Charles Gomes

@Chrlsgms

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Walter E. Williams e uma Crítica Moral ao Assistencialismo Estatal

Créditos de Imagem: YouTube

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Ninguém tem direito a sorvete de graça, contudo as gratuidades estatais que custam dobrado para o bolso do pagador de impostos e lideram o fundo dos rankings mundiais é vendida como uma gratuidade. A ganância política é o pior tipo de ganância, é a ganância com violência, e disfarçada de discurso filantrópico que faz qualquer publicitário parecer “vendedor de óleo de cobra”. Segundo o Dr. Larry Arnn do Hillsdale College, direitos naturais tem por características serem verdadeiramente gratuitos pois só há a exigência que os outros cidadãos respeitem esses direitos. Por isso, a prova real de que algo não é direito e sim um “entitlement” é quando este está longe de não fazer nenhuma demanda às outras pessoas, é sim um direito a ser custeado por elas. A existência de entitlements legais coloca qualquer governo em conflito direto com direitos naturais pois ninguém tem direito à propriedade dos bens ou à vida do seu próximo.

Você deve ter lido o economista Walter E. Williams na página amarela da Veja falando sobre sua visão liberal, mas ele tem também boas opiniões sobre a moralidade da “caridade” governamental.

Segue o exemplo dado por ele:

Supomos que eu vejo uma idosa vulneravelmente encolhida numa calorosa grelha em um inverno mortal. Ela está com fome e com necessidade de abrigo e atenção médica. Para ajudar a mulher, eu caminho até você usando de intimidação e ameaças e demando que você me dê $200. Tendo tomado seu dinheiro, então eu compro comida, abrigo e assistência médica à mulher. Serei eu ser culpado de um crime? Uma pessoa moral irá responder afirmativamente. Eu cometi furto por tomar a propriedade de uma pessoa e dar a outra.

A maioria dos americanos iria concordar que seria furto sem levar em conta o que eu fiz com o dinheiro. Agora vem a parte difícil. Continuaria sendo furto se eu fosse capaz de convencer três pessoas a concordar que eu deveria tomar seu dinheiro? E se eu conseguisse 100 pessoas a concordar – 100,000 ou 200 milhões de pessoas? E se invés de pessoalmente tomar seu dinheiro para dar assistência à mulher, eu me juntasse com outros americanos e demandasse ao Congresso a usar os agentes de Serviço de Renda a tomar seu dinheiro? Em outras palavras, pode um ato que é claramente imoral e ilegal quando realizado privadamente se tornar moral quando é feito legalmente e coletivamente? Colocando de outra forma, a legalidade estabelece moralidade? Antes de responder, tenha em mente que escravidão era legal; apartheid era legal; as leis nazistas de Nuremberg eram legais; e os purgos estalinistas e maoistas eram legais. Legalidade sozinha não pode ser o guia de pessoas morais. A questão moral é se é correto tomar o que pertence à uma pessoa para dar a outra o que não lhe pertence.

Se as justificativas para uma política pública também serve para justificar roubo ela não é uma boa política, instituições de caridade privadas, Igrejas tem sido a maneira de uma sociedade livre resolver seus problemas, dando dinheiro à instituições que competem entre si por confiança no auxílio aos necessitados. Quando se diz que roubos só acontecem por culpa da ausência assistencialista do governo a mensagem que os bandidos ouvem é: “o governo não está fazendo o papel de roubar para mim, então eu tenho de fazer valer o meu direito eu mesmo.”. Se é a missão do governo roubar pelos outros, seria hipocrisia acusá-los quando roubam para si, ou para o partido, ou para empresários. Quando se compreende que temos uma cultura implicitamente pró-crime, pró-corrupção onde a ética criminosa ganha louvores nas universidades o alto índice de criminalidade do Brasil é muito melhor explicado.

Muito mais é gasto com o welfare do funcionalismo do que com o welfare da sociedade. Os pagadores de impostos que trabalham seis meses de graça para o governo não tem sindicatos que os livre de políticas de austeridade. A ganância por altos salários e benefícios legais do Estado tem motivado muito mais a cultura do concurso do que alguma verdadeira vocação em benefício do público.

Políticos do Brasil ainda não descobriram que lutar para proteger o erário e manter o dinheiro no bolso dos pagadores de impostos é um discurso bom para ganhar votos, mas é exatamente o que lançou Scott Walker, Gary Johnson, Paul Ryan e Chris Christie aos altos rankings do partido republicano, a ponto de serem considerados presidenciáveis; precisamente o tipo de discurso que manteve reeleitos Reagan e Thatcher. Quando sindicatos pressionam o governo, justa ou injustamente, parece que se tem a mentalidade que o leite vem da caixinha. Aparentemente o governo está sendo pressionado por indivíduos motivados por um forte senso de anti-governismo, mas quem está sendo verdadeiramente pressionado é a fonte de renda do governo, que é todo o conjunto da sociedade. É tipicamente estranho que o pagador de impostos não vote com o próprio bolso, mas o funcionalismo pode votar como mercenário. A base eleitoral do patrão-partido que paga mais e cria mais empregos públicos, e é “coincidentemente” de esquerda, sempre pode confiar no voto do eleitorado mais dependente dele, além de ser cada vez mais promovido se esse eleitorado domina a consciências políticas das salas de aula. Mas isso tem um problema: o parasita corre o risco de ficar tão grande que mata o hospedeiro e ambos morrem. A convulsão econômica da crise atual ainda promete muitas consequências.

Isso não é um problema tipicamente brasileiro. Daniel DiSalvo em seu livro “Governo Contra Si Mesmo” explica como Big Unions são lobistas tão nocivos ao erário público quanto Big BanksBig Oil e Big Pharma, levando cidades inteiras à falência. Como exemplos ele dá Detroit, Vallejo, Stockton, Mammoth Lakes e San Bernardino. Em vários lugares dos Estados Unidos o dinheiro do pagador de impostos vai para os funcionários do setor público, que tem que obrigatoriamente dá-los aos sindicatos que patrocinam políticos para aumentar investimentos (mais impostos e maiores salários). Soa familiar?

