Coluna do Leitor

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11 PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE AS INTERCEPTAÇÕES TELEFÔNICAS DE LULA E AS AÇÕES DE SERGIO MORO

Por Taiguara Fernandes de Sousa

Com a chegada cada vez mais próxima ao núcleo do esquema criminoso investigado pela Operação Lava Jato, as adversidades e oposições têm aumentado. Na última semana, muitas falácias têm sido levantadas contra o juiz Sérgio Moro e sua decisão de levantar o sigilo das interceptações telefônicas de Lula.

A seguir, desminto algumas das principais:

1) SERGIO MORO AGIU DE ACORDO COM A CONSTITUIÇÃO?

Sim. O art. 5º, inciso LX da Constituição estabelece como regra a publicidade dos atos processuais; o sigilo é a exceção, apenas quando necessário para defesa da intimidade e quando o interesse social exigir. Já o art. 93, inciso X da Constituição impõe que as decisões judiciais sejam públicas, transformando a publicidade em condição de validade dos julgamentos. Esta foi a motivação de Sergio Moro:

“Não havendo mais necessidade do sigilo, levanto a medida a fim de propiciar a ampla defesa e publicidade. Como tenho decidido em todos os casos semelhantes da assim denominada Operação Lavajato, tratando o processo de apuração de possíveis crimes contra a Administração Pública, o interesse público e a previsão constitucional de publicidade dos processos (art. 5º, LX, e art. 93, IX, da Constituição Federal) impedem a imposição da continuidade de sigilo sobre autos.”

Na verdade, desde o início da Operação (que já conta dois anos) o juiz tem agido desta forma. Somente agora, em que Lula e Dilma Rousseff estiveram diretamente envolvidos, houve uma “inexplicável” oposição de juristas nacionais ao ato de Sergio Moro.

2) EXISTE PRECEDENTE?

Sim. Apenas dois dias antes da decisão do juiz Moro, isto é, no dia 14/03, o Ministro do STF, Teori Zavascki, levantou o sigilo da delação premiada do Senador Delcídio Amaral com a mesma justificativa:

“Por fim, nada impede o levantamento do sigilo […]. É que a Constituição proíbe restringir a publicidade dos atos processuais, salvo quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem (art. 5°, LX), e estabelece, com as mesmas ressalvas, que a publicidade dos julgamentos do Poder Judiciário é pressuposto inafastável de sua validade (art. 93, IX). Não há, aqui, interesse social a justificar a reserva de publicidade.”

3) POR QUE O JUIZ NÃO LEVANTOU O SIGILO ANTES?

Juiz não pode agir por si mesmo; somente age por pedido das partes. É o que se chama “princípio da inércia do judiciário”. O Ministério Público Federal atuante na Lava Jato somente pediu o fim do sigilo às 13:39 do dia 16/03; Sergio Moro o autorizou às 16:21 do mesmo dia. Antes do pedido do MPF ele não poderia fazê-lo. O pedido de divulgação das gravações foi feito pelo MPF com o aval do Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, que foi consultado anteriormente: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2016/03/1751501-janot-deu-aval-para-divulgacao-de-audios-de-lula-dizem-investigadores.shtml

4) SERGIO MORO GRAMPEOU A PRESIDENTE DA REPÚBLICA?

Dilma tentou se valer desta história (até fez ameaças veladas de prisão contra Moro em discursos públicos), mas sabia que ela não era verdade. A Presidente da República não foi grampeada, assim como nenhuma outra autoridade com foro privilegiado. O que ocorre é que o ex-Presidente Lula estava grampeado e recebeu ligações de Dilma Rousseff e do Ministro Jacques Wagner. Sergio Moro explica:

“Observo que, apesar de existirem diálogos do ex-Presidente com autoridades com foro privilegiado, somente o terminal utilizado pelo ex-Presidente foi interceptado e jamais os das autoridades com foro privilegiado, colhidos fortuitamente. Rigorosamente, sequer o terminal do ex-Presidente foi interceptado, mas apenas o terminal telefônico utilizado por assessor dele (11XXXXXXXXX), do qual ele fazia uso frequente.”

Quando uma pessoa que NÃO TEM foro privilegiado está grampeada e conversa com outra que TEM foro privilegiado, a interceptação é legítima.

5) EXISTE PRECEDENTE?

Sim, o caso do ex-Senador Demóstenes Torres. O juiz de primeira instância responsável pela Operação Monte Carlo autorizou interceptações telefônicas do bicheiro Carlinhos Cachoeira e, com isso, vieram à tona telefonemas com o Senador Demóstenes Torres. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) entendeu que a prova era válida, pois quem estava sendo grampeado não era o Senador (que tem foro privilegiado), mas o bicheiro (que não tem). Leia mais aqui: http://g1.globo.com/politica/noticia/2015/11/stj-mantem-acao-penal-contra-ex-senador-demostenes-torres.html

6) QUAL FOI A POSIÇÃO DO GOVERNO NA ÉPOCA?

Naquele momento, o então Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo (atual Advogado-Geral da União, que agora questiona no STF as interceptações autorizadas por Sergio Moro), defendeu que as gravações de Demóstenes Torres eram legais:

“Ninguém nunca investigou objetivamente os parlamentares. Estava-se investigando o empresário Carlinhos Cachoeira, agora, se parlamentares conversam com ele, o problema é outro”.

