Coluna do Leitor

@reaconaria

O Verdadeiro Golpe, por Filipe G. Martins

O choro petista já ecoa por toda a internet. Os comentários isentos daquele seu colega imparcial que coincidentemente sempre tem uma palavrinha de apoio para o PT nos momentos de crise já pipocam por todos os cantos, e, à esta altura, você já leu e ouviu duzentas e dezoito variações do mesmo slogan fabricado para convencer os desavisados de que impeachment é golpe. Pois bem, deixem-me lhes contar duas ou três coisinhas sobre o impeachment.

É compreensível que aos olhos tímidos de um país acostumado a assistir a algazarra da classe política com a mais dócil e apalermada das posturas o impeachment pareça uma medida radical e extrema. Mas a realidade é que a velocidade dos tempos atuais e a instantaneidade com que se consumam e conhecem os fenômenos e as ações políticas revelam que, longe de ser um mecanismo radical ou extremo, o impeachment é um dispositivo lento e pouco eficaz para o controle e a responsabilização dos boçais, que via de regra, nos governam. Poucas pessoas se dão conta, mas o que o impeachment oferece em um lento processo que chega a durar alguns meses pode ser obtido dentro de algumas horas e sem qualquer trauma nos afortunados países que vivem sob um regime parlamentarista. Da mesma forma, dispositivos mais modernos como o recall e a moção de censura resolvem em alguns dias o que essa velharia constitucional que é o impeachment levaria um semestre inteiro para resolver.

Estivéssemos nós em um país um pouco mais decente, teríamos à nossa disposição algum desses mecanismos para defenestrar da presidência, de forma muito mais rápida e de uma vez por toda, a estocadora de ventos que nos governa. O impeachment, no entanto, em que pese ser uma velharia mais adequada ao museu das antiguidades constitucionais, é o processo que está consagrado em nossa Constituição.

Portanto, que se tire o pó e se desenferruje o instrumental do impeachment, pois já passou da hora de colocá-lo em funcionamento para destronar os facínoras que nos governam. Afinal, políticos e burocratas estão aí para serem higienicamente descartados tão logo cometam a imprudência de abusar do poder de que foram investidos. A Magna Carta já é uma senhora de 800 anos e a Revolução Americana uma tiazona de 240, mas no Brasil muitos ainda parecem não ter entendido que a classe política deve ser constantemente controlada pela população e, sempre que necessário, responsabilizada e punida – e, acreditem, quando somos governados por tipos como Delcídio Amaral, Zé Dirceu, Renan Calheiros, Dilma e Lula, essa necessidade é constante.

Parem de defender políticos corruptos e autoritários e entendam de uma vez por todas que não há nada mais democrático do que responsabilizar os medíocres que nos governam e que, no cenário atual, o único golpe que pode ocorrer é a blindagem da Presidente contra a punição constitucional dos crimes que ela cometeu contra a nação.

Se você é contra o impeachment da Dilma, o golpista é você.

Filipe G. Martins é estudante de Relações Internacionais e analista de políticas públicas

80 anos da Intentona Comunista

Completaram-se nesta semana 80 anos da Intentona Comunista. Em 23 de novembro de 1935, militares comunistas se rebelaram em Natal, onde estabeleceram um governo provisório. Houve levantes em Recife, no dia 24, e no Rio de Janeiro, no dia 27. Os revoltosos foram derrotados rapidamente, não sem antes fazerem muitas vítimas entre os militares legalistas.

A Coluna do Leitor de hoje, escrita pelo Coronel Reformado do Exército Brasileiro Marco Balbi, é um testemunho pungente da cerimônia realizada no Rio de Janeiro para lembrar dos mortos pela violência política dos que queriam transformar o Brasil em uma ditadura comunista.

Mais fotos da celebração podem ser vistas aqui.

80 ANOS SE PASSARAM! E ELES NÃO SE DESCULPARAM!

Não há como participar da solenidade em que se homenageiam os mortos na Intentona Comunista de 1935 e não se emocionar. Ao ouvir a chamada nominal dos militares cujos restos mortais encontram-se depositados no mausoléu erigido especialmente com esta finalidade e responder PRESENTE, em uníssono com todos, assistência e tropa, após a anunciação dos nomes, o toque de silêncio pungente do clarim e a salva de honra fazem a alma do cidadão, antes mesmo da alma do soldado, sofrer um frêmito. Não importa quantas vezes você tenha assistido, na ativa ou na reserva, esta será a sensação.

Lembremo-nos que cerimônias semelhantes ocorrem nas cidades de Natal e do Recife onde muitos tombaram, civis e militares, sem que até hoje a história tenha precisado o número. E o Rio de Janeiro, então Capital Federal, onde pretendiam obter pleno êxito. Foi a primeira tentativa de tomada do poder. Não alcançaram sucesso, mesmo agindo traiçoeiramente, assassinando companheiros dormindo, mercê da reação da tropa e da absoluta falta de apoio da sociedade.

