Coluna do Leitor

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“Talvez eu não devesse dizer isto” ou “Calvus Rubicundus”

Trazemos hoje para a “Coluna do Leitor” um artigo ousado sobre um tema muito fácil de se posicionar: o racismo. Todos são contra, ninguém tolera, poucos diriam que existe algum lugar no mundo livre desse mal e todos acham que deve ser coibido com punições. O caso da torcedora do Grêmio que ofendeu o goleiro Aranha chamando-o de macaco fez com que nosso amigo @diacronico escrevesse o post que vai abaixo:

“Talvez eu não devesse dizer isto” ou “Calvus Rubicundus”

Talvez eu não devesse dizer isto, porque afinal eu tenho a pele branca (jambo, no verão, mas enquanto escrevo isto, lamentavelmente branca). Mas o Conselheiro Acácio aqui não me deixa em paz, e digo.

 Toda torcida quer atingir os jogadores do time adversário. Quer que seu time ganhe e quer ajudar a fragilizar o rival. É comum, por isso, que se xinguem os jogadores adversários, especialmente com aqueles dois charmosos epítetos que dizem respeito aos hábitos anais dos jogadores e às atividades profissionais das senhoras mães deles. Também o juiz, que está lá na defesa da retidão e Justiça, acaba sofrendo, mesmo nas raras vezes em que não se equivoca, essas raivosas injúrias.

 Sem contar o Galvão, coitado, cujo sobrenome já podia ser viaaaagem.

Ninguém processa torcida por causa disso. Time nenhum jamais perdeu um ponto por causa disso. E quando a câmera, eventualmente, mostra esses cabeludos palavrões nos depilados lábios das mocinhas, o faz só para fazer graça: olha que divertido, mulher tão charmosa ensandecida pelo seu time do coração (mostra o coração; rectius, o distintivo; rectius, os peitos).

Ninguém processa ninguém porque todos nós sabemos que a mãe do jogador é monogâmica e seriíssima, jamais se atiraria aos lençóis alheios por dinheiro nenhum do mundo. É só um xingamento primal, uma provocação grupal, às vezes um desabafo animal – mas não é nada pessoal.

Quando se faz referência às eventuais práticas sodomitas do futebolista; quando se recomenda que o bandeirinha (auxiliar, né, Arnaldo?) plante o seu instrumento de trabalho em terreno onde o sol não brilha; quando se determina ao juiz que coloque nos seus lábios coisa mais roliça que o apito, ou quando, depois de um extasiante golaaaço!, convoca-se todo o time adversário e sua imensa torcida para a sucção nervo-glandular, sabe-se que nada disso acontecerá de verdade: não se está falando sério. (Não se está, né? Eu, pelo menos, não estou).

E sabe-se, ainda, que o que o Galvão faz (ou deixa que façam com ele) em Mônaco, ou na sua vinícola, é problema dele. Eventualmente, da Dna. Galvona.

Por isso, jogadores, juízes e galvões não saem processando as torcidas que os injuria tão infamemente: são seguros de sua masculinidade (ou certos de que a sua ausência é uma virtude) e da religiosa retidão sexual da sua mãe (da sua não, da deles – se bem que eu não conheço sua mãe, mas a tenho em boa conta; uma santa, intuo).

Mas a mocinha lá, loirinha, frágil empolgada e abobalhada, abriu os pulmões no meio da torcida furiosa, mostrou o retardado aparelho dentário e uivou “macaco!”, esticando bem as vogais para ter certeza de que seria ouvida, de que ofendia.

O alvo da injúria era o goleiro Aranha que, como o Yashin, é negro (aliás, diz-me a wikipédia que o apelido dele vem daí mesmo, do Aranha Negra, de quem, antes que você se sinta tentado a me esclarecer, digo: não era negro na pele, mas no uniforme).

Ouvi o Aranha (o negro, não o Negra, que este já morreu) depois do jogo e do insulto. É um cara articulado; parece mais instruído que a horrorosa média nacional. E ele disse : “dói, cara, dói”. E deve, de fato, doer. Disso não pode haver dúvida.

Mas a pergunta que um branco se faz é: por que dói a um negro (o Aranha parece-me mulato, mas a estatística nacional diz que todo mulato é negro, apesar de ser tão branco quanto negro, mas rendamo-nos: negro) ser chamado de macaco?

Não me parece que ser chamado de macaco é a pior comparação animal que se possa fazer: há animais bem inferiores na escala evolutiva. Se a questão é darwinista, chamar de ameba seria centenas de vezes mais ofensivo (e ainda me daria a chance de processar retroativamente a D. Ivone, minha professora de Português da 5ª série, por razões que não vêm a pelo).

Não há de ser por isso – porque macacos estão um mísero meio-degrau abaixo na escala evolutiva – que se ofendem os negros, que são homens (e mulheres!) e estão, como eu e você, índio e japonês, no mais elevado patamar da pirâmide evolutiva e somos desta raça única (e excelentíssima!), que é a humana.jpg (você aí da esquerda não, mané. Tira o dedo do nariz).

CalvusGarethBaleRabicundusE há brancos bem mais macacos de aparência que qualquer negro – tai o Gareth B., dezenas de vezes mais branco, mais rico e mais simiomorfo que eu e o Aranha, que não me deixa mentir (e olha que depois dos quarenta eu venho gradualmente me transformando num dos gorilas do desenho do Tarzan).

O que me parece – e digo isto logo depois de comer uma bananinha, não a fruta, mas uma balinha, que uma senhora ceguinha vende no ponto de ônibus aqui da Líbero; dez por um real – é que carregamos essa culpa de tudo o que é horrível que fizeram (e fazem) com os negros e por isso viramos, assim, os seus vingadores-mascarados.

Eu pessoalmente, raios, não tenho tanta culpa histórica assim: meus bisavós (meu arbusto genealógico ainda não vai além disso) eram famélicos retirantes da Campanha e do Vêneto, jamais escravizaram ninguém, a não ser eles mesmos (e um tio-avô que era meio tchalao – ainda se diz tchalao? – e merecia).

Por isso, por não achar todo negro necessariamente simiesco, por não acreditar que haja alguma diferença evolutiva que se possa apurar pelo tom de pele (se houvesse, no verão eu teria uns 15 pontos a menos de QI), e por acreditar que eles sabem se defender, acho que entendi, enfim, porque é tão (genuinamente!) ofensivo aos negros serem chamados de macacos: é porque logo vem um babuíno róseo para urrar – “iiih, eu não deixava!” Ou, pior: “nossa, que racista, chamar um negro de macaco!”.