Na regra do Governo, interceptações só valem para os adversários. Leia mais sobre o caso aqui: http://oglobo.globo.com/brasil/cardozo-diz-que-escutas-da-pf-no-caso-cachoeira-nao-sao-ilegais-4533276

7) A GRAVAÇÃO DE LULA E DILMA FOI FEITA DEPOIS DO DESPACHO DE SERGIO MORO DETERMINANDO O FIM DO SIGILO. A PROVA É VÁLIDA?

Sim, a prova é válida. O que conta não é a hora do despacho, mas o momento em que a operadora telefônica (onde o grampo é realmente realizado) recebe a notificação, tomando conhecimento da ordem do juiz. Neste momento, a operadora é obrigada a encerrar o grampo, mas até lá as gravações continuam ocorrendo e entram como prova no processo. Este fato foi ressaltado pelo próprio Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot: http://g1.globo.com/politica/noticia/2016/03/grampo-tem-validade-ate-empresa-de-telefonia-ser-notificada-diz-janot.html

Também o mais autorizado perito criminal do país, Ricardo Molina, consultado pelo Governo Federal sobre o caso, explicou que “é normal em todos os casos de interceptação telefônica um delay tanto no início como no fim da operação. Afirmou que entre a determinação judicial e a efetiva ação da operadora leva algum tempo. Disse ainda que já atuou em diversos casos semelhantes e o Supremo Tribunal Federal não deixou de considerar a prova válida em razão dessa diferença de horários” (http://www.istoe.com.br/reportagens/448970_GOVERNO+PROCURA+PERITO+PARA+DESQUALIFICAR+GRAVACOES+MAS+O+TIRO+SAIU+PELA+CULATRA).

8) MORO GRAMPEOU O ADVOGADO DE LULA, O QUE VIOLA AS PRERROGATIVAS DA ADVOCACIA.

O advogado Roberto Teixeira estava na condição de investigado, conforme explicou o juiz no despacho:

“há indícios do envolvimento direto de Roberto Teixeira na aquisição do Sítio em Atibaia do ex-Presidente, com aparente utilização de pessoas interpostas. Então ele é investigado e não propriamente advogado. Se o próprio advogado se envolve em práticas ilícitas, o que é objeto da investigação, não há imunidade à investigação ou à interceptação.”

Além disso, o advogado não estava habilitado no processo como defensor de Lula, o que permitia concluir não haver relação cliente/advogado. O §6º do art. 7º do Estatuto da OAB (Lei 8.906/94) afirma que “presentes indícios de autoria e materialidade da prática de crime por parte de advogado, a autoridade judiciária competente poderá decretar a quebra da inviolabilidade”.

9) HÁ PRECEDENTE?

Sim. Há apenas alguns meses o próprio STF autorizou a quebra de sigilos de dois escritórios de advocacia que defendiam investigados na Lava Jato, por indícios de associação a fatos criminosos: http://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2015-10/stf-quebra-sigilo-de-advogados-que-atuam-na-operacao-lava-jato

10) MAS MORO GRAMPEOU OUTROS 25 ADVOGADOS DO ESCRITÓRIO DE ROBERTO TEIXEIRA, QUE NÃO ESTAVAM RELACIONADOS A LULA. ISTO VIOLA PRERROGATIVAS.

O juiz Sergio Moro apenas autorizou os pedidos de interceptação feitos pelo MPF. O grampo foi realizado no escritório de advocacia porque o MPF encontrou o número da firma associado ao da empresa LILS Palestras, do ex-Presidente Lula, que estava sob investigação. Mas, no fim das contas, os diálogos de outros advogados não foram anexados ao processo, conforme nota do MPF: “Nos relatórios juntados aos autos, não constam transcrições de diálogos do referido número como alvo.” (http://www.conjur.com.br/2016-mar-17/mpf-ataca-conjur-noticiar-lava-jato-grampeou-25-advogados). Portanto, foi seguido, neste ponto, a norma da Lei 9.296/1996, que rege as interceptações telefônicas: no artigo 9º, ela ordena inutilizar as gravações que não interessem como prova ao processo, o que foi realizado no caso; as gravações do escritório sequer entraram nos relatórios.

11) POR QUAIS MOTIVOS SERGIO MORO DECIDIU LEVANTAR O SIGILO DAS GRAVAÇÕES?

O juiz explica no próprio despacho:

“O levantamento propiciará assim não só o exercício da ampla defesa pelos investigados, mas também o saudável escrutínio público sobre a atuação da Administração Pública e da própria Justiça criminal. A democracia em uma sociedade livre exige que os governados saibam o que fazem os governantes, mesmo quando estes buscam agir protegidos pelas sombras. Isso é ainda mais relevante em um cenário de aparentes tentativas de obstrução à justiça, como reconhecido pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, ao decretar a prisão cautelar do Senador da República Delcídio do Amaral Gomez”.

De fato, as gravações apontavam a tentativa de crime de obstrução de justiça, com participação da própria Presidente da República, pois indicavam que Lula pretendia fugir da competência do juiz Sergio Moro assumindo o Ministério da Casa Civil. A jurisprudência do STF entende que estes casos são de muita gravidade, já tendo autorizado a prisão de um Senador (Delcídio Amaral) por causa da “concreta ocorrência e a possibilidade de interferência no depoimento de testemunhas e na produção de provas” e da “necessidade de garantir a instrução criminal, as investigações e a higidez de eventuais ações penais vindouras” (decisão do Min. Teori Zavascki – http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/noticiaNoticiaStf/anexo/Acao_Cautelar_4039.pdf).

