade (usada somente como peça retórica, e às vezes nem assim a palavra liberdade é mobilizada), seu ódio à liberdade individual é palpável – a liberdade rompe com o mundo ordenado do esquerdismo. A possibilidade dos indivíduos agirem livremente fere de morte os esquemas traçados pelo pensamento de esquerda. Não existem processos nem entidades personificadas que movem a história teleologicamente, mas sim indivíduos que agem de maneiras distintas e as consequências de suas ações produzem resultados imprevisíveis. São as consequências não intencionais da ação. Quando o rojão que “deveria estar voltado para a polícia” matou Santiago Andrade ou quando Sininho revelou, por um acaso, a ligação Black Bloc-PSOL, trazendo à tona o nome de Marcelo Freixo, a narrativa da história imaginada pela esquerda foi rompida, quebrou-se, daí a correria para remendá-la, para lhe dar ordem novamente. Conspiração, perseguição, interesses da grande mídia – todos elementos que visam colocar a “história” nos eixos, que reconduzem a durée da vida aos seus trilhos “normais”, como postulado pela te(le)ologia da esquerda.

Ao fim e ao cabo, a esquerda é obcecada pelo controle, tanto é que seu esforça para controlar a História. Ao contrário do que os intelectuais da Escola de Frankfurt pudessem achar sobre a relação entre capitalismo, racionalidade, técnica, dominação, etc. – o fato é que é o esquerdismo a forma mais bem acabada desta racionalidade pautada no cálculo intenso, na previsão, no controle. E não é à toa que a esquerda defende tanto o Estado: qual a melhor maneira de dominar, calcular e prever que não através da burocracia estatal? A burocracia, a forma mais acabada desta racionalidade, adequa-se perfeitamente ao pensamento de esquerda. Ela nega qualquer espaço para as ações individuais, para o exercício da liberdade, que é a única coisa capaz de perturbar a narrativa imaginada pela esquerda. Através do cálculo, exerce controle sobre as pessoas; através da previsão, busca contornar o acaso.

Mais do que a emergência (na internet) de um pensamento liberal/conservador/de direta/o que seja – muito disperso, altamente individualizado (e, por isto, imóvel) e sem qualquer instituição capaz de viabilizar eventuais ações – acredito que o assassinato de Santiago e o surgimento de Sininho foram os eventos que melhor conseguiram atingir a esquerda, pois abalou seus fundamentos e valores mais caros: a crença em sua capacidade de controlar a história, jogando-lhe na cara que suas chaves da história não abrem todas as portas.

Retorno às aulas: mensagem aos professores

Mais um post enviado à “Coluna do Leitor” por grande amigo da Reaçonaria.

O que vai abaixo é um desabafo, ou uma declaração de amor à profissão, de Paula Rosiska. É especialmente importante de ser lido por quem, por ideologia burra, transporta o ódio a uma figura simbólica como “O Estado” para pessoas de carne e osso que trabalham nessa máquina: os funcionários públicos.

Leiam. E abaixo há um pequeno complemento feito por mim.

Retorno às aulas

Amanhã as minhas férias terminam de fato. E é necessário ter uma grande preparação psicológica para suportar um ano letivo. Não tenho dúvidas da minha vocação e da minha capacidade. Não fosse isso, já teria saído dessa área há tempos. Mas isso tudo somado à experiência dos mais de 10 anos de carreira (somado o tempo de voluntária no cursinho são 15 anos), não é suficiente para nos permitir atravessar certas situações escolares sem ferimentos físicos e emocionais. A configuração de escola pública como depósito de criança já é algo desastroso para quem ama a tarefa de ensinar. Sentir-se por vezes carcereiro de crianças e adolescentes, usando a própria voz como cassetete (sim, com dois esses, podem procurar) não é das melhores coisas. Mas o pior, creio eu, são os discursos floreados e adocicados, que encobrem uma acusação vinda de quem jamais pisaria numa sala de aula de periferia: “nossa educação vai mal porque não estamos preparados para… mas somos sonhadores”. Desde que cursei a Licenciatura, ouço essa acusação. E tome formação continuada, e tome palestrante ganhando dinheiro para não oferecer nenhuma alternativa prática aos nossos dias, e tome acadêmico fazendo mestrado em cima da incompetência dos profissionais da educação. A incompetência costuma ser a forma de se referir à não aceitação do novo, do aluno do século XXI, que, em tese – e só em tese- é questionador, utiliza as tecnologias para se informar, é autônomo, mas, que na verdade, questiona coisas como “por que eu devo recolher a sujeira que eu fiz se tem as tias da limpeza”?, utiliza tecnologia para o Facebook e é autônomo para não ir de uniforme, embora a sociedade pague até pelas meias que recebem.

De tudo isso, há duas coisas que se sobressaem, sendo uma triste e revoltante e a outra, irritante. Começo pela irritação. Professores que estão em sala de aula conhecem a realidade, são vítimas da utopia freireana, e acatam a culpa pelo fracasso escolar. O triste e revoltante é ver que há muitos alunos excelentes, brilhantes, que não podem se desenvolver porque são reféns dos canalhas, dos violentos, dos barulhentos, contra os quais pouco se pode fazer. Eu sou de briga, eu sou insubmissa e jamais aceitarei esse tipo de injustiça calada. Mas reconheço minha impotência diante da necessidade de atender os que querem aprender.