Os comunistas tentariam novamente, sendo rechaçados mais uma vez pela reação democrática de março de 1964. Os comunistas retornariam com ações armadas, desencadeando uma guerra interna no período 1968/1974. Os agentes do Estado reagiram e contando com o apoio da sociedade os derrotaram, militarmente. Os comunistas, anistiados, retornaram as suas atividades e reescreveram a história. Mas, como ontem, continuam sendo repudiados pela maioria da sociedade brasileira.

A alocução que principiou a cerimônia frisou esta mensagem, valendo-se do exemplo da história, como ensinamento para as atuais e futuras gerações: o Brasil e os brasileiros não aceitam ideologias estrangeiras espúrias, cujos princípios não se coadunam com os da imensa maioria do povo brasileiro, onde as Forças Armadas selecionam os seus quadros funcionais.

80 anos se passaram! Muitos partidos políticos com ideologia exógena nos seus postulados participam da vida nacional. Quase todos têm a sua origem nas primeiras agremiações comunistas, as mesmas que causaram as mortes que ainda hoje se pranteia. Nunca se desculparam!

As Forças Armadas, ativa e reserva, homenagearam hoje os seus membros que morreram pela Pátria. Poucas profissões no mundo obrigam este supremo sacrifício aos que nelas se engajam. Jovens soldados, experientes chefes militares, em expressivo número, cumpriram com o seu dever cívico nesta ensolarada manhã. Não os esqueceremos, jamais!


Marco Antonio Esteves Balbi – Coronel Reformado EB

Marco Balbi

Limpeza

Marginais do movimento feminista picharam a Catedral da Sé, no Centro de São Paulo, para protestarem. Algumas pessoas de bem se dispuseram a, em meio a um feriado prolongado, limpar a sujeira criminosa com as próprias mãos. Dentre eles estavam alguns conhecidos nossos de longa data. como Paula Rosiska, que nos enviou seu depoimento:

LIMPEZA

Que ódio.

Foram as duas palavras que consegui escrever quando vi no Facebook do Thomaz as pichações feitas pelas feministas na Catedral da Sé.  Sou uma pessoa prolixa. Costumo falar muito e escrever pouco menos que isso. A tristeza e a revolta foram tamanhas, que não consegui encontrar palavras para expressá-las.

Naquele exato lugar onde, semanas atrás, um homem fora assassinado por defender de um assalto uma mulher que nem conhecia as feministas foram fazer seu protesto manjado, sujo, boçal. E a troco de que protestar contra o evangélico deputado Eduardo Cunha numa igreja católica em São Paulo? Por que não foram a Brasília? Por que não levaram faixas para o MASP, como fazem todos os que protestam aqui? Seria ignorância ou má-fé (trocadilho, por favor)? A maldade é aliada da estupidez e eis uma dupla exímia para destruir reputações, patrimônio e paz de espírito. Não somente os católicos foram desrespeitados, mas todos os moradores desta cidade. E nada aconteceu a elas.

Recebi o convite do ilustre Gil Diniz, o Carteiro Reaça, para ajudar na remoção da sujeira. Um grupo havia iniciado o trabalho no domingo, mas eis uma tarefa que exige paciência. As paredes da Sé são muito porosas, absorvem tinta com facilidade. É coisa para semanas.

No dia de Finados levamos nossas luvas, removedores, esponjas, palha de aço e qualquer coisa que parecesse eficiente para remover aquela tinta. Dois momentos me foram especialmente marcantes. O primeiro foi quando um jovem viciado, daqueles que vivem nos arredores da Sé, nos viu no batente e veio pedir para ajudar. Nitidamente sob efeito de algo que o deixava mais lento, ainda assim trabalhou com afinco e deu palpites sobre tudo. Quase gerenciou a nossa força-tarefa. Mas quando apareceu o padre para nos dar a bênção especial de agradecimento, que recebemos com o material de limpeza nas mãos, o garoto se calou e rezou junto. Depois foi acolhido pelo padre, com quem saiu conversando.

Ao término de uma das missas, alguns fiéis nos viram lá e pediram “permissão” para ajudar. Uma senhora se apresentou como doméstica “com prática em limpeza pesada” e ficou por lá. Quando estávamos indo embora, ela perguntou ao Thomaz se ele era maestro. Diante da confirmação, ela seguiu: “Canto no coral aqui e já me apresentei com a sua orquestra”. De fato, há anos ele rege a Filarmônica do SENAI SP na Missa de Páscoa da Sé. E isso a deixou espantadíssima, pois como um maestro sujaria as mãos com aguarrás para limpar paredes?