Atribuem a alguém, a quem as orelhas de abano e o queixo prognata e peludo conferiram uma tardia macaquice, esta profunda platitude: “Quando Pedro me fala sobre Paulo, sei mais de Pedro que de Paulo.”

Calvus Rubicundus

Calvus Rubicundus

Eu, que não conheço nem o Pedro, nem o Paulo (salvo os da Bíblia, que eu nem digo, para não me acusarem de fundamentalista), mas às vezes tento macaquear os grandes pensadores, aprendi: quando brancos me falam de negros, sei muito mais dos brancos, que dos negros.

Ou, no popular: macaco, olha teu rabo.

Com mais armas, países mais pobres e menos educados têm menos homicídios que o Brasil

Publicamos na íntegra aqui na “Coluna do Leitor” um post feito por Diogo Coelho em sua conta no Facebook.

Com mais armas, países mais pobres e menos educados têm menos homicídios que o Brasil

armamento

Um assunto que me chama bastante atenção ultimamente é o do “desarmamento da população civil”. Os desarmamentistas (a maioria deles de esquerda) pregam que “armas matam e que, por isso, devem ser retiradas das mãos das pessoas” (seguindo esse raciocínio, carros devem ser proibidos, pois acidentes de trânsito também matam). Quando você argumenta que países cuja população civil possui mais armas per capita são mais seguros, o desarmamentista fala que não tem nada a ver, que esses países são seguros por que possuem mais educação, empregos, renda per capita etc, (nas entrelinhas, querendo dizer que bandido é bandido porque é pobre, mas não tem coragem de dizer isso numa favela).

Pois bem, fui conferir a validade deste argumento “educação-renda” e chego às seguintes conclusões:

– Sendo bastante rigoroso com os números, 10 países (África do Sul, Namíbia, Zâmbia, Paquistão, Iêmen, Tailândia, Peru, Paraguai, Macedônia, Bósnia e Herzegovina) possuem IDH, renda per capita e índice de educação da ONU igual ou inferior ao Brasil, mas possuem mais armas e menos homicídios per capita.

– No entanto, tomei a liberdade de incluir outros seis países (Jordânia*, Sérvia*, Montenegro**, Costa Rica***, Argélia**** e Barbados*****) que, apesar de ter o IDH levemente superior ao Brasil, possuem muito mais armas e taxas de homicídios ridiculamente baixas. Com isto, temos 16 nações de diferentes continentes (4 da África, 4 da Ásia, 4 da Europa, 2 da América Latina e dois da América Central) onde o argumento de que segurança tem a ver com a educação e qualidade de vida do povo simplesmente não se sustentam.

Encurralado por fatos sólidos, o desarmamentista tenta a sua última cartada (em vão), que é o fator cultural. Ele alega que o brasileiro não está preparado para ter armas, pois as pessoas são “esquentadinhas” (existe algum estudo antropológico mostrando isso?) e que todo mundo iria se matar em brigas de trânsito ou no bar.

Pois bem, então como explicar que os EUA, país com mais armas per capita no mundo e 100 milhões de habitantes a mais que o Brasil, possui cerca de 14 mil homicídios por ano, 1/4 em relação a nós, que já superamos as 56 mil mortes por ano? Melhor, como explicar como o estado Vermont, cuja legislação de armas é somente a Segunda Emenda, é um estado mais seguro que a Califórnia, que possui uma das mais rígidas legislações sobre porte de armas dos EUA? Estou falando do mesmo país, não adianta colocar a culpa no “fator cultural”.

A verdade é que, assim como os esquerdistas, desarmamentistas argumentam com base no mundo que eles gostariam que existisse, que é um mundo onde nenhuma pessoa possui armas. A realidade é que sempre existirão pessoas mal-intencionadas que utilizarão armas para realizar maldades como roubar, matar etc. Desarmar a sociedade civil, ou seja, entregar o seu direito de defesa ao estado, é uma burrice sem tamanho por dois motivos: a polícia não é onipresente e conceder o monopólio das armas ao estado abre margem para o surgimento de governos autoritários ou totalitários. União Soviética, Alemanha nazista, Venezuela, Cuba estão aí para comprovar isto.

Resumindo. Melhoras na segurança pública, endurecimento das leis e redução ou extinção da maioridade penal são importantes, mas lutar pelo direito de portar armas, sejam letais ou não-letais (aqui no Brasil, spray de pimenta é considerado arma química e só pode ser usado por militares; nos EUA vendem em qualquer loja de conveniência), é ainda mais. Isto vale não só para os homens, mas também para as mulheres, que poderiam evitar estupros e atos violentos de machões simplesmente fazendo como a moça da foto (OK, não precisa ser um fuzil, pode ser uma arma menor).

Leituras complementares:

“Número de estupros de Orlando caiu após mulheres receberem treinamento com armas e em artes marciais”. http://abr.ai/QuR8SP

“IMB – Como o porte irrestrito de armas garantiu a liberdade dos suíços”.http://bit.ly/1lH26mD

“MVB – Hitler e o desarmamento dos judeus”. http://bit.ly/1qn3jPM

“MVB – Garota de 11 anos de idade escreve uma carta que se tornou viral, onde explica porque zonas onde armas são proibidas não a protegem”.http://bit.ly/1pncCKk

“Vídeo – Padre Paulo Ricardo: Sou obrigado à legítima defesa?”.http://bit.ly/1qtjU4I

“Livro – Violência e armas: a experiência inglesa”. http://bit.ly/1xku10K

“Livro escrito por cientista político norte-americano dedica um capítulo inteiro à derrota da ONU no Referendo das Armas realizado no Brasil em 2005”. http://on.fb.me/1uD0km9

* IDH 0,001 maior em relação ao Brasil.
** IDH 0,56 maior…
*** IDH 0,19 maior…
**** Número de armas per capita 0,4 menor em relação ao Brasil.
***** Número de armas per capita 0,2 menor…

ERRATA: Por aviso de um internauta, a África do Sul foi retirada da lista, pois tem um Índice de homicídios maior que o Brasil, mas isto não invalida os argumentos apresentados.

Postagem original aqui .

Frouxidão incurável

Trazemos na Coluna do Leitor de hoje um artigo enviado por e-mail por um leitor de Natal, Rio Grande do Norte. Na opinião de Carlos Eduardo Galvão, faltou ao PSDB uma postura mais incisiva nas críticas e isto explicaria o desempenho, até aqui, abaixo das médias históricas do partido. Leiam:

FROUXIDÃO INCURÁVEL

tucano machucado

Tucano machucado

A postura covarde do PSDB no papel de oposição não é nenhuma novidade para quem acompanha a política nacional mais de perto, mas em período eleitoral não desabafar a respeito desse tema, causa uma sensação no mínimo asfixiante.

