Coluna do Leitor

@reaconaria

Novo convite

Novamente trazemos Paula Rosiska para convidá-los aos protestos:

Haverá no dia 15 de março em todas as capitais do pais um ato pelo impeachment da Dilma. Creio que os leitores já saibam, porque o horário e os locais exatos têm sido divulgados amplamente nas redes sociais.

Desta vez, o primeiro convite que recebi veio pelo grupo dos meus colegas professores no Whatsapp. Estamos falando de pessoas que são obrigadas a ler Paulo Freire durante toda a sua vida profissional e agora pretendem comparecer a um ato contra o PT. Não diria que são bons ventos, pois, para que petistas tradicionais se voltem contra o partido sem a liderança das linhas auxiliares mais à esquerda, é porque a situação está muito ruim para todos nós. Por outro lado, se nem os eleitores fiéis compram mais a cascata dessa gente, então é porque o partido está desmoronando. E, como diz o Reinaldo Azevedo, se algo é ruim para o PT é bom para o Brasil.

Quando estivemos no MASP, em janeiro de 2013, pedindo que investigassem Lula e Rose Noronha, fomos achincalhados pela imprensa. Disseram que havia somente 20 gatos pingados insatisfeitos com o PT em São Paulo. Nessa ânsia de ridicularizar qualquer um que se opusesse ao ex-presidente em exercício*, não se deram conta do que houve ali de fato: nuncanahistoriadestepaís Lula foi chamado de corrupto e pai do Mensalão em público. Foi um protesto politicamente incorreto. Ao contrário dos indignados-com-boas-maneiras, que são polidos a ponto de não apontar o dedo para a cara de político e gritam contra “a corrupção”, “a roubalheira” como se elas existissem por si, nós indicamos quem as cometia e gritamos seus nomes na rua.

E não éramos minoria já naquele dia. Os que passavam na Avenida Paulista buzinavam e acenavam. Paravam para conversar, dizendo encontrar finalmente algum protesto que os representasse. No fundo, como na metáfora de Burke, sempre fomos as milhares de cabeças de gado pastando em silêncio ao som de meia dúzia de gafanhotos estridentes, que graças ao seu barulho dão a impressão de ser maioria.

Agora o jogo virou. É a hora dos brasileiros fazerem barulho: segundo o colunista Lauro Jardim da Veja, “dias atrás, Eduardo Cunha afirmou a mais de um interlocutor ser impossível segurar o processo de impeachment caso a possibilidade ganhe força a partir dos protestos de 15 de março”. Na manifestação do dia 15 de novembro de 2014 havia 38 mil pessoas, segundo contagem da PM. Faz pouco tempo, mas, na ocasião, a gasolina não havia aumentado, os números do rombo na Petrobras não estavam publicados, a energia elétrica não havia subido 30% e a inflação não havia disparado. A expectativa para o próximo domingo é muito maior. É para fazer deputado indeciso sair do muro e ficar do nosso lado.

Dia 15 nos vemos nas ruas. Com as cores do Brasil, sem máscaras e a certeza de fazer parte da história, como aqueles que não aceitaram a imoralidade de braços cruzados e boca fechada.

20doMasp

Paula Rosiska é brasileira. No twitter, @paularosiska.

* Ex-presidente em exercício é o epíteto genial que Agamenon Mendes Pedreira criou para o Lula.

LEIA TAMBÉM:

Picaretagens e “Pikarettagens”

Trazemos novamente à Coluna do Leitor uma colaboração de de Marcos Aurélio Lannes Junior. No artigo de hoje ele fala do autor famoso por sua crítica ao capitalismo, Thomas Piketty, analisando alguns trechos de uma entrevista dele. O Marcos pode ser encontrado no Twitter e seus artigos em seu blog, “Minuto Produtivo“.

Picaretagens e “Pikarettagens”

Thomas Piketty
Thomas Piketty, crítico-sensação do capitalismo e autor de O Capital no Século XXI. (Fonte da imagem: The Nation)

Boa noite pessoal. Hoje irei utilizar o Minuto Produtivo para comentar um pouco sobre uma entrevista do economista francês Thomas Piketty, que causou frisson entre os críticos do capitalismo após a publicação do livro “O Capital no Século XXI”, que fala da questão da concentração de riqueza e da evolução da desigualdade social no mundo, bem como das propostas de intervenção estatal para supostamente solucionar o problema. Antes que alguém me pergunte, é importante lembrar que o que irei escrever sobre ele baseia-se integralmente nas entrevistas feitas aos portais de notícias, e que até pretendo ler o livro para ver se seria o caso de eu repensar minhas críticas ou se estou com a razão.

Essa foi publicada na BBC Brasil na última sexta-feira. Segue abaixo alguns trechos (em azul), com comentários meus ao longo do mesmo:

BBC Brasil: Como o Brasil pode reduzir seus níveis de desigualdade?

Piketty: Há uma série de políticas que contribuem para isso. Investir em educação e em instituições sociais, (implementar) um sistema de impostos progressivo, em que os ricos pagam mais que os pobres, (criar) boas políticas para o mercado de trabalho e aumentar o salário mínimo – algo que no Brasil foi importante nos últimos 10, 15 anos. Todas essas políticas são complementares. Não dá para escolher.

Se você só aumenta o salário mínimo, mas não aumenta a qualificação do trabalhador e sua produtividade terá problemas para sustentar isso com o tempo. O investimento em educação – e em especial na educação pública – é absolutamente essencial para se reduzir a desigualdade. E a taxação progressiva de rendas altas e grandes heranças pode ser uma forma de obter recursos para investir no sistema de educação pública.

É claro que é mais fácil taxar os pobres que os ricos. Talvez por isso em muitos países você tenha esse monte de impostos indiretos – como é o caso do Brasil. Mas provavelmente, a falta de progressividade no sistema de impostos é uma das razões pelas quais a desigualdade é tão grande no Brasil.”

A questão do problema da educação pública no Brasil não é falta de recursos, como mostrei em um post neste blog no dia 04/06. Nosso país investe em torno de 6% do PIB na área, patamar semelhante ou até mesmo superior a alguns países desenvolvidos, e mesmo assim não figura sequer entre os cinquenta melhores no Ranking Pisa (a Rússia, que investe 1 p.p. a menos, está dez posições à frente). E antes que apareçam com o argumento de que o PIB por aluno investido no Brasil é pequeno, cabe lembrar que existe uma grande concentração de recursos no ensino superior, quando esta era para ocorrer no ensino básico, onde está a maioria dos estudantes. Além disso, mesmo no grupo dos países desenvolvidos, com alto investimento PIB por aluno, a relação continua sendo fraca. Para se ter um exemplo disso, a Coreia do Sul, que investe 5% do PIB, está em 2° lugar no Ranking Pisa, enquanto a Suécia, que investe mais de 7%, está em apenas 19° lugar, com a Alemanha em 20° lugar investindo um percentual muito próximo ao dos sul-coreanos. Enfim, temos de antemão duas hipóteses nada animadoras para os defensores de maiores gastos: ou aumentar além de certo ponto  os gastos simplesmente não altera em nada os indicadores (a não ser o óbvio, que é tornar a educação tão somente mais cara), ou ainda pior: não há relação nenhuma entre gastos com educação e os indicadores (só para deixar claro: acredito na primeira).

Quanto ao meio para arrecadar os recursos, que é basicamente a ideia do Imposto sobre Grandes Fortunas, ventilada pelo menos desde o período das manifestações do ano passado, cabe dizer que a proposta só traz efeitos positivos em curto prazo (aliás,curtíssimo prazo), sendo um suicídio financeiro em longo prazo, caso o interesse seja alocar o que for arrecadado em educação pública. Para exemplificar o que possivelmente aconteceria caso as grandes fortunas fossem taxadas, vou elaborar uma sequência, que seguirá abaixo:

1 – O governo resolve taxar fortunas superiores a X;

2 – A arrecadação em um primeiro momento sobe por conta dessa taxação;

3 – Como estas pessoas com grandes fortunas recém-tributadas irão escapar de pagar esse imposto? Algumas alternativas:

3a) Irão deixar o país, levando o dinheiro para algum lugar com menor taxação (ou mesmo nenhuma) nesse quesito;

3b) Irão repartir artificialmente a fortuna com outras pessoas (a tática de usar “laranjas”) de forma a escapar da taxação;
3c) Aqueles que tinham a intenção de acumular mais que X deixarão de fazer isso (procedimento semelhante a algumas empresas pequenas, que deixam de crescer para poder ter menor arrecadação de impostos e menor burocracia).