Postamos as fotos do encontro e elas foram rapidamente compartilhadas sob uma chuva de elogios ao ato. E aqui cabe explicar a divulgação: foi um ato político, não de caridade. Sabemos que a mão esquerda não precisa saber o que fez a direita, mas, no caso, foi uma reação civil muito mais do que religiosa.  Aquele lugar não foi atacado aleatoriamente, mas escolhido justamente pelo que simboliza. No entanto, ao passo que seu ataque vil causou repugnância – o que é péssimo quando se quer mobilizar pessoas para uma causa -, a nossa resposta causou comoção. Acredito que aparecerão mais pessoas para continuar o trabalho no próximo final de semana.

Quanto às muitas mensagens elogiosas à nossa atitude, somos gratos, mas garanto que não foi sacrifício algum. Estávamos entre pessoas da melhor qualidade – muitas conhecemos lá – ouvindo as lindas músicas da missa, com a maior alegria de poder responder a algo que abominamos agindo justamente ao contrário de quem depredou aquele lugar em nome de uma causa. Esfregar aquelas paredes até as luvas e as esponjas se rasgarem foi também simbólico: nossa alma ficou limpa.

Limpeza_Se

Paula Rosiska fala muito, não tem medo de faxina, mas foge de feministas. No Twitter @paularosiska

Mais fotos aqui.

Resumo da primeira prova do ENEM 2015

O médico e advogado Sergio Nunes faz um comentário sobre os temas da primeira prova do ENEM 2015.

Sobre o ENEM. Julguem por si mesmos.

Dei uma breve analisada nas 45 questões de ciências humanas, e separei alguns autores citados e temas mencionados. Será que os jovens estão sendo treinados para analisarem as diversas visões de mundo? Ou apenas uma?

A questão aqui não é contradizer ou discutir a opinião de algum autor específico, ou ainda algum tema, mas mostrar que apenas um lado é discutido. Seguem alguns citados e alguns temas:

– Nada como começar com o filósofo Slavoj Zizek, uma das estrelas do marxismo atual, que nesta prova, emergiu com um texto propondo um ato de alteridade, comparando a ação do exército americano com o terrorismo do Talibã.

– David Harvey, geógrafo marxista que propõe a ocorrência de um cataclisma no sistema de produção capitalista (não especificamente na questão desta prova).

– Karl Mannheim, muito influenciado pelo marxismo, apesar de posteriormente se afastar da hipótese de violência revolucionária. Estudou em um Grupo de estudos de Lukács. Na questão, obviamente propõe que a visão individual é condicionada pela sociedade.

Simone de Beauvoir, com suas ideias feministas, arguida por ter sido ao mínimo colaboracionista com o regime nazista, com algumas idéias que podem associar-se com pedofilia e misandria.

– Robert Reich, democrata americano que, contra todas as evidências empíricas, propõe uma hipótese de relação inversamente proporcional entre capitalismo e democracia. Para ele: “tax are the price we pay for a civilized society”. Se posiciona criticamente a teias globais.

– Milton Santos, geógrafo com posições antiglobalização, anticapitalismo, antiburguesia, pró-socialismo.

– Agostinho Neto, antigo governante de Angola de partido de esquerda, inicialmente marxista, posteriormente centro-esquerda.

– Maria da Glória Gohm, professora de educação da Unicamp, defensora dos Conselhos Populares e do MST.

Paulo Freire, que dispensa apresentações, um dos pilares da falha educacional no país, com sua educação libertadora, que não educa e nem liberta.

– Sidney Chaloub, historiador da Unicamp, que afirma: ” O governo Dilma foi exemplar nesses quesitos. Por conseguinte, a hipocrisia de caluniá-lo por isto é especialmente danosa à democracia e ao atual processo eleitoral”.

– Ali Masrui, apesar de crítico do comunismo na África, porém também é crítico do capitalismo e neoliberalismo no continente, com posições contra Israel.

– Jacques Le Goff, que se considerava “um homem de esquerda”.

– Muniz Sodré, que integra(ou) o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do governo, votou em Lula, apesar de tecer algumas críticas recentes.

– Porto Gonçalves, membro do Grupo Hegemonia e Emancipações do Conselho Latino-americano de Ciências Sociais (Clacso). Colunista (ou ex) da Revista Carta Maior.

– Nicolau Sevchenko, que afirmou sobre a elite: “esse processo como uma espécie de estratégia dos grupos dominantes para manter o sistema de privilégios nos quais estão encastelados desde a colônia”. Fala a favor de grupos civis que são críticos a biotecnologia.

– Wlamyra Albuquerque, pesquisadora que, dentre seus artigos, escreveu para revista Perseu, da Fundação Perseu Abramo do Partido dos Trabalhadores (PT).

– Lilia Morics Schwarz, professora da FFLCH, também empática ao conceito de conflito de classes e preconceitos, favorável a cotas.

– Ziraldo, que aparece com uma charge, não sendo demais afirmar que integrou comitiva com a Dilma, e diz que a ama.

– Sergio Buarque de Holanda , vinculado à esquerda .