Logo, se o STF entende ser possível, em casos de obstrução de justiça, até mesmo decretar a prisão de um Senador, muito mais possível é utilizar medida menos grave, isto é, apenas levantar o sigilo de gravações quando haja indícios de obstrução de justiça.

A Beleza Salvará o Mundo, de Gregory Wolfe

Trazemos aos nossos leitores a apresentação de Rodrigo Gurgel para A Beleza Salvará o Mundo, de Gregory Wolfe. O maior crítico literário brasileiro da atualidade escreveu o prefácio da edição brasileira, publicada pela Vide Editorial. Leiam!

Texto publicado originalmente em http://rodrigogurgel.com.br/2015/09/a-beleza-salvara-o-mundo/ https://www.facebook.com/rodrigo.gurgel1/posts/10208406495619024.

CapaTenho reencontrado, em algumas listas com os melhores lançamentos de 2015, o livro “A beleza salvará o mundo”, de Gregory Wolfe, que tive a grata alegria de indicar à Vide Editorial.

Não me lembro como descobri “A beleza salvará o mundo”. A Internet é floresta densa, repleta de sendas obscuras, semelhantes às de uma história infantil, nas quais, de página a página, de link a link, nos perdemos sem conseguir refazer o caminho inicial.

Numa dessas pesquisas aleatórias, cheguei ao site de Wolfe e deparei-me com esse título comum — ao menos para quem se recorda de Dostoiévski — e, principalmente, com o subtítulo que sintetizava uma de minhas constantes preocupações: “Recuperando o humano numa era ideológica”.

A identificação cresceu a cada ensaio de Wolfe que descobri. E se tornou plena ao ler algumas das páginas do livro, gentilmente fotografadas por uma amiga que reside nos EUA.

O resultado está, agora, à disposição de todos — e espero que “A beleza salvará o mundo” se transforme, no Brasil, no que ele já representa para muitos leitores de língua inglesa: um guia para os que acreditam, como T. S. Eliot, que “a vantagem essencial de um escritor é não ter um mundo maravilhoso com que lidar. É ser capaz de enxergar além tanto da beleza quanto da feiura; ver o tédio, o horror, a glória” — pensamento que Wolfe considera a “extensão natural da profecia de Dostoiévski”.

PRECONCEITO E DIÁLOGO
Há muitos elementos que merecem atenção nos ensaios que compõem o livro — e abordei alguns dos principais no Prefácio que fui convidado a escrever —, mas o ponto essencial, decorrente do que citei no parágrafo anterior, é o comportamento conservador criticado por Wolfe. Aluno de Russell Kirk, o autor não teme afirmar que “a maioria dos conservadores pensa na cultura como um museu, e não como uma continuidade orgânica. Eles são todos a favor da promoção dos clássicos, mas quando se trata de cultura contemporânea, simplesmente se eximem”.

De fato, canso de ver, no meio conservador, preconceitos em relação à arte. Muitos conservadores estão apegados a uma visão simplista e superficial da realidade — e chegam mesmo a enaltecer uma estética rasteira, inócua repetição do passado, como se a arte que recusa a pauta niilista, formalista e solipsista só pudesse ser a cópia rebaixada de Homero, Virgílio ou Dante. Ou, ainda pior, devesse se restringir a uma função meramente catequética.

Esse comportamento preconceituoso produz conseqüências assustadoras, como jovens que se negam a ler Hemingway, Kafka ou James Joyce, alegando a busca de uma suposta pureza, só encontrável nos autores que tenham recebido, em alguma época, um “Nihil obstat”.

Na verdade, dar as costas à cultura moderna — ou, como afirma Wolfe, “deixar-se desesperar sobre o nosso tempo” — é uma forma covarde de jogar essa mesma cultura nos braços insaciáveis do materialismo, de sucumbir à estreiteza do pensamento politizado e ideológico, de se tornar, citando Wolfe, um “discípulo involuntário de Marx”.

O caminho proposto por Wolfe é aquele seguido por grandes escritores, como T. S. Eliot, Evelyn Waugh, Flannery O’Connor, Susaku Endo, Nathaniel Hawthorne, Walker Percy e tantos outros: não se entrincheirar na sua própria fortaleza, não se entregar a um tipo de filistinismo que recusa a cultura do seu próprio tempo sem oferecer uma alternativa, sem se predispor ao diálogo.

Diálogo, aliás, que inquestionáveis defensores da ortodoxia católica, como o cardeal Leo Scheffczyk, souberam fazer com sucesso. Leia-se, por exemplo, de Scheffczyk, “O Homem Moderno” (“Der moderne Mensh vor dem biblishen Menschenbild”), e veja-se como o autor formaliza a crítica da “perda do humano na literatura moderna” — mas também dialoga com os autores que critica, sempre disposto a encontrar “notáveis pontos de luz” em cada um deles. Ou, se preferirem, leiam a análise que Henri de Lubac faz de Dostoiévski em “Le drame de l’humanisme athée”.

“DRAMATIZAR OS CONFLITOS DE SEU TEMPO”
A necessidade de um novo humanismo cristão é urgente inclusive para se contrapor aos religiosos secularistas e laxistas, que se apressam, como afirma Wolfe, a “batizar cada tendência secular que passa”, a aceitar qualquer modismo esquerdista sem reflexão, a não ser o filtro de um religiosidade neopagã e sentimentalista — e, portanto, vulgar em todos os sentidos.

O caminho que Gregory Wolfe propõe não é simples, mas grandes artistas o realizaram, quando se dispuseram a “dramatizar os conflitos de seu tempo e incorporar significado em suas obras de maneira profunda”.

