Coluna do Leitor

@reaconaria

Forbes: 13 confirma

Publicamos agora na Coluna do Leitor um post de @zambinos sobre uma péssima reportagem da Forbes, que espalha mentiras e desinformação sobre o momento que vivemos. Leiam:

Forbes: 13 confirma

É da Forbes o artigo mais ridículo já escrito sobre o pedido de impeachment de Dilma Rousseff. É esperado que jornalistas de política estrangeira façam mais lição de casa do que jornalistas de política doméstica. Quando se vive no país sobre o qual se escreve, as informações, as pistas e os próprios fatos estão por toda parte. Há colegas com quem trocar dicas, amigos com quem discutir, e até taxistas, porteiros e balconistas dispostos a bater papo sobre a conjuntura nacional. Ouvem-se conversas no metrô, nos pontos de ônibus e na fila do mercado. Há um clima para se sentir. A imagem geral está dada. Do contrário, nada disso se apresenta de bandeja, e é necessário correr atrás de todo e qualquer cisco de informação para tentar antes de mais nada compor uma imagem clara do que está acontecendo na terra distante. Ler. No mínimo, para não passar vergonha.

Por outro lado, a chance de passar vergonha mesmo é muito menor para quem, além de escrever de longe, escreve para o público de longe. Nesse caso, não haverá matérias vizinhas, na mesma página, desmentindo o texto do jornalista preguiçoso. E aí, o que é incrivelmente tosco pode até passar por análise bem informada.

Este é um daqueles casos extremamente convidativos a reagir com desprezo, a compartilhar no Facebook com a legenda “chorume”, simplesmente — mas no mínimo para evitar a conduta dos bocós, vale a pena considerar o artigo em seus aspectos mais achavascados.

Depois de uma introdução isentona dos problemas do governo, aparece logo a primeira razão contrária ao impeachment:

1) “… unless a court proves Dilma was complicit in the Petrobras corruption scandal, then impeaching her is a bad idea.”

Ela foi eleita com dinheiro roubado da Petrobras. No mínimo, a chapa dela, e isso inclui o Vice Presidente, deveria ser cassada por conta do Petrolão. Mas há indícios fortes de que ela estava pessoalmente envolvida, conforme sugere a seguinte mensagem encontrada no celular de Marcelo Odebrecht:

Dizer que é necessário que ela seja cúmplice deve ter sido pressa ou má escolha de palavra, mas dizer que é necessário provar o crime para depois impichar, isso também é dito por aqui, só que por gente mal informada e que não faz a menor ideia de como funciona um processo de impeachment no próprio país, mesmo tendo até vivido um décadas atrás. O jornalista nem chega a mencionar que existem os crimes de responsabilidade cometidos por Dilma, como os empréstimos não-autorizados do BNDES ou as pedaladas fiscais, que punem atos praticados no exercício da função, independentemente do mandato.

2) “PMDB is one of the largest parties in Brazil, but is not known for their leadership skills.”

Mesmo que isso não fosse uma especulação sem o menor lastro na realidade, sem consequência real nenhuma, escrita com uma frivolidade digna do Buzzfeed — e daí? Desde quando falta de liderança é um vício maior do que crime?

3) “Moreover, there were six PMDB politicians on the recent Supreme Court list of 54 legislators being investigated for their involvement in the Petrobras scheme. Of those six, one was PMDB Senate President Renan Calheiros and the other was Lower House President Eduardo Cunha, also PMDB.”

E quantos já estão presos no partido da Presidente pelo mesmo caso? De todos os presos, quantos já citaram o envolvimento dela no escândalo?

4) “Another reason is Finance Minister Joaquim Levy… Levy is Lula’s man. If Dilma goes, my guess is that Levy resigns.”

O mesmo Joaquim Levy que foi humilhado e transformado em enfeite depois que a controladora, centralizadora e acima de tudo gaga Sra. Dilma Rousseff não o deixou administrar. O mesmo Joaquim Levy que propôs um ajuste fiscal combatido pelo mesmo Lula, que queria gastar mais e ampliar a mesma causa do mesmo ajuste. O mesmo Joaquim Levy que o mesmo Lula tentou substituir por Henrique Meirelles semanas atrás.

5) “If Dilma is impeached and Levy resigns, Brazil will lose its coveted investment grade status.”

No dia em que o pedido do impeachment foi aceito por Cunha, o dólar caiu e a bolsa subiu.

6) “Lastly, if you think there is gridlock in the Brazilian congress now, wait until the Workers’ Party (PT) reacts to their president being impeached.”

Claro, porque o certo é deixar os bandidos impunes na bandidagem, por receio de sua reação, em vez de tomar o que é nosso de volta das mãos deles.