Ano passado uma aluna me disse que aguardava ansiosamente a minha aula, pois eu era a professora que atendia os bons e colocava os maus nos devidos lugares. Não com essas palavras, mas com os termos “bons” e “maus”. Se continuar a ser vista assim, o ano escolar que se inicia, valerá a pena.

Desejo um bom retorno a todos os professores. E, quanto aos meus colegas: parem de acatar essas culpas. Vocês são ótimos.

Um adendo personalíssimo: entre familiares e amigos posso dizer que sou rodeado por professores que trabalham na rede pública. Nesse tempo marcado pelo crescimento da renda em paralelo à violência e à queda na qualidade do ensino, é seguro dizer que os alunos das escolas públicas são, em sua maioria, muito pobres. Muitos dos pais que são “apenas um pouco pobres” buscam escolas e escolinhas particulares, um negócio muito lucrativo por sinal. Aos que ficam com os alunos da escola pública restam os alunos que convivem com muito daquilo que torna nosso país ainda mais triste: violência familiar, doenças de países paupérrimos, tráfico de drogas e bandidagem no cotidiano, pais perdidos pelo consumo e tráfico de drogas e, por fim, miséria.

O meu recado a todos esses professores, complementando a mensagem da Paula, é que se inspirem nessa belíssima música abaixo. Salvem essas flores!

NatureDesertFlower

Brasil: O Que Esperar Para 2014 (E Além)

A “Coluna do Leitor esteve por um bom tempo inativa devido a uma confusão nos e-mails e perda de controle nas muitas sugestões enviadas. Vamos tentar retomá-la com maior periodicidade a partir de agora.

Hoje trazemos para apreciação um breve artigo de convidado, o Fábio Ostermann, sobre os erros repetidos de seguidos governos que, tudo indica, custarão ainda mais caro daqui para frente.

Brasil: O Que Esperar Para 2014 (E Além)

O colega Adolfo Sachsida já vinha dizendo há um tempo: 2014 será o ano em que todos os recordes de greves no setor público serão batidos.PostFabio

Com a Copa do Mundo, os olhares do mundo estarão voltados para o Brasil nos meses de junho e julho. Os políticos (especialmente em âmbito federal) sabem muito bem que um fracasso em manter o país em ordem durante esse período representará um grande abalo para as eleições de outubro.

Diante dessa “sensibilidade”, os sindicatos do serviço público, que ordinariamente já se aproveitam do fato de não terem um patrão para contrabalancear sua permanente demanda pela expansão de suas mamatas (afinal, o que é “de todos” a rigor acaba sendo de “ninguém”), se esbaldarão.

As greves que estão ocorrendo agora são só o começo de um ano turbulento que vem por aí. O governo federal usará recursos que não tem para (tentar) apaziguar grupos de pressão que historicamente lhe apoiaram mas dos quais se tornou refém ao longo dos últimos 12 anos. Com isso, o Brasil ficará não “entre a cruz e a espada”, mas sim entre o CAOS e a BANCARROTA.

De um jeito ou de outro, somos nós quem pagaremos a conta da irresponsabilidade de governos populistas que não aproveitaram os bons ventos e os altos índices de aprovação popular e apoio do Congresso para realizar as reformas necessárias à sustentabilidade financeira e institucional do Estado brasileiro.

O mesmo modelo de inchaço estatal e cooptação de grupos de interesse com interesses específicos que tem levado tantos países mundo afora a crises econômicas e até a rupturas institucionais sérias precisa ser reformado URGENTEMENTE no Brasil.

Roberto Campos, um dos mais argutos e perspicazes observadores da realidade brasileira no século XX dizia que para o Brasil havia “o aeroporto do Galeão, o de Cumbica e o liberalismo”. Atualmente dispomos de uma quantidade maior de aeroportos internacionais que nos conectem diretamente a países institucionalmente mais avançados, mas o liberalismo segue sendo (convenientemente) ignorado pela nossa classe política. Felizmente começa a emergir um movimento de ideias forte, amplo e sólido com bases na sociedade civil e, em breve, também na política. Hora de devolver o Brasil aos brasileiros.

Fábio Ostermann

Texto originalmente publicado em http://www.fabioostermann.org/2/post/2014/01/brasil-o-que-esperar-para-2014.html .

PLC 122: Mentiras, trapaças e um projeto de lei delirante

Trazemos hoje à Coluna do Leitor um artigo muito importante, tratando de algo que está acontecendo nesta semana no Congresso. Leiam com atenção o artigo enviado pelo Thiago Cortês .

E, lembrando que a “Coluna do Leitor” é feita por sugestões e artigos enviados para nós (formulário de contato ao lado), estamos abertos para quem queira contradizer os argumentos aqui expostos.

PLC 122: Mentiras, trapaças e um projeto de lei delirante

“Uma mentira dá uma volta inteira ao mundo antes mesmo de a verdade ter oportunidade de se vestir” – Winston Churchill

Em momentos de tropeço moral ou estratégico, várias lideranças notáveis cometeram o erro de defender causas nobres por meios torpes. Elas tiveram que se justificar para não perder o apoio dos seus próprios simpatizantes e legitimidade política.