Como afirmo no final do meu Prefácio, enquanto lemos Wolfe somos atingidos, muitas vezes, pela suspeita de que ele tenta unir realidades incompatíveis. Mas tal impressão revela-se infundada sempre que ele repete a decisão de não aceitar passivamente o mundo pós-moderno e reafirma o desejo de transformar fé e arte num “traje inconsútil”. Caso a caso, Wolfe segue a máxima paulina: “Discerni tudo e ficai com o que é bom”.


Rodrigo Gurgel é crítico literário e professor de literatura e de escrita criativa. Escreveu três livros: Esquecidos & Superestimados, Muita Retórica — Pouca Literatura e Crítica, Literatura e Narratofobia.

Título: A Beleza Salvará o Mundo

Autor: Gregory Wolfe

Editora: Vide Editorial

Onde comprar:

Gregory Wolfe

Gregory Wolfe

Forbes: 13 confirma

Publicamos agora na Coluna do Leitor um post de @zambinos sobre uma péssima reportagem da Forbes, que espalha mentiras e desinformação sobre o momento que vivemos. Leiam:

Forbes: 13 confirma

É da Forbes o artigo mais ridículo já escrito sobre o pedido de impeachment de Dilma Rousseff. É esperado que jornalistas de política estrangeira façam mais lição de casa do que jornalistas de política doméstica. Quando se vive no país sobre o qual se escreve, as informações, as pistas e os próprios fatos estão por toda parte. Há colegas com quem trocar dicas, amigos com quem discutir, e até taxistas, porteiros e balconistas dispostos a bater papo sobre a conjuntura nacional. Ouvem-se conversas no metrô, nos pontos de ônibus e na fila do mercado. Há um clima para se sentir. A imagem geral está dada. Do contrário, nada disso se apresenta de bandeja, e é necessário correr atrás de todo e qualquer cisco de informação para tentar antes de mais nada compor uma imagem clara do que está acontecendo na terra distante. Ler. No mínimo, para não passar vergonha.

Por outro lado, a chance de passar vergonha mesmo é muito menor para quem, além de escrever de longe, escreve para o público de longe. Nesse caso, não haverá matérias vizinhas, na mesma página, desmentindo o texto do jornalista preguiçoso. E aí, o que é incrivelmente tosco pode até passar por análise bem informada.

Este é um daqueles casos extremamente convidativos a reagir com desprezo, a compartilhar no Facebook com a legenda “chorume”, simplesmente — mas no mínimo para evitar a conduta dos bocós, vale a pena considerar o artigo em seus aspectos mais achavascados.

Depois de uma introdução isentona dos problemas do governo, aparece logo a primeira razão contrária ao impeachment:

1) “… unless a court proves Dilma was complicit in the Petrobras corruption scandal, then impeaching her is a bad idea.”

Ela foi eleita com dinheiro roubado da Petrobras. No mínimo, a chapa dela, e isso inclui o Vice Presidente, deveria ser cassada por conta do Petrolão. Mas há indícios fortes de que ela estava pessoalmente envolvida, conforme sugere a seguinte mensagem encontrada no celular de Marcelo Odebrecht:

Dizer que é necessário que ela seja cúmplice deve ter sido pressa ou má escolha de palavra, mas dizer que é necessário provar o crime para depois impichar, isso também é dito por aqui, só que por gente mal informada e que não faz a menor ideia de como funciona um processo de impeachment no próprio país, mesmo tendo até vivido um décadas atrás. O jornalista nem chega a mencionar que existem os crimes de responsabilidade cometidos por Dilma, como os empréstimos não-autorizados do BNDES ou as pedaladas fiscais, que punem atos praticados no exercício da função, independentemente do mandato.

2) “PMDB is one of the largest parties in Brazil, but is not known for their leadership skills.”

Mesmo que isso não fosse uma especulação sem o menor lastro na realidade, sem consequência real nenhuma, escrita com uma frivolidade digna do Buzzfeed — e daí? Desde quando falta de liderança é um vício maior do que crime?

3) “Moreover, there were six PMDB politicians on the recent Supreme Court list of 54 legislators being investigated for their involvement in the Petrobras scheme. Of those six, one was PMDB Senate President Renan Calheiros and the other was Lower House President Eduardo Cunha, also PMDB.”

E quantos já estão presos no partido da Presidente pelo mesmo caso? De todos os presos, quantos já citaram o envolvimento dela no escândalo?

4) “Another reason is Finance Minister Joaquim Levy… Levy is Lula’s man. If Dilma goes, my guess is that Levy resigns.”

O mesmo Joaquim Levy que foi humilhado e transformado em enfeite depois que a controladora, centralizadora e acima de tudo gaga Sra. Dilma Rousseff não o deixou administrar. O mesmo Joaquim Levy que propôs um ajuste fiscal combatido pelo mesmo Lula, que queria gastar mais e ampliar a mesma causa do mesmo ajuste. O mesmo Joaquim Levy que o mesmo Lula tentou substituir por Henrique Meirelles semanas atrás.

5) “If Dilma is impeached and Levy resigns, Brazil will lose its coveted investment grade status.”

No dia em que o pedido do impeachment foi aceito por Cunha, o dólar caiu e a bolsa subiu.

6) “Lastly, if you think there is gridlock in the Brazilian congress now, wait until the Workers’ Party (PT) reacts to their president being impeached.”

Claro, porque o certo é deixar os bandidos impunes na bandidagem, por receio de sua reação, em vez de tomar o que é nosso de volta das mãos deles.