Arthur C. Brooks explica em seu livro “A Batalha” como uma pequena elite progressista dominou a política americana desde a crise, e está dividindo o país entre takers e makers. Quando a sociedade toma mais do Estado do que contribui, ignorando a curva de Laffer, a autodestruição é iminente, vide o exemplo grego. O Estado brasileiro também endivida-se com gastos populistas e depois culpa os bancos. A crise só tem a beneficiar os políticos que jogam com a inveja e ressentimentos públicos.

Chegamos na situação em que classes se revoltam entre si. Os juízes brasileiros tem uma gama legal de privilégios tão grande que muitos funcionários do setor público acham que estão justificados ao darem um prejuízo menor ao bolso da sociedade. O Estado prega a igualdade econômica para o setor privado, mas o setor público é cheio de discrepâncias salariais em comparação. Conseguimos chocar até suecos, que apesar não terem moral ainda guardam alguma modéstia escandinava.

O concurso para juiz é um dos concursos mais difíceis da União e ainda assim é esse grupo que tanto estudou para o cargo que consegue cometer as maiores tolices quando enfrenta o mundo real, ao ponto de tentar tirar da internet brasileira YouTube, WhatsApp e ultimamente o Uber (a lista não vai parar por aí). Talvez por isso, como percebeu Joel Pinheiro, empresas privadas que não são monopólios não fazem concursos para selecionar os melhores empregados. A situação chega a ser cômica pois quem trabalha no direito do trabalho faz grande esforço para se livrar de ser regulamentado pela CLT que tanto louva para conseguir o cargo, talvez por saber que os direitos trabalhistas foram adquiridos com os esforços de muita luta: de Mussolini.

Quando o Estado entra distribuindo gratuidades em um setor econômico, ele entra para competir com o setor privado e socializar partes da economia já que a inteira socialização dos meios de produção causaria alarde. Com esse discurso demagógico, ele pode ir dominando cada vez mais o setor a que se propõe a servir, pois nenhuma entidade privada tem o poder de tomar parte do lucro dos concorrentes, aumentar os custos dos serviços rivais com regulamentos, encarecer seus produtos com tributos e deixá-los caros demais, criando uma infâmia popular pela exclusão dos consumidores de baixa renda. Causando tantos problemas que inflacionam os esforços do livre mercado e assim pode justificar sua existência e continuar se reelegendo.

O Estado quando invade uma área econômica está ativamente roubando os clientes desse setor ao mesmo tempo que vai criando mais clientes para si. Sobra ao mercado se regular para sobreviver à presença do intruso, perdendo oportunidades de criar novos empregos e expandir para competir internacionalmente. Se um item tão essencial como comida não foi ainda tornado direito humano é porque os socialistas ainda se sentem culturalmente perdidos quando veem a abundância dos supermercados, exceto se for Nicolás Maduro, mas ele sempre esteve “à frente da curva”.

E não furta apenas clientes, mas trabalhadores também. O êxodo do capital humano do setor privado para o público é também um desejo dos socialistas cujo discurso encanta jovens para serem profissionais da caridade estatal ao invés de gananciosos pagadores de impostos. Mas quando se tem mais pessoas montadas na carroça que a carregando, a crise do “capitalismo” é iminente.

O clientelismo estatal falha em educar para enriquecer nossas crianças, que acabam buscando a fortuna na música ou no esporte privados, razão de certo rancor acadêmico. E falha nossos doentes, que dando dinheiro para o setor público e o setor privado ao mesmo tempo, paga dobrado pela sua saúde até quando não a usa. A justificativa que “seria pior sem” não justifica sermos os piores nos rankings de educação e saúde.

A fonte de renda de todo o sistema, como bem apontado por Olavo de Carvalho,  depende de alta desigualdade enquanto prega igualdade:

Todo esquerdista que alardeia querer serviços públicos gratuitos para os pobres e “o fim da desigualdade social” já mostra, só com isso, que está num estado alterado de consciência, seja causado por intoxicação química ou intoxicação pedagógica. A desigualdade social é a BASE E CONDIÇÃO INDISPENSÁVEL da gratuidade de quaisquer serviços públicos. Se não há uma classe rica da qual se possa extrair impostos para custear esses serviços, eles terão de ser custeados pelos pobres mesmos e aí já não serão mais gratuitos, embora continuem levando esse nome, exatamente como acontece nos países comunistas. É um raciocínio simples e auto-evidente, mas não conheço um só esquerdista que seja capaz de compreendê-lo.

O maior benefício da caridade privada é selecionamento, pois nem todos merecem “caridade” compulsiva. O bolsa-família tem sido uma espécie de salário para quem cujo emprego é ter filhos. Lembro de um relato de uma moça que vive praticamente de ser grávida, profissão: freeloader. Mas quem não se contenta com uma evidência anedótica basta assistir a série Benefits Street ou ler a autobiografia de Star Parker.

Isso sem contar a verdadeira intenção dos políticos ao darem esses direitos gratuitos para você, na verdade estão dando direitos ilimitados para si mesmos sobre o seu bolso.

O direito à saúde estatal também é o direito do governo lhe dizer o que comer nas escolas e que suplementos você pode tomar. Os liberais tem de estar atentos à política de liberação de drogas, não permitindo que os gastos com esse prejuízo ao erário da saúde pública sejam socializados.

O direito à educação pública também é o direito do Estado de tirar a guarda dos pais que praticam o homeschooling, só porque eles não deixam seus filhos serem vítimas ideológicas da sexagésima educação do mundo, onde crianças geralmente tem de estudar em meio à violência.