Se pessoas bem intencionadas, agindo na defesa de bandeiras relevantes, perdem o crédito quando passam a agir como se os fins justificassem os meios, então, o que dizer daquelas que defendem causas torpes por meios torpes?

O presente artigo toma o caso da recente tentativa de aprovação da PLC (Projeto de Lei da Câmara) 122 para ilustrar o modus operandis de petistas que não hesitam em mentir, trapacear e deliberadamente causar confusão para garantir que suas causas torpes – a maior parte delas sem apoio popular – sejam impostas à sociedade.

Antes de expor os perigos contidos na referida PLC, vejamos os meios imorais utilizados pelo PT nas últimas semanas para tentar aprová-la de qualquer jeito.

A primeira tentativa ocorreu no dia 20 de novembro. A votação na Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado foi adiada por pressão das bancadas evangélica e católica. Porém, senador Paulo Paim (PT-RS), o relator do projeto, decidiu a colocar o referido para ser votado novamente na semana seguinte.

O senador alegou que não havia motivos para adiá-lo outra vez. Paulo Paim agiu em consonância com a militância LGBT, que tem muita pressa na aprovação da PLC. O deputado Jean Wyllis (PSOL-RJ) e outras vozes do lobby LGBT fazem pressão com as militâncias para que Paim se sinta respaldado e jogue no timming deles.

É claro que o senador tem o direito de ouvir quem bem entender. Por outro lado, os religiosos têm o direito de exercer uma contrapressão, inclusive, organizando manifestações pacíficas em Brasília. O problema é que o petista fez de tudo para – na impossibilidade de calar – abafar as vozes contrárias ao PLC 122.

A sessão da CDH estava marcada para quarta-feira, 04 de dezembro. Na terça-feira, 03, portanto, na véspera da votação, o senador Paulo Paim utilizou seu twitter oficial para “informar” que o PLC 122 havia sido retirado de pauta porque a bancada do PT se reuniria com o ministro da Casa Civil, Gilberto Carvalho (que espantosamente trabalha como interlocutor entre o governo e os representantes do segmento cristão).

Mentiras

Paulo Paim mentiu descaradamente.

Na sessão de quarta-feira lá estava na pauta da CDH o famigerado PLC 122, pronto para ser apreciado e votado. A intenção de Paim foi a de desmobilizar a oposição ao projeto, afinal, importantes vozes dissidentes já haviam anunciado que estariam presentes na sessão para se manifestar de forma pacífica e ordeira.unnamed

O senador petista fez seu tweet no final da tarde de terça-feira. Bem a tempo de desmobilizar as pessoas comuns interessadas em se manifestar na CDH. Ele chegou a ser elogiado por muitas delas, por sua suposta abertura ao diálogo!

Paim obteve dezenas de retweets em curtíssimo espaço de tempo. Não há dúvidas de que conseguiu convencer quem tem pouca experiência com as mentiras costumeiras dos petistas, e de seus inseparáveis companheiros de guerra cultural.

Mas, para azar do senador e do lobby LGBT, entre os opositores da PLC 122 estão dissidentes experientes que já aprenderam que a mentira é um expediente rotineiro entre petistas. Eles mantiveram sua agenda e foram ao Congresso Nacional.

Trapaças

Cerca de 300 pessoas contrárias ao PLC 122 compareceram. É claro que apenas algumas delas planejavam, na condição de representantes, acompanhar a sessão da CDH. Porém, nem estas tiveram sua presença admitida no interior do Senado.

Os opositores ao projeto foram barrados na entrada do Congresso. Sem qualquer justificativa plausível, os seguranças só liberaram o ingresso de alguns deles na Casa após a intervenção direta de membros da bancada evangélica.

Os deputados federais Marco Feliciano (PSC-SP), Paulo Freire (PR-SP), João Campos (PSDB-GO), entre outros parlamentares evangélicos, se deslocaram até a entrada do Senado para viabilizar o ingresso de católicos que foram impedidos de entrar na Casa.

Aos que ficaram do lado de fora, alguns seguranças justificaram que a ordem foi a de impedir a entrada de “manifestantes” que pudessem “causar problemas” na sessão da CDH. Em outras palavras, os religiosos foram barrados por questão de segurança!

Os poucos opositores da PLC 122 que conseguiram chegar à sala de reunião da CDH ficaram surpresos ao perceber que as primeiras fileiras já estavam ocupadas pela militância LGBT, que parece ter passado com facilidade pelos seguranças.

OK. Vamos esclarecer as coisas. De acordo com a segurança do Senado:
a) religiosos são baderneiros em potencial;
b) militantes LGBT são manifestantes pacíficos e ordeiros;

Faz sentido. Não passaram de eventos aleatórios as manifestações conduzidas por militantes que terminaram em hediondas agressões verbais, xingamentos e feministas exibindo seus corpos ovais em locais públicos, sem qualquer tipo de receio.

É por isso que os seguranças preferiram agir seletivamente em sua missão de garantir a paz e a ordem na sessão da CDH, impedindo a entrada apenas de pessoas que exibiam símbolos religiosos e… padres (facilmente identificados pela batina!).

Jogo sujo

Apesar dos expedientes imorais utilizados para impedir, inclusive fisicamente, a participação dos opositores da PLC 122 no debate sobre o projeto o saldo foi positivo para a democracia: a dissidência se fez ouvir e o projeto foi retirado da votação.