Em qualquer democracia razoavelmente saudável, a inépcia governista e sua evidente tara autoritária seriam um banquete retórico para a oposição. Mas não aqui! Nesse país, o produto da revolução gramsciana atingiu sua forma mais bem acabada – provavelmente, nem o próprio Antonio Gramsci no melhor dos seus sonhos tenha vislumbrado um cenário tão “perfeito”-, e dentro desse contexto catastrófico, nosso principal partido de oposição, tenta combater o inimigo, engessado por uma espécie de código de conduta criado dentro dessa atmosfera gramsciana, por definição sempre favorável ao partido de esquerda hegemônico. Isso ajuda a explicar a sensação de “pisar em ovos” que transparece aos olhos de um observador mais atento, toda vez que os tucanos são “obrigados” a criticar ações do governo. Críticas essas, que fique claro, se limitam a apontar falhas pontuais na gestão petista. Algo a mais do que isso pode soar muito radical, não sendo nenhum pouco condizente com a imagem de bons moços dos nossos oposicionistas. Um Oposição frouxa num ambiente hostil, eis a nossa realidade.

Seguindo à risca um roteiro kafkiano, passou a ser terminantemente proibido falar diretamente à população sobre as investidas de caráter autoritário e golpista dos petistas, como o mais recente e escandaloso Decreto 8243; mostrar a relação promíscua do PT com grupelhos radicais, nunca!, como alguém poderia ser contra os “movimentos sociais”; mencionar o termo ‘Foro de São Paulo’, nem pensar!, isso é coisa de lunático da extrema direita.

Aí você me diz: “Ah, mas o mensalão? O PSDB bateu muito nessa tecla”. É verdade. Com todo aquele talento argumentativo para nocautear o adversário que lhe é peculiar, eles contribuíram bastante para tornar esse escândalo um caso de corrupção comum, e não o atentado descarado contra a democracia, como foi de fato.

A busca por votos e o trato com os eleitores são outros momentos onde a vocação derrotista tucana aparece com vigor invejável. Desconheço outro partido que renega os seus eleitores e bajula aqueles que jamais serão seus com tanta dedicação como faz o PSDB.

As tentativas desastradas de emular os petistas no quesito populismo são outras facetas do masoquismo tucano. Quanto mais o PSDB se esforça para parecer esquerdista além da conta, mais ele contribui para deixar o terreno nas condições ideais para o PT pôr em prática o seu nefasto repertório eleitoreiro.

Essa estratégia suicida se fez presente nas últimas três eleições, atingindo o auge do ridículo e patético em 2010, quando o candidato José Serra evitou a todo custo criticar o então presidente Lula, e para completar, escondeu a maior referência do seu partido, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Parecia que nesta eleição as coisas seriam um pouco diferente, os otimistas alardeavam que Aécio Neves vinha fazendo críticas mais duras ao governo e tomando posições mais liberais. Só que transcorridas algumas semanas de campanha eleitoral, o tom do candidato ainda não subiu, ficando num nível bem similar ao das eleições anteriores. Nessa toada, as chances de vitória, que já não eram grandes, vão diminuindo a cada dia que passa.

Em caso de mais uma derrota, restará ao PSDB torcer para que o movimento “neoconservador”(ainda tímido) que surgiu nos últimos anos não ganhe representatividade política. Pois a formação de partidos políticos que levantem bandeiras liberais-conservadoras legítimas, implicará na perda de boa parte do seu eleitorado. Nessas condições, ou os tucanos finalmente tomam coragem e viram à direita para sobreviver, ou será a derrocada definitiva dos frouxos incuráveis.

Carlos Eduardo Galvão

E o PT foi às compras

O artigo de hoje para a “Coluna do Leitor” foi enviado por Mauro Pereira da Silva e traz críticas ao método político petista para alcançar a hegemonia anti-democrática que tanto sonham.

E o PT foi às compras

Ao longo desses quase doze anos, o PT nos proporcionou a oportunidade ímpar de testemunharmos a introdução de sua renovada visão democrática, tese defendida desde a sua fundação e que acelerou seu desembarque na presidência da República. Com o objetivo alcançado, durante esse tempo todo quis nos impor a democracia dele, parida no solo árido da egolatria e consubstanciada no desmesurado apego ao poder.

Candidato a latifundiário da política nacional, seu governo exercita um perverso e seletivo modelo de defesa dos direitos humanos, indignando-se apenas quando os direitos ultrajados dos humanos ocorrem em hostes inimigas. Quando os excessos acontecem nos seus quintais ou nos de seus aliados, dentro ou fora do Brasil, dá às costas aos direitos e não consegue definir como humanas as pessoas que padecem sob a violência de governos autoritários e ferozes. Prepotente por natureza, mostrou-se impermeável à vergonha, por exemplo, ao tentar justificar o modus operandi de sua polícia que fere e cega, como aconteceu em plagas nordestinas não faz muito tempo.

Buscando a qualquer custo uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU, jamais demonstrou o menor vestígio de pudor ao bajular ditaduras cruéis e andar de braços dados com governos corruptos e autoritários. Perfeitamente à vontade, visitou os porões da inconsequência ao tramar a suspensão do Paraguai dos quadros do Mercosul para substituí-lo pela Venezuela, parceira de desmandos e desvarios. Na visão vesga de sua diplomacia anã, a Venezuela é só um tipo diferente de democracia. A indisfarçável arrogância de suas principais lideranças o impede de perceber que para os brasileiros de bem, qualquer tipo de democracia diferente é a versão mais ordinária de ditaduras iguais, exercida apenas por democratas de fachada e aplaudido somente por lacaios disponíveis.