– James Rachel, com tendências utilitaristas, defensor de ações afirmativas e idéias vegetarianas .

– Cita a publicação Caros Amigos, de tendência óbvia.

– De formação clássica, os únicos autores citados que detectei foram David Hume e São Tomás de Aquino.

– Em relação aos temas, várias questões ambientais, a proposição de grupos criminosos como o MST como forma de atuação democrática, questiona a direção econômica da China como oposição à extinção de classes, aborda a crise de 2008 com epicentro nos EUA esquecendo da crise atual com epicentro AQUI mesmo.

Ressalto que a questão no momento (isto pode ser feito em momento oportuno) não é combater qualquer um dos aspectos acima, uma vez que os estudantes devem conhecer todos os lados e abordagens, mas sim mostrar que os estudantes têm tido acesso apenas a uma visão de mundo, sendo tolhidos de maiores incursões em uma cultura mais geral. Mostrar também mais uma ingerência ideológica governamental na educação dos jovens.


Sergio Nunes, 39, é formado em Direito pela USP e em Medicina pela Santa Casa de São Paulo e Mestre em Direito Econômico. Atualmente, é professor da Academia de Polícia de São Paulo e palestrante eventual da Escola Superior de Guerra.

Coluna do Leitor: Alguma coisa aconteceu – não aconteceu nada

A coluna de hoje é do excelente Thiago Capanema. Confira:

thiago

“Eis uma constante histórica e sociológica: há canalhas e idiotas em todas as épocas e lugares. Engrosso a lista com os pederastas e miseráveis. A fome e a idiotice parecem ser anteriores ao homem. Mas deixemos a compreensão de tal enigma de lado por ora para que possamos nos ocupar de uma variante muito mais enigmática: o gênio.

Onde nasce, o que estuda e do que se alimenta o gênio? Seria o gênio fruto do acaso, talhado pelo esforço; ou resultado do feliz casamento de ambos? Ah, enquanto faço-me estas perguntas logo caio em desânimo. Mudemos o objeto para algo menos raro. Esqueçamos o gênio. Quero falar do grande homem. Então, que seja feita a distinção: Beethoven foi um gênio, Silvio Santos, um grande homem. (Não quero me alongar muito).

Para afunilar mais o nosso objeto, afunilemos, também, nosso espaço geográfico: que o resto mundo se exploda, para que nos detenhamos no Brasil. Da extensão completa do globo para a nossa pátria, ainda retemos duzentos milhões de habitantes e 8.515.767 km². Entre tanto espaço e centenas de milhares habitantes se escondem os nossos grandes homens. Mas ainda nos falta o último dado da equação: o tempo. Limitemo-nos aos últimos trinta anos de nossa história — e não se fala mais nisso. (Falo no plural majestático porque estou convidando o leitor a uma jornada).

Não sei se aflige a muitos esta constatação: não restará ao Brasil mais ninguém a ser enterrado depois de mortos Roberto Carlos (72), Silvio Santos (83) e Pelé (73). E o que resta a um país órfão de um grande enterro, senão o enterro dele próprio? — Mas não desanimemos tão cedo. Noto que nossos grandes homens efervescem em todas as áreas: entre Roberto, Silvio e Pelé abarcamos a música, o empreendedorismo e o esporte, respectivamente. Mas, para os fins de nosso estudo, gostaria de focar na área cultural — uma área em que já não temos a quem enterrar (2014 nos levou João Ubaldo Ribeiro e Ariano Suassuna).

Eis a pergunta que aflige: — Onde está nosso grande romancista? Nosso grande poeta? Nosso grande teatrólogo?


Todos estão mortos

Se saltarmos cinquenta anos em direção ao passado obteremos uma boa lista dos que estavam vivos e atuantes em nossa cultura: Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Murilo Mendes, Jorge de Lima, João Cabral de Melo Neto, Cecília Meireles, José Geraldo Vieira, José J. Veiga, José Lins do Rego, Marques Rebelo, Graciliano Ramos, Herberto Sales, Josué Montello, Antonio Olinto, João Guimarães Rosa, Jorge Andrade, Nelson Rodrigues, Gustavo Corção, Vicente Ferreira da Silva, Mario Ferreira dos Santos, Miguel Reale, José Honório Rodrigues, Gilberto Freyre, José Guilherme Merquior.

Morreram todos. Nasceram muitos e ninguém lhes ocupou o lugar. Ou ainda: os que ocuparam os espaços já não são mais romancistas, poetas, cientistas sociais ou filósofos, mas simulacros, imitações, sombras disformes que nada têm a ver com o valor e estatura dos falecidos.

