Charles Gomes

@CGomesV

Problema Ético do Consenso Parte 1

meinteil (1)

Com a eutanásia sendo aprovada recentemente na Califórnia, somos novamente surpreendidos que o ativismo homicida da esquerda continua forte e ganhando território para terem o direito de matar com forte apelo emocional. Se o comunismo matava friamente multidões para o bem da humanidade, hoje o esquerdismo ficou mais modesto, só quer matar algumas pessoas para o bem delas.

Nos lembramos facilmente de Jack Kevorkian, o Dr. Morte, como principal divulgador da eutanásia, cujo argumento, como diz Matt Walsh, de tratar a eutanásia como uma decisão corajosa é chamar quem combate a doença até o fim de covarde… Mas eu quero trazer outro “ativista” do direito de morrer, menos conhecido mas igualmente monstruoso.

Em março de 2001, um psicopata chamado Armin Meiwes visitava a deep web em busca de uma vítima para canibalizar, mas não se tratava uma vítima qualquer, ela tinha que se voluntariar ao seu anúncio. Entre centenas de pessoas (foram 400 e-mails!) entra Brandes, uma vítima voluntária que não só deixou ser filmado, amou homossexualmente seu algoz e até mesmo participou do “banquete”. Brandes foi assassinado com uma piedade Kevorkiana.

Eis o problema: se a eutanásia é moralmente louvável, que crime cometeu Meiwes? Se consentimento da vítima é o que basta para justificar matar alguém, como criminalizar tal forma de sadomasoquismo?

Eu não vou confrontar eutanásia diretamente, mas o princípio libertário que deu a essa idéia um status de moralidade. O principal problema está na extrema popularidade de que o consenso entre adultos é uma regra de ouro, que tornam não só eutanásia mas consequentemente muitas outras causas defendidas por progressistas como casamento homossexual, aborto, legalização de drogas, vantajosas no comércio das idéias e passam a impressão de que libertários estão saindo do fringe por concordar com o mainstream de esquerda que até defende algum individualismo, desde que seja para deixar as pessoas na fila do SUS e Bolsa-Família. Afinal, para essas pessoas tirania não é uma afronta aos direitos naturais, é pura e simplesmente alguém contrariar sua vontade.

Lembro que Meiwes não só realizou contratos voluntários com Brandes mas com padeiros, vendedores de roupa e supermercados. Não havia nada que sua psicopatia o impedisse de negociar com