Coerente com o seu ideário, sempre defendeu com veemência a pureza democrática de Fidel Castro, um dos mais truculentos ditadores da história recente da América Latina e mostrou-se confortável, também, ao patrocinar, através de declaração de sua estrela mais reluzente, uma das páginas mais desprezíveis da política internacional brasileira qualificando o ativista Orlando Zapata Tamayo, que morreu em decorrência da greve de fome em protesto à tirania da família Castro, como um bandido comum. Mostrou a dimensão de sua cumplicidade ao calar-se sobre a investida descaradamente absolutista de Cristina Kirchner contra a imprensa e o Judiciário argentinos.
Definitivamente, a prudência manda que jamais subestimemos a capacidade de acanalhar-se do PT. Com os olhos voltados para as eleições de outubro próximo, determinado em reeleger Dilma Roussef presidente da República e eleger o governador do Estado de São Paulo a qualquer custo, mergulhou de vez nas águas revoltas da irresponsabilidade. Preocupado com o resultado das urnas, demorou mais de uma década para se dar conta da excepcional incompetência de seus gestores em oferecer um serviço de saúde digno aos brasileiros. Maquiavélico, fez o que sabe fazer de melhor: terceirizou seu fracasso escolhendo os médicos brasileiros como os vilões da vez responsabilizando-os pela retumbante ruína de sua política de saúde pública representada na espera angustiante dos pacientes por exames laboratoriais que degrada, no calvário das filas nos hospitais que avilta e na perda de 41 mil leitos do SUS nos últimos oito anos, que revolta.

A indigência moral se concretiza nesse asqueroso convênio compactuado com o governo cubano agilizando a importação de milhares de médicos para, entre outras atribuições, especula-se, prestar atendimento às populações mais vulneráveis. É bom esclarecer que nada tenho contra a vinda desses profissionais. Seria até mesmo um fato corriqueiro se eles viessem motivados por decisão pessoal e soberana, se submetessem às leis do país que escolheram para fixar residência e, depois de aqui instalados, gozassem da prerrogativa da igualdade e da plenitude das liberdades individuais, ambas garantidas pela Constituição. No entanto, a legitimidade se definha ao guardar na sua concepção o apelo eleitoreiro, trazer no seu viés a desconfiança da doutrinação ideológica e tratar seres humanos como mercadoria de propriedade do estado. Aí, estanca-se a razoabilidade e manifesta-se a mais inescrupulosa forma de degradação.

Montagem encontrada na internet

Montagem (autor desconhecido)

Eu estaria agredindo o princípio da honestidade se não considerasse a hipótese de que esses profissionais se apresentaram voluntariamente para a missão em terras brasileiras. No entanto, a presunção do fulgor ideológico se desmantela no sequestro de suas famílias que permanecem reféns do governo cubano como moeda de troca de sua lealdade e a garantia de que a propalada devoção a Fidel Castro não embarque no primeiro voo para Miami. Desgraçadamente, a ditadura castrista usa essa mão de obra como fonte de divisas. Sua commodity mais valorizada é gente. Seus produtos de importação mais bem cotados no mercado internacional são pessoas. Sem o menor trauma de consciência as oferece a quem estiver disposto a comprá-las. O PT estava. E foi às compras.
Por mais que se queira, é praticamente impossível para o cidadão que tem um mínimo de autonomia intelectual permanecer insensível à incompetência testada e comprovada ao longo de mais de uma década do governo federal eleito pelo PT e à vocação para o desonesto – escancarada na memorável decisão da maioria dos ministros do STF no julgamento do mensalão –, do petista. Raro é o bem feito que persevere na administração do PT. Pouco é o que não se corrompa no contato com o petismo. Torna-se difícil até mesmo recorrer à máxima da excepcionalidade. O escândalo mais recente denunciando a participação do deputado estadual paulista Luiz Moura em reunião que contava com a presença de representantes do crime organizado é cabal.

Na democracia perseguida com obstinação pelo PT, a exceção é o código de regras que respeitam e o pilar de sustentação do estado que aspiram. A devoção à hegemonia é de sua natureza e está gravado em alto-relevo no seu DNA. Só acreditam na sua castidade democrática os crédulos vocacionados, os políticos cumpliciados e os oportunistas atocaiados. Ninguém além deles.

Mauro Pereira da Silva

A “Esquerda Caviar” desconhece os pobres!

Hoje trazemos um artigo valiosíssimo. É uma enorme satisfação para nós do Reaçonaria entrar em contato com pessoas como o “carteiro Gil”, um dos milhares de anônimos que se incomodam com os rumos políticos do pais, não se alinham com o esquerdismo vigente e não têm voz ou representação adequada seja na mídia ou nos partidos políticos.

O “Gil Diniz, retirante nordestino, carteiro, pobre, favelado, casado e pai de dois filhos“, como ele se apresenta, ficou sabendo do nosso site após contato e busca feitos pelo colunista Marcelo Centenaro devido à participação de ambos no lançamento do livro de Isadora Faber (“Diário de Classe”) em São Paulo, pateticamente capitaneado por Gilberto Dimenstein.

É com orgulho que apresentamos hoje na “Coluna do Leitor” o relato pessoal de Gil Diniz sobre o evento:

A “Esquerda Caviar” desconhece os pobres! 

Dia 1° de abril de 2014 (popularmente conhecido como dia da mentira), fiquei sabendo do lançamento do primeiro livro de Flávio Quintela “Mentiram (e muito) para mim” o evento seria naquele mesmo dia, por volta das 18:30h na Livraria da Vila, no Shopping Higienópolis. Não conhecia o autor mas achei interessante a proposta do livro. “Soltei os pés” como dizemos nos Correios e entreguei as cartas o mais rápido que consegui pois estava na região do terminal Sapopemba e o evento seria do outro lado da cidade.

Fui vestido de carteiro mesmo, sabia que o ambiente é diferente do que encontro aqui na periferia, mas não carrego o tão ultimamente dito “complexo de vira-latas”. Na Livraria da Vila adquiri o meu livro e fui ao local reservado, onde o autor autografava. Na fila, conheci um rapaz que saia do trabalho como eu e fora direto para o evento, educadamente me pediu que o fotografasse com Flavio Quintela e gentilmente o fiz, o rapaz se chama Wilson, jovem, reacionário, aluno de Olavo de Carvalho e a simpatia em pessoa (nos tornamos amigos).
Carteiro_Gil
Flavio Quintela me recebeu como se fosse um amigo antigo, aquele que há muito tempo não via (fiquei surpreso). Fui lhe dizendo de onde vim e da satisfação de estar naquela noite o prestigiando no lançamento de seu primeiro livro e claro, disse-lhe que sou um dos tantos reacionários: pobre, favelado e reaça! Me perguntou por qual motivo não escrevia essa história (minha história), parou a fila de autógrafos, chamou sua esposa Alê Quintela que gentilmente me recebeu. A sensação que tive no momento foi de estar entre amigos. Fui prestigiar o autor em sua noite de glória e sai de lá me sentindo prestigiado. Posteriormente Quintela, em seu blog, escreveu sobre mim. Confesso que me emocionei com suas tão verdadeiras palavras dedicadas a mim (https://maldadedestilada.wordpress.com/2014/04/10/reacionarios-da-favela/).