Mas percebo que carrego no tom da tragédia e corrijo-me. Nascido em 1986, nada sinto neste vácuo, tão acostumado estou à baixaria. Gostaria de consagrar-me à vida intelectual, mas me debato entre a Arte, a Verdade e a putaria mais grosseira. Não sei se leio Shakespeare ou se tomo uma cerveja (o bardo sempre perde), não sei se escrevo um grande romance ou se faço uma montagem muito louca para publicar no Facebook, não sei se decoro um soneto de Bocage ou se, “fiado no fervor da mocidade, / que me acena com tesões chibantes, / consumo da vida os meus instantes / fodendo como um bode”.

Um dia — não sei se já lhes contei esta história —, tinha eu vinte e cinco anos, e senti-me como que arrebatado para o dever da vida intelectual. Depois de dez anos de vadiagem, senti-me preparado a receber, aceitar e talhar o dom que me fora dado por Deus. Queria ser um estudioso, um escritor, e a primeira coisa que eu fiz para concretizar o chamado divino foicomprar um cachimbo (em que pese o atenuante da ingenuidade, não me ocorreu nem por um segundo que eu deveria, por exemplo, ler alguns livros…). O cachimbo pareceu-me perfeito e, durante muito tempo, fui escritor e intelectual sem escrever nada, sem ler nada, apenas pitando e baforando, com o olhar perdido a mirar o horizonte.

Mas voltemos aos mortos. Dizia eu que todos morreram e que, por não ter convivido com eles, mal sentia sua ausência — por convívio quero também dizer que não os li suficientemente para que sua presença se impregnasse em mim. Em guerra contra a cerveja, o Facebook e a bronha, tento esforçar-me para conviver e participar da vida do espírito.

Empreendo este esforço para tentar entender para onde foram nossos grandes homens, ou melhor — por que eles nunca vieram? Não somos exigentes. Ninguém está pedindo um Dostoiévski (um Dostoiévski é fruto de uma sucessão de desgraças e nenhum brasileiro estaria disposto a enfrentar uma Sibéria para se tornar um grande romancista), mas um novo Nelsinho Rodrigues, não vem? Uma meia dúzia que soubesse usar uma figura de linguagem, uma metáfora, que dominasse a gramática? E eis que nos deparamos com uma triste constatação: não temos nem a metáfora, somos um país solitário de metáforas.

Tudo isto faz com que eu continue me perguntando sobre o que aconteceu e, cada vez mais, a voz da pergunta dá lugar a uma voz que repete-me, insistentemente: — não aconteceu nada, não aconteceu absolutamente nada.

Clamo, portanto, a análise de um grande homem, de uma grande solidão que estudou e ainda estuda, incansavelmente, durante quarenta anos. Um homem nascido nesta pátria. Na primeira aula de seu curso “Princípios e Métodos da Auto-Educação”, Olavo de Carvalho disse:

“Quantos homens de talento são necessários para escrever um bom romance? — Um. Portanto, nenhum fenômeno coletivo pode explicar a falta desse indivíduo. A única explicação possível é: ninguém fez porque ninguém quis, e ninguém quis porque ninguém teve a idéia de fazer. Isto é uma constante histórica: não há causas para o que não aconteceu. O que não aconteceu, não aconteceu porque ninguém fez acontecer. Não há explicação para isto. Houve uma omissão, uma desistência e uma demissão generalizada. É possível descrever fatores externos que desestimularam as pessoas, mas desestimular é uma coisa e impedir é outra completamente diferente.”

Um homem que se pergunta o que aconteceu com o seu país é um homem que se pergunta “o que aconteceu e o que está acontecendo comigo?”. No caso brasileiro, posso me considerar um espelho da pátria: minha vida e obra é um compêndio de trinta anos em que nada aconteceu, porque eu não fiz nada acontecer. Mas noto que, injustamente, exijo que algo de bom aconteça: que a força do espírito seja soberana numa paisagem onde impera a inércia. A minha história, como a de tantos, é a de um filho que fugiu à luta, para que permanecesse deitado eternamente em berço esplêndido.”

Coluna do Leitor: Eu era contra o impeachment

Nosso leitor João Paulo nos enviou um texto sobre sua mudança de opinião em relação ao impeachment da presidente da República. Confira:

“Eu era contra o impeachment, contra a cassação do mandato no TSE e outros eufemismos jurídicos. Tinha e tenho medo de o país cair na escuridão do imponderável com a segunda destituição prematura de um presidente da República em pouco mais de vinte anos, a atual democracia brasileira é 1985 e a atual Constituição de 1988. Ou seja, uma jovem democracia. Apesar disso, porém, não concordava com essa coisa de petistas, defensores do governo e “não sou PT, mas” de acusarem quem defende o impeachment da presidente de golpista. Pior: essa tese foi abraçada pela presidente Dilma na entrevista para Folha. Não é golpe ou coisa do gênero. Está na Constituição e na Lei 1079/50, a Lei do Impeachment: Define os crimes de responsabilidade do presidente (a) da República e regula o respectivo processo de julgamento.