Tirar o direito dos políticos de dizer o que devemos estudar nas salas de aula e como nós devemos nos comportar para sermos saudáveis é a grande missão dos direitos naturais. Mas mais que isso, a sociedade precisa respeitar uma das maiores contribuições políticas dos judeus ao mundo: os mandamentos “não furtarás” e “não cobiçarás o que tem seu próximo”. Essas determinações tornam imorais o ódio ao rico, que como diz Theodore Dalrymple, foi “responsável por mais mortes no século passado que o ódio racial”, e a ética da riqueza pela conquista militar (might makes right), que foi citada por Dinesh D’Souza em sua defesa ao capitalismo em debate com Bill Ayers.

A esquerda quebrou o tabu do assassinato no século passado. Socialistas fabianos como George Bernard Shaw pregavam abertamente a morte dos improdutivos, mas para esse século o tabu que a esquerda tem se reservado a quebrar é o do roubo.

Se tirarmos os safe nets, que acabam sendo provisoriedades permanentes, as pessoas procurarão uma maior responsabilidade na condução de suas vidas e praticarão mais a verdadeira caridade. Dar o direito ao “pursuit of happiness” a todos se transfere em uma maior dignidade e bem estar social, afinal fazemos política econômica para pessoas, não para colmeias.

A problemática está longe de caber em um artigo. A desordem espiritual de burocratas e eleitores é o maior impedimento para o embarque de idéias liberal-conservadoras que possam salvar o Brasil de ser um triste capítulo da civilização. A cura da desordem é uma vacina dolorosa, um remédio amargo e por isso é muito mais impopular que o veneno doce da esquerda, que atrasa o progresso econômico e também social. Só uma renovação ética pode desembaraçar os nós românticos da corda que aprisiona os brasileiros, e isso obrigatoriamente tem de ser fruto de rios de tinta de um trabalho apostólico.

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

William T. Cavanaugh e o Mito das Guerras Religiosas

Créditos de Imagem: Jankarski.org

Créditos de Imagem: Jankarski.org

Da boca de Hitchens (Christopher, não seu irmão conservador, Peter) ouvimos a popular teoria que o secularismo e seu monismo materialista se provaram a cura para dirimir os conflitos violentos das superstições religiosas que pintaram a Europa de sangue. Assim fomos ensinados que o Estado secular salvou o dia com Locke prendendo a religião na cadeia da consciência íntima, banindo a Igreja para fora da política e o Estado para fora da religião. Desde então religiosos foram considerados cidadãos de segunda classe, onde os gostos particulares de todos ganharam um melhor status de universalidade que as crenças milenares que moldaram a moral e os costumes ocidentais.

Mas será que a narrativa que fundamenta esse pensamento é verdadeira? William T. Cavanaugh é professor de teologia na DePaul Theology, formado pela Universidade de Notre Dame, obteve seu mestrado em Cambridge, recebeu seu PhD em religião na Duke University. Ele pode não ser conservador, mas tem dito que a tese do secularismo pacificador é “um favorito de teoristas políticos liberais – John Rawls, Richard Rorty e muitos outros – mas não pode ser encontrado no trabalho de nenhum historiador respeitável dos séculos 16 e 17.”

A tese que as guerras foram motivadas pela religião não sobrevive quando, como conta Cavanaugh, “o Sacro Imperador Romano Charles V passou maior parte da década após a excomunhão de Martinho Lutero em guerra, não contra luteranos, mas contra o Papa. Quando os príncipes luteranos pegaram em armas contra o Imperador Católico nos anos 1550, eles fizeram com a ajuda da França Católica. As “Guerras Religiosas” na França são cheias de colaboração entre católicos e protestantes, e a Guerra dos Trinta Anos – talvez a mais notória das “Guerras da Religião” – viu Cardeal Richelieu jogar todo o poder da França do lado dos suecos luteranos, que por sua vez atacaram a Dinamarca luterana. Enquanto os holandeses calvinistas estavam ajudando as forças reais francesas a vencer os calvinistas de La Rochelle, a católica Espanha estava apoiando o protestante duque de Rohan na batalha contra a coroa francesa em Languedoc. As Guerras dos Trinta Anos foi em fato primeiramente uma briga entre os Habsburgos e os Bourbons, duas grandes dinastias católicas da Europa.”

Autores como José Casanova sugerem que em vez de chamá-las “guerras da religião”, elas deveriam ser conhecidas como “guerras da edificação estatal europeia”. Cavanaugh explica que “O fator chave em muitos dos conflitos era a luta entre as elites edificadoras-estatais e as formas de autoridades locais – especialmente aquelas da igreja e baixa nobreza – que ficaram no caminho da centralização. Em outras palavras, a expansão do estado moderno não foi a solução aos conflitos religiosos, foi a mais significante causa destes”.

Não é estranho que modernamente o maior obstáculo para as pessoas terem  sua conversão ao evangelho não é teológico, mas político. Em oposição à moral judaica elas criam códigos e mais códigos de conduta “libertários” tão arbitrários que multiplicam-se diariamente em milhares de decálogos infantilizantes. O interessante é que se o país é um fracasso em educação é principalmente a esquerda, veja só, que quer punir as grosserias populares, como cantadas ruins na rua ou o jeito jeca de Levy Fidelix, ao invés de vir com slogans de “mais giz menos balas”.

É natural os governos e os progressistas pró-expansão governamental verem a religião, principalmente a cristã, como inimigo nos seus avanços. Como mostra David J. Theroux, foi a religião cristã que não só abraçou os direitos naturais como os tornou sagrados e assim bloqueou os apetites ilimitados do Estado. Um exemplo disso é que desde o início cristãos impediram que Césares fossem novos Faraós e se declarassem deuses, sendo aí o início da doutrina laicista cristã que separava o governo temporal e atemporal.