Este post foi originalmente publicado aqui.

TV Folha e a cobertura das invasões em SP

O leitor e amigo Diego Fagundes nos enviou um texto sobre a cobertura da Folha de São Paulo às invasões escolares que ocorreram em SP:

TV Folha e a cobertura das invasões em SP

No começo da semana, a Folha de São Paulo publicou um vídeo sobre “a rotina dos alunos” nas escolas invadidas. O vídeo mais parecia uma peça de divulgação, um mini-documentário feito sob medida para estabelecer como verdadeiro todo o discurso fantasioso dos movimentos e instituições de esquerda (sobretudo MTST e APEOESP) envolvidos desde o início com toda a situação que se desenrolou em São Paulo ao longo dos últimos dias.

Bastou que o vídeo fosse tirado do ar (junto com a notícia que o acompanhava, pelo que eu pude entender) para que várias pessoas e blogs progressistas (aqueles que são mantidos por dinheiro de propaganda estatal, como o brasildefato) imediatamente acusassem a Folha de ter rabo preso com o governo, de ser um jornal “reaça”, de estar “a serviço do PSDB” e “contra os manifestantes”, etc. Alguns foram mais longe: sugeriram que o vídeo tinha sido tirado do ar por “exigência” do próprio Geraldo Alckmin, depois que o governador fez uma visita à redação da Folha. Não faltaram comparações com a ditadura militar, como é de praxe nesses casos.

Pois bem, hoje o vídeo, aquele que o governador exigiu que fosse tirado do ar, reapareceu em versão um pouco alterada. É este aqui:http://www1.folha.uol.com.br/…/1715023-video-mostra-rotina-…

Como o primeiro vídeo era de um petismo escandaloso (até para os parâmetros da TV Folha), algum editor deve ter mandado colocar um “contraponto”, uma voz que representasse “o outro lado”. O que o pessoal fez? Inseriu algumas falas de gente do governo no meio de toda a propaganda esquerdista. Antes, o vídeo mostrava “a rotina dos alunos” nas escolhas invadidas; agora, diz a Folha, ele também “explica” a reorganização. O resultado final é medonho. É a mesma peça de divulgação, só que agora PIORADA por uma tentativa porca e francamente amadora de dar um ar de isenção a uma cobertura jornalística cujo viés ideológico a Folha mal consegue disfarçar (eles nem querem disfarçar, essa é a verdade, nem se importam mais com isso).

Imaginar que isso aí saiu de dentro de um jornal reacionário ou que está “contra as manifestações” é um delírio completo, uma falha profunda da capacidade imaginativa. Afinal de contas, alguém consegue imaginar um jornalista reacionário ou conservador escolhendo essa trilha sonora? Um jornalista conservador, na redação do seu jornal reacionário, escolhe a música do SABOTAGE para colocar no fundo de um vídeo em que ele mostra como os alunos (uma galera super do bem, cheia de energia jovem) estão se organizando de uma maneira bonita, muito amor envolvido, etc. Dá pra imaginar isso? Ou um editor conservador que tira isso do ar na primeira vez para depois autorizar a publicação com uma nova música na trilha, na qual é possível ouvir o rapper cantando “ninguém vai me falar o que eu tenho que fazer nessa porra”?

Alguém poderia dizer: “mas a TV Folha é uma exceção, de maneira geral a cobertura da Folha foi mais reaça”. Eu quero saber se é dessa cobertura aqui que nós estamos falando:

1. https://dl.dropboxusercontent.com/…/Screen%20Shot%202015-12…

2. https://dl.dropboxusercontent.com/…/Screen%20Shot%202015-12…

3. https://dl.dropboxusercontent.com/…/Screen%20Shot%202015-12…(os colunistas dando aquela forcinha)

4. https://dl.dropboxusercontent.com/…/Screen%20Shot%202015-12…(Folha dando seu apoio à reorganização)

5. https://dl.dropboxusercontent.com/…/Screen%20Shot%202015-12… (a velha estratégia de ridicularizar quem se opõe, tirar sarro do “tiozão reaça rs”)

6. https://dl.dropboxusercontent.com/…/Screen%20Shot%202015-12… (a capa de hoje, 4 de dezembro; será que foi o Alckmin que mandou publicar essa capa?)