Resolvi apoiar o impeachment, mesmo não sabendo o que será depois, porque o governo na pessoa da excelentíssima presidente errou e cometeu crime de responsabilidade. Não adianta alegar que outros governos fizeram a mesma coisa. Vai apenas atestar o crime e mesmo assim é frágil. Um erro não justifica o outro. É casuísmo levantarem essa questão das ditas “pedaladas fiscais” nesse momento crise política, econômica, a popularidade de Dilma no “volume morto” existindo contas de governos passados sem análise na gaveta do Congresso? Pode ser, mas isso também não justifica não analisar as contas de 2014 do governo federal.

Pego o gancho da crise política, econômica e a baixa popularidade da presidente para entrar na minha justificativa e do por que resolvi apoiar a destituição de Dilma Rousseff antes de terminar o seu segundo mandato.

Estelionato eleitoral, inflação descontrolada perto dos dois dígitos, desemprego aumentando, operação Lava-jato, popularidade do governo e da presidente Dilma no fundo do poço. Não tem como o país superar essa crise política e econômica com Dilma no Planalto. É como disse o senador Cristovam Buarque (PDT/DF), em entrevista ao Correio Brasiliense: “É inegável que há um clima de fim de governo Dilma”. O governo envelheceu antes do tempo, não mostra saída segura para superar esse clima pesado provocado por erros do primeiro governo Dilma.

Só um governo novo pode oxigenar e trazer novidades positivas. Ou negativas, mas desse governo a chance de sair algo novo é quase zero. O melhor era um ato altruístico da presidente Dilma, ela renunciar aos três anos e meio que ainda tem direito. Como acho difícil disso acontecer, se o TCU julgar que o governo feriu a Lei de Responsabilidade Fiscal, o Congresso Nacional confirmar, que seja feito o que está na lei. A lei manda que a Câmara dos Deputados afaste o presidente e o Senado Federal julgue o seu mandato. Sem choro nem vela. O rigor da lei tem que ser para todos.”

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Em defesa de um filme ou O Jardim das Aflições e seus inimigos

O amigo Josias Teófilo* nos enviou um texto sobre sua nova empreitada: fazer um documentário sobre o filósofo Olavo de Carvalho.

Com muita oposição da classe artística e “da cultura”, ele busca apoio dos alunos e das pessoas que gostam do trabalho do professor Olavo para realizar essa obra.

Leia o texto sobre as polêmicas, desafios e motivações desse projeto:

Em defesa de um filme ou O Jardim das Aflições e seus inimigos

No contexto do cinema brasileiro atual, deve ser mesmo chocante a notícia – assim, repentina – de que um sujeito está fazendo um filme sobre Olavo de Carvalho. Ainda mais vindo de alguém do Recife, terra da geração mais visceral e engajada (na esquerda, naturalmente) do cinema nacional. Até que dá pra entender: depois de Alberto Cavalcanti, Glauber Rocha, Leon Hiszmann, Joaquim Pedro de Andrade, deve ter parecido que ser de cinema no Brasil é ser de esquerda. Ainda mais no Recife de Chico Science. Quando alguém inventa de fazer um filme sobre Olavo de Carvalho, tido como maior cabeça da direita brasileira (rótulo que ele não aceita), deve ter havido um choque. Eu mesmo tive experiência curiosa de contar para um recém conhecido, como reproduzo abaixo:

–          O que você faz?

–          Faço cinema.

–          Estuda cinema?

–          Não, to fazendo um filme.

–          Ah é? Qual filme você está fazendo?

–          Se chama O Jardim das Aflições. É um documentário de longa-metragem sobre Olavo de Carvalho.

–          Sobre quem?

–          Sobre Olavo de Carvalho.

–          Quem? Olavo de Carvalho? Olavo, do Youtube, Olavo?

–          Sim, esse mesmo.

–          :O

O filme que não deveria existir

Aos poucos, me foram chegando algumas reações: a primeira de um sujeito que trabalha com cinema no Recife, Fábio Leal, que disse que um filme sobre Olavo de Carvalho não deveria existir, e veio com aquela velha história de que a direita é homofóbica e tal. Me chamou atenção um sujeito que trabalha com cinema dizer que o filme de um colega não deveria ser feito – ainda mais com esse tipo de argumento. Ora, será que ele falou algo semelhante quando Walter Salles fez Diários da Motocicleta, sobre Che Guevara (aquele que fez campos de trabalho forçado para homossexuais e os assassinava somente por suas escolhas)? Acho muito difícil. É que, como escreveu Eric Rohmer, é preciso fazer um primeiro ato de fé na esquerda, depois da qual tudo é permitido. O próprio Fábio Leal não se constrangeu em apoiar Dilma Roussef, essa que financia a peso de ouro a ditadura cubana que ainda hoje persegue homossexuais, nem deve ver problema nenhum em citar Paulo Freire ­– que defendeu até morrer ditadores que mataram milhares e milhares de homossexuais no século XX e cujos herdeiros ainda o fazem, como Putin, por exemplo, um ex-agente da KGB. No dia 20 de agosto, durante as manifestações a favor do PT, foi gravado um vídeo em que os manifestantes – com estrelinha do PT no peito – pediam pena de morte para gays, na mesmíssima semana em que David Cameron, primeiro ministro conservador do pais mais conservador do mundo, se manifestava a favor do casamento gay. É um estranho mundo esse, não é mesmo?