Este post foi originalmente publicado aqui.

TV Folha e a cobertura das invasões em SP

O leitor e amigo Diego Fagundes nos enviou um texto sobre a cobertura da Folha de São Paulo às invasões escolares que ocorreram em SP:

TV Folha e a cobertura das invasões em SP

No começo da semana, a Folha de São Paulo publicou um vídeo sobre “a rotina dos alunos” nas escolas invadidas. O vídeo mais parecia uma peça de divulgação, um mini-documentário feito sob medida para estabelecer como verdadeiro todo o discurso fantasioso dos movimentos e instituições de esquerda (sobretudo MTST e APEOESP) envolvidos desde o início com toda a situação que se desenrolou em São Paulo ao longo dos últimos dias.

Bastou que o vídeo fosse tirado do ar (junto com a notícia que o acompanhava, pelo que eu pude entender) para que várias pessoas e blogs progressistas (aqueles que são mantidos por dinheiro de propaganda estatal, como o brasildefato) imediatamente acusassem a Folha de ter rabo preso com o governo, de ser um jornal “reaça”, de estar “a serviço do PSDB” e “contra os manifestantes”, etc. Alguns foram mais longe: sugeriram que o vídeo tinha sido tirado do ar por “exigência” do próprio Geraldo Alckmin, depois que o governador fez uma visita à redação da Folha. Não faltaram comparações com a ditadura militar, como é de praxe nesses casos.

Pois bem, hoje o vídeo, aquele que o governador exigiu que fosse tirado do ar, reapareceu em versão um pouco alterada. É este aqui:http://www1.folha.uol.com.br/…/1715023-video-mostra-rotina-…

Como o primeiro vídeo era de um petismo escandaloso (até para os parâmetros da TV Folha), algum editor deve ter mandado colocar um “contraponto”, uma voz que representasse “o outro lado”. O que o pessoal fez? Inseriu algumas falas de gente do governo no meio de toda a propaganda esquerdista. Antes, o vídeo mostrava “a rotina dos alunos” nas escolhas invadidas; agora, diz a Folha, ele também “explica” a reorganização. O resultado final é medonho. É a mesma peça de divulgação, só que agora PIORADA por uma tentativa porca e francamente amadora de dar um ar de isenção a uma cobertura jornalística cujo viés ideológico a Folha mal consegue disfarçar (eles nem querem disfarçar, essa é a verdade, nem se importam mais com isso).

Imaginar que isso aí saiu de dentro de um jornal reacionário ou que está “contra as manifestações” é um delírio completo, uma falha profunda da capacidade imaginativa. Afinal de contas, alguém consegue imaginar um jornalista reacionário ou conservador escolhendo essa trilha sonora? Um jornalista conservador, na redação do seu jornal reacionário, escolhe a música do SABOTAGE para colocar no fundo de um vídeo em que ele mostra como os alunos (uma galera super do bem, cheia de energia jovem) estão se organizando de uma maneira bonita, muito amor envolvido, etc. Dá pra imaginar isso? Ou um editor conservador que tira isso do ar na primeira vez para depois autorizar a publicação com uma nova música na trilha, na qual é possível ouvir o rapper cantando “ninguém vai me falar o que eu tenho que fazer nessa porra”?

Alguém poderia dizer: “mas a TV Folha é uma exceção, de maneira geral a cobertura da Folha foi mais reaça”. Eu quero saber se é dessa cobertura aqui que nós estamos falando:

1. https://dl.dropboxusercontent.com/…/Screen%20Shot%202015-12…

2. https://dl.dropboxusercontent.com/…/Screen%20Shot%202015-12…

3. https://dl.dropboxusercontent.com/…/Screen%20Shot%202015-12…(os colunistas dando aquela forcinha)

4. https://dl.dropboxusercontent.com/…/Screen%20Shot%202015-12…(Folha dando seu apoio à reorganização)

5. https://dl.dropboxusercontent.com/…/Screen%20Shot%202015-12… (a velha estratégia de ridicularizar quem se opõe, tirar sarro do “tiozão reaça rs”)

6. https://dl.dropboxusercontent.com/…/Screen%20Shot%202015-12… (a capa de hoje, 4 de dezembro; será que foi o Alckmin que mandou publicar essa capa?)

7. https://dl.dropboxusercontent.com/…/Screen%20Shot%202015-12…(Folha mostrando a ação da PM de forma totalmente isenta, parte 1)

8. https://dl.dropboxusercontent.com/…/Screen%20Shot%202015-12…(Folha mostrando a ação da PM de forma totalmente isenta, parte 2)

9. https://dl.dropboxusercontent.com/…/Screen%20Shot%202015-12…(chama o Laerte pra desenhar uma charge aí galera rs)

10. http://www1.folha.uol.com.br/…/1714212-pm-intervem-com-bomb…(mais uma excelente do TV Folha, não deixem de ver o vídeo)

11. http://arte.folha.uol.com.br/…/…/15/nao-feche-minha-escola/… (pra fechar com chave de ouro)

O Geraldo Alckmin manda na redação da Folha e no entanto eles publicam tudo isso? O homem é cego? Ou será que ele não lê a Folha?