Porém, é bastante provável que ele seja colocado novamente em votação nas próximas semanas. Como já foi dito, os militantes LGBT têm pressa! Eles pressionam para que o projeto seja aprovado até o fim do presente ano legislativo.

Não há dúvidas de que novas mentiras e outras trapaças serão usadas para garantir a aprovação da PLC 122. O jogo não acabou. E os opositores devem continuar atentos aos próximos movimentos da Comissão de Direitos Humanos do Senado.

O alerta é do professor Felipe Nery, diretor do Observatório Interamericano de Biopolítica e ex-diretor do Colégio São Bento. Ele esteve em Brasília e testemunhou as táticas usadas no esforço de silenciar as forças contrárias a PLC 122.

“O Congresso Nacional é a casa do povo. E este foi simplesmente proibido nas dependências de sua própria casa, na quarta-feira. Eu frequento o Congresso há algum tempo e posso afirmar que isso nunca existiu”, destacou Felipe Nery.

O professor notou ainda que o governo federal nem se deu ao trabalho de disfarçar o seu lobby poderoso pela aprovação do texto atual da PLC. Setores do governo sem qualquer ligação com o tema enviaram relatórios favoráveis ao Senado.

“Na sessão da CDH foram lidos relatórios do Ministério da Educação (MEC). Qual é a ligação do MEC com o tema? Não discutimos nenhuma normativa que poderia ser aplicada nas escolas. Até o Ministério da Saúde enviou relatórios favoráveis a um projeto de lei que deve ser discutido no âmbito do Código Penal! Isso mostra o grande empenho do governo federal pela aprovação do PLC 122”, completou Felipe Nery.

Projeto delirante

Algumas mentes incautas comemoram o fato de que o termo “homofobia” foi retirado da versão de Paulo Paim da PLC 122. A verdade é que a militância LGBT deu um passo atrás estratégico, mas nunca deixou de caminhar.

O atual relator do projeto passou as últimas semanas trombeteando aos quatro ventos que o seu texto “não entra na polêmica” da definição de homofobia. Foi um esforço para seduzir os parlamentares cristãos e silenciar os críticos.

Paulo Paim frisou que seu texto abrange o combate “a todo tipo de preconceito”. É uma manobra retórica para desarmar os adversários do PLC 122. Se o projeto é contra “todo tipo de preconceito”, logo, quem se opõe a ele só pode ser preconceituoso!

Mas o texto manteve o espírito original da aberração inconstitucional, forjada por autoritários que pretendem patrulhar as opiniões e sentimentos. Se for aprovado, abres-se um precedente e o direito constitucional livre expressão estará em risco.

O lobby LGBT quer manter cativo o pensamento, inviabilizar pela lei a palavra, sequestrar a linguagem e usar tudo isso contra o cidadão comum, que viverá sob a sombra dos processos judiciais que a militância LGBT sabe promover tão bem.

A embaixatriz do lobby LGBT, Marta Suplicy, orquestrou outra manobra para obscurecer as reais dimensões do reformado PLC 122.

Suplicy defendeu a inclusão de um artigo que afirma que o PLC “não se aplica à manifestação pacífica de pensamento decorrente de atos de fé, fundada na liberdade de consciência e de crença de que trata o inciso VI do art. 5º da Constituição Federal.”

O pastor Silas Malafaia estaria a salvo da inquisição LGBT. Mas e o psicólogo Silas Malafaia? O pastor R.R. Soares seria livre para expressar suas repreensões morais ao homossexualismo. Mas e o apresentador de TV conhecido como R.R. Soares?

São muitos os truques contidos na nova versão “mais tragável” do PLC 122. E isso torna o projeto ainda mais perigoso para liberdade de expressão e de crença.

“Nós devemos redobrar nossa atenção neste momento crítico porque, como vimos em Brasília, o outro lado não receio algum em usar todo tipo de tática para aprovar o projeto. Temos nossas preocupações e afazeres, mas devemos nos manifestar junto aos nossos representantes, exigindo uma posição firme contra o PLC 122, afinal, depois pode ser tarde demais”, enfatizou o professor Felipe Nery.

Classismo: ódio politicamente correto

Trazemos hoje para a “Coluna do Leitor” um texto enviado pelo @jornalemes, publicado originalmente em seu site. No artigo, Bruno comenta a reportagem da “Veja Rio” sobre alguns jovens cariocas que estão aderindo ao NOVO.

Classismo: ódio politicamente correto

No último final de semana, a Veja Rio publicou matéria a respeito de jovens cariocas que têm se unido e reunido em torno de um projeto político-partidário, o Partido Novo (NOVO). Em tempos de black blocs (BBs — leia-se “bebês”), grupo ou, oficialmente, “metodologia” anarquista que tocou o terror no Rio de Janeiro há poucos meses, a reportagem orientou-se pela seguinte questão: em que outras iniciativas políticas estaria o jovem carioca se envolvendo?