Um pouco menos de dois meses se passaram daquela noite de autógrafos com Flavio Quintela, fiquei sabendo que a adolescente Isadora Faber, criadora da página no Facebook “Diário de Classe”, estaria em São Paulo para o lançamento do seu primeiro livro que leva como título o nome de sua página. Dessa vez o lançamento seria na Livraria Cultura do Conjunto Nacional na Avenida Paulista. Convidei o Wilson jovem reacionário que conheci dois meses atrás, combinamos de nos encontrar lá. Vi na descrição do evento que haveria uma conversa da autora com Gilberto Dimenstein e outros dois professores que até então desconhecia quem eram e onde trabalhavam.

A conversa foi no teatro Eva Herz, fiquei um tanto incomodado com os adultos naquele palco, fomos lá conhecer e escutar Isadora Faber, o evento era dela, no entanto, quem menos falou foi a menina. Alguns podem dizer que é tímida e de poucas palavras, lhes digo que “quiseram ter mais realeza do que o próprio rei” e silenciaram com seus egos inflamados a autora. Perguntas sem sentido, embasamento, parecia mais “o que é o que é” do que um diálogo com o autor (a), alguns naquele teatro estavam perdidos a começar pelo palco.

Poucos minutos ao final foram reservados às perguntas do público. Um dos questionamentos me surpreendeu bastante, Marcelo Centenaro (que até então não conhecia), perguntou a Isadora sobre um livro de Ayn Rand – “A Revolta de Atlas”, pois, a adolescente tinha postado na rede social uma foto com esse livro em mãos. Posteriormente conheci o Marcelo aqui pelo Facebook e descobri que ele é colunista do Reaçonaria e que inclusive tinha postado suas impressões sobre o evento, citando minha participação. (http://reaconaria.org/colunas/marcelocentenaro/lancamento-do-diario-de-classe/ ).

Levantei a mão pedindo a palavra, queria questionar Isadora. Dimenstein havia pedido que “quem fosse perguntar, falasse nome, profissão e de onde era”. Me apresentei: “Sou o Gil, carteiro, e moro em São Mateus.” Nesse momento Dimenstein me interrompeu: “Carteiro, como assim carteiro, o que um carteiro faz?” (Sic). Guardo mentalmente a fisionomia dele e complemento a pergunta que ele me fez: “Carteiro, como assim carteiro, o que um carteiro faz AQUI?” (o destaque é meu). Respondi o óbvio: “Carteiros entregam cartas!”. Entendo a reação, há pessoas que só ouvem falar de pobres, trabalhadores e afins nas rádios, tevê e jornais.

Perguntei a Isadora Faber sobre a presença da sua família em sua vida escolar, citei meu exemplo, pois, aqui em São Paulo nas escolas da rede municipal onde meus filhos estão matriculados foi retirado do calendário escolar o “Dia das Mães” e “Dia dos Pais”, substituídos pelo “Dia de quem cuida de mim” – travo até hoje uma “guerra” particular com a postura que essas escolas adotaram, inclusive, Reinaldo Azevedo publicou em seu blog o meu relato sobre o caso e noticiou na rádio Jovem Pan. (http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/escolas-de-sp-acabam-com-o-dia-das-maes-e-institui-o-dia-dos-cuidadores-viva-o-fim-da-familia-prefeito-fernando-haddad/ ).

Mais uma vez fui interrompido por Dimenstein, ele queria saber mais sobre ”O Dia de Quem Cuida De Mim”, notei que ficou incomodado quando citei a revista Veja e Reinaldo Azevedo, Dimenstein já fora duramente criticado por Reinaldo. Isadora respondeu brevemente e Dimenstein com uma indireta para mim, chamou a “cuidadora” de Isadora (Mel Faber) para responder meu questionamento. Dona Mel disse ser participativa e me revelou que em Santa Catarina não celebram mais o “Dia das Mães e dos Pais” (a revolução cultural chegou lá primeiro). Fiquei triste pela notícia, porém satisfeito com a resposta. Acabaram ali as perguntas e fomos aos autógrafos e as fotos com Isadora.

Não consigo deixar de comparar os dois eventos que participei. De um lado Flavio Quintela me recebendo como um amigo em seu evento. Do outro lado Gilberto Dimenstein, espantado com a presença de um carteiro naquele ambiente. Refletindo um pouco mais, fica visível tal diferença de atitude. Quintela segue uma determinada linha política, Dimenstein segue outra. Quintela poderia ser rotulado como de direita, reacionário, conservador,” inimigo dos pobres”, etc. Já Dimenstein segue a linha da “Esquerda caviar” tão bem detalhada por Rodrigo Constantino. O esquerdista não sabe nem o  que um carteiro faz…Carteiro entrega correspondência Sr. Gilberto. Aliás, carteiros, pobres, estudantes como eu consomem cultura, lêem, debatem, estudam, se esforçam para ser o melhor que puderem para si e para os seus!

Sou o Gil Diniz, retirante nordestino, carteiro, pobre, favelado, casado e pai de dois filhos, sou um dos milhões de reacionários que não vendem sua dignidade para partido algum!

E se eu disser que a educação com 10% do PIB não vai melhorar?

O texto de hoje da “Coluna do Leitor” é mais um enviado por Marcos Aurélio Lanes Júnior que tem seu blog, o “Minuto Produtivo” . Neste texto ele trata dos famigerados “10% para a educação”.

E se eu disser que a educação com 10% do PIB não vai melhorar?

PNE_1

(Fonte da imagem: Último Segundo)

Bom dia pessoal. Hoje irei utilizar o Minuto Produtivo para comentar a matéria, publicada na edição brasileira do El País, que fala sobre o Plano Nacional de Educação (PNE), aprovado ontem na Câmara dos Deputados. Entre outros itens, o Plano prevê que em dez anos, 10% do Produto Interno Bruno serão investidos na área. Vale lembrar que a educação é um dos pontos em que o Brasil peca de forma grosseira, e isso é facilmente comprovado pelos maus resultados nos rankings da área (Pisa, por exemplo). Cabe lembrar, porém, que apesar da empolgação de muitos com a quase duplicação da verba para o setor, em outras postagens sobre educação neste blog salientei sempre que o simples fato de injetar mais recursos não irá solucionar o quadro de ruindade em que estamos (um exemplo disso você pode conferir aqui). Ao longo da postagem irei explicar com mais calma meu ponto de vista. Segue abaixo alguns trechos da matéria, com comentários ao longo da mesma (esquema pingue-pongue):

 “O investimento na educação pública brasileira deverá quase dobrar nos próximos 10 anos. Nesta terça-feira, a Câmara aprovou o destaque do Plano Nacional de Educação (PNE) que prevê o emprego de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) do país na área até 2024. Atualmente, aplica-se cerca de 6%. Com isso, o valor repassado, considerando-se o PIB atual, subirá de cerca de 290 bilhões para cerca de 480 bilhões. O plano, que inclui ainda metas para a universalização da educação em diversos ciclos e um plano de carreira para professores, segue para a sanção da presidenta Dilma Rousseff (PT), que deve aprová-lo.