4 – A arrecadação, inicialmente em alta, volta a cair. Como governos não gostam muito de perder dinheiro, tem-se algumas alternativas:


4a) Reduzir o ‘ponto de corte” para ter maior arrecadação (e aí temos a repetição dos passos 1, 2 e 3);

4b) Implantar (ou aumentar) impostos sobre ações corriqueiras e inevitáveis, como o consumo e transações financeiras, afetando ricos e pobres.

Sem falar que a ideia de Piketty deu errado em seu próprio país, com saída massiva de milionários, sendo que o caso mais emblemático foi de Gerard Depardieu, ator e cineasta que decidiu trocar sua terra natal pela Rússia (que não é nenhum poço de liberdade econômica, apesar de sua baixa carga tributária). Neste ponto, Piketty resolve tergiversar:

BBC Brasil: Mas a França aumentou a taxação sobre os ricos e há notícias de que alguns milionários teriam mudado de país. Esse risco não existe?

Piketty: Você não vê notícias de que esses países que têm imposto sobre herança de 40% tenham de reduzir suas taxas para o patamar brasileiro, de 4%, para reter milionários. Acho que é perfeitamente possível para o Brasil ter níveis mais altos (de imposto sobre os ricos) sem ter uma fuga massiva de capitais.

No caso da França, eu acho que de fato houve um aumento excessivo dos impostos nos últimos anos. Não tanto para os ricos, mas para a população no geral. O objetivo era reduzir o déficit público mas (a estratégia) foi um desastre. No fim, matou (as perspectivas de) o crescimento, o que dificultou a redução do déficit.”

Será que Piketty não percebeu que isso é um tanto óbvio? O governo taxa os mais ricos, estes se protegem mandando seus capitais para outros países e de forma a manter a arrecadação impostos passam a ser cobrados de transações feitas por todos, inclusive pobres, como descrito na sequência mais acima.

Além disso, mesmo se tal sequência não fosse levada em conta, deve-se pensar que os mais ricos são apenas um dos elos da corrente em uma sociedade. Isso me faz lembrar de uma frase que meu professor de química orgânica dos tempos de integrado me disse nos tempos que se discutia a derrubada da CPMF, que era “rico não paga imposto, repassa”. Apesar de eu não concordar com a forma que ela é dita, tendo a enxergar um fundo de verdade nisso. Como dito anteriormente, mesmo considerando que eles não tirem seu capital do país ou adotem as demais estratégias já citadas na sequência, eles têm condições de amenizar os efeitos da maior “bocada” do governo, elevando os preços dos produtos e serviços vendidos (caso sejam proprietários de empresas) ou buscando investimentos que remunerem mais seu capital (caso sejam meros rentistas). Neste último caso, de forma que o banco onde esse dinheiro investido continue lucrando, este optará por emprestar esse a um tomador intermediário a um juro maior e assim sucessivamente, até chegar ao tomador final de dinheiro, que terá que contrair um financiamento mais caro para adquirir um bem ou serviço. O que quero dizer com tudo isso é bem simples: seja o que for, taxar os mais ricos significa taxar os mais pobres.Mais dia ou menos dia.

Vamos a mais um ponto da entrevista:

BBC Brasil: Não é possível reduzir a desigualdade com um Estado menos inflado?

Piketty: Acho que precisamos de um Estado eficiente para investir em educação e serviços públicos. Não há exemplos no mundo de um país que tenha se desenvolvido com um nível de imposto de 10% ou 20% do PIB. Também sou cético sobre aqueles que dizem que a filantropia privada vai substituir o governo no futuro e que não precisamos de imposto, que só é preciso deixar que os bilionários doem parte de seus recursos para fundações e instituições elegidas por eles.

O Bill Gates (fundador da Microsoft), me disse certa vez que leu meu livro e concordava com tudo – mas que não queria pagar mais imposto. Ele disse que aceitaria um imposto progressivo sobre o consumo de até 90%, mas que não queria pagar sobre o dinheiro que vai para sua fundação. O problema é que se você doa dinheiro para uma fundação da qual você é presidente, sua mulher é copresidente e seus parentes são membros do conselho, trata-se de uma doação desinteressada ou só uma maneira de continuar a ter controle sobre esses recursos?

Às vezes, as pessoas que têm dinheiro fazem boas doações com ele. Outras vezes apenas tentam obter mais influência. Nos EUA, muitos milionários financiam organizações políticas.

Por isso, acho que a filantropia privada é útil, algo que complementa a ação do governo, mas não a substitui.

Hein? O que dizer de países como Cingapura, Chile e Taiwan, que possuem IDH elevado e uma carga tributária entre 10% e 20% do PIB? E outra, mesmo países desenvolvidos que hoje cobram impostos maiores que isso tiveram tributação inferior enquanto enriqueciam. Ou mesmo possuíam regulação econômica mais flexível (a propósito, este foi o caso dos países escandinavos, que, apesar de terem elevadíssima carga tributária e um Welfare State forte, possuem alta liberdade econômica). Não tem absolutamente nada a ver com o Brasil, que possui uma máquina estatal inchada (e ineficiente/ineficaz), alta carga tributária (em relação ao seu retorno) e pesada regulação econômica. Nada a ver mesmo.

Quanto à filantropia privada, o que há de ruim em manter o controle sobre os recursos que de fato são seus? Será que Piketty diria que um Guido Mantega geriria melhor seus recursos os arrecadando para o Estado do que um Jorge Gerdau, um Murilo Ferreira, um Jorge Paulo Lemann mantendo o dinheiro sob controle deles? Beira o ridículo tal tese. Por fim, vejo que é o governo que deveria complementar a ação da filantropia privada (quando esta é insuficiente), e não o contrário.

Enfim, se apenas uma palavra definisse as ideias defendidas por Piketty, esta se chamaria “picaretagem”. A propósito, nem é novidade isso. Se a trupe liderada por Marx e Engels defendia expropriações em nome da igualdade social, Piketty defende praticamente a mesma coisa, apenas com um nome mais pomposo e com aparência mais “legítima”.

Confira também:

Luciano Ayan: 
“Thomas Pikaretty OU Por que o socialismo deu mais certo do que muitos pensam”
Valor Econômico: “Financial Times diz ter encontrado erros em cálculos de Thomas Piketty”
Instituto Mises Brasil:“Algumas frases aterradoras contidas no livro de Thomas Piketty”

Post originalmente aqui.

Explicação e Convite para a manifestação de 15 de novembro no MASP

A “Coluna do Leitor” de hoje traz um artigo sob encomenda pedido para a pessoa certa: Paula Rosiska além de amiga de todos aqui no Reaçonaria é uma das pessoas que vai em manifestações contra corrupção e arbitrariedades do PT desde lá atrás, quando jornalistas faziam graça com o número reduzido de manifestantes.  Ela irá ao protesto neste próximo sábado e, neste post, explica porque há tantas pautas e porque é importante mostrar um lado nas ruas enquanto é possível.

Explicação e Convite para a manifestação de 15 de novembro no MASP

No próximo feriado da Proclamação da República, milhares de brasileiros indignados estarão nas ruas para se manifestar contra uma série de fatores que têm colocado nossa democracia em risco. A pauta, que contém muitos itens – do impeachment da presidente Dilma à exigência do voto impresso, passando pela investigação do Petrolão -,  tem sido alvo de críticas, especialmente pelos que apoiam incondicional e ideologicamente o atual governo.