Michael Shermer, humanista fundador da revista Skeptic, em seu brilhante artigo sobre o livro “E Deus criou Lenin: Marxismo vs. Religião na Rússia, 1917-1929” do historiador de Berkeley, Paul Gabel, conta os esforços soviéticos na eliminação da religião e mostra como essas táticas sofrem uma similaridade incrível com o que é praticado hoje em dia. Diz Shermer que “o governo espionava os padres, censurava seus sermões, aumentavam seus impostos (como cidadãos improdutivos), e ordenaram eles a viver fora das vilas que serviam. Capturavam igrejas e monastérios, e reabriam como museus anti-religiosos. Aboliram as escolas religiosas e proibiram a educação religiosa até a idade de 18. Os bolcheviques promoveram um cisma “progressista” dentro da Igreja Ortodoxa com uma pompa de padres comunistas – afinal, Jesus não uniu a classe trabalhadora da Palestina e ordenou os ricos a oferecer suas riquezas aos pobres? O governo derramou tantos recursos nessa Igreja Viva (em contraste à Igreja morta) que pessoas começaram a chamá-la de Igreja Vermelha. Paradas selvagens tiveram erupção nas largas cidades, escarnecendo e ridicularizando a celebração cristã do nascimento de Cristo. Jovens, ateístas da classe trabalhadora desfilavam nas ruas carregando efígies de líderes religiosos de cada fé eles poderiam imaginar. Eles se vestiam como padres, monges, rabbis, mullahs, e shamans, enquanto seus companheiros de Parada zombavam e escarneciam deles. Um artigo em Izvestia descrevia alguns dos personagens: Deus abraçando uma mulher nua, a Maria Virgem, o papa em um motorizado carro decorativo abençoando o povo, um monge passeando num caixão cheio de relíquias sagradas, um padre oferecendo-se a casar com qualquer um por um preço, um pastor protestante, um rabino judeu, um Buda de vestes amarelas, Marduk da Babilônia, e um grupo de demônios com longos rabos e chifres vindo atrás.”

Tudo isso falhou, e a Igreja Ortodoxa sobreviveu na mente e espírito do povo russo. Mas ainda parece que não param de tentar livrar a religião dos caminhos progressistas do governismo.

A declaração de independência americana é talvez o maior ícone contemporâneo da visão medieval pré-iluminista dos direitos naturais. Na construção de seu país, os pais fundadores buscaram a autoridade de sua independência em uma figura superior ao monarca anglicano, um rei dos reis, o próprio Deus, em rejeição à direitos criados por burocratas populistas e estatísticos positivistas, que se usam dos direitos humanos, com uma linguagem emocionalmente apelativa, para dar mais direitos ao Estado e seus serviçais.

Liberais precisam simpatizar mais com a cultura religiosa que deu início aos Estados Unidos do que com seu progresso econômico. É sim admirável que o país não tenha os mesmos impedimentos demagógicos que outros países para prosperar, mas a base de todo o sistema americano são os valores de trabalho calvinistas e a anciã moral judaica.  Isso está sublinhado na cosmovisão de sua constituição e seus valores que resistem à cultura de welfare slackers, politicamente correto e das economias planificadas dos tecnocratas. A maioria silenciosa faz frente ao elitismo barulhento e esnobe de universitários progressistas. Foi isso que deu ao país força para suportar a pressão das propagandas do sucesso soviético que encantavam intelectuais no mundo todo enquanto lutava contra a miséria e a pobreza da grande depressão em casa. O país nasceu sob extrema pobreza com fazendeiros isolados sofrendo ataques de nativos, bandos de criminosos e animais selvagens, mas sua ética religiosa tolerou os desafios até se tornar líder do mundo livre enquanto o sovietismo decepcionava multidões. Esse testemunho religioso é mais fácil de ser imitado do que uma mudança legislativa de cima para baixo, pois o capitalismo não promete prosperidade e a pobreza é um fator natural. É o fato de um país permanecer contra o espoliamento tributário mesmo sob extrema pobreza que o torna excepcional.

Para isso a direita tem que vencer o conflito interno entre o jusnaturalismo de Hobbes e Grócio e o de Tomás de Aquino. Basta usar a Guilhotina de Hume para entender que o materialismo não tem como dar um dever jurídico, independente dos valores utilizados, mas um Criador inteligente, sim. Sem isso, os religiosos vão continuar perdendo nos tribunais antes sequer de tomarem ação, pois tribunais ainda acreditam em uma neutralidade metafísica que mudou as regras do jogo. No caminho dos tiranos que se multiplicam no mundo sabemos o que une Israel, Vaticano e os Estados Unidos como os três maiores alvos a serem derrubados: eles constituíram o mesmo Deus como alicerce de suas existências.

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

Dennis Prager Argumenta a Favor da Pena de Morte

Créditos de Imagem: Wikipedia

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Radialista, colunista, palestrante, autor de sete livros traduzidos em seis línguas e com artigos publicados no Wall Street Journal, Los Angeles, Commentary e em sites como Townhall e National Review; você já deve ter visto Dennis Prager ou algum vídeo didático da Prager University no YouTube falando de tópicos políticos e culturais polêmicos na voz dele ou de diversos especialistas cujo motto é “nos dê 5 minutos, nós lhe damos um semestre”.

Uma das matérias que dividem conservadores é a pena de morte. Mas Prager comenta que “é um dos raros temas que mais conhecimento e mais experiência de vida não me alteraram nem um pouco emocionalmente ou intelectualmente sobre ele”. Também diz que os argumentos contra a pena capital raramente mudam, e são facilmente refutáveis.

Existe uma razão pela qual estupro não é punido com uma multa de quinhentos reais: nenhuma estratégia racional no combate ao crime irá negar o valor da severidade da pena na redução dos crimes. Não é a toa que a esquerda pediu para encerrar Levy Fidelix na cadeia (seletivamente essa rigidez evanesce quando menores incendeiam dentistas, estes últimos parecem que têm mais chances de serem reintegrados à sociedade). Qualquer um compreenderá que se a pena não está proporcional ao crime os criminosos que uma vez se sentiram na autoridade de tirar vidas, estuprar, torturar estarão legitimados e os direitos violados de suas vítimas ficaram desvalorizados, assim como a dignidade das vítimas indiretas: as famílias, que vêem seus entes queridos serem perdidos a troco de nada e toda a sociedade que porta esses mesmos direitos.