Assim chegou-se ao NOVO. Partido em formação, fundado em 2011 e caminhando para submeter ao Tribunal Superior Eleitoral seu pedido de registro (possui trezentas das 492 mil assinaturas certificadas necessárias), conta com diretórios em nove estados e apoiadores de diferentes segmentos socioeconômicos, e, contra a corrente dominante do estatismo — geralmente de esquerda — no cenário político, defende bandeiras inovadoras (para os padrões brasileiros) como a redução das dimensões e abrangência do Estado (que só assim poderia almejar qualidade e eficiência em funções clássicas: educação básica, saúde, segurança e infraestrutura) e a centralidade no indivíduo. A proposta do NOVO não é libertária (entenda-se: minarquista ou anarcocapitalista), é de cunho liberal. Entende que o Estado deva oferecer instrumentos mínimos para a busca dos objetivos individuais aqui mencionados e ao mesmo tempo liberar o cidadão para buscar os mesmos instrumentos na iniciativa privada, por sua vez também livre para empreender e oferecer bens materiais, culturais etc. ao cidadão soberano (ser consumidor não está dissociado de ser cidadão, pelo contrário, é aspecto fundamental para a plena cidadania).

A seu modo, a reportagem da ‘Vejinha’ expôs essas bandeiras, com algum erro conceitual do repórter ou editor – falou-se em “liberdade para acumulação de riquezas” ao invés de geração de riquezas, termo mais apropriado, afinal, não faz sentido, na era do capitalismo financeiro, pensar em acúmulo quando mesmo o dinheiro “parado” num banco está sendo investido, pois emprestado para outros empreendimentos. No caso do empreendedor, parte do excedente também deve ser reinvestida caso este queira manter-se competitivo e auferir mais lucros; da mesma forma, seu gasto crescente em função da elevação de seu padrão de vida distribui riqueza entre outros produtores (seja o trabalhador que emprega ou que é empregado).

Cabe dizer que estranhei a comparação entre os grupos, algo como comparar água e gasolina apenas por serem líquidos. Considero “opostos” coisas refletidas, dispostas num mesmo patamar, eventualmente próximas (estou reformando meu diagrama que procura ilustrar esse dimensionamento). O oposto de um liberal, portanto, seria um social-democrata, enquanto o oposto de um socialista seria um fascista.

Um quadro comparativo dos jovens do NOVO à juventude do vandalismo politizado dos BBs provocou desconfiança entre os entusiastas do partido em relação à idoneidade da reportagem: no item “figurino”, enquanto o dos BBs foi descrito com “peças pretas e rosto coberto”, àqueles coube “roupas de grife”. Decerto uma ideia brilhante de algum editor ou qualquer outro responsável pelo quadro, que olhou para a foto de Igor, Ana Luiza e Andrew e, observando provavelmente a indumentária deste último, inseriu uma frivolidade que incendiou a sanha classista.

comportamento-03Ayn Raid (sic)

Muito mais que as ideias (mesmo o errôneo “acumulação de riqueza”), a crítica que choveu sobre os jovens politizados — inaceitavelmente não alinhados a alguma das infindáveis correntes de esquerda disponíveis no mercado — pautou-se pelas supostas roupas de grife, que, imagina!, nenhum dos BBs também usa (tampouco registram orgulhosamente seus atos de destruição com iPhones). Teve início o repertório sociológico cuja variedade assemelha-se ao de um papagaio: “coxinhas!”, entre as ladainhas de sempre contra o neonliberalismo, uma espécie de digievolução do capitalismo, igualmente culpado por todos os males do mundo desde talvez a Antiguidade.

O ódio é supostamente um sentimento combatido pelas esquerdas. Com um trabalho de décadas no âmbito cultural, as esquerdas conseguiram vender a ideia de que detêm o monopólio da generosidade, da paz, do amor, da tolerância e da verdadeira igualdade entre “raças”, etnias, orientações sexuais, religiões e o que mais sirva para os cafetões de minoria descolarem uns trocados políticos. Os teóricos e práticos (estes geralmente sanguinários) do “socialismo científico” não se preocuparam com isso, mas seus admiradores aprenderam, com a desgraça do socialismo no século XX, que a revolução deveria ser cultural e extensiva. Tornemos, pois, o ódio, o racismo e outros elementos abomináveis da humanidade em estandartes da direita. Não à toa, todo direitista menos corajoso se prontifica antes de tudo a explicar-se longamente ao declarar-se como tal.

Existe um ódio, porém, que é correto, politicamente: o de classe. Digamos que se trata da práxis da teoria do ódio ao capitalismo, essa forma mais abstrata (sobre este sentimento em relação ao sistema econômico que, longe das promessas de paraíso terreno feitas pelo atroz socialismo, trouxe a maior prosperidade que a humanidade já conheceu, é extremamente importante a leitura d’A Mentalidade Anticapitalista, de Ludwig von Mises). Toda sorte de insulto é louvável, manifestar o desejo de violência física é puro senso de justiça social, a menção categórica à cor de pele é obrigatória — enfim, é dever do bondoso esquerdista tratar qualquer indivíduo que pareça ter mais dinheiro que a “nova classe média” lulística como lixo da humanidade, cuja morte violenta é um ideal utópico (louvado, porém, quando perpetrado pelo revolucionário oculto do esquerdismo: o bandido comum).

comportamentos-01-abre

Vestir-se bem para trabalhar: ao que tudo indica, um crime ideológico

Andrew, à direita (!), foi o maior alvo do ódio politicamente correto. Entrevistado e fotografado após o trabalho, trajava a vestimenta que lhe impõe o empregador opressor & explorador: social [quase] completo. Como empregado, Andrew caberia, na visão classista, na caixinha do “proletário do colarinho branco”. Ora, a teoria marxista afirma que, não importa o salário que receba um trabalhador, sempre essa quantia será muito menor do que a riqueza que ele gera para a empresa. Andrew tem, portanto, suas “mais-valias extraídas”, é um explorado, é o oprimido desse mundo binário do processador LeftCore. A rigor, deveria contar com a solidariedade, não com o ódio dos classistas.