7. https://dl.dropboxusercontent.com/…/Screen%20Shot%202015-12…(Folha mostrando a ação da PM de forma totalmente isenta, parte 1)

8. https://dl.dropboxusercontent.com/…/Screen%20Shot%202015-12…(Folha mostrando a ação da PM de forma totalmente isenta, parte 2)

9. https://dl.dropboxusercontent.com/…/Screen%20Shot%202015-12…(chama o Laerte pra desenhar uma charge aí galera rs)

10. http://www1.folha.uol.com.br/…/1714212-pm-intervem-com-bomb…(mais uma excelente do TV Folha, não deixem de ver o vídeo)

11. http://arte.folha.uol.com.br/…/…/15/nao-feche-minha-escola/… (pra fechar com chave de ouro)

O Geraldo Alckmin manda na redação da Folha e no entanto eles publicam tudo isso? O homem é cego? Ou será que ele não lê a Folha?

O lixo inacreditável que virou a Folha de São Paulo me incomoda muito pessoalmente porque meu pai trabalhou lá (embora não como jornalista) e até bem pouco tempo atrás era assinante do jornal. Largou mão de assinar porque não aguentava mais ler porcaria. Eu sei muito bem que o jornalismo feito ali nunca passou muito do razoável, mas eu sei também que já foi mais sério, mais digno de respeito e de pelo menos um pouco de confiança. Meu pai já confiou na Folha, já achou que havia uma seriedade qualquer ali, e talvez houvesse mesmo, se não no conjunto, pelo menos na figura de um ou outro colunista. Hoje, não tem mais NADA, rigorosamente NADA.

Mas vamos aguardar, né? O Geraldo Alckmin é um cara perigoso, ele certamente vai usar seus poderes de censor pra comparecer à redação da Folha exigindo que esse novo vídeo saia do ar, exatamente como fez com o primeiro. E o terceiro vídeo, esse sim, vai ser reacionário. Favoritem e me cobrem.

O Verdadeiro Golpe, por Filipe G. Martins

O choro petista já ecoa por toda a internet. Os comentários isentos daquele seu colega imparcial que coincidentemente sempre tem uma palavrinha de apoio para o PT nos momentos de crise já pipocam por todos os cantos, e, à esta altura, você já leu e ouviu duzentas e dezoito variações do mesmo slogan fabricado para convencer os desavisados de que impeachment é golpe. Pois bem, deixem-me lhes contar duas ou três coisinhas sobre o impeachment.

É compreensível que aos olhos tímidos de um país acostumado a assistir a algazarra da classe política com a mais dócil e apalermada das posturas o impeachment pareça uma medida radical e extrema. Mas a realidade é que a velocidade dos tempos atuais e a instantaneidade com que se consumam e conhecem os fenômenos e as ações políticas revelam que, longe de ser um mecanismo radical ou extremo, o impeachment é um dispositivo lento e pouco eficaz para o controle e a responsabilização dos boçais, que via de regra, nos governam. Poucas pessoas se dão conta, mas o que o impeachment oferece em um lento processo que chega a durar alguns meses pode ser obtido dentro de algumas horas e sem qualquer trauma nos afortunados países que vivem sob um regime parlamentarista. Da mesma forma, dispositivos mais modernos como o recall e a moção de censura resolvem em alguns dias o que essa velharia constitucional que é o impeachment levaria um semestre inteiro para resolver.

Estivéssemos nós em um país um pouco mais decente, teríamos à nossa disposição algum desses mecanismos para defenestrar da presidência, de forma muito mais rápida e de uma vez por toda, a estocadora de ventos que nos governa. O impeachment, no entanto, em que pese ser uma velharia mais adequada ao museu das antiguidades constitucionais, é o processo que está consagrado em nossa Constituição.

Portanto, que se tire o pó e se desenferruje o instrumental do impeachment, pois já passou da hora de colocá-lo em funcionamento para destronar os facínoras que nos governam. Afinal, políticos e burocratas estão aí para serem higienicamente descartados tão logo cometam a imprudência de abusar do poder de que foram investidos. A Magna Carta já é uma senhora de 800 anos e a Revolução Americana uma tiazona de 240, mas no Brasil muitos ainda parecem não ter entendido que a classe política deve ser constantemente controlada pela população e, sempre que necessário, responsabilizada e punida – e, acreditem, quando somos governados por tipos como Delcídio Amaral, Zé Dirceu, Renan Calheiros, Dilma e Lula, essa necessidade é constante.

Parem de defender políticos corruptos e autoritários e entendam de uma vez por todas que não há nada mais democrático do que responsabilizar os medíocres que nos governam e que, no cenário atual, o único golpe que pode ocorrer é a blindagem da Presidente contra a punição constitucional dos crimes que ela cometeu contra a nação.

Se você é contra o impeachment da Dilma, o golpista é você.