Alguns ironizam o movimento, sugerindo que os manifestantes não sabem o que querem. Ora, essa aparente falta de foco tem um explicação: muitos acontecimentos preocupantes sucederam nos últimos anos diante dos olhos um povo que, via de regra, só pensa em política quando é obrigado a ir às urnas e, portanto, não se alarmava com o que via. Quem batalha para garantir a sobrevivência não tem vocação para o autoritarismo e, portanto, não faz ideia de que políticos possam almejar mais do que a mordomia vitalícia sustentada pelos que trabalham de fato. Afirmar uma década atrás que havia um plano para dominação socialista na América Latina, do qual todos os seus presidentes faziam parte, e que a “La Patria Grande” seria o objetivo de um presidente brasileiro, soava a teoria da conspiração. Quem alertava sobre o incêndio sob a chuva rala assemelhava-se antes aos profetas de porta de igreja a prever o Apocalipse a alguém com inteligência suficiente para dar ouvidos. Porém agora o quebra-cabeça está montado e as pessoas comuns estão indo às ruas, pela primeira vez, sem a convocação de qualquer liderança, com quase uma década de atraso.

Neste momento tudo vem à tona e haverá, consequentemente, o desejo de correr atrás do prejuízo num único ato. Esse afobamento por si já é prova de que os que estavam no MASP dia 1º de novembro e os que estarão no próximo dia 15 não são militantes partidários ou os manifestantes profissionais, como os que recebem dinheiro e lanche para dar volume a certos protestos. Estavam e estarão lá para gritar o que lhes aflige, para encontrar interlocutores e renovar as esperanças de que podemos mudar o caminho e não ter mais como destino o mesmo lamaçal em que se encontram os mais avançados nesse processo bolivariano: Cuba, Venezuela e Argentina.

A sucessão de fatos ocorridos nesses países nos permitiram enxergar que o tal Golpe Comunista, na forma em que o concebemos, não existe. Não haverá luta armada, assim como não houve na terra de Chávez e Kirchner. Estão tirando nossos direitos e nossas liberdades aos poucos. Com o perdão do exemplo batido, mas é o caso do sapo que pula quando jogado num caldeirão de água fervente, mas morre cozido se for colocado na água morna, se aquecida gradativamente. Não vimos o finado Chávez declarando o golpe. Havia (há) até eleições lá e todas as medidas autoritárias eram (são) aprovadas democraticamente...

A similaridade entre o que tem acontecido lá e o que começamos a observar aqui é deveras preocupante. Não é coincidência, por exemplo, que a imprensa livre seja atacada pelo governo regularmente. A revista Veja, detonada nos palanques petistas, teve sua sede depredada por publicar a transcrição de um depoimento dado à Polícia Federal – ainda que a reportagem afirmasse se tratar somente da fala do doleiro, que, por sua vez, ainda não havia apresentado provas das acusações feitas a Lula e Dilma-. Espantosamente, alguns jornalistas da imprensa chapa-branca comemoraram essa represália à maior revista do país. O sapo realmente não nota a temperatura da água a subir. Há quantos anos se fala em “democratização da mídia”, que tem por objetivo atacar a Abril, a Globo e demais jornais que critiquem o governo? Na Argentina, esse ataque ganhou o nome de Lei de Medios e praticamente destruiu o jornal de oposição à Kirchner. Tudo com o objetivo de favorecer a “liberdade de expressão por impedir a concertação de mercado”.

Voltando à Venezuela, o país recebe militares cubanos desde o ano 2000, com o objetivo de defender o regime chavista a todo custo. A repressão aos protestos lá ocorridos durante este ano foi promovida em boa parte pelos soldados vindos de Cuba, que não tiveram piedade nem de jovens, nem de mulheres. Enquanto o vizinho vive seu momento trágico, descobre-se que vários dos médicos vindos da ilha de Fidel Castro para o famigerado programa Mais Médicos, são, na verdade, militares infiltrados. Além do quadro assustador, cabe lembrar que o Brasil, sob o governo do PT, tem repassado verbas imensas para os amigos bolivarianos. Afinal, por que construir um porto em Cuba? Por que construir outro no Uruguai? Por que repassar quase meio bilhão de reais da Petrobras para a campanha à reeleição de Evo Morales?

O povo brasileiro é escravo dos demais presidentes latino-americanos. Estamos financiando governos ruins, autoritários e incompetentes. Governos que estão empobrecendo seus países e tratando à paulada quem ouse falar o contrário. E já vislumbramos esse cenário perigoso tomando conta do Brasil.

É possível entender a indignação e o desespero de quem está utilizando seu tempo de descanso para gritar isso nas ruas, debaixo de sol forte ou de chuva. A gasolina aumentou, mas a Petrobrás pôde enviar meio bilhão para uma campanha política de um amigo do PT. Aumento de combustível traz consigo o aumento de todos os demais produtos, evidentemente. Pagamos impostos em comida, medicamentos e água. Não temos um único serviço público à altura das quantias que nos tomam à força, não temos segurança, enfrentamos filas em hospitais, nossas estradas são assassinas, e sabemos que a vida de um brasileiro nada vale, pois 60 mil assassinatos por ano não geram mais comoção.

Enquanto pagávamos a conta de toda essa obscenidade calados, estava tudo bem. Agora que passamos a falar contra isso, tentam nos calar. Se não pela imposição, fazem-no por meio de ofensas, deboche e cinismo. Ora chamando os manifestantes de fascistas, ora afirmando quepertencem à elite insatisfeitíssima com a ascensão da classe C – alguém crê que um pobre cursando uma universidade federal atrapalha em qualquer coisa a vida do colega playboy? Ou que os passageiros da primeira classe entram em depressão porque os da classe econômica estão na aeronave? – ou ainda destacando o fato de que senhoras compareceram à primeira passeata utilizando guarda-chuvas para se protegerem do sol forte. Sim, proteger-se do sol, para os jornalistas isentões, parece mais grave do que portar coquetéis Molotov na mochila e vandalizar a cidade utilizando máscaras. A esses últimos chamam ativistas. Já os que mostram a cara ao participar de manifestações pacíficas, sem ocorrências policiais e quebra-quebra, são ridicularizados.

Esclarecidos os pontos principais da manifestação, passemos ao ato do próximo sábado. Alguns temem ser confundidos com os que pedem intervenção militar e separatismo. Lamentavelmente, haverá grupos com essa pauta na multidão. E sim, por mais que ergamos faixas imensas pedindo liberdade de imprensa e democracia, haverá pessoas da própria imprensa a fotografar aquela minoria com seus cartazes estúpidos e tomando o todo pela ínfima parte no momento de narrar o fato. A Internet ajudará a desmentir isso, como desmentiu os “cerca de mil” manifestantes contados pela Folha com este vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=7DwDC5X-APg

Outra crítica frequente é o desentendimento entre os líderes da manifestação. Mas em se tratando de um movimento que surgiu espontaneamente, fica difícil até mesmo atribuir-lhe uma liderança. O que parece desprestigiar o ato, antes o legitima como movimento verdadeiramente popular. Haverá sim um caminhão de som que será seguido até o Ibirapuera. Nele, os que subirão para discursar apresentarão uma pluralidade de visões políticas, porém, retirado o manto das divergências, restará o mesmo conteúdo: amor pelo Brasil, o respeito à democracia e a luta pela liberdade.

Aquele que suportar ser ridicularizado pelos esquerdistas das redações depois de longa caminhada ao sol, ou debaixo de chuva como da última vez, por gritar contra o Foro de São Paulo e a favor do Brasil, será bem-vindo. Partiremos do MASP às 14h.

A liberdade nunca está a mais do que uma geração de sua extinção. Não a transmitimos aos nossos filhos pelo sangue. Devemos lutar por ela, protegê-la, e entregá-la a eles para que façam o mesmo”. (Ronald Reagan)

Paula Rosiska é brasileira. No Twitter, @PaulaRosiska

protesto_SaoPaulo_MASP

De como o PT perdeu para si mesmo na capital do Brasil – e alguns insights para derrotar Dilma no segundo turno

O texto da Coluna do Leitor de hoje é um artigo enviado por um amigo que prefere ser identificado como “Ernesto Varela”, que está em Brasília e acompanha de perto as movimentações políticas na capital.