O lixo inacreditável que virou a Folha de São Paulo me incomoda muito pessoalmente porque meu pai trabalhou lá (embora não como jornalista) e até bem pouco tempo atrás era assinante do jornal. Largou mão de assinar porque não aguentava mais ler porcaria. Eu sei muito bem que o jornalismo feito ali nunca passou muito do razoável, mas eu sei também que já foi mais sério, mais digno de respeito e de pelo menos um pouco de confiança. Meu pai já confiou na Folha, já achou que havia uma seriedade qualquer ali, e talvez houvesse mesmo, se não no conjunto, pelo menos na figura de um ou outro colunista. Hoje, não tem mais NADA, rigorosamente NADA.

Mas vamos aguardar, né? O Geraldo Alckmin é um cara perigoso, ele certamente vai usar seus poderes de censor pra comparecer à redação da Folha exigindo que esse novo vídeo saia do ar, exatamente como fez com o primeiro. E o terceiro vídeo, esse sim, vai ser reacionário. Favoritem e me cobrem.

O Verdadeiro Golpe, por Filipe G. Martins

O choro petista já ecoa por toda a internet. Os comentários isentos daquele seu colega imparcial que coincidentemente sempre tem uma palavrinha de apoio para o PT nos momentos de crise já pipocam por todos os cantos, e, à esta altura, você já leu e ouviu duzentas e dezoito variações do mesmo slogan fabricado para convencer os desavisados de que impeachment é golpe. Pois bem, deixem-me lhes contar duas ou três coisinhas sobre o impeachment.

É compreensível que aos olhos tímidos de um país acostumado a assistir a algazarra da classe política com a mais dócil e apalermada das posturas o impeachment pareça uma medida radical e extrema. Mas a realidade é que a velocidade dos tempos atuais e a instantaneidade com que se consumam e conhecem os fenômenos e as ações políticas revelam que, longe de ser um mecanismo radical ou extremo, o impeachment é um dispositivo lento e pouco eficaz para o controle e a responsabilização dos boçais, que via de regra, nos governam. Poucas pessoas se dão conta, mas o que o impeachment oferece em um lento processo que chega a durar alguns meses pode ser obtido dentro de algumas horas e sem qualquer trauma nos afortunados países que vivem sob um regime parlamentarista. Da mesma forma, dispositivos mais modernos como o recall e a moção de censura resolvem em alguns dias o que essa velharia constitucional que é o impeachment levaria um semestre inteiro para resolver.

Estivéssemos nós em um país um pouco mais decente, teríamos à nossa disposição algum desses mecanismos para defenestrar da presidência, de forma muito mais rápida e de uma vez por toda, a estocadora de ventos que nos governa. O impeachment, no entanto, em que pese ser uma velharia mais adequada ao museu das antiguidades constitucionais, é o processo que está consagrado em nossa Constituição.

Portanto, que se tire o pó e se desenferruje o instrumental do impeachment, pois já passou da hora de colocá-lo em funcionamento para destronar os facínoras que nos governam. Afinal, políticos e burocratas estão aí para serem higienicamente descartados tão logo cometam a imprudência de abusar do poder de que foram investidos. A Magna Carta já é uma senhora de 800 anos e a Revolução Americana uma tiazona de 240, mas no Brasil muitos ainda parecem não ter entendido que a classe política deve ser constantemente controlada pela população e, sempre que necessário, responsabilizada e punida – e, acreditem, quando somos governados por tipos como Delcídio Amaral, Zé Dirceu, Renan Calheiros, Dilma e Lula, essa necessidade é constante.

Parem de defender políticos corruptos e autoritários e entendam de uma vez por todas que não há nada mais democrático do que responsabilizar os medíocres que nos governam e que, no cenário atual, o único golpe que pode ocorrer é a blindagem da Presidente contra a punição constitucional dos crimes que ela cometeu contra a nação.

Se você é contra o impeachment da Dilma, o golpista é você.

Filipe G. Martins é estudante de Relações Internacionais e analista de políticas públicas

80 anos da Intentona Comunista

Completaram-se nesta semana 80 anos da Intentona Comunista. Em 23 de novembro de 1935, militares comunistas se rebelaram em Natal, onde estabeleceram um governo provisório. Houve levantes em Recife, no dia 24, e no Rio de Janeiro, no dia 27. Os revoltosos foram derrotados rapidamente, não sem antes fazerem muitas vítimas entre os militares legalistas.

A Coluna do Leitor de hoje, escrita pelo Coronel Reformado do Exército Brasileiro Marco Balbi, é um testemunho pungente da cerimônia realizada no Rio de Janeiro para lembrar dos mortos pela violência política dos que queriam transformar o Brasil em uma ditadura comunista.

Mais fotos da celebração podem ser vistas aqui.

80 ANOS SE PASSARAM! E ELES NÃO SE DESCULPARAM!

Não há como participar da solenidade em que se homenageiam os mortos na Intentona Comunista de 1935 e não se emocionar. Ao ouvir a chamada nominal dos militares cujos restos mortais encontram-se depositados no mausoléu erigido especialmente com esta finalidade e responder PRESENTE, em uníssono com todos, assistência e tropa, após a anunciação dos nomes, o toque de silêncio pungente do clarim e a salva de honra fazem a alma do cidadão, antes mesmo da alma do soldado, sofrer um frêmito. Não importa quantas vezes você tenha assistido, na ativa ou na reserva, esta será a sensação.

Lembremo-nos que cerimônias semelhantes ocorrem nas cidades de Natal e do Recife onde muitos tombaram, civis e militares, sem que até hoje a história tenha precisado o número. E o Rio de Janeiro, então Capital Federal, onde pretendiam obter pleno êxito. Foi a primeira tentativa de tomada do poder. Não alcançaram sucesso, mesmo agindo traiçoeiramente, assassinando companheiros dormindo, mercê da reação da tropa e da absoluta falta de apoio da sociedade.