Os marginais assim percebem que a principal mensagem que a ausência da pena capital passa: a vida deles tem maior valor que a vida de suas vítimas. O direito à vida do assassino para a lei é sagrada, mas não a dos inocentes que ele seleciona. E também a sociedade sente a consequência cultural dessa anomia: a banalização da morte e da violência criminosa, paranóia e desconfiança com o próximo.

Pessoas que são contra a pena de morte raramente são por motivos passionais, mas as as razões para a pena de morte são muito mais sólidas. Da mesma forma que não se pune estupro com multa de quinhentos reais pois isso não só baratearia o crime de estupro e a dignidade das vítimas como aumentaria os crimes de estupro, homicídios, com ou sem teor de sadismo, por exemplo contra idosos, deficientes e menores não podem receber uma mera pena de prisão devido à sua gravidade. Se valorizamos as vidas destes inocentes indefesos temos de demonstrar que estamos dispostos a tirar o que o agressor tem de maior valor.

Quem defende a pena de morte o faz sabendo da possibilidade de haver inocentes que possam ser executados. Se a pena capital trata-se de um bem natural irrecuperável, a vida, a prisão trata-se de outro direito natural irrecuperável, a liberdade. O tempo não pode ser devolvido e não somos contrários à pena de prisão por razão de, indesejável até pelos defensores da pena de morte, falibilidade judiciária. Se a pena capital é rejeitada por ser falível, qual é a razão de haver punição? O argumento é emocionalmente eficiente, mas irracional. Se o sistema processual é ruim, conserte-o.  A questão é que os oponentes da pena capital o fazem mesmo em caso de absoluta certeza processual, mesmo com réu confesso e com todos os indícios necessários, assim desviam o assunto de ter de defender o que realmente acreditam: assassinos não devem nunca serem mortos.

Lógico, como cristãos conservadores já estamos acima da confusão pacifista pelo conhecimento da diferenciação exegética entre matar e assassinar, já lemos Romanos 13 e conhecemos que o papel do governo com o crime não é o de um Irenista.

Prager diz que não há bem social que não tenha levado à morte de inocentes. Carros causam acidentes, montanhas-russas também, contudo quem é contra a pena de morte não pede que carros sejam obrigados a andar a 40 quilômetros por hora ou é pela abolição de montanhas-russas, mas o bem da velocidade e do lazer ficam acima desses riscos sociais. Quem é contra a pena de morte aceita um bom número de políticas públicas que terminam causando a morte de inocentes.

A idéia também é falha quando se percebe que muito mais inocentes morrem quando se mantém assassinos vivos, a possibilidade de matar alguém ao escapar da prisão compete com a possibilidade de assassinar alguém de dentro da cadeia como é comum no Brasil de rebeliões sangrentas e guerra de facções. Quem é contra a pena de morte se responsabiliza por essa multidão de vidas perdidas da mesma forma como pedem responsabilidade de quem defende a pena de morte por quem é executado sendo inocente?

Aos que preferem a prisão perpétua à pena capital, não percebem que farão o Estado punir com a morte indiretamente pelo processo natural da velhice, manter certos presidiários vivos gera mais insegurança que causa mais morte de inocentes, pois eles podem matar guardas e prisioneiros que nenhuma adição à pena será relevante, além de coordenar esquemas de dentro da prisão. Punições de cento e vinte anos (Beira-Mar) e trezentos anos (Serial Killer de Goiânia) são claramente ridículas pois sabemos da impossibilidade da punição abranger satisfatoriamente todos os crimes.

É compreensível, senão completamente justo, que haja revolta com o uso da pena máxima para punir crimes banais ou crimes políticos como fazem os heróis da esquerda, não se deve respeito algum a leis que desrespeitam a proporcionalidade da pena. Contudo, o mal uso não tolhe o uso: a pena de morte continua sendo não só um instrumento eficiente para coibir o crime, mas a única justa punição para conter crimes de alta malignidade.

Prager diz que a pena capital ensina a sociedade que assassinato é um mal que nenhuma pena de prisão pode dizer. Que os Estados Unidos executa assassinos os deixa únicos diante das maiores democracias do mundo. E eles o fazem porque odeiam o mal mais que essas democracias.  No Brasil em que presos aproveitam o indulto de Natal para cometer assassinatos, a pena de morte é uma absoluta necessidade para devolver a sanidade espiritual de um modo que só a justiça é capaz de fazer. É hora de odiarmos o mal da mesma forma.

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

Ryan T. Anderson Responde “O Que é Casamento?”

Créditos de Imagem: Benjamin Myers

Créditos de Imagem: Benjamin Myers

O nosso corpo pode realizar várias funções sozinho, nós podemos comer que nossos órgãos digestivos vão fazer a sua parte, podemos respirar que nossa circulação trabalha involuntariamente, podemos andar que nossos nervos e cérebro vão se coordenar de acordo com a nossa intenção, mas só uma função do corpo humano é incompleta: a função da procriação. Para essa função, a da complementariedade, assim como tantas outras estabelecemos algumas normas que a potencializem para o bem comum.

Co-Autor com Robert P. George e Sherif Girgis do livro “What is Marriage? Mand and Woman: A Defense” que foi citado duas vezes na Suprema Corte, aos apenas 31 anos de idade, Ryan T. Anderson é fundador e editor do site Public Discourse, já foi editor assistente do First Things dentre outros, com inúmeras aparições na mídia e jornais, Anderson recebeu seu bacharelado em Artes da Universidade de Princeton, graduando Phi Beta Kappa e Magna cum Laude. Da Universidade de Notre Dame, ele recebeu o doutorado de filosofia política e mestrado, também co-escreveu um artigo “What is Marriage?” para o Harvard Journal of Law and Public Policy.