De como o PT perdeu para si mesmo na capital do Brasil – e alguns insights para derrotar Dilma no segundo turno

Perguntei ao taxista se ele votaria em Agnelo em alguma hipótese. Ele franziu a testa e respondeu que preferia votar no amante da mulher.

Ernesto Varella

Eu estava em um táxi que rasgava Brasília como um raio quando percebi pela primeira vez que os petistas perderiam a capital federal e que a companheira Dilma Rousseff seria tratada pelos brasilienses como lixo a ser removido no dia 05 de outubro.

Foi o motorista negro, na faixa dos 40 anos, infeliz no casamento, imodesto e falador que, com um linguajar de colegial, me conduziu pelos labirintos do senso comum e revelou que o Partido dos Trabalhadores estava às vésperas de uma tragédia mitológica na capital.

“Não voto nesse Agnelo de jeito nenhum, moço. Voto até no amante da minha mulher, mas não voto nesse $#%&”, declarou o flamenguista que saiu do Rio de Janeiro há 24 anos e que pela primeira vez na vida sentia vergonha de morar em Brasília…

Detalhe: o meu taxista revoltado era ele mesmo um petista. Não foi um caso isolado. O único barbeiro confiável da minha cidade adorava Lula. Mas odiava o governador Angelo Queiroz e a presidente Dilma. Percebi que havia algo de diferente no ar seco de Brasília…

Estava certo. A pior derrota petista desta eleição ocorreu na capital federal, onde o Agnelo Queiroz recebeu um “nunca mais, obrigado!” do povo brasiliense. E dona Dilma levou uma surra que a faz ter pesadelos acordada.

Rodrigo Rollemberg (PSB) foi o mais votado com 45,23% (692.855 votos) e Jofran Frejat ficou em segundo com 27,97% (428.522 votos). Atual governador, Agnelo Queiroz não conseguiu avançar para o segundo turno e ficou com 20,07%, ou 307.500 votos.

A análise da derrota de Agnelo Queiroz em Brasília nos oferece insights importantes para o 2º round de batalha contra Dilma Rousseff e sua máquina pública turbinada.

Mas, antes, um breve Epílogo.

A dona de casa e o médico comunista

Em novembro de 2009 uma operação da Polícia Federal revelou um graúdo esquema de corrupção no Governo do Distrito Federal. Por meio de empresas que faziam negócios com o GDF, o governador José Roberto Arruda comprava apoio de deputados e empresários.

O que realmente derrubou Arruda foi um vídeo exibido no Jornal Nacional. Nas imagens, o governador aparece recebendo um pacotaço de dinheiro de Durval Barbosa, que era o seu secretário de Relações Institucionais e que ele herdou de Joaquim Roriz.

Muita gente viu ali, pela primeira vez, a corrupção em estado bruto. Houve choro e ranger de dentes. Após o fuzilamento midiático, Arruda renunciou ao cargo, passou uns dois meses preso na Papuda e terminou devidamente enxotado da capital.

Cabeça de Arruda na guilhotina, nova eleição é convocada.

Agnelo Queiroz vence porque pareceu mais racional do que sua adversária, Weslian Roriz (esposa do cacique Joaquim), no debate da Rede Globo, o último antes do pleito de 2010.

Weslian se mostrou absolutamente perdida no debate. Suas frases entraram para o folclore de Brasília. A pobre não falava coisa com coisa, uma espécie de Dilma do cerrado. Ao se referir ao escândalo de Arruda, Weslian chegou a dizer que defenderia “toda aquela corrupção”.

O mérito de Agnelo foi apenas o de ter se saído melhor do que uma dona de casa que parecia mais preocupado em terminar logo o debate para tirar as roupas do varal.

Tudo parecia azul para os vermelhos: Agnelo havia sido eleito, Arruda estava trocando fraldas das filhas em São Paulo e o clã Roriz envergonhado nacionalmente.

Sem inimigos à vista, Agnelo tinha tudo para inaugurar um novo ciclo de hegemonia petista em Brasília, sendo reeleito e depois fazendo um sucessor…

Mas eis que ele conseguiu fazer um governo tão ruim que transformou Arruda em favorito na disputa de 2014 e reabilitou seus adversários, incluindo toda a família Roriz.

Como Agnelo Queiroz conseguiu tal façanha?

Pra petista ver

Da tiazinha que vende pastel na Rodoviária do Plano Piloto – tão suja que parece um hotel 5 estrelas cubano – até a moça de classe média de Águas Claras, a percepção geral em Brasília é a de que Agnelo não fez absolutamente em três anos de governo.

Por aqui aprendi alguns apelidos que o populacho lança impiedosamente contra o petista: AgNulo, Agnada, desgovernador, etc. Arrogante, ele demorou muito para reagir…

Em maio de 2013, a luz já era vermelha para Agnelo Queiroz. Naquela época, pesquisas já apontavam que 52% dos eleitores consideravam a gestão dele ruim ou péssima.

Agnelo teve problemas sérios com sua comunicação. Ele mesmo reconheceu isso. Mas por que demorou tanto? Minha tese: o poder deixa qualquer um burro e acomodado. Um petista, dado a sentimentos messiânicos, fica mais burro e acomodado ainda.

Anyway, para sua dificílima campanha Agnelo Queiroz contratou os melhores profissionais de comunicação disponíveis. Se ele melhorou um pouco, acho que isso se deve aos magos do marketing que ainda conseguiram deixar o governador apresentável na TV.

Porém, não havia muita coisa boa para se falar sobre AgNulo. Cada pintura de guia de rua e troca de lâmpada dos últimos anos foi escalada para a categoria de “obras e realizações”.

Agnelo foi um péssimo gestor. Não deixou nenhuma marca. Até mesmo seus aliados reconheceram que o petista fez um “governo sem rosto”. Foi incapaz de estruturar a rede de saúde, mas gastou cerca de U$ 1 bilhão no Estádio Mané Garrincha.

Sem a menor capacidade de liderança, foi incapaz de impedir uma greve de policiais. Detalhe: os policiais do DF são os mais bem pagos e bem equipados do Brasil.

Agnelo Queiroz - Derrota esmagadora

Agnelo Queiroz – Derrota esmagadora

Agnelo seguiu o roteiro do esquerdismo para retardados: criou inutilidades como a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial – cujo titular foi acusado de assédio sexual – e cometeu pérolas como distribuir bolas com a imagem de Lula e Dilma em uma coletiva da FIFA.

Além disso, a coordenação política da campanha ficou nas mãos daqueles típicos petistas dos anos 1980, que ainda usam boinas. Gente que enriqueceu, mas ainda se emociona quando fala de Cuba enquanto toma vinhos caros nos restaurantes chiques da capital.

A grande preocupação do grupo de gênios foi a de pregar para os já convertidos. A campanha do petista divulgou um vídeo de apoio de João Pedro Stédile – aquele jagunço que prometeu “uma guerra” se Aécio for eleito.

Um forte sentimento antipetista na praça e a campanha convoca um invasor nacionalmente conhecido por sua truculência para declarar apoio em Agnelo. Mas tem mais!

Foi divulgado com estardalhaço a presença em um evento de campanha do grande, do único, do incrível Leonardo Boff! Além disso tudo, Boff é insignificante para a maioria absoluta da população do Distrito Federal ou de qualquer outro lugar das galáxias.

Boff só é conhecido nos arraias da esquerda. Mas foi recebido como se fosse um chefe de Estado por Agnelo e sua militância amestrada. E só por eles, é claro. A maioria esmagadora da população brasiliense não se abalou com o carisma de Stédile ou a fama de Boff.