Os comunistas tentariam novamente, sendo rechaçados mais uma vez pela reação democrática de março de 1964. Os comunistas retornariam com ações armadas, desencadeando uma guerra interna no período 1968/1974. Os agentes do Estado reagiram e contando com o apoio da sociedade os derrotaram, militarmente. Os comunistas, anistiados, retornaram as suas atividades e reescreveram a história. Mas, como ontem, continuam sendo repudiados pela maioria da sociedade brasileira.

A alocução que principiou a cerimônia frisou esta mensagem, valendo-se do exemplo da história, como ensinamento para as atuais e futuras gerações: o Brasil e os brasileiros não aceitam ideologias estrangeiras espúrias, cujos princípios não se coadunam com os da imensa maioria do povo brasileiro, onde as Forças Armadas selecionam os seus quadros funcionais.

80 anos se passaram! Muitos partidos políticos com ideologia exógena nos seus postulados participam da vida nacional. Quase todos têm a sua origem nas primeiras agremiações comunistas, as mesmas que causaram as mortes que ainda hoje se pranteia. Nunca se desculparam!

As Forças Armadas, ativa e reserva, homenagearam hoje os seus membros que morreram pela Pátria. Poucas profissões no mundo obrigam este supremo sacrifício aos que nelas se engajam. Jovens soldados, experientes chefes militares, em expressivo número, cumpriram com o seu dever cívico nesta ensolarada manhã. Não os esqueceremos, jamais!


Marco Antonio Esteves Balbi – Coronel Reformado EB

Marco Balbi

Limpeza

Marginais do movimento feminista picharam a Catedral da Sé, no Centro de São Paulo, para protestarem. Algumas pessoas de bem se dispuseram a, em meio a um feriado prolongado, limpar a sujeira criminosa com as próprias mãos. Dentre eles estavam alguns conhecidos nossos de longa data. como Paula Rosiska, que nos enviou seu depoimento:

LIMPEZA

Que ódio.

Foram as duas palavras que consegui escrever quando vi no Facebook do Thomaz as pichações feitas pelas feministas na Catedral da Sé.  Sou uma pessoa prolixa. Costumo falar muito e escrever pouco menos que isso. A tristeza e a revolta foram tamanhas, que não consegui encontrar palavras para expressá-las.

Naquele exato lugar onde, semanas atrás, um homem fora assassinado por defender de um assalto uma mulher que nem conhecia as feministas foram fazer seu protesto manjado, sujo, boçal. E a troco de que protestar contra o evangélico deputado Eduardo Cunha numa igreja católica em São Paulo? Por que não foram a Brasília? Por que não levaram faixas para o MASP, como fazem todos os que protestam aqui? Seria ignorância ou má-fé (trocadilho, por favor)? A maldade é aliada da estupidez e eis uma dupla exímia para destruir reputações, patrimônio e paz de espírito. Não somente os católicos foram desrespeitados, mas todos os moradores desta cidade. E nada aconteceu a elas.

Recebi o convite do ilustre Gil Diniz, o Carteiro Reaça, para ajudar na remoção da sujeira. Um grupo havia iniciado o trabalho no domingo, mas eis uma tarefa que exige paciência. As paredes da Sé são muito porosas, absorvem tinta com facilidade. É coisa para semanas.

No dia de Finados levamos nossas luvas, removedores, esponjas, palha de aço e qualquer coisa que parecesse eficiente para remover aquela tinta. Dois momentos me foram especialmente marcantes. O primeiro foi quando um jovem viciado, daqueles que vivem nos arredores da Sé, nos viu no batente e veio pedir para ajudar. Nitidamente sob efeito de algo que o deixava mais lento, ainda assim trabalhou com afinco e deu palpites sobre tudo. Quase gerenciou a nossa força-tarefa. Mas quando apareceu o padre para nos dar a bênção especial de agradecimento, que recebemos com o material de limpeza nas mãos, o garoto se calou e rezou junto. Depois foi acolhido pelo padre, com quem saiu conversando.

Ao término de uma das missas, alguns fiéis nos viram lá e pediram “permissão” para ajudar. Uma senhora se apresentou como doméstica “com prática em limpeza pesada” e ficou por lá. Quando estávamos indo embora, ela perguntou ao Thomaz se ele era maestro. Diante da confirmação, ela seguiu: “Canto no coral aqui e já me apresentei com a sua orquestra”. De fato, há anos ele rege a Filarmônica do SENAI SP na Missa de Páscoa da Sé. E isso a deixou espantadíssima, pois como um maestro sujaria as mãos com aguarrás para limpar paredes?

Postamos as fotos do encontro e elas foram rapidamente compartilhadas sob uma chuva de elogios ao ato. E aqui cabe explicar a divulgação: foi um ato político, não de caridade. Sabemos que a mão esquerda não precisa saber o que fez a direita, mas, no caso, foi uma reação civil muito mais do que religiosa.  Aquele lugar não foi atacado aleatoriamente, mas escolhido justamente pelo que simboliza. No entanto, ao passo que seu ataque vil causou repugnância – o que é péssimo quando se quer mobilizar pessoas para uma causa -, a nossa resposta causou comoção. Acredito que aparecerão mais pessoas para continuar o trabalho no próximo final de semana.