Filipe G. Martins é estudante de Relações Internacionais e analista de políticas públicas

80 anos da Intentona Comunista

Completaram-se nesta semana 80 anos da Intentona Comunista. Em 23 de novembro de 1935, militares comunistas se rebelaram em Natal, onde estabeleceram um governo provisório. Houve levantes em Recife, no dia 24, e no Rio de Janeiro, no dia 27. Os revoltosos foram derrotados rapidamente, não sem antes fazerem muitas vítimas entre os militares legalistas.

A Coluna do Leitor de hoje, escrita pelo Coronel Reformado do Exército Brasileiro Marco Balbi, é um testemunho pungente da cerimônia realizada no Rio de Janeiro para lembrar dos mortos pela violência política dos que queriam transformar o Brasil em uma ditadura comunista.

Mais fotos da celebração podem ser vistas aqui.

80 ANOS SE PASSARAM! E ELES NÃO SE DESCULPARAM!

Não há como participar da solenidade em que se homenageiam os mortos na Intentona Comunista de 1935 e não se emocionar. Ao ouvir a chamada nominal dos militares cujos restos mortais encontram-se depositados no mausoléu erigido especialmente com esta finalidade e responder PRESENTE, em uníssono com todos, assistência e tropa, após a anunciação dos nomes, o toque de silêncio pungente do clarim e a salva de honra fazem a alma do cidadão, antes mesmo da alma do soldado, sofrer um frêmito. Não importa quantas vezes você tenha assistido, na ativa ou na reserva, esta será a sensação.

Lembremo-nos que cerimônias semelhantes ocorrem nas cidades de Natal e do Recife onde muitos tombaram, civis e militares, sem que até hoje a história tenha precisado o número. E o Rio de Janeiro, então Capital Federal, onde pretendiam obter pleno êxito. Foi a primeira tentativa de tomada do poder. Não alcançaram sucesso, mesmo agindo traiçoeiramente, assassinando companheiros dormindo, mercê da reação da tropa e da absoluta falta de apoio da sociedade.

Os comunistas tentariam novamente, sendo rechaçados mais uma vez pela reação democrática de março de 1964. Os comunistas retornariam com ações armadas, desencadeando uma guerra interna no período 1968/1974. Os agentes do Estado reagiram e contando com o apoio da sociedade os derrotaram, militarmente. Os comunistas, anistiados, retornaram as suas atividades e reescreveram a história. Mas, como ontem, continuam sendo repudiados pela maioria da sociedade brasileira.

A alocução que principiou a cerimônia frisou esta mensagem, valendo-se do exemplo da história, como ensinamento para as atuais e futuras gerações: o Brasil e os brasileiros não aceitam ideologias estrangeiras espúrias, cujos princípios não se coadunam com os da imensa maioria do povo brasileiro, onde as Forças Armadas selecionam os seus quadros funcionais.

80 anos se passaram! Muitos partidos políticos com ideologia exógena nos seus postulados participam da vida nacional. Quase todos têm a sua origem nas primeiras agremiações comunistas, as mesmas que causaram as mortes que ainda hoje se pranteia. Nunca se desculparam!

As Forças Armadas, ativa e reserva, homenagearam hoje os seus membros que morreram pela Pátria. Poucas profissões no mundo obrigam este supremo sacrifício aos que nelas se engajam. Jovens soldados, experientes chefes militares, em expressivo número, cumpriram com o seu dever cívico nesta ensolarada manhã. Não os esqueceremos, jamais!


Marco Antonio Esteves Balbi – Coronel Reformado EB

Marco Balbi

Limpeza

Marginais do movimento feminista picharam a Catedral da Sé, no Centro de São Paulo, para protestarem. Algumas pessoas de bem se dispuseram a, em meio a um feriado prolongado, limpar a sujeira criminosa com as próprias mãos. Dentre eles estavam alguns conhecidos nossos de longa data. como Paula Rosiska, que nos enviou seu depoimento:

LIMPEZA

Que ódio.

Foram as duas palavras que consegui escrever quando vi no Facebook do Thomaz as pichações feitas pelas feministas na Catedral da Sé.  Sou uma pessoa prolixa. Costumo falar muito e escrever pouco menos que isso. A tristeza e a revolta foram tamanhas, que não consegui encontrar palavras para expressá-las.

Naquele exato lugar onde, semanas atrás, um homem fora assassinado por defender de um assalto uma mulher que nem conhecia as feministas foram fazer seu protesto manjado, sujo, boçal. E a troco de que protestar contra o evangélico deputado Eduardo Cunha numa igreja católica em São Paulo? Por que não foram a Brasília? Por que não levaram faixas para o MASP, como fazem todos os que protestam aqui? Seria ignorância ou má-fé (trocadilho, por favor)? A maldade é aliada da estupidez e eis uma dupla exímia para destruir reputações, patrimônio e paz de espírito. Não somente os católicos foram desrespeitados, mas todos os moradores desta cidade. E nada aconteceu a elas.