O mais impressionante é que os petistas ficaram chateados porque a mídia não deu a menor importância para o passeio de Boff (pago por quem?). Eles queriam as capas dos jornais?

A verdade é que os petistas acham que o mundo inteiro tem as mesmas referências políticas, sociais e culturais. Eles realmente pensam que o partido deles é a coisa mais importante, cool e interessante de todo o sistema solar. É também a grande fraqueza de Dilma.

A presidente é uma ameba falante que sempre se refere a um passado romântico de “ luta pela democracia”. Eis uma referência embolorada. O que ela representa para as gerações que nasceram na democracia e estão cansadas de governos petistas?

Está cada vez mais claro que Dilma e a esquerda não lutaram por democracia, mas por outra forma de ditadura. Então, sério, quem se importa? As donas de casa estão preocupadas com o que Dilma sofreu há 40 anos ou com os preços dos alimentos?

Aliás, basta ir ao mercado para começar a odiar o PT. Assim como Agnelo, Dilma tem uma máquina de publicidade turbinada nas mãos, capaz de reescrever o passado e retocar o presente em propagandas spilberguianas na TV.

Mas a realidade bate na porta dos brasileiros. É ela que deve ser explorada. Foi isso que levou Agnelo Queiroz a uma derrota que faria chorar o mais trágico poeta grego.

A arrogância petista – caos na saúde

Fica a lição: os petistas são péssimos de gestão. Eles prometem o que não podem cumprir, fracassam, culpam governos anteriores e tentam resolver tudo com marketing.

Durante a campanha de 2010 o humilde Agnelo Queiroz (que é médico) declarou que resolveria o problema da saúde pública “em seis meses”. O médico escolheu outro médico, Rafael Barbosa, para comandar a Secretaria de Saúde.

Barbosa é capacho veterano de Agnelo.  Ele esteve diretamente envolvido no esquema de desvio de verbas do Ministério do Esporte durante a gestão do então comunista Agnelo.

Todos esperavam uma gestão extraordinária, mas só o que Rafael Barbosa fez de extraordinário foi comprar aparelhos com preços praticados em outras galáxias e levantar suspeitas sobre a grana que gastou com…publicidade.

Além disso, o promotor Jairo Bisol subscreveu ação por improbidade administrativa contra Rafael Barbosa porque viu manobra inconstitucional na contratação das três agências de publicidade via Saúde. Sim, a Secretaria Saúde gastando com publicidade!

O promotor questionou por que a Secretaria de Estado de Publicidade Institucional, com verba de R$ 142 milhões, não pagava a campanha publicitária ao invés de deixar a conta com a Saúde do DF (na verdade, os R$ 13,8 milhões viriam do Ministério da Saúde, via Fundo Nacional de Saúde). E no mais? Algo de extraordinariamente bom na saúde?

A Promotoria de Defesa da Saúde do Ministério Público do Distrito Federal abriu ação por improbidade administrativa contra o secretário de Saúde com base em denúncia publicada pela imprensa no dia 18 de dezembro de 2013.

O extraordinário Rafael Barbosa comprou o exoesqueleto robótico Lokomat por mais de R$ 3, 5 milhões. No Brasil, o aparelho instalado mais treinamento saí por R$ 1, 2 milhão. A nota de empenho do GDF foi de R$ 4,58 milhões.

Na época, a deputada federal Mara Gabrilli solicitou ao Ministério Público Federal em Brasília a entrada no caso. Tetraplégica, ela utiliza o Lokomat para reabilitação em São Paulo:

“Além de superfaturar, é um superfaturamento em cima de uma questão brasileira que já é uma miséria, que é a reabilitação. Quantas pessoas gostariam de fazer treino de marcha neste equipamento e não podem, pois não existe nenhum equipamento parecido fornecido pelo Estado”

Pois bem, os petistas que resolveriam a saúde em seis meses não deram conta do recado em três anos. Hoje a capital é a unidade da federação que mais investe em saúde por ano, mas registra o pior número de leitos e o mais baixo índice de cobertura em setores da atenção básica, agentes comunitários e equipes de saúde da família.

Nos hospitais e prontos de saúde a gritaria é quase a mesma: faltam médicos, remédios, sobram problemas e filas. Agnelo fracassou justamente onde havia prometido que seria melhor. Não há propaganda que faça o povo esquecer suas lutas diárias.

O caos generalizado na saúde foi considerado imperdoável pelo povo pobre que deu ao petista um voto de confiança e viu as coisas piorarem enquanto o secretário de Saúde fazia uma campanha milionária (paga por quem?) para deputado federal.

Petismo da ostentação

Ah, mas a arrogância petista…ela não conhece limites! Apesar do visível fracasso nos setor e das suspeitas gravíssimas contra si, o playboy Rafael Barbosa deixou o cargo interinamente para tentar uma vaga na Câmara Federal. No lugar dele, ficou Elias Miziara.

Para não fazer feio diante dos companheiros, Miziara também se afundou na própria arrogância. Em entrevista à Rede Globo, para falar dos problemas de atendimento nos hospitais, o interino Mizaiara deu a brilhante declaração:

“Essa migração da população em busca de pediatras traduz tanto uma falta que nós infelizmente temos, como um mau hábito da população de procurar hospital apenas à noite.”

Ele acabou exonerado. Mas o estrago já estava feito. Além não ter resolvido o problema da saúde, Agnelo Queiroz deixou este setor essencial e sensível, que ele havia prometido priorizar, nas mãos de um que “não sabe” fazer conta e outro e que não sabe falar.

O problema é que os petistas da capital federal agora são como aqueles funkeiros da ostentação: cercados de luxo e longe de suas bases. Agnelo viveu cercado de gente assim, a começar do vice Tadeu Filippelli, um playboy da terceira idade.

A grande marca de Fillippeli durante o mandato foi a de ter casado o filho em um castelo.

Por seu turno, o humilde Agnelo Queiroz não conseguiu explicar a Justiça como comprou a mansão em que mora, de 550 metros quadrados em uma área nobre de Brasília, avaliada em R$ 4 milhões. O petista depôs na CPI do Cachoeira e não deu explicações razoáveis.

Agnelo encastelou-se com sua coleção de almofadinhas e perdeu contato com a realidade lá fora. É o calcanhar de Aquiles também de Dilma, que é incapaz de admitir os problemas que o Brasil enfrenta, principalmente na economia, e vive no seu conto de fadas particular.

Reino dividido

Agnelo “aburguesou” diante do olhar de petistas históricos. Aliás, o governador do DF era do PCdoB e virou petista para acelerar sua carreira.  Os militantes de raiz se sentiram excluídos do governo Agnelo, além das lideranças mais importantes do PT-DF.

Erika Kokay, única deputada federal do PT eleita na capital, rompeu com Agnelo logo no início do governo do petista da ostentação. Kokay conquistou 92.558 votos, mas é improvável que tenha perdido um minuto de campanha falando em favor de Agnelo.

A deputada percebeu que Agnelo havia perdido os rumos quando classificou de “absurda” a decisão do governo de cancelar o concurso para auditor da Receita Federal.

Fico entristecida pelo fato de o governo do meu partido, que foi construído na luta e tendo como escudo a Constituição e o Direito, estar efetivando de forma tão explícita esse nível de inconstitucionalidade, esse nível de rompimento da legalidade […] O governo não tem sequer uma linha de ação de diálogo com a população para oferecer clareza sobre a forma de governar que está em curso.

Prova essencial do isolamento de Agnelo – encastelado com seus almofadinhas – é que ele apostou na eleição do playboy Rafael Barbosa, que teve uma votação insignificante, e não teve qualquer contribuição com a vitória de Kokay.

A situação de Agnelo Queiroz é um exemplo do processo de elitização que ocorre em todo o Partido dos Trabalhadores. Governantes afastados da realidade, graves divisões internas, e todas as esperanças depositadas em marqueteiros.

Passei a campanha inteira esperando que a oposição lembrasse dos rolos de Agnelo com Carlinhos Cachoeira, mas os adversários do petista nem se deram ao trabalho.