Com um currículo tão grande que teve de ser resumido, Anderson tem provavelmente pego a causa mais impopular para os jovens da sua época: ser crítico do casamento homossexual. E ele faz isso sem usar teologia, tradição ou moralidade, se limitando a usar apenas filosofia e ciência social para formar uma política pública que responda porque o governo se importa com o casamento.

Para os advogados do casamento homossexual, “casamento é entre dois adultos que consentem em amar um ao outro, estabelecido tanto por prioridade ou por intensidade emocional”, em outras palavras diz Ryan “Casamento é sobre estabelecer sua pessoa número um”, não vai muito longe da justificativa de Singer para a bestialidade e talvez por isso o movimento se incomode tanto quando há a comparação. Essa filosofia sobre casamento falha em explicar as três regras matrimoniais e a razão do envolvimento do governo com casamento em primeiro lugar.

Ryan toma Aristóteles para analisar todas as formas de comunidade, para ele tem de serem observadas as ações a que a comunidade participa, os bens que ela busca e as normas que moldam a vida comunitária. Por exemplo uma comunidade acadêmica universitária tem como atividade essencial estudar, sendo esportes e outras atividades não essenciais ao objetivo fim: a busca pela verdade e é essa busca que molda o seu código de honra, suas normas, não ganhar taças e troféus.

E o casamento? O que faz a comunidade do casamento diferente da universidade, do time de futebol? É só o sentimento? Não temos sentimentos por nossos amigos ou nossos pais e avós, como isso pode ser exclusivo? É só o desejo sexual? Mas não envelhecemos e perdemos o apetite, como manter isso permanentemente? É só o consentimento? O que falar do caso Armin Meiwes?

Primeiro, o casamento é uma relação monogâmica, segundo tem de ser observada a regra da exclusividade sexual e terceiro, a da união permanente. Basicamente essas regras servem para que um homem e uma mulher se unam como marido e esposa para ser pai e mãe a toda criança dessa relação. Toda vez que um bebê nasce haverá uma mãe por perto, o grande problema é se haverá um pai presente na vida da criança e até quando. O casamento aumenta as chances que um homem ficará atrelado tanto à criança que ele ajudou a gerar quanto à mulher indispensável para isso.

O casamento une as duas metades da humanidade (macho e fêmea), não apenas na união dimensional dos parceiros unidos (corpo e mente), mas no que se espera dessa união. Parceria não é algo genérico, só se é parceiro em alguma coisa, com um objetivo comum. Da mesma forma, não existe a abstração pai e mãe, mas paternidade e maternidade, um conjunto de condições que dita que pais não podem ser mães e mães não podem ser pais na educação de uma criança, mesmo que possam ser no sustento.

Para Anderson “se um homem não se responsabiliza exclusivamente e permanentemente com uma mulher as chances de se criarem crianças sem pai e famílias fragmentadas cresce. Quanto maior o número de parceiras um homem tem, e menor a vida dessas relações, maiores as chances de ele ter crianças com múltiplas mulheres. Essa atenção e recursos pessoais divididos além de suas capacidades então terão consequências que pesarão não só para a mãe e a criança, mas para toda a sociedade.” O casamento vem regular uma desigualdade reprodutória, afinal, uma mulher pode suportar uma quantidade limitada de filhos de nove em nove meses, um homem pode fazer uma multidão de forma ilimitada nesse período, por isso os povos antigos viam a poligamia com maior naturalidade mas também era um tempo em que a mulher tinha um papel restrito.

O governo não estava interessado em romance quando reforçou as normas do casamento, mas na redução da criminalidade e de custos sociais. O fim da cultura do casamento gera gravidez na adolescência, mães solteiras, pobreza, crime, abuso de drogas e problemas de saúde e todos esses cuidados tem de sair do bolso de alguém, geralmente punindo famílias bem constituída.

Como há famílias fragmentadas, o Estado toma o papel de pai e aparece a cultura do welfare, eis o preço do liberalismo social: a destruição do capital humano e aumento do poder estatal.

Até mesmo os que defendem o casamento de membros do mesmo sexo irá impor limites aos tipos de relacionamento que podem ser considerados casamento e irão destacar qual relacionamento é casamento e qual tipo que não. Contudo que razões são essas? Olhe os tipos de relacionamento abaixo:

Throuples: O poliamor já aterrisou no Brasil, Ryan Pergunta: “Se eu fosse processar demandando igualdade para meu throuple, em qual princípio seria negado igualdade ao throuple uma vez que se diz que o aspecto matrimonial de haver uma relação homem-mulher é irracional e arbitrária? A maneira que nós chegamos à idéia de monogamia é que é um homem e uma mulher que podem unir-se ao tipo de ação que pode criar uma nova vida e poder prover essa nova vida de uma mãe e um pai. Uma vez que se diz que o aspecto homem-mulher é irracional e arbitrário, não haverá um princípio racional para reter a regra de dois.”.

Monogamish: Parece preservar a idéia de casal, mas a pessoa pode ter parceiros sexuais fora do casamento, desde que com a anuência do parceiro. Se consentimento faz o casamento, por qual razão há uma norma que obriga exclusividade?

Wedlease: Um jogo de palavras com a palavra wedlock e signifca casamento temporário. Anderson comenta “que se casamento é primordialmente sobre um romance entre adultos, e paixões podem ir e vir, por que a lei presume o casamento ser permanente? Por que não é emitido licenças temporárias de casamento?”.

Sim, o casamento homossexual deseja preservar as três regras, mas não dá nenhuma boa razão, uma justificativa natural e objetiva, do motivo de querer preservá-las, senão um mero desejo de cópia, casamento não é só intensidade emocional assim como universidades não são só esportes. Assim as justificativas para o casamento homossexual alteram a percepção cultural sobre o relacionamento heterossexual. Ryan comenta que “ele reorienta a instituição do casamento longe das necessidades da criança para focar nos desejos dos adultos.”. Por mais que haja vídeos e vídeos com fortes apelos emocionais mostrando crianças felizes sem família, não dá para alterar a realidade de uma necessidade natural que uma criança ainda não está na idade de julgar que possui. Se redefinimos a lei para que pai e mãe sejam opcionais, a sociedade com dificuldade vai enxergá-los como críticos.