Recebi o convite do ilustre Gil Diniz, o Carteiro Reaça, para ajudar na remoção da sujeira. Um grupo havia iniciado o trabalho no domingo, mas eis uma tarefa que exige paciência. As paredes da Sé são muito porosas, absorvem tinta com facilidade. É coisa para semanas.

No dia de Finados levamos nossas luvas, removedores, esponjas, palha de aço e qualquer coisa que parecesse eficiente para remover aquela tinta. Dois momentos me foram especialmente marcantes. O primeiro foi quando um jovem viciado, daqueles que vivem nos arredores da Sé, nos viu no batente e veio pedir para ajudar. Nitidamente sob efeito de algo que o deixava mais lento, ainda assim trabalhou com afinco e deu palpites sobre tudo. Quase gerenciou a nossa força-tarefa. Mas quando apareceu o padre para nos dar a bênção especial de agradecimento, que recebemos com o material de limpeza nas mãos, o garoto se calou e rezou junto. Depois foi acolhido pelo padre, com quem saiu conversando.

Ao término de uma das missas, alguns fiéis nos viram lá e pediram “permissão” para ajudar. Uma senhora se apresentou como doméstica “com prática em limpeza pesada” e ficou por lá. Quando estávamos indo embora, ela perguntou ao Thomaz se ele era maestro. Diante da confirmação, ela seguiu: “Canto no coral aqui e já me apresentei com a sua orquestra”. De fato, há anos ele rege a Filarmônica do SENAI SP na Missa de Páscoa da Sé. E isso a deixou espantadíssima, pois como um maestro sujaria as mãos com aguarrás para limpar paredes?

Postamos as fotos do encontro e elas foram rapidamente compartilhadas sob uma chuva de elogios ao ato. E aqui cabe explicar a divulgação: foi um ato político, não de caridade. Sabemos que a mão esquerda não precisa saber o que fez a direita, mas, no caso, foi uma reação civil muito mais do que religiosa.  Aquele lugar não foi atacado aleatoriamente, mas escolhido justamente pelo que simboliza. No entanto, ao passo que seu ataque vil causou repugnância – o que é péssimo quando se quer mobilizar pessoas para uma causa -, a nossa resposta causou comoção. Acredito que aparecerão mais pessoas para continuar o trabalho no próximo final de semana.

Quanto às muitas mensagens elogiosas à nossa atitude, somos gratos, mas garanto que não foi sacrifício algum. Estávamos entre pessoas da melhor qualidade – muitas conhecemos lá – ouvindo as lindas músicas da missa, com a maior alegria de poder responder a algo que abominamos agindo justamente ao contrário de quem depredou aquele lugar em nome de uma causa. Esfregar aquelas paredes até as luvas e as esponjas se rasgarem foi também simbólico: nossa alma ficou limpa.

Limpeza_Se

Paula Rosiska fala muito, não tem medo de faxina, mas foge de feministas. No Twitter @paularosiska

Mais fotos aqui.

Resumo da primeira prova do ENEM 2015

O médico e advogado Sergio Nunes faz um comentário sobre os temas da primeira prova do ENEM 2015.

Sobre o ENEM. Julguem por si mesmos.

Dei uma breve analisada nas 45 questões de ciências humanas, e separei alguns autores citados e temas mencionados. Será que os jovens estão sendo treinados para analisarem as diversas visões de mundo? Ou apenas uma?

A questão aqui não é contradizer ou discutir a opinião de algum autor específico, ou ainda algum tema, mas mostrar que apenas um lado é discutido. Seguem alguns citados e alguns temas:

– Nada como começar com o filósofo Slavoj Zizek, uma das estrelas do marxismo atual, que nesta prova, emergiu com um texto propondo um ato de alteridade, comparando a ação do exército americano com o terrorismo do Talibã.

– David Harvey, geógrafo marxista que propõe a ocorrência de um cataclisma no sistema de produção capitalista (não especificamente na questão desta prova).

– Karl Mannheim, muito influenciado pelo marxismo, apesar de posteriormente se afastar da hipótese de violência revolucionária. Estudou em um Grupo de estudos de Lukács. Na questão, obviamente propõe que a visão individual é condicionada pela sociedade.

Simone de Beauvoir, com suas ideias feministas, arguida por ter sido ao mínimo colaboracionista com o regime nazista, com algumas idéias que podem associar-se com pedofilia e misandria.