Agnelo Queiroz ficou sangrando sozinho, gritando em praça pública um discurso pela ética (para atingir Arruda) que contradiz sua própria história e a de seu partido. A população captou sua contradição fatal e o repreendeu nas urnas.

Como fazer Dilma sangrar

1-     Fazer campanha voltada aos taxistas enfurecidos e as donas de casa assombradas com preços do supermercado – por exemplo. O passado não interessa mais. É o presente que interessa. Quem se defende (viu, Aécio?), está perdendo.

2-     Explorar a contradição entre o PT “dos pobres” e o petismo da ostentação, afastado da realidade e mentindo sobre a recessão econômica que o Brasil enfrenta.

3-     Dar subsídios para o sentimento antipetista. No Distrito Federal, é o caos na saúde pública. No resto do Brasil tem muito mais.

“Talvez eu não devesse dizer isto” ou “Calvus Rubicundus”

Trazemos hoje para a “Coluna do Leitor” um artigo ousado sobre um tema muito fácil de se posicionar: o racismo. Todos são contra, ninguém tolera, poucos diriam que existe algum lugar no mundo livre desse mal e todos acham que deve ser coibido com punições. O caso da torcedora do Grêmio que ofendeu o goleiro Aranha chamando-o de macaco fez com que nosso amigo @diacronico escrevesse o post que vai abaixo:

“Talvez eu não devesse dizer isto” ou “Calvus Rubicundus”

Talvez eu não devesse dizer isto, porque afinal eu tenho a pele branca (jambo, no verão, mas enquanto escrevo isto, lamentavelmente branca). Mas o Conselheiro Acácio aqui não me deixa em paz, e digo.

 Toda torcida quer atingir os jogadores do time adversário. Quer que seu time ganhe e quer ajudar a fragilizar o rival. É comum, por isso, que se xinguem os jogadores adversários, especialmente com aqueles dois charmosos epítetos que dizem respeito aos hábitos anais dos jogadores e às atividades profissionais das senhoras mães deles. Também o juiz, que está lá na defesa da retidão e Justiça, acaba sofrendo, mesmo nas raras vezes em que não se equivoca, essas raivosas injúrias.

 Sem contar o Galvão, coitado, cujo sobrenome já podia ser viaaaagem.

Ninguém processa torcida por causa disso. Time nenhum jamais perdeu um ponto por causa disso. E quando a câmera, eventualmente, mostra esses cabeludos palavrões nos depilados lábios das mocinhas, o faz só para fazer graça: olha que divertido, mulher tão charmosa ensandecida pelo seu time do coração (mostra o coração; rectius, o distintivo; rectius, os peitos).

Ninguém processa ninguém porque todos nós sabemos que a mãe do jogador é monogâmica e seriíssima, jamais se atiraria aos lençóis alheios por dinheiro nenhum do mundo. É só um xingamento primal, uma provocação grupal, às vezes um desabafo animal – mas não é nada pessoal.

Quando se faz referência às eventuais práticas sodomitas do futebolista; quando se recomenda que o bandeirinha (auxiliar, né, Arnaldo?) plante o seu instrumento de trabalho em terreno onde o sol não brilha; quando se determina ao juiz que coloque nos seus lábios coisa mais roliça que o apito, ou quando, depois de um extasiante golaaaço!, convoca-se todo o time adversário e sua imensa torcida para a sucção nervo-glandular, sabe-se que nada disso acontecerá de verdade: não se está falando sério. (Não se está, né? Eu, pelo menos, não estou).

E sabe-se, ainda, que o que o Galvão faz (ou deixa que façam com ele) em Mônaco, ou na sua vinícola, é problema dele. Eventualmente, da Dna. Galvona.

Por isso, jogadores, juízes e galvões não saem processando as torcidas que os injuria tão infamemente: são seguros de sua masculinidade (ou certos de que a sua ausência é uma virtude) e da religiosa retidão sexual da sua mãe (da sua não, da deles – se bem que eu não conheço sua mãe, mas a tenho em boa conta; uma santa, intuo).

Mas a mocinha lá, loirinha, frágil empolgada e abobalhada, abriu os pulmões no meio da torcida furiosa, mostrou o retardado aparelho dentário e uivou “macaco!”, esticando bem as vogais para ter certeza de que seria ouvida, de que ofendia.

O alvo da injúria era o goleiro Aranha que, como o Yashin, é negro (aliás, diz-me a wikipédia que o apelido dele vem daí mesmo, do Aranha Negra, de quem, antes que você se sinta tentado a me esclarecer, digo: não era negro na pele, mas no uniforme).

Ouvi o Aranha (o negro, não o Negra, que este já morreu) depois do jogo e do insulto. É um cara articulado; parece mais instruído que a horrorosa média nacional. E ele disse : “dói, cara, dói”. E deve, de fato, doer. Disso não pode haver dúvida.

Mas a pergunta que um branco se faz é: por que dói a um negro (o Aranha parece-me mulato, mas a estatística nacional diz que todo mulato é negro, apesar de ser tão branco quanto negro, mas rendamo-nos: negro) ser chamado de macaco?

Não me parece que ser chamado de macaco é a pior comparação animal que se possa fazer: há animais bem inferiores na escala evolutiva. Se a questão é darwinista, chamar de ameba seria centenas de vezes mais ofensivo (e ainda me daria a chance de processar retroativamente a D. Ivone, minha professora de Português da 5ª série, por razões que não vêm a pelo).

Não há de ser por isso – porque macacos estão um mísero meio-degrau abaixo na escala evolutiva – que se ofendem os negros, que são homens (e mulheres!) e estão, como eu e você, índio e japonês, no mais elevado patamar da pirâmide evolutiva e somos desta raça única (e excelentíssima!), que é a humana.jpg (você aí da esquerda não, mané. Tira o dedo do nariz).

CalvusGarethBaleRabicundusE há brancos bem mais macacos de aparência que qualquer negro – tai o Gareth B., dezenas de vezes mais branco, mais rico e mais simiomorfo que eu e o Aranha, que não me deixa mentir (e olha que depois dos quarenta eu venho gradualmente me transformando num dos gorilas do desenho do Tarzan).

O que me parece – e digo isto logo depois de comer uma bananinha, não a fruta, mas uma balinha, que uma senhora ceguinha vende no ponto de ônibus aqui da Líbero; dez por um real – é que carregamos essa culpa de tudo o que é horrível que fizeram (e fazem) com os negros e por isso viramos, assim, os seus vingadores-mascarados.

Eu pessoalmente, raios, não tenho tanta culpa histórica assim: meus bisavós (meu arbusto genealógico ainda não vai além disso) eram famélicos retirantes da Campanha e do Vêneto, jamais escravizaram ninguém, a não ser eles mesmos (e um tio-avô que era meio tchalao – ainda se diz tchalao? – e merecia).

Por isso, por não achar todo negro necessariamente simiesco, por não acreditar que haja alguma diferença evolutiva que se possa apurar pelo tom de pele (se houvesse, no verão eu teria uns 15 pontos a menos de QI), e por acreditar que eles sabem se defender, acho que entendi, enfim, porque é tão (genuinamente!) ofensivo aos negros serem chamados de macacos: é porque logo vem um babuíno róseo para urrar – “iiih, eu não deixava!” Ou, pior: “nossa, que racista, chamar um negro de macaco!”.

Atribuem a alguém, a quem as orelhas de abano e o queixo prognata e peludo conferiram uma tardia macaquice, esta profunda platitude: “Quando Pedro me fala sobre Paulo, sei mais de Pedro que de Paulo.”

Calvus Rubicundus

Calvus Rubicundus

Eu, que não conheço nem o Pedro, nem o Paulo (salvo os da Bíblia, que eu nem digo, para não me acusarem de fundamentalista), mas às vezes tento macaquear os grandes pensadores, aprendi: quando brancos me falam de negros, sei muito mais dos brancos, que dos negros.

Ou, no popular: macaco, olha teu rabo.