Lógica, porém, não compõe seu pensamento. Trabalhar sistematicamente com contradições planejadas é algo fundamental na prática e na difusão do ideário socialista. Outro ponto do caso em questão: a revista Veja, sempre detestada como veículo de comunicação sujo, mentiroso e manipulador, de repente pautou o deboche e a virulência de seus inimigos de sempre contra um alvo mais nocivo: jovens que ousam envolver-se com política que não a ditada pelo programa revolucionário. Estranhamente, as distorções e mensagens maliciosas da publicação deixaram de ser questionadas, pelo visto nunca existiram, Veja passou a ter credibilidade entre “a crítica” (isto sinônimo de marxismo, claro).

A despeito dos ganchos para o transbordo da esquerdopatia (a psicopatia ideologizada à esquerda), no saldo, a matéria reportou razoavelmente a proposta do NOVO, projeto que acompanho há coisa de um ano e meio. Não existe problema algum em jovens interessados em política reunirem-se no Leblon. O humanitarismo e a vontade de que todos possam buscar uma vida melhor com seu trabalho não é propriedade privada das esquerdas — muito pelo contrário, esta acredita que só o poder estatal a transferir um montante fixo de riqueza (daí se vê sentido no “acumular”) conferirá felicidade aos pobres, esses incapazes, dóceis, alienados. Aos ricos, cabe o destino de financiar a justiça social progressivamente até empobrecerem ao gosto do que a esquerda iluminada considerar justo. Um mundo ideal, sem ricos e sem pobres, onde a tributação redentora não terá mais sobre quem incidir até que a conta daquele ódio bom, belo e politicamente correto venha e recaia sobre todos — agora pobres — democraticamente, exceto sobre os generosos heróis da humanidade que enriqueceram e estabeleceram-se como a “nova classe alta”, ou seja, a casta burocrática do Estado máximo.

Vice importa? Ou: vice não é sub

Hoje na ˜Coluna do Leitor” um texto enviado por nosso colega cada vez mais presente, @PensoEstranho. O tema hoje é eleição presidencial e escolha de vice. Acompanhem:

Vice importa? Ou: Vice não é sub

Estamos em maio de 2002. A “era FHC” aproxima-se do fim, sem indicativo de continuidade. No PSDB, a candidatura de Serra surge como “natural”, mas longe de entusiasmar os tucanos com a intensidade necessária para enfrentar a cada vez mais aguerrida e estruturada oposição petista.

O PMDB, instável aliado do governo FHC, sem condições de lançar-se às eleições presidenciais, joga suas fichas simultaneamente com os candidatos mais cotados. Ao PSDB, oferece Rita Camata para vice. Ao PT, apresenta Pedro Simon.

Serra acaba levando a coligação com o PMDB, mesmo que dividido, e forma chapa com a então deputada federal pelo Espírito Santo: é a aliança possível e previsível de quem está no poder e pretende mantê-lo.

Lula, calejado por três derrotas consecutivas e percebendo a conjuntura favorável, faz aposta de risco e escolhe um vice da elite do empresariado nacional, filiado a partido de forte viés clientelista (PL – Partido Liberal, hoje PR – Partido da República, fruto da fusão de PL e PRONA).

É a aliança inesperada, que busca tranquilizar os mercados e o eleitor mais arredio, que guarda na memória a imagem do “sapo barbudo” que, se ganhasse em 1989, faria 800 mil empresários deixarem o país, pelas previsões de Mário Amato (presidente da FIESP à época).

Lula ganha a eleição no segundo turno, com 61,27% dos votos. Serra tem 38,73%.

Serra seguiu sua trajetória política, elegendo-se governador de São Paulo em 2006; Rita Camata filiou-se ao PSDB em 2009, tentou uma vaga no Senado pelo Espírito Santo em 2010, sem sucesso.

Em 2006 Lula, mesmo após o escândalo do mensalão quase ter inviabilizado a conclusão de seu mandato, é o grande favorito. A escolha de José Alencar como vice mostrou-se acertada. Apesar das fortes e constantes críticas à política econômica do governo, “Zé” é fiel ao presidente e, mesmo com graves problemas de saúde, mostra-se disposto a enfrentar mais uma campanha em defesa do governo petista.

O adversário de Lula agora é Geraldo Alckmin, que superou Serra na disputa interna e cujo vice, o então senador pelo PFL de Pernambuco, José Jorge, também foi escolhido em eleição interna do seu partido. Era a soma das insuficiências oposicionistas, ainda lambendo as feridas do fiasco no episódio do mensalão, quando sua tibieza deu sobrevida ao governo de Lula.