Quanto às muitas mensagens elogiosas à nossa atitude, somos gratos, mas garanto que não foi sacrifício algum. Estávamos entre pessoas da melhor qualidade – muitas conhecemos lá – ouvindo as lindas músicas da missa, com a maior alegria de poder responder a algo que abominamos agindo justamente ao contrário de quem depredou aquele lugar em nome de uma causa. Esfregar aquelas paredes até as luvas e as esponjas se rasgarem foi também simbólico: nossa alma ficou limpa.

Limpeza_Se

Paula Rosiska fala muito, não tem medo de faxina, mas foge de feministas. No Twitter @paularosiska

Mais fotos aqui.

Resumo da primeira prova do ENEM 2015

O médico e advogado Sergio Nunes faz um comentário sobre os temas da primeira prova do ENEM 2015.

Sobre o ENEM. Julguem por si mesmos.

Dei uma breve analisada nas 45 questões de ciências humanas, e separei alguns autores citados e temas mencionados. Será que os jovens estão sendo treinados para analisarem as diversas visões de mundo? Ou apenas uma?

A questão aqui não é contradizer ou discutir a opinião de algum autor específico, ou ainda algum tema, mas mostrar que apenas um lado é discutido. Seguem alguns citados e alguns temas:

– Nada como começar com o filósofo Slavoj Zizek, uma das estrelas do marxismo atual, que nesta prova, emergiu com um texto propondo um ato de alteridade, comparando a ação do exército americano com o terrorismo do Talibã.

– David Harvey, geógrafo marxista que propõe a ocorrência de um cataclisma no sistema de produção capitalista (não especificamente na questão desta prova).

– Karl Mannheim, muito influenciado pelo marxismo, apesar de posteriormente se afastar da hipótese de violência revolucionária. Estudou em um Grupo de estudos de Lukács. Na questão, obviamente propõe que a visão individual é condicionada pela sociedade.

Simone de Beauvoir, com suas ideias feministas, arguida por ter sido ao mínimo colaboracionista com o regime nazista, com algumas idéias que podem associar-se com pedofilia e misandria.

– Robert Reich, democrata americano que, contra todas as evidências empíricas, propõe uma hipótese de relação inversamente proporcional entre capitalismo e democracia. Para ele: “tax are the price we pay for a civilized society”. Se posiciona criticamente a teias globais.

– Milton Santos, geógrafo com posições antiglobalização, anticapitalismo, antiburguesia, pró-socialismo.

– Agostinho Neto, antigo governante de Angola de partido de esquerda, inicialmente marxista, posteriormente centro-esquerda.

– Maria da Glória Gohm, professora de educação da Unicamp, defensora dos Conselhos Populares e do MST.

Paulo Freire, que dispensa apresentações, um dos pilares da falha educacional no país, com sua educação libertadora, que não educa e nem liberta.

– Sidney Chaloub, historiador da Unicamp, que afirma: ” O governo Dilma foi exemplar nesses quesitos. Por conseguinte, a hipocrisia de caluniá-lo por isto é especialmente danosa à democracia e ao atual processo eleitoral”.

– Ali Masrui, apesar de crítico do comunismo na África, porém também é crítico do capitalismo e neoliberalismo no continente, com posições contra Israel.

– Jacques Le Goff, que se considerava “um homem de esquerda”.

– Muniz Sodré, que integra(ou) o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do governo, votou em Lula, apesar de tecer algumas críticas recentes.

– Porto Gonçalves, membro do Grupo Hegemonia e Emancipações do Conselho Latino-americano de Ciências Sociais (Clacso). Colunista (ou ex) da Revista Carta Maior.

– Nicolau Sevchenko, que afirmou sobre a elite: “esse processo como uma espécie de estratégia dos grupos dominantes para manter o sistema de privilégios nos quais estão encastelados desde a colônia”. Fala a favor de grupos civis que são críticos a biotecnologia.

– Wlamyra Albuquerque, pesquisadora que, dentre seus artigos, escreveu para revista Perseu, da Fundação Perseu Abramo do Partido dos Trabalhadores (PT).

– Lilia Morics Schwarz, professora da FFLCH, também empática ao conceito de conflito de classes e preconceitos, favorável a cotas.

– Ziraldo, que aparece com uma charge, não sendo demais afirmar que integrou comitiva com a Dilma, e diz que a ama.

– Sergio Buarque de Holanda , vinculado à esquerda .

– James Rachel, com tendências utilitaristas, defensor de ações afirmativas e idéias vegetarianas .

– Cita a publicação Caros Amigos, de tendência óbvia.

– De formação clássica, os únicos autores citados que detectei foram David Hume e São Tomás de Aquino.

– Em relação aos temas, várias questões ambientais, a proposição de grupos criminosos como o MST como forma de atuação democrática, questiona a direção econômica da China como oposição à extinção de classes, aborda a crise de 2008 com epicentro nos EUA esquecendo da crise atual com epicentro AQUI mesmo.

Ressalto que a questão no momento (isto pode ser feito em momento oportuno) não é combater qualquer um dos aspectos acima, uma vez que os estudantes devem conhecer todos os lados e abordagens, mas sim mostrar que os estudantes têm tido acesso apenas a uma visão de mundo, sendo tolhidos de maiores incursões em uma cultura mais geral. Mostrar também mais uma ingerência ideológica governamental na educação dos jovens.


Sergio Nunes, 39, é formado em Direito pela USP e em Medicina pela Santa Casa de São Paulo e Mestre em Direito Econômico. Atualmente, é professor da Academia de Polícia de São Paulo e palestrante eventual da Escola Superior de Guerra.

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