Com mais armas, países mais pobres e menos educados têm menos homicídios que o Brasil

Publicamos na íntegra aqui na “Coluna do Leitor” um post feito por Diogo Coelho em sua conta no Facebook.

Com mais armas, países mais pobres e menos educados têm menos homicídios que o Brasil

armamento

Um assunto que me chama bastante atenção ultimamente é o do “desarmamento da população civil”. Os desarmamentistas (a maioria deles de esquerda) pregam que “armas matam e que, por isso, devem ser retiradas das mãos das pessoas” (seguindo esse raciocínio, carros devem ser proibidos, pois acidentes de trânsito também matam). Quando você argumenta que países cuja população civil possui mais armas per capita são mais seguros, o desarmamentista fala que não tem nada a ver, que esses países são seguros por que possuem mais educação, empregos, renda per capita etc, (nas entrelinhas, querendo dizer que bandido é bandido porque é pobre, mas não tem coragem de dizer isso numa favela).

Pois bem, fui conferir a validade deste argumento “educação-renda” e chego às seguintes conclusões:

– Sendo bastante rigoroso com os números, 10 países (África do Sul, Namíbia, Zâmbia, Paquistão, Iêmen, Tailândia, Peru, Paraguai, Macedônia, Bósnia e Herzegovina) possuem IDH, renda per capita e índice de educação da ONU igual ou inferior ao Brasil, mas possuem mais armas e menos homicídios per capita.

– No entanto, tomei a liberdade de incluir outros seis países (Jordânia*, Sérvia*, Montenegro**, Costa Rica***, Argélia**** e Barbados*****) que, apesar de ter o IDH levemente superior ao Brasil, possuem muito mais armas e taxas de homicídios ridiculamente baixas. Com isto, temos 16 nações de diferentes continentes (4 da África, 4 da Ásia, 4 da Europa, 2 da América Latina e dois da América Central) onde o argumento de que segurança tem a ver com a educação e qualidade de vida do povo simplesmente não se sustentam.

Encurralado por fatos sólidos, o desarmamentista tenta a sua última cartada (em vão), que é o fator cultural. Ele alega que o brasileiro não está preparado para ter armas, pois as pessoas são “esquentadinhas” (existe algum estudo antropológico mostrando isso?) e que todo mundo iria se matar em brigas de trânsito ou no bar.

Pois bem, então como explicar que os EUA, país com mais armas per capita no mundo e 100 milhões de habitantes a mais que o Brasil, possui cerca de 14 mil homicídios por ano, 1/4 em relação a nós, que já superamos as 56 mil mortes por ano? Melhor, como explicar como o estado Vermont, cuja legislação de armas é somente a Segunda Emenda, é um estado mais seguro que a Califórnia, que possui uma das mais rígidas legislações sobre porte de armas dos EUA? Estou falando do mesmo país, não adianta colocar a culpa no “fator cultural”.

A verdade é que, assim como os esquerdistas, desarmamentistas argumentam com base no mundo que eles gostariam que existisse, que é um mundo onde nenhuma pessoa possui armas. A realidade é que sempre existirão pessoas mal-intencionadas que utilizarão armas para realizar maldades como roubar, matar etc. Desarmar a sociedade civil, ou seja, entregar o seu direito de defesa ao estado, é uma burrice sem tamanho por dois motivos: a polícia não é onipresente e conceder o monopólio das armas ao estado abre margem para o surgimento de governos autoritários ou totalitários. União Soviética, Alemanha nazista, Venezuela, Cuba estão aí para comprovar isto.

Resumindo. Melhoras na segurança pública, endurecimento das leis e redução ou extinção da maioridade penal são importantes, mas lutar pelo direito de portar armas, sejam letais ou não-letais (aqui no Brasil, spray de pimenta é considerado arma química e só pode ser usado por militares; nos EUA vendem em qualquer loja de conveniência), é ainda mais. Isto vale não só para os homens, mas também para as mulheres, que poderiam evitar estupros e atos violentos de machões simplesmente fazendo como a moça da foto (OK, não precisa ser um fuzil, pode ser uma arma menor).

Leituras complementares:

“Número de estupros de Orlando caiu após mulheres receberem treinamento com armas e em artes marciais”. http://abr.ai/QuR8SP

“IMB – Como o porte irrestrito de armas garantiu a liberdade dos suíços”.http://bit.ly/1lH26mD

“MVB – Hitler e o desarmamento dos judeus”. http://bit.ly/1qn3jPM

“MVB – Garota de 11 anos de idade escreve uma carta que se tornou viral, onde explica porque zonas onde armas são proibidas não a protegem”.http://bit.ly/1pncCKk

“Vídeo – Padre Paulo Ricardo: Sou obrigado à legítima defesa?”.http://bit.ly/1qtjU4I

“Livro – Violência e armas: a experiência inglesa”. http://bit.ly/1xku10K

“Livro escrito por cientista político norte-americano dedica um capítulo inteiro à derrota da ONU no Referendo das Armas realizado no Brasil em 2005”. http://on.fb.me/1uD0km9

* IDH 0,001 maior em relação ao Brasil.
** IDH 0,56 maior…
*** IDH 0,19 maior…
**** Número de armas per capita 0,4 menor em relação ao Brasil.
***** Número de armas per capita 0,2 menor…

ERRATA: Por aviso de um internauta, a África do Sul foi retirada da lista, pois tem um Índice de homicídios maior que o Brasil, mas isto não invalida os argumentos apresentados.

Postagem original aqui .

Frouxidão incurável

Trazemos na Coluna do Leitor de hoje um artigo enviado por e-mail por um leitor de Natal, Rio Grande do Norte. Na opinião de Carlos Eduardo Galvão, faltou ao PSDB uma postura mais incisiva nas críticas e isto explicaria o desempenho, até aqui, abaixo das médias históricas do partido. Leiam:

FROUXIDÃO INCURÁVEL

tucano machucado

Tucano machucado

A postura covarde do PSDB no papel de oposição não é nenhuma novidade para quem acompanha a política nacional mais de perto, mas em período eleitoral não desabafar a respeito desse tema, causa uma sensação no mínimo asfixiante.

Em qualquer democracia razoavelmente saudável, a inépcia governista e sua evidente tara autoritária seriam um banquete retórico para a oposição. Mas não aqui! Nesse país, o produto da revolução gramsciana atingiu sua forma mais bem acabada – provavelmente, nem o próprio Antonio Gramsci no melhor dos seus sonhos tenha vislumbrado um cenário tão “perfeito”-, e dentro desse contexto catastrófico, nosso principal partido de oposição, tenta combater o inimigo, engessado por uma espécie de código de conduta criado dentro dessa atmosfera gramsciana, por definição sempre favorável ao partido de esquerda hegemônico. Isso ajuda a explicar a sensação de “pisar em ovos” que transparece aos olhos de um observador mais atento, toda vez que os tucanos são “obrigados” a criticar ações do governo. Críticas essas, que fique claro, se limitam a apontar falhas pontuais na gestão petista. Algo a mais do que isso pode soar muito radical, não sendo nenhum pouco condizente com a imagem de bons moços dos nossos oposicionistas. Um Oposição frouxa num ambiente hostil, eis a nossa realidade.

Seguindo à risca um roteiro kafkiano, passou a ser terminantemente proibido falar diretamente à população sobre as investidas de caráter autoritário e golpista dos petistas, como o mais recente e escandaloso Decreto 8243; mostrar a relação promíscua do PT com grupelhos radicais, nunca!, como alguém poderia ser contra os “movimentos sociais”; mencionar o termo ‘Foro de São Paulo’, nem pensar!, isso é coisa de lunático da extrema direita.

Aí você me diz: “Ah, mas o mensalão? O PSDB bateu muito nessa tecla”. É verdade. Com todo aquele talento argumentativo para nocautear o adversário que lhe é peculiar, eles contribuíram bastante para tornar esse escândalo um caso de corrupção comum, e não o atentado descarado contra a democracia, como foi de fato.