Isso em nada serve, como danifica os interesses que motivam e justificam o papel do Estado no casamento, casamento não é um namoro com outro nome, mas uma instituição com obrigações e deveres devido a sua finalidade. Se o Estado não agir minimamente assegurando essas três regras do casamento, adiante irá intervir muito mais nas consequências da sua ausência.

Sem contar as preocupações com a liberdade como espécie e liberdade religiosa como gênero.

Matt Walsh, blogueiro e falador de verdades profissional (palavras dele), nos conta que o movimento homossexual já deixou claro que a simples não adesão de cristãos na festa pode gerar uma guerra contra padeiros, fotógrafos, ateliês de noivado, floristas. Sem contar o caso de Chick-Fil-A e do CEO da Mozilla. Nem padres ficam de fora da perseguição, quanto mais programas de TV como Duck Dinasty e esportes. Até mesmo quem não fornecer o local acaba na mira. No Brasil vários negócios já foram processados por não aceitarem intimidade homossexual em seu ambiente, o que não pune somente o dono, mas são todos os funcionários que pagam a conta.

Como atacar uma igreja diretamente daria uma repercussão negativa, o maior alvo dos ataques são os negócios que não possuem a mesma aura de sacralidade, sendo cristão ou não. Isso tudo vindo de um grupo que diz não querer impor seu estilo de vida a ninguém.

Mas americanos não ficam sofrendo calados, tanto cuidado em não ferir os sentimentos alheios acaba gerando situações inusitadas que lembram as tabelas da zambininha. Steven Crowder descobriu outro grupo que possui a proteção da polícia politicamente correta mas que não gosta muito de fazer bolos para casamento de pessoas do mesmo sexo: os islâmicos. Colocar ambos grupos em colisão foi uma sacada genial do humorista conservador.

Crowder: Exemplo de conservador de moral e bons costumes. Créditos de Imagem: YouTube

Crowder: Exemplo de conservador de moral e bons costumes. Créditos de Imagem: YouTube

Mas qual o problema de legalizar e uns poucos casarem dessa forma? A  lei ensina um ponto de vista e afeta a cultura que afeta crenças que justificam ações, a lei moldará então a cultura e a percepção pública do que é casamento. O resultado disso em poucos anos é uma geração inteira de crianças e mulheres vítimas de uma idéia que iniciou como inconsequente e um número de políticos muito dispostos à colherem os frutos da desgraça que criaram.

Os liberais brasileiros, se forem inteligentes, não estão obrigados a lidar com o problema de famílias fragmentadas a serem usadas em debates para justificar políticas de welfare, que ao fim, ajudará a causa do estado grande. Fortalecer o instituto da família, de forma que essa possa competir com o governo, pode ser a solução para uma maior independência do cidadão brasileiro em relação ao Estado.

 Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

Scott Klusendorf e Como Defender a Posição Pró-vida em 5 Minutos

Scott Klusendorf

Créditos de Imagem: ProLifeTraining.com

O movimento pró-vida brasileiro tem perdido inúmeras de suas batalhas, mesmo com a população majoritariamente contrária ao aborto a causa abortiva tem teimado e avançado pedaço a pedaço tanto no judiciário assim como no legislativo enquanto a bancada evangélica se perde em suas próprias caricaturas anti-intelectualistas e demonstra falta de vigor argumentativo, não obstante gastam fortunas em novos templos e não se cria uma única universidade ou instituto para resistir à pressão progressista e combater espaços como é muito mais comum no conservadorismo americano onde vige a expressão idiomática “put your money where your mouth is“.

Seria útil que o movimento pró-vida brasileiro seguisse o exemplo de Scott Klusendorf, presidente do Life Training Institute, ele tem capitaneado debates com ativistas do porte de Nadine Strossen, advogada formada em Harvard fundadora do Feminists for Free Expression,  James Croft, ativista humanista de Cambridge e Harvard, Malcolm Potts, professor de Saúde Pública de Berkeley, Kathryn Kolbert, advogada que defendeu o aborto na Suprema Corte e Kathy Kneer, presidente da Planned Parenthood da California, muitos deles podem ser assistidos no YouTube.

Scott tem debatido assim como realizado aulas de treinamento intelectual para o movimento em mais de 70 universidades e faculdades como Stanford, USC, UCLA, Johns Hopkins, MIT, U.S. Air Force Academy, Cal-Tech. Ele é graduado com honra pela UCLA tendo um mestrado de apologética cristã na universidade privada cristã Biola University e lançou um livro de 2009 pela Crossway Books chamado “The Case for Life: Equipping Christians to Engage the Culture”. O nível de debate sobre aborto, tanto pró quanto contra, nos Estados Unidos está muito à frente da curva do que eventualmente aparece mastigado na boca de juristas e ativistas feministas e envolve biologia embrionária, ética assim como filosofia sendo um tema em constante atualização em que argumentos emocionais, e argumentos “a nível de rua” ficam em segundo plano.

Klusendorf dá aos iniciantes três passos para desequilibrar o oponente em 5 minutos. São eles: Clarifique o problema, defenda sua visão com ciência e filosofia e por fim o desafie a ser intelectualmente honesto.