O bovarismo, reconhecido por um de seus maiores protagonistas sete anos depois, materializou-se na chapa informal “Lulécio” em Minas e no deprimente jaquetão, cheio de logotipos de estatais, usado por Alckmin no segundo turno.

Mais uma vez, Lula vence no segundo turno (Lula: 60,83%, Alckmin: 39,17%).

Alckmin ainda perderia mais uma eleição (para prefeito de São Paulo, em 2008) antes de eleger-se governador de São Paulo em 2010. José Jorge tornou-se ministro do TCU.

Com Lula fora das disputas presidenciais em 2010 (fato inédito neste ciclo democrático) e índices de aprovação ao seu governo nas alturas, o PT apostou alto, lançando Dilma, uma neófita em política, candidata à presidência. Para cacifar essa aposta, o PT bancou elevar o nível da aliança com o PMDB. Ao confirmar Michel Temer como vice, Lula e o PT não só levaram o PMDB quase que inteiro para a campanha, como deram à chapa o contraponto de experiência política necessário.

Era a gerentona do PAC, mas que nunca tinha disputado uma eleição, com um experiente articulador de bastidores, ambos conduzidos por um presidente popular e populista que, para fazer sua sucessora, flertou descaradamente com as franjas do autoritarismo, além de abusar do clientelismo e do aparelhamento da máquina.

Do lado oposicionista, Serra volta a disputar a presidência pelo PSDB, dessa vez formando chapa com Índio da Costa, do DEM. É a chance derradeira de um líder inconteste, mas claudicante, da oposição, para com a qual o vice pouco contribuiu além do tempo de TV do partido.

Era o PSDB novamente dividido (em Minas, a expressão da cizânia – Dilmasia – beira a escatologia), aliado a um DEM sob forte pressão governista (Lula chega a dizer que o partido precisava ser extirpado da política), disputando contra uma chapa forte, uma máquina estatal fortemente aparelhada e um sentimento geral amplamente favorável à continuidade.

As muitas fragilidades e escândalos do governo petista não foram expostos com clareza pela oposição durante a campanha. A insistência de Serra em uma campanha pouco combativa, focada em sua experiência como gestor público, aliada à inexperiência de seu vice, que pouco ou nada influenciava nos debates, refletiu-se no diminuto entusiasmo da militância, que acabou por priorizar interesses locais (eleições para governos estaduais, Congresso e assembleias estaduais).

Ainda assim, a eleição foi para o 2º turno, vencido de forma apertada por Dilma (56,05% dos votos, contra 43,95% de Serra).

Serra ainda disputaria outra eleição, para prefeito de São Paulo, na qual seria derrotado por Haddad (outro neófito bancado por Lula). Índio da Costa ajuda a fundar o PSD, torna-se secretário municipal de esportes e lazer do Rio de Janeiro e passa a compor a base de apoio ao governo Dilma.

Foram três disputas PT x PSDB pelo governo federal, três vitórias petistas. Vários fatores contribuíram para esse êxito consecutivo, dentre os quais a escolha correta dos vices. Da mesma forma, do lado oposiconista, as derrotas não decorreram apenas da má escolha dos vices, mas esse fator teve relevância.

Para as eleições de 2014 o contexto talvez seja o mais favorável às oposições desde 2002: o modelo de gestão esgotou-se, a presidente não tem vocação de líder e sua imagem de boa gestora foi para o vinagre, a economia patina, segurança, saúde e educação estão mal avaliadas, infra-estrutura e logística tornam-se obstáculos ao crescimento. Escândalos envolvendo petistas surgem mais rápido do que é possível assimilar (comecei a esboçar esse texto enquanto Donato renunciava ao cargo de braço direito de Haddad; finalizei com mensaleiros presos e denúncias de corrupção no Ministério da Fazenda caindo como um tijolo no colo de Mantega).

Eduardo Campos e Marina Silva, aparentemente, resolveram o problema da escolha do vice. Será um ou outro. Em qualquer das hipóteses, conseguiram obter resultado maior que a mera soma das partes.

Do lado tucano, Aécio desponta como o candidato a ser aclamado pelo partido, com Serra cada vez mais atuando à margem do processo partidário. Aparentemente, o mineiro tem olhado com atenção para os erros das eleições passadas e busca evita-los. Sendo assim, é hora de olhar de forma estratégica para a escolha do candidato a vice.

O PSDB não pode se dar ao luxo da “chapa pura”, justificando-a com o olhar no retrovisor de 2010. Naquele contexto, a chapa Serra-Aécio fazia sentido e criava um fato relevante para a eleição, qual seja, a união das duas maiores lideranças tucanas em prol do projeto oposicionista. Esta fórmula, ainda que com inversão de fatores ou inclusão de um novo personagem, não parece desejável ou eficaz para 2014. Não há hoje no PSDB político que, ao compor chapa com Aécio, agregue valor à candidatura para além de seu cacife político pessoal.

A chapa pura, em qualquer partido, só faz diferença quando aglutina dois políticos em momentos semelhantes, ambos com possibilidades para além da composição partidária endógena, e que escolhem esse caminho por simbolizar a busca de um propósito maior que as respectivas trajetórias individuais. Não é o caso hoje no PSDB, mesmo incluindo Serra na equação.