 O texto base do PNE já havia sido aprovado na última semana. Mas os pontos mais polêmicos, destacados para votação em separado pelos deputados, foram discutidos nesta terça. A íntegra do plano aprovado foi comemorada como uma vitória pelos movimentos sociais, que nos últimos três anos pressionaram os parlamentares para que os principais pontos do projeto fossem garantidos. Isso, de fato, aconteceu. Com exceção de um item polêmico: muitas entidades e a oposição criticavam a inclusão de um adendo pelo Senado que prevê como investimento em educação programas como o ProUni e o Fies, que financiam o estudo de alunos pobres em universidades particulares. Isso, segundo eles, assegura que parte dos 10% do PIB acabarão nas mãos de instituições privadas. Os deputados aprovaram a inclusão.

 “Isso é tirar dinheiro do tesouro para transferir para as escolas privadas. É um dinheiro que vai faltar e impedir que sejam cumpridas todas as metas do Plano”, diz o deputado Ivan Valente, líder do PSOL. A oposição pedia para que os 10% fossem investidos apenas em entidades públicas e afirmava que a inclusão feita no Senado representa uma perda de cerca de 3% do PIB para a educação efetivamente pública. Daniel Cara, coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, uma das principais entidades articuladoras do PNE, concorda. “O que é público é distinto do que é privado. O privado não tem o controle público. É preciso regular melhor”, destaca ele.

 Já os deputados governistas argumentavam que o Fies e do ProUni são políticas públicas educacionais importantes para a população pobre. “Por meio desses projetos, essas instituições oferecem bolsas para vagas que antes eram da elite. São programas sociais que contribuem para a educação”, afirma o deputado petista Angelo Carlos Vanhoni, relator do projeto na Câmara. Segundo ele, os dois programas correspondem a menos de 1% do PIB e, com o percentual aprovado, é possível cumprir todas as metas, inclusive a de número 12, que prevê quase dobrar a presença de jovens de 18 a 24 anos no ensino superior.

Muita calma nesta hora. Em princípio, teríamos motivo para concordar com o Ivan Valente, uma vez que dinheiro público iria simplesmente para engordar os cofres dos grandes grupos educacionais, algo que vagamente (bem vagamente mesmo, para os desavisados estou forçando um pouco a barra neste ponto) lembra a política de “campeões nacionais” adotada pelo BNDES. Mas se pensarmos que a alternativa apresentada pelo psolista é simplesmente colocar mais dinheiro público em um sistema que já consome em torno de 6% do PIB e continua amargando desempenho ruim atrás de desempenho ruim, a proposta governista parece razoável. Vale lembrar que mesmo se a pior hipótese (os 3% do PIB sendo “perdidos” para a rede privada) fosse confirmada, sobraria 7% para a rede pública, o que já colocaria o Brasil entre os 5 países que mais investem em educação no mundo (em % de PIB).

Por falar de investimento em educação, vale a pena falar da matéria da Exame, publicada em agosto de 2012, que mostram os países que mais investem na área e suas respectivas posições no Ranking Pisa, feito pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE. Segue imagem abaixo:

PIB Educação_1

Tabela que confronta os investimentos em educação e o desempenho no ranking Pisa, da OCDE. (Fonte da imagem: Exame)

Com base nisso, transcrevi a tabela no Excel e elaborei um gráfico de dispersão, em que o eixo x seria o investimento em educação (% do PIB) e o y seria a posição no Ranking Pisa. Por razões apresentadas na tabela acima, a África do Sul foi excluída. Segue abaixo:

 Gráfico PIB Educação_2

Gráfico de dispersão investimento em educação vs. Ranking Pisa. Dados da OCDE. (Fonte da imagem: Acervo do editor)

 Deste gráfico, podemos tirar algumas informações bastante úteis, que mais a frente nos permitem chegar a duas hipóteses (que falarei mais tarde). Segue abaixo:

 1.                  Se a qualidade da educação melhorasse basicamente pelo aumento dos investimentos na área, era de se esperar que os pontos no gráfico oscilassem em torno de uma linha de tendência, em que à medida que os investimentos (x) sobem, a posição no Ranking Pisa (y) melhora. Entretanto, não é isso que se vê, sobretudo no intervalo de 4% a 6%, onde existem países excelentes (como a Coreia do Sul, na segunda posição) e países com desempenho pífio (como a Argentina, na nada honrosa quinquagésima oitava posição);

2.                 No grupo dos países que investem acima de 6% na educação, ocorre um “estreitamento” na dispersão, sendo que a maioria deles estão entre os vinte primeiros no Pisa. Isso poderia servir como argumento dos favoráveis ao aumento dos gastos no ensino, entretanto, apenas dois deles figuram entre os dez primeiros, contra quatro no grupo dos países que investem até 6%. A maioria estão entre a décima primeira e a vigésima posição e um sequer está entre os vinte primeiros;

3.                 Last, but not least: o país que possui melhor desempenho em educação não figura entre os 30 maiores investidores. Na verdade, dos dez primeiros, quatro deles não estão nesses 30.

 Para ajudar na compreensão, ainda calculei os coeficientes de correlação e determinação (r e r², respectivamente) a partir da tabela transcrita, e os resultados obtidos são, respectivamente: 0,251 e 0,028 (correspondente ao r² ajustado). Em geral, um r inferior a 0,3 indica correlação fraca e o valor de r² indica que apenas 2,8% das posições no Ranking Pisa são explicáveis pelo investimento em educação.