A busca por votos e o trato com os eleitores são outros momentos onde a vocação derrotista tucana aparece com vigor invejável. Desconheço outro partido que renega os seus eleitores e bajula aqueles que jamais serão seus com tanta dedicação como faz o PSDB.

As tentativas desastradas de emular os petistas no quesito populismo são outras facetas do masoquismo tucano. Quanto mais o PSDB se esforça para parecer esquerdista além da conta, mais ele contribui para deixar o terreno nas condições ideais para o PT pôr em prática o seu nefasto repertório eleitoreiro.

Essa estratégia suicida se fez presente nas últimas três eleições, atingindo o auge do ridículo e patético em 2010, quando o candidato José Serra evitou a todo custo criticar o então presidente Lula, e para completar, escondeu a maior referência do seu partido, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Parecia que nesta eleição as coisas seriam um pouco diferente, os otimistas alardeavam que Aécio Neves vinha fazendo críticas mais duras ao governo e tomando posições mais liberais. Só que transcorridas algumas semanas de campanha eleitoral, o tom do candidato ainda não subiu, ficando num nível bem similar ao das eleições anteriores. Nessa toada, as chances de vitória, que já não eram grandes, vão diminuindo a cada dia que passa.

Em caso de mais uma derrota, restará ao PSDB torcer para que o movimento “neoconservador”(ainda tímido) que surgiu nos últimos anos não ganhe representatividade política. Pois a formação de partidos políticos que levantem bandeiras liberais-conservadoras legítimas, implicará na perda de boa parte do seu eleitorado. Nessas condições, ou os tucanos finalmente tomam coragem e viram à direita para sobreviver, ou será a derrocada definitiva dos frouxos incuráveis.

Carlos Eduardo Galvão

E o PT foi às compras

O artigo de hoje para a “Coluna do Leitor” foi enviado por Mauro Pereira da Silva e traz críticas ao método político petista para alcançar a hegemonia anti-democrática que tanto sonham.

E o PT foi às compras

Ao longo desses quase doze anos, o PT nos proporcionou a oportunidade ímpar de testemunharmos a introdução de sua renovada visão democrática, tese defendida desde a sua fundação e que acelerou seu desembarque na presidência da República. Com o objetivo alcançado, durante esse tempo todo quis nos impor a democracia dele, parida no solo árido da egolatria e consubstanciada no desmesurado apego ao poder.

Candidato a latifundiário da política nacional, seu governo exercita um perverso e seletivo modelo de defesa dos direitos humanos, indignando-se apenas quando os direitos ultrajados dos humanos ocorrem em hostes inimigas. Quando os excessos acontecem nos seus quintais ou nos de seus aliados, dentro ou fora do Brasil, dá às costas aos direitos e não consegue definir como humanas as pessoas que padecem sob a violência de governos autoritários e ferozes. Prepotente por natureza, mostrou-se impermeável à vergonha, por exemplo, ao tentar justificar o modus operandi de sua polícia que fere e cega, como aconteceu em plagas nordestinas não faz muito tempo.

Buscando a qualquer custo uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU, jamais demonstrou o menor vestígio de pudor ao bajular ditaduras cruéis e andar de braços dados com governos corruptos e autoritários. Perfeitamente à vontade, visitou os porões da inconsequência ao tramar a suspensão do Paraguai dos quadros do Mercosul para substituí-lo pela Venezuela, parceira de desmandos e desvarios. Na visão vesga de sua diplomacia anã, a Venezuela é só um tipo diferente de democracia. A indisfarçável arrogância de suas principais lideranças o impede de perceber que para os brasileiros de bem, qualquer tipo de democracia diferente é a versão mais ordinária de ditaduras iguais, exercida apenas por democratas de fachada e aplaudido somente por lacaios disponíveis.

Coerente com o seu ideário, sempre defendeu com veemência a pureza democrática de Fidel Castro, um dos mais truculentos ditadores da história recente da América Latina e mostrou-se confortável, também, ao patrocinar, através de declaração de sua estrela mais reluzente, uma das páginas mais desprezíveis da política internacional brasileira qualificando o ativista Orlando Zapata Tamayo, que morreu em decorrência da greve de fome em protesto à tirania da família Castro, como um bandido comum. Mostrou a dimensão de sua cumplicidade ao calar-se sobre a investida descaradamente absolutista de Cristina Kirchner contra a imprensa e o Judiciário argentinos.
Definitivamente, a prudência manda que jamais subestimemos a capacidade de acanalhar-se do PT. Com os olhos voltados para as eleições de outubro próximo, determinado em reeleger Dilma Roussef presidente da República e eleger o governador do Estado de São Paulo a qualquer custo, mergulhou de vez nas águas revoltas da irresponsabilidade. Preocupado com o resultado das urnas, demorou mais de uma década para se dar conta da excepcional incompetência de seus gestores em oferecer um serviço de saúde digno aos brasileiros. Maquiavélico, fez o que sabe fazer de melhor: terceirizou seu fracasso escolhendo os médicos brasileiros como os vilões da vez responsabilizando-os pela retumbante ruína de sua política de saúde pública representada na espera angustiante dos pacientes por exames laboratoriais que degrada, no calvário das filas nos hospitais que avilta e na perda de 41 mil leitos do SUS nos últimos oito anos, que revolta.

A indigência moral se concretiza nesse asqueroso convênio compactuado com o governo cubano agilizando a importação de milhares de médicos para, entre outras atribuições, especula-se, prestar atendimento às populações mais vulneráveis. É bom esclarecer que nada tenho contra a vinda desses profissionais. Seria até mesmo um fato corriqueiro se eles viessem motivados por decisão pessoal e soberana, se submetessem às leis do país que escolheram para fixar residência e, depois de aqui instalados, gozassem da prerrogativa da igualdade e da plenitude das liberdades individuais, ambas garantidas pela Constituição. No entanto, a legitimidade se definha ao guardar na sua concepção o apelo eleitoreiro, trazer no seu viés a desconfiança da doutrinação ideológica e tratar seres humanos como mercadoria de propriedade do estado. Aí, estanca-se a razoabilidade e manifesta-se a mais inescrupulosa forma de degradação.

Montagem encontrada na internet

Montagem (autor desconhecido)

Eu estaria agredindo o princípio da honestidade se não considerasse a hipótese de que esses profissionais se apresentaram voluntariamente para a missão em terras brasileiras. No entanto, a presunção do fulgor ideológico se desmantela no sequestro de suas famílias que permanecem reféns do governo cubano como moeda de troca de sua lealdade e a garantia de que a propalada devoção a Fidel Castro não embarque no primeiro voo para Miami. Desgraçadamente, a ditadura castrista usa essa mão de obra como fonte de divisas. Sua commodity mais valorizada é gente. Seus produtos de importação mais bem cotados no mercado internacional são pessoas. Sem o menor trauma de consciência as oferece a quem estiver disposto a comprá-las. O PT estava. E foi às compras.
Por mais que se queira, é praticamente impossível para o cidadão que tem um mínimo de autonomia intelectual permanecer insensível à incompetência testada e comprovada ao longo de mais de uma década do governo federal eleito pelo PT e à vocação para o desonesto – escancarada na memorável decisão da maioria dos ministros do STF no julgamento do mensalão –, do petista. Raro é o bem feito que persevere na administração do PT. Pouco é o que não se corrompa no contato com o petismo. Torna-se difícil até mesmo recorrer à máxima da excepcionalidade. O escândalo mais recente denunciando a participação do deputado estadual paulista Luiz Moura em reunião que contava com a presença de representantes do crime organizado é cabal.

Na democracia perseguida com obstinação pelo PT, a exceção é o código de regras que respeitam e o pilar de sustentação do estado que aspiram. A devoção à hegemonia é de sua natureza e está gravado em alto-relevo no seu DNA. Só acreditam na sua castidade democrática os crédulos vocacionados, os políticos cumpliciados e os oportunistas atocaiados. Ninguém além deles.

Mauro Pereira da Silva

Página 6 de 11« Primeira...234567891011