O PSDB tem uma conjuntura favorável como não havia há muito tempo para as oposições ao petismo (tanto que não está sozinho na busca por esse espaço no segundo turno). Para aproveitar de forma efetiva essa oportunidade, a escolha tucana do candidato à vice é fundamental para mostrar ao eleitorado que os equívocos das campanhas passadas foram assimilados e não serão repetidos, que o bovarismo tardiamente diagnosticado será enfim deixado para trás.

E quem seria o vice ideal? Melhor, como escolher corretamente esse vice?

Em primeiro lugar, evitando formar chapa com políticos iniciantes ou em fim de carreira: o momento pede um líder com experiência e, ao mesmo tempo, futuro com boas perspectivas de poder. Uma chapa oposicionista, para se contrapor à estrutura política dos petistas e à aparente novidade da aliança Eduardo Campos – Marina, deve apresentar ao eleitorado políticos que, isoladamente, sejam representativos do desejo de mudança hoje latente.

Outro ponto importante nessa escolha é superar o medo atávico de ser rotulado como “conservador”, “reacionário”, “direitista”, “elitista” e termos correlatos (talvez o pior sintoma do bovarismo tucano). Se do processo de escolha do vice surgir um nome ou partido mais identificado com a “direita”, que se forme a chapa sem constrangimentos.

Em 1994, tentaram pespegar essa pecha em FHC que, felizmente, não caiu na esparrela. A aliança com PFL viabilizou duas vitórias no primeiro turno e os governos mais reformistas deste período democrático.

O PSDB já errou o suficiente nas últimas candidaturas. Em 2014, a chapa não pode ser fruto de uma aliança burocrática, jogo de soma zero ou simples acomodação para políticos iniciantes ou em fim de carreira. Há que surpreender o eleitorado e espantar os adversários, causar uma sensação de “agora sim!”, “por que não pensaram nisso antes?”, resgatar o desejo e a perspectiva de vitória para a oposição. Se para isso a melhor alternativa estiver à direita do PSDB, que não titubeiem.

A luta de classes já chegou no mundo virtual

Trazemos hoje às nossas páginas um texto publicado originalmente no site sobre jogos eletrônicos “GameHall“(No twitter, @gamehall). Atendendo a várias indicações de amigos, leiam aqui o artigo de “Eye of Providence”:

A luta de classes já chegou no mundo virtual

No mundo atual, não falta gente querendo criar regras, modelos de conduta, tudo em prol do politicamente correto. Ultimamente, esta turma tem encontrado um prato no cheio no mundo dos videogames para fazer “balões de ensaio” com suas esquizofrenias.

Esses dias, tomei conhecimento de uma feminista canadense chamada Anita Sarkeesian, que possui um projeto no site “Kickstarter” intitulado de “Tropes vs. Women in Video Games“, onde ela pede fundos para fazer vídeos denunciando a cultura machista e os estereótipos femininos na indústria dos games (pasmem, ela já arrecadou quase US$ 160 mil com essa brincadeira).

Esses delírios não são uma novidade. Quando acontece um atentado em uma escola ou universidade dos EUA, a primeira coisa que a imprensa faz é pesquisar quais jogos o autor (ou autores) do crime jogava. Se há um jogo de tiro, pronto, está encontrado o motivo que levou um psicopata a matar centenas de inocentes em uma instituição de ensino. Se realmente jogos de tiro tivessem este potencial bélico para deformar a mente das pessoas, estaríamos vivendo uma guerra civil sem precedentes na história da humanidade.

Resident Evil 5, que se passa em uma cidade fictícia da África, foi acusado de “cultuar o imaginário racista“, uma vez que o protagonista (Chris Redfield) é branco e mata zumbis negros (tá, não são exatamente zumbis, mas você entendeu). Caramba, mas ninguém protestou em favor dos “ganados” espanhóis que morreram nas mãos de Leon em Resident Evil 4, nem dos inúmeros norte-americanos de Racoon City exterminados por uma bomba atômica em Residente Evil: Nemesis?

A PETA (Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais em português) gostou da brincadeira e vem acusando certos games de incentivarem maus tratos aos animais. A bola da vez é o Assassin’s Creed IV: Black Flag, criticado pela entidade por “glorificar a caça de baleias com harpões” (uma atividade comum para piratas como Edward Kenway no século XVIII).

Nem mesmo a fantasia de Tanuki que o Mario usa escapou da PETA. A ONG fez um jogo online chamado “Mario kills Tanooki“, mas a reação da comunidade gamer foi extremamente negativa, obrigando a entidade a recuar e alegar que tudo não passava de “uma brincadeira espirituosa, com o objetivo de chamar atenção para um assunto sério“. Ah, Zelda também é acusado de ser “classista, sexista e racista“.

Sinceramente, é muita falta do que fazer por parte dessas pessoas. Se não gostam de um jogo, não o comprem, mas não tentem podar a criatividade dos produtores para satisfazer certos caprichos. Se os pais não querem que as crianças joguem jogos violentos, proíbam-os em sua casa ou joguem junto com seus filhos e os orientem a discernir realidade e ficção. Mas por favor, não fiquem patrulhando os games alheios. Tenho certeza que a maioria dos jogadores sabem que eles são apenas obras de ficção voltadas para o puro e simples entretenimento.

Artigo publicado originalmente aqui.

Página 7 de 11« Primeira...234567891011