 É claro que não é viável dar uma conclusão definitiva com base apenas na tabela, no gráfico de dispersão nem mesmo utilizando os coeficientes de correlação e determinação (até porque a lista de países é pequena), mas isso já nos permite chegar a duas hipóteses, ambas desfavoráveis aos defensores de maiores gastos em educação:

 1.                  Um aumento dos gastos públicos em educação, até certo percentual do PIB ajudaria a melhorar a qualidade da área. A partir desse valor seria indiferente (se eu utilizasse o gráfico como referência esse “ponto de indiferença” seria de 6%, patamar que o Brasil já se aproxima);

2.                 Não há relação entre gastos públicos e qualidade da educação.

 Voltando a falar da atuação do governo em fornecer bolsas para alunos estudarem em instituições particulares, vejo de forma positiva a ideia dos vouchers. Ideia, inclusive, que defendi em uma postagem do dia 23/03, ainda que não seja de forma tão agressiva quanto Rodrigo Constantino defendeu em seu livro Privatize Já.

 Além de meu ceticismo em relação à efetividade da quase duplicação dos recursos públicos para a educação, outro ponto da matéria do El País que chama a atenção é a oposição das entidades de classe à visão meritocrática da educação. Segue abaixo:

 “Um dos pontos aprovados, já na semana passada, será alvo de uma luta das entidades de classe: a aprovação do item 7.36,que prevê a adoção de uma remuneração dos professores com base no desempenho dos alunos.Segundo entidades como a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), bônus com base em resultados não têm refletido em melhorias na educação em outros países que os adotaram. Elas defendem que a remuneração do professor seja feita com base em um plano de carreira, algo já aprovado pelo PNE. “Vamos começar a mobilização e pedir para que a Dilma vete este item”, afirma a secretária-geral da CNTE, Marta Vanelli.”

 Apesar de eu concordar a existência de um plano de carreira para os professores (com menos níveis em relação ao que temos hoje, se formos falar do caso dos professores dos institutos federais), eu defendo que haja um elemento meritocrático de tal forma que acelere a progressão dos docentes ou garanta um adicional em sua remuneração. A questão é: como medir o desempenho dos alunos? Simplesmente usar o índice de aprovação de um ano para outro não resolve, uma vez que isso pode abrir margem para nivelar o ensino por baixo. Uma alternativa interessante, por exemplo, seria utilizar o desempenho em testes padronizados internacionalmente. Os professores das escolas que tivessem melhores resultados teriam maiores benefícios. No caso do ensino superior, a participação em projetos de iniciação científica e submissão de artigos para eventos de grande impacto ou revistas relevantes para suas áreas de conhecimento poderiam servir como critérios de desempenho. De qualquer forma, é necessário um mecanismo que beneficie os melhores no que tange à educação.

 Encerrando

 A ideia de 10% do PIB em educação, apesar do senso comum criado em torno disso, não é uma panaceia. A propósito, apenas colocar mais dinheiro público na área sem uma mudança gerencial pode fazer com que continuemos ruins – só que extremamente caros. Do ponto de vista corporativo, é o pior dos mundos.

 P.S.: Adolfo Sachsida, economista e um dos entrevistados doFrente a Frente com o Marcão, fez um comentário bem resumido (e esclarecedor) sobre o assunto. Clique aqui.

P.S. 2: Confira a planilha no Excel que elaborei o gráfico de dispersão aqui.

O artigo acima foi originalmente publicado no link http://minutoprodutivo.blogspot.com.br/2014/06/e-se-eu-disser-que-educacao-com-10-do.html

A nova série de ataques a Rachel Sheherezade

O texto de hoje da “Coluna do Leitor” trata de um caso exemplar da ação desesperada do grupo no poder contra as vozes contrárias: pegaram um fato bizarro e absurdo do cotidiano, mas de certa forma comum (linchamentos são comuns no Brasil, já mostramos aqui) para tentar mais uma vez destruir a reputação de Rachel Sheherazade. Para explicitar a imoralidade e farsa desse levante, o leitor Tom Martins nos enviou esse artigo:

A nova série de ataques a Rachel Sheherazade

Culpar Rachel Sheherazade pelo linchamento que ocorreu no Guarujá é a nova estratégia esquerdista para jogar na lama o nome da única jornalista que criticava o governo sem medo.

Linchamentos sempre existiram, em qualquer época, em qualquer lugar, especialmente os menos civilizados. A diferença é que hoje em dia há câmeras por todos os lados e um projeto de poder em execução.

O que ocorre numa favela quando um estuprador ou pedófilo é descoberto? O infeliz é linchado. Se a polícia consegue prender o meliante a tempo, ele será linchado até a morte na cadeia pelos próprios presos.

Rachel Sheherazade NUNCA falou que linchamentos seriam corretos e louváveis. O que ela disse foi:

“Num país que ostenta incríveis 26 assassinatos a cada 100 mil habitantes, que arquiva mais de 80% dos inquéritos de homicídio e sofre de violência endêmica, a atitude dos vingadores é até compreensível.”

Compreensível: do latim: comprehensibilis. Que se consegue compreender; passível de compreensão; fácil ou acessível. Que pode ser percebido; inteligível.

Será tão difícil entender que “compreensível” é diferente de “aceitável” ou “justificável”?

Temos 50 mil homicídios por ano. Destes, 8% chegam a ser elucidados e menos de 3% chegam ao cumprimento da pena.

A impunidade incentiva tanto os bandidos comuns, tratados como “vítimas da sociedade”, quanto os de colarinho branco, devido ao labirinto legal que só permite o acesso àqueles que podem pagar bons advogados. A certeza da impunidade é tamanha que os linchadores e demais cúmplices, muitos deles menores de idade, não hesitaram em postar o vídeo na internet.

Some-se isso a uma polícia mal-treinada, mal-equipada, mal-paga e sem plano de carreira (cuja presença ostensiva nessa mesma favela também seria criticada pela elite bem-pensante), à cultura pró-banditismo que, de “Capitães de Areia” até “O Homem que Copiava” faz dos bandidos mocinhos e vice-versa, ao “jeitinho brasileiro”, ao culto à malandragem e a um povo que levanta 2 milhões de reais em uma semana para pagar a multa de criminosos condenados e temos então esse estado de coisas.

Não é possível culpar um comentário de menos de 1 minuto num telejornal de baixa audiência pelo estado de anomia em que vivemos.

Se culpar Rachel Sheherazade pelo linchamento do Guarujá já é de uma torpeza infame, o próprio ato de se usar uma tragédia horrenda como essa para fazer terrorismo político-ideológico é algo ainda mais asqueroso e patológico.

A campanha contra essa jornalista é incentivada e levada a cabo pelos pontas-de-lança governistas: Sakamoto, Emir Sader, Paulo H. Amorim, Mino Carta, Lola, Boechat, absolutamente TODOS repercutem essas acusações caluniosas e mentirosas.