É importante ressaltar de antemão que o movimento pró-vida é claramente pró-escolha quanto ao direito da mulher decidir seu marido, sua profissão, sua casa, sua religião, seu carro, enquanto que os movimentos pró-escolha não aparentam acreditar no poder feminino de decisão quando a mulher decide ser dona de casa como Sarah Palin, ter uma arma como Dana Loesch, e não ser feminista como Karen Straughan. Também para eles o poder de uma mulher escolher algo é limitado à natureza do que se está decidindo, especialmente se essa escolha polui o meio ambiente, e afinal, o adesivo “Não gosta de escravidão, não tenha escravos!” não colaria bem nos carros hoje em dia. É claro que algumas coisas não são meramente uma questão de gosto entre sorvete de baunilha ou de morango e remover o embrião não é como remover uma unha ou fio de cabelo. Conflitos divisivos a ponto de gerar uma guerra civil como foram o racismo e escravidão possuíram um lado que estava certo, e outro lado que estava errado, não havendo qualquer indício de uma possibilidade intelectualmente neutra.

É relativamente simples defender a causa pró-vida se alguém já tem como máxima “não devemos matar um ser humano inocente”, desse ponto em comum podemos clarificar o núcleo da questão: O nascituro é um ser humano? Matar alguém inocente para benefício de outros, tratando um ser de valor intrínseco, insubstituível como um instrumento dispensável, é um ato imoral. Não há diferença senão semântica entre aborto, infanticídio e homicídio já que os três tratam de um ataque contra a vida humana inocente, por isso para a maior parte dos argumentos pró-escolha, basta trazer uma criança de três anos e colocá-la no lugar do embrião e analisar se eles justificam o assassinato tanto de um quanto do outro. Se o argumento intendido a remover um embrião serve para eliminar uma criança, algo está errado.

Quando fiz minha Monografia de Conclusão de Curso em 2013 contra o aborto humanitário previsto no artigo 128, II do Código Penal Brasileiro, fiz igual alusão ao trazer a idéia de que se filho do violador sexual por alguma razão tiver nascido a sociedade não permitiria o bebê ser morto por causa das mesmas razões dadas para a passividade legal do aborto piedoso, antes se configuraria ao ato um crime tão chocante quanto o caso Nardoni, sem deixar de ter mencionado que a permissão para o aborto sentimental se estende por todos os nove meses, sendo o aborto na sua forma mais radical.

Parece um insulto, mas o primeiro ponto não é incontroverso, ativistas fazem uma apologia consciente ou inconsciente do assassinato de um ser humano inocente quando colocam argumentos que não só desumanizam qualquer nascituro, mas também qualquer ser humano, como dizia Abraham Lincoln: “não conheço um argumento para inferiorizar negros que não sirva também para inferiorizar brancos”. Argumentos como “escolha” ou “privacidade” beiram à irracionalidade: quem defenderia o assassinato de uma criança como uma escolha privada ou como sendo aceitável desde que realizado dentro de quatro paredes? Argumentos pró-escolha são em sua maioria asserções arbitrárias sem significância moral no debate devido à sua presunção de que o embrião não é humano, sendo sua grande maioria um caso de Petitio PrincipiiSão argumentos que assumem que o embrião, assim como outrora os negros, não fazem parte da humanidade e excluem da família humana a menor das minorias, os indivíduos mais frágeis da sociedade. A causa pró-vida pode reconhecer que os seres humanos se diferenciam em talentos e defeitos, mas é a que verdadeiramente luta pela igualdade entre os homens buscando o que há de comum na humanidade, um direito que seja natural e anterior à toda forma de governo, é a defesa de um direito anterior ao próprio direito de decidir, um direito que nasce com o indivíduo na sua concepção. Nesse nível, somente uma cosmovisão com sólidas crenças pode servir como apoio para justificar a razão da existência do valor objetivo do ser humano desde sua concepção e não somente quando este se torna “bonitinho” demais para morrer.

Científica e filosoficamente não há diferença entre o nosso estágio embrionário e o adulto que somos hoje, um embrião se desenvolve de dentro para fora, não é como um automóvel em que as peças são encaixadas por um agente externo, embriões direcionam seu próprio desenvolvimento como unidade distinta, uma nova pessoa é antes desenvolvida, não construída. Não é apenas um punhado de células, mas antes um organismo vivo com capacidade de coordenação, o que o diferencia de um corpo morto, onde as células continuam vivas mesmo com a impossibilidade de funcionarem como um organismo coordenado.

Dizer que alguém não possui o direito à vida por razão de seu tamanho, nível de desenvolvimento, grau de dependência e localização (da barriga da mãe para fora) excluiria da humanidade anões ou crianças de 15 em relação às de 8, salvariam-se adultos diante de bebês, poderiam pelo mesmo argumento relativizar o direito à vida de diabéticos dependentes de insulina e seria demasiado estranho imaginar que deixamos de ser humanos se mudamos de assento. Mesmo quem, de forma mais sofisticada propõe a favor do aborto grau de consciência, pessoas com QI menor de 20 ou 40 ou com síndrome de Down seriam declarados não pessoas (como Joseph Fletcher argumenta), ora, sabemos que pessoas em comatose reversível não perdem seus direitos naturais, o fato de que há aborto espontâneo não diz nada sobre a humanidade do embrião, tampouco que da natureza espontaneamente matando alguém deriva a conclusão que podemos deliberadamente matar pessoas, tampouco a capacidade totipotente da célula embrionária não significa que não havia um organismo unitário anterior.

Diante disso, fica simples perguntar ao oponente o que ele pensa sobre os pontos acima, mas já deixando claro que nem todos, em próprio interesse, ficarão convencidos, mas quem segue os fatos e coloca os interesses próprios abaixo da verdade sairá convencido.

E mais importante: para o Brasil, a causa pró-vida, quando bem entendida e defendida com os argumentos corretos (porque sim, há formas incorretas de argumentar a favor da vida), torna-se a grande bandeira para o reconhecimento do jusnaturalismo liberal nas universidades eliminando o pensamento que tem o Estado como criador de direitos e portanto, transformando políticos populistas em semi-deuses que acham que sua profissão é distribuir direitos achados na feira, talvez aí, a legalidade e a moralidade voltem a ficar em harmonia no Brasil e o Direito volte a ser a ciência moderadora dos apetites do poder, defensor do indivíduo contra a tirania e não um serviçal da vontade política.

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

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