Mas existe ainda um elemento curioso a se notar no comentário de Fábio Leal que merece uma reflexão. Pelo que ele falou, deve estar pensando que eu vou retratar Olavo falando de política, do PT, de casamento gay ou outras atualidades – aliás, muita gente deve estar pensando isso. Eu precisaria ser um imbecil para fazer um filme sobre atualidades com um filósofo como Olavo de Carvalho, autor da Teoria dos Quatro Discursos, O Jardim das Aflições e O Futuro do Pensamento Brasileiro – para criticar o PT e falar de atualidades bastaria pegar qualquer um que aparecesse na rua. Esse tipo de gente costuma compreender os projetos dos outros pela própria baixeza e restrição mental. Kleber Mendonça Filho respondeu a ele dizendo que um filme de direita pode ser interessante como contraponto. Como assim filme de direita? O que é isso? Já imaginou um poema de direita? Um romance de direita? Isso não faz sentido algum. Se eu fizesse qualquer obra de arte de direita, assim como de esquerda, eu estaria fazendo uma peça retórica e não poética.

E ele está pensando isso porque os documentaristas brasileiros em sua maioria de fato tem esse perfil: fazem filmes de esquerda, que são, na verdade, peças publicitárias – o exemplo máximo disso é Doméstica, um filme feito no contexto da aprovação do projeto da PEC das domesticas pelo PT, mas existem tantos e tantos outros exemplos (inclusive os dezenas de documentários sobre o Ocupe Estelita, todos muito ruins). No Brasil as pessoas nem suspeitam da possibilidade de se fazer um documentário voltado para questões interiores, espirituais (que é exatamente o que o pensamento de Olavo tem mais a oferecer – mas isso não vai chegar nunca a essas pessoas que só lêem a difamação petista contra ele). Eles acham mesmo que eu faria um filme de direita para me contrapor à temática de luta de classes ou “social” que é predominante no cinema documentário nacional? Ora, uma coisa que eu aprendi com Balthazar Gracián foi não agir por oposição. Não é porque uma coisa é um lixo que o contrário dela seja algo bom. Agora me digam: como seria um filme direitista sobre a vida interior? Existe metafísica de direita ou esquerda? Nunca mais vou me esquecer: certa vez eu falava para Fernando Monteiro sobre o fato de Doistoiévski ser um conservador, e, portanto, de direita, e ele retrucou: “Doistoiévski era um profeta, poeta e místico. Profetas, poetas e místicos não são de esquerda nem de direita”.

O ex-secretário de cultura do Recife

Eis que exatamente uma semana depois do comentário de Fábio Leal, Renato Lins, ex-secretário do cultura da Prefeitura do Recife, pergunta no seu perfil no Facebook se é verdade que estão “tentando” fazer um filme sobre Olavo de Carvalho. E diz que deve ser uma comédia. Ora, Renato L, que foi secretário de cultura da gestão que é universalmente reconhecida como a pior da história do Recife, e que deixou o cargo de fininho já no final da gestão em meio à humilhação completa e total do governo petista na cidade, deve ser um dos tantos incomodados com a existência do meu filme O Jardim das Aflições. Mas eu até entendo Renato L: quando foi secretário de cultura do Recife, a cidade era governada pelo PT, o estado era aliado do governo federal, e tudo parecia caminhar perfeitamente para a hegemonia do grupo do qual ele fazia parte em todos os âmbitos do executivo. O primeiro grande baque deve ter sido, naturalmente, a própria gestão da qual ele fazia parte: tão vexatória que o prefeito eleito do PT foi proibido de se candidatar à reeleição pelo próprio partido. Renato L saiu de fininho, cabisbaixo, se escondendo no boné, e sem querer entrar em polêmica. Depois Eduardo Campos virou uma ameaça ao poder central do partidão, e, naturalmente, virou fascista, nazista e o escambau. Dilma quase perde a eleição, mas logo nos primeiros dias de governo foi ficando claro o que os atentos já sabiam: o grupo do qual Renato L faz parte é na verdade uma sofisticada organização criminosa responsável pelo maior caso de corrupção de que se tem notícia (palavras do NY Times), a presidente que ele tão ardorosamente defendeu se torna a mais impopular da nação e enfrenta, ao mesmo tempo, o TCU, a policia federal, e 20 delações premiadas dizendo que ela se elegeu duas vez com dinheiro desviado da Petrobrás – de modo que ninguém mais diz que ela suporta governar até 2018 e muitos já dizem o PT acabou. Nesse contexto, vem alguém exatamente do Recife fazer um filme sobre Olavo de Carvalho, exatamente o intelectual que já dizia, com décadas de antecedência, que o PT é uma organização criminosa.