Não vemos 1% da indignação contra essa jornalista quando o discurso não é conveniente para a esquerda, por exemplo, quando um traficante negro amarrou um ladrão branco num poste e o espancou com fio de cobre, nem quando um professor universitário publicou que desejaria que Rachel Sheherazade fosse estuprada nesse ano de 2014, quando um casal gay abusou continuamente do afilhado, quando cristãos são crucificados na Síria, quando o blog da Dilma associou Joaquim Barbosa a um macaco, etc.

Se a acusação que pesa contra a jornalista é de apologia ao crime, então temos que considerar qualquer discurso abortista e pró-maconha criminoso e pedir a prisão daqueles que assim apregoam, pois ambas são práticas criminosas. A acusação de “apologia ao crime” é perigosíssima no que tange às liberdades individuais.

Cabe notar que, se Rachel Sheherazade tivesse mesmo cometido um crime, ela seria processada e condenada e acontece que ela não foi e nem será, simplesmente porque uma ação desse tipo não se sustenta nos tribunais.

Por isso o PT, que ameaçou cortar verbas de publicidade do governo caso o SBT não calasse Sheherazade, não está satisfeito. Sua estratégia sórdida de calúnias e difamações apenas começou.

SilvioSantos_Rachel

Sucesso popular e opiniões contundentes: a esquerda se sentiu ameaçada

Num país onde a mentalidade esquerdista é hegemônica, É COMPREENSÍVEL que, ao invés de atermo-nos aos estudos para desvendar assim as causas da criminalidade e, dessa maneira, tentarmos melhorar nossa condição de país atrasado e subdesenvolvido, sejamos obrigados a gastar energia explicando o óbvio e desfazendo mal-entendidos propositais, plantados com a única finalidade de assassinar as reputações de opositores do governo.

Segue abaixo uma lista de frases de autores admirados por aqueles que estão empenhados em linchar Rachel Sheherazade:

“MEUS VOTOS PARA 2014: que a Rachel Sherazedo seja estuprada.” (Paulo Ghiraldelli)

 “VOTOS PARA 2014: que a Rachel Sherazedo abrace bem forte, após ser estuprada, um tamanduá.” (Paulo Ghiraldelli)

 “Mais do que uma escolha pelo crime, a opção de muitos jovens pelo roubo é uma escolha pelo reconhecimento social. Um trabalho ilegal e de extremo risco, mas em que o dinheiro entra de forma rápida.” (Leonardo Sakamoto, blogueiro recentemente convidado para o programa “Esquenta”)

 “A classe média é uma abominação política, porque ela é fascista, uma abominação ética, porque ela é violenta, e ela é uma abominação cognitiva, porque ela é ignorante.” (Marilena Chauí)

“Não precisamos de provas para executar um homem – precisamos apenas de provas de que é necessário executá-lo. Nossa missão não é providenciar garantias judiciais. Nossa missão é fazer a revolução.” (GUEVARA, Che in: Llano, Victor, “El Carnicerito de La Cabaña”, Libertad Digital, 22 de novembro de 2004)

 “Para mandar homens para o pelotão de fuzilamento, provas judiciais são desnecessárias. Esses procedimentos são detalhes burgueses arcaicos. Isto é uma revolução. E um revolucionário precisa se tornar uma máquina assassina brutal, motivada por puro ódio. Precisamos criar a pedagogia do paredón!” (GUEVARA, Che in: FONTOVA Humberto, “Che Guevara: Assassin and Bumbler”, 23 de fevereiro de 2004, disponível em www.newsmax.com)

 “Louco de fúria, mancharei meu rifle de vermelho enquanto trucido qualquer inimigo que cair nas minhas mãos! Minhas narinas se dilatam enquanto saboreio o odor acre de pólvora e sangue. Com as mortes dos meus inimigos, preparo meu ser para a luta sagrada e me uno ao proletariado triunfante, com um uivo bestial.” (GUEVARA, Che. Diarios de Motocicleta)

ONU afirma: porto cubano financiado por Dilma é usado em contrabando de armas para Coréia do Norte

Chega pela “Coluna do Leitor” um artigo-bomba publicado no blog “Comedia Globale” que será replicado aqui na íntegra:

Relatório da ONU confirma: Porto de Mariel em Cuba vem sendo usado para contrabando de armas para a Coréia do Norte.

MarielUm relatório de peritos do Conselho de Segurança da ONU publicado em 6 de Março desse ano revela detalhes de como o porto de Mariel, recentemente reformado pelo conglomerado brasileiro Odebrecht com aporte de recursos do BNDES da ordem de US$ 900 milhões e forte articulação política do governo brasileiro, foi usado para o contrabando de 240 toneladas de armas, incluindo mísseis e armamento pesado, para a Coréia do Norte.

O relatório explica, inclusive, o porquê de Porto Mariel ter sido escolhido para essas transações criminosas, de modo a impedir a detecção da carga ilegal e evitar o seu rastreamento.

Confira o artigo que repercutiu essas descobertas:
http://www.capitolhillcubans.com/2014/03/why-odebrechts-port-was-chosen-for.html. Segue trecho:

“Mariel is being developed as a major deep-water port and free trade zone by a Cuba-Brazil consortium, with the Cuban military controlled Almacenes Universal S.A. The port was previously a submarine base and its development was formally opened on 27 January 2014.”

The Cuban military’s Brazilian partner in this consortium is the conglomerate, Odebrecht.

So why was the Port of Mariel specifically chosen (as stated in the report) for this illegal smuggling operation?

Obviously, because the Cuban military felt comfortable enough with its Brazilian partner, Odebrecht, to think that it could get away with such dangerous shenanigans.

E o mais importante (fontes primárias), o próprio relatório da ONU que denuncia a operação: http://www.un.org/ga/search/view_doc.asp?symbol=S/2014/147

Recomendo especial atenção aos anexos do relatório, especialmente do anexo IX ao XXI.

Que o governo brasileiro se aproximou das maiores ditaduras do mundo nos últimos anos não é novidade. Irmãos Castro, Chávez, Kadhafi, Bongo, al Bashir, Morales, dinastia Kim, entre outros ditadores são parceiros do governo brasileiro tomado pelo Partido dos Trabalhadores.

Mas nesse caso coisa é tão grave que ultrapassa a discussão interna, na qual o impeachment seguido de intensas investigações e cadeia para os envolvidos seria a saída mais óbvia. Entramos na seara dos crimes internacionais de guerra.

Bem-vindos ao Eixo do Mal.

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