– Robert Reich, democrata americano que, contra todas as evidências empíricas, propõe uma hipótese de relação inversamente proporcional entre capitalismo e democracia. Para ele: “tax are the price we pay for a civilized society”. Se posiciona criticamente a teias globais.

– Milton Santos, geógrafo com posições antiglobalização, anticapitalismo, antiburguesia, pró-socialismo.

– Agostinho Neto, antigo governante de Angola de partido de esquerda, inicialmente marxista, posteriormente centro-esquerda.

– Maria da Glória Gohm, professora de educação da Unicamp, defensora dos Conselhos Populares e do MST.

Paulo Freire, que dispensa apresentações, um dos pilares da falha educacional no país, com sua educação libertadora, que não educa e nem liberta.

– Sidney Chaloub, historiador da Unicamp, que afirma: ” O governo Dilma foi exemplar nesses quesitos. Por conseguinte, a hipocrisia de caluniá-lo por isto é especialmente danosa à democracia e ao atual processo eleitoral”.

– Ali Masrui, apesar de crítico do comunismo na África, porém também é crítico do capitalismo e neoliberalismo no continente, com posições contra Israel.

– Jacques Le Goff, que se considerava “um homem de esquerda”.

– Muniz Sodré, que integra(ou) o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do governo, votou em Lula, apesar de tecer algumas críticas recentes.

– Porto Gonçalves, membro do Grupo Hegemonia e Emancipações do Conselho Latino-americano de Ciências Sociais (Clacso). Colunista (ou ex) da Revista Carta Maior.

– Nicolau Sevchenko, que afirmou sobre a elite: “esse processo como uma espécie de estratégia dos grupos dominantes para manter o sistema de privilégios nos quais estão encastelados desde a colônia”. Fala a favor de grupos civis que são críticos a biotecnologia.

– Wlamyra Albuquerque, pesquisadora que, dentre seus artigos, escreveu para revista Perseu, da Fundação Perseu Abramo do Partido dos Trabalhadores (PT).

– Lilia Morics Schwarz, professora da FFLCH, também empática ao conceito de conflito de classes e preconceitos, favorável a cotas.

– Ziraldo, que aparece com uma charge, não sendo demais afirmar que integrou comitiva com a Dilma, e diz que a ama.

– Sergio Buarque de Holanda , vinculado à esquerda .

– James Rachel, com tendências utilitaristas, defensor de ações afirmativas e idéias vegetarianas .

– Cita a publicação Caros Amigos, de tendência óbvia.

– De formação clássica, os únicos autores citados que detectei foram David Hume e São Tomás de Aquino.

– Em relação aos temas, várias questões ambientais, a proposição de grupos criminosos como o MST como forma de atuação democrática, questiona a direção econômica da China como oposição à extinção de classes, aborda a crise de 2008 com epicentro nos EUA esquecendo da crise atual com epicentro AQUI mesmo.

Ressalto que a questão no momento (isto pode ser feito em momento oportuno) não é combater qualquer um dos aspectos acima, uma vez que os estudantes devem conhecer todos os lados e abordagens, mas sim mostrar que os estudantes têm tido acesso apenas a uma visão de mundo, sendo tolhidos de maiores incursões em uma cultura mais geral. Mostrar também mais uma ingerência ideológica governamental na educação dos jovens.


Sergio Nunes, 39, é formado em Direito pela USP e em Medicina pela Santa Casa de São Paulo e Mestre em Direito Econômico. Atualmente, é professor da Academia de Polícia de São Paulo e palestrante eventual da Escola Superior de Guerra.

Coluna do Leitor: Alguma coisa aconteceu – não aconteceu nada

A coluna de hoje é do excelente Thiago Capanema. Confira:

thiago

“Eis uma constante histórica e sociológica: há canalhas e idiotas em todas as épocas e lugares. Engrosso a lista com os pederastas e miseráveis. A fome e a idiotice parecem ser anteriores ao homem. Mas deixemos a compreensão de tal enigma de lado por ora para que possamos nos ocupar de uma variante muito mais enigmática: o gênio.

Onde nasce, o que estuda e do que se alimenta o gênio? Seria o gênio fruto do acaso, talhado pelo esforço; ou resultado do feliz casamento de ambos? Ah, enquanto faço-me estas perguntas logo caio em desânimo. Mudemos o objeto para algo menos raro. Esqueçamos o gênio. Quero falar do grande homem. Então, que seja feita a distinção: Beethoven foi um gênio, Silvio Santos, um grande homem. (Não quero me alongar muito).