E por fim: porque fazer um filme sobre Olavo de Carvalho

Logo que contei da minha ideia do filme O Jardim das Aflições, me perguntaram porque eu escolhi fazer um documentário de longa-metragem sobre Olavo de Carvalho. Eu poderia ter respondido: que outro brasileiro tem obras ensaísticas do porte do O Imbecil Coletivo, A Nova Era e a Revolução Cultural, O Jardim das Aflições? (Livro que inspirou o título do filme). Que outro filósofo no Brasil cita, nas aulas sobre filosofia, autores como Goethe, Tarkóvski, Szondi, Frye? Que outro filósofo tem textos arquetípicos sobre cinema, como Símbolos e Mitos em O Silêncio dos Inocentes ou Meu filme favorito, sobre Aurora de Murnau? Que outro autor brasileiro foi, ao mesmo tempo, louvado por eminências como Jorge Amado, Roberto Campos, Paulo Francis, Bruno Tolentino e tem seus livros sempre na lista dos mais vendidos? Eu poderia ter respondido que Olavo de Carvalho é o mais completo intelectual brasileiro desde Gilberto Freyre (morto em 1987, ano em que eu nasci), e uma das personalidades mais complexas e interessantes da história desse pais. Mas a resposta é muito mais simples: porque eu quis! Felizmente, não só sou eu quero esse filme: até agora mais de 500 pessoas doaram para que ele exista. As filmagens serão realizadas ainda esse mês sem um centavo de dinheiro público, com direção de fotografia de Daniel Aragão e entrevistas de Wagner Carelli e, a não ser que o Estado Islâmico derrube o avião da equipe, o filme que não deveria existir vai sim existir.

*Josias Teófilo é jornalista, autor do livro O Cinema Sonhado, e fotógrafo.

Acesse o site com as informações sobre o projeto: O Jardim das Aflições

Quando o mundo perdeu a sua humanidade

O leitor Breno Machado (@BrenoOM1) nos enviou um texto curto e direto ao ponto sobre os acontecimentos envolvendo a empresa abortista Planned Parenthood. Nós legendamos um vídeo e divulgamos alguns outros.

Quando o mundo perdeu a sua humanidade

A geração que se comoveu com a morte de um leão e ignorou a venda de partes de bebês abortados

No dia 14 de julho, o canal no youtube do The Center for Medical Progress divulgou um vídeo que chocou a maioria das pessoas e vem causando revolta e indignação com outros vídeos que são divulgados a cada semana. A empresa americana de “planejamento familiar” Planned Parenthood, que recebe dinheiro da administração Obama para promover “o direito das mulheres”, comercializa numa espécie de mercado negro, partes de bebês abortados. Sim. Pernas, braços, crânio, o que você imaginar. Um verdadeiro balcão de negócios, onde a mercadoria são fetos humanos e os vendedores são médicos da empresa.

A Fox News, rede de notícias mais conservadora, vem divulgando esse “crime que clama aos céus” com bastante ênfase. A CNN, que serve de base de notícias pra muitos outros canais, inclusive aqui no Brasil, divulga com certa timidez o assunto.

Só no ano passado cerca de 500 milhões de dólares foram repassados à empresa. Organizações pró-vida, acompanhadas pelos pré-candidatos republicanos à Casa Branca e milhares de pessoas comuns pedem que o governo acabe com esse financiamento do contribuinte americano. Além desse escândalo, há denúncias de aborto seletivo, fraude, racismo entre outros.

Pois bem, você soube disso por algum órgão da imprensa brasileira? Eu também não. Ninguém falou, não houve comoção.

E sobre o leão Cecil?

Quase duas semanas depois da divulgação dos vídeos, surgiu a noticia que um dentista americano matou o leão Cecil, símbolo do Zimbábue. A reação?

A Casa Branca se pronunciou se propondo a ajudar nas investigações, a ONG de direitos dos animais PETA pediu que o dentista fosse ENFORCADO, milhares de pessoas comovidas em todo o mundo. Nem preciso dizer muito, porque você já viu no Jornal Nacional ou algum amigo seu já compartilhou isso no facebook.

A doença ambientalista conseguiu: rebaixamos a dignidade humana e elevamos os animais à adoração. Não analiso a morte do leão e o conceito de caça. O leão é um animal. Alguém como eu e você que não teve a chance de falar uma palavra, foi desmembrado pra ser comercializado.

A morte do leão surgiu como um alento para a agenda progressista: Fetos desmembrados? O mundo se comove mais com leões.

Sobre os crimes da Planned Parenthood

http://plannedparenthoodexposed.com/

Breno Oliveira Machado

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