Para afunilar mais o nosso objeto, afunilemos, também, nosso espaço geográfico: que o resto mundo se exploda, para que nos detenhamos no Brasil. Da extensão completa do globo para a nossa pátria, ainda retemos duzentos milhões de habitantes e 8.515.767 km². Entre tanto espaço e centenas de milhares habitantes se escondem os nossos grandes homens. Mas ainda nos falta o último dado da equação: o tempo. Limitemo-nos aos últimos trinta anos de nossa história — e não se fala mais nisso. (Falo no plural majestático porque estou convidando o leitor a uma jornada).

Não sei se aflige a muitos esta constatação: não restará ao Brasil mais ninguém a ser enterrado depois de mortos Roberto Carlos (72), Silvio Santos (83) e Pelé (73). E o que resta a um país órfão de um grande enterro, senão o enterro dele próprio? — Mas não desanimemos tão cedo. Noto que nossos grandes homens efervescem em todas as áreas: entre Roberto, Silvio e Pelé abarcamos a música, o empreendedorismo e o esporte, respectivamente. Mas, para os fins de nosso estudo, gostaria de focar na área cultural — uma área em que já não temos a quem enterrar (2014 nos levou João Ubaldo Ribeiro e Ariano Suassuna).

Eis a pergunta que aflige: — Onde está nosso grande romancista? Nosso grande poeta? Nosso grande teatrólogo?


Todos estão mortos

Se saltarmos cinquenta anos em direção ao passado obteremos uma boa lista dos que estavam vivos e atuantes em nossa cultura: Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Murilo Mendes, Jorge de Lima, João Cabral de Melo Neto, Cecília Meireles, José Geraldo Vieira, José J. Veiga, José Lins do Rego, Marques Rebelo, Graciliano Ramos, Herberto Sales, Josué Montello, Antonio Olinto, João Guimarães Rosa, Jorge Andrade, Nelson Rodrigues, Gustavo Corção, Vicente Ferreira da Silva, Mario Ferreira dos Santos, Miguel Reale, José Honório Rodrigues, Gilberto Freyre, José Guilherme Merquior.

Morreram todos. Nasceram muitos e ninguém lhes ocupou o lugar. Ou ainda: os que ocuparam os espaços já não são mais romancistas, poetas, cientistas sociais ou filósofos, mas simulacros, imitações, sombras disformes que nada têm a ver com o valor e estatura dos falecidos.

Mas percebo que carrego no tom da tragédia e corrijo-me. Nascido em 1986, nada sinto neste vácuo, tão acostumado estou à baixaria. Gostaria de consagrar-me à vida intelectual, mas me debato entre a Arte, a Verdade e a putaria mais grosseira. Não sei se leio Shakespeare ou se tomo uma cerveja (o bardo sempre perde), não sei se escrevo um grande romance ou se faço uma montagem muito louca para publicar no Facebook, não sei se decoro um soneto de Bocage ou se, “fiado no fervor da mocidade, / que me acena com tesões chibantes, / consumo da vida os meus instantes / fodendo como um bode”.

Um dia — não sei se já lhes contei esta história —, tinha eu vinte e cinco anos, e senti-me como que arrebatado para o dever da vida intelectual. Depois de dez anos de vadiagem, senti-me preparado a receber, aceitar e talhar o dom que me fora dado por Deus. Queria ser um estudioso, um escritor, e a primeira coisa que eu fiz para concretizar o chamado divino foicomprar um cachimbo (em que pese o atenuante da ingenuidade, não me ocorreu nem por um segundo que eu deveria, por exemplo, ler alguns livros…). O cachimbo pareceu-me perfeito e, durante muito tempo, fui escritor e intelectual sem escrever nada, sem ler nada, apenas pitando e baforando, com o olhar perdido a mirar o horizonte.

Mas voltemos aos mortos. Dizia eu que todos morreram e que, por não ter convivido com eles, mal sentia sua ausência — por convívio quero também dizer que não os li suficientemente para que sua presença se impregnasse em mim. Em guerra contra a cerveja, o Facebook e a bronha, tento esforçar-me para conviver e participar da vida do espírito.

Empreendo este esforço para tentar entender para onde foram nossos grandes homens, ou melhor — por que eles nunca vieram? Não somos exigentes. Ninguém está pedindo um Dostoiévski (um Dostoiévski é fruto de uma sucessão de desgraças e nenhum brasileiro estaria disposto a enfrentar uma Sibéria para se tornar um grande romancista), mas um novo Nelsinho Rodrigues, não vem? Uma meia dúzia que soubesse usar uma figura de linguagem, uma metáfora, que dominasse a gramática? E eis que nos deparamos com uma triste constatação: não temos nem a metáfora, somos um país solitário de metáforas.

Tudo isto faz com que eu continue me perguntando sobre o que aconteceu e, cada vez mais, a voz da pergunta dá lugar a uma voz que repete-me, insistentemente: — não aconteceu nada, não aconteceu absolutamente nada.

Clamo, portanto, a análise de um grande homem, de uma grande solidão que estudou e ainda estuda, incansavelmente, durante quarenta anos. Um homem nascido nesta pátria. Na primeira aula de seu curso “Princípios e Métodos da Auto-Educação”, Olavo de Carvalho disse:

“Quantos homens de talento são necessários para escrever um bom romance? — Um. Portanto, nenhum fenômeno coletivo pode explicar a falta desse indivíduo. A única explicação possível é: ninguém fez porque ninguém quis, e ninguém quis porque ninguém teve a idéia de fazer. Isto é uma constante histórica: não há causas para o que não aconteceu. O que não aconteceu, não aconteceu porque ninguém fez acontecer. Não há explicação para isto. Houve uma omissão, uma desistência e uma demissão generalizada. É possível descrever fatores externos que desestimularam as pessoas, mas desestimular é uma coisa e impedir é outra completamente diferente.”

Um homem que se pergunta o que aconteceu com o seu país é um homem que se pergunta “o que aconteceu e o que está acontecendo comigo?”. No caso brasileiro, posso me considerar um espelho da pátria: minha vida e obra é um compêndio de trinta anos em que nada aconteceu, porque eu não fiz nada acontecer. Mas noto que, injustamente, exijo que algo de bom aconteça: que a força do espírito seja soberana numa paisagem onde impera a inércia. A minha história, como a de tantos, é a de um filho que fugiu à luta, para que permanecesse deitado eternamente em berço esplêndido.”

Coluna do Leitor: Eu era contra o impeachment

Nosso leitor João Paulo nos enviou um texto sobre sua mudança de opinião em relação ao impeachment da presidente da República. Confira:

“Eu era contra o impeachment, contra a cassação do mandato no TSE e outros eufemismos jurídicos. Tinha e tenho medo de o país cair na escuridão do imponderável com a segunda destituição prematura de um presidente da República em pouco mais de vinte anos, a atual democracia brasileira é 1985 e a atual Constituição de 1988. Ou seja, uma jovem democracia. Apesar disso, porém, não concordava com essa coisa de petistas, defensores do governo e “não sou PT, mas” de acusarem quem defende o impeachment da presidente de golpista. Pior: essa tese foi abraçada pela presidente Dilma na entrevista para Folha. Não é golpe ou coisa do gênero. Está na Constituição e na Lei 1079/50, a Lei do Impeachment: Define os crimes de responsabilidade do presidente (a) da República e regula o respectivo processo de julgamento.

Resolvi apoiar o impeachment, mesmo não sabendo o que será depois, porque o governo na pessoa da excelentíssima presidente errou e cometeu crime de responsabilidade. Não adianta alegar que outros governos fizeram a mesma coisa. Vai apenas atestar o crime e mesmo assim é frágil. Um erro não justifica o outro. É casuísmo levantarem essa questão das ditas “pedaladas fiscais” nesse momento crise política, econômica, a popularidade de Dilma no “volume morto” existindo contas de governos passados sem análise na gaveta do Congresso? Pode ser, mas isso também não justifica não analisar as contas de 2014 do governo federal.

Pego o gancho da crise política, econômica e a baixa popularidade da presidente para entrar na minha justificativa e do por que resolvi apoiar a destituição de Dilma Rousseff antes de terminar o seu segundo mandato.

Estelionato eleitoral, inflação descontrolada perto dos dois dígitos, desemprego aumentando, operação Lava-jato, popularidade do governo e da presidente Dilma no fundo do poço. Não tem como o país superar essa crise política e econômica com Dilma no Planalto. É como disse o senador Cristovam Buarque (PDT/DF), em entrevista ao Correio Brasiliense: “É inegável que há um clima de fim de governo Dilma”. O governo envelheceu antes do tempo, não mostra saída segura para superar esse clima pesado provocado por erros do primeiro governo Dilma.

Só um governo novo pode oxigenar e trazer novidades positivas. Ou negativas, mas desse governo a chance de sair algo novo é quase zero. O melhor era um ato altruístico da presidente Dilma, ela renunciar aos três anos e meio que ainda tem direito. Como acho difícil disso acontecer, se o TCU julgar que o governo feriu a Lei de Responsabilidade Fiscal, o Congresso Nacional confirmar, que seja feito o que está na lei. A lei manda que a Câmara dos Deputados afaste o presidente e o Senado Federal julgue o seu mandato. Sem choro nem vela. O rigor da lei tem que ser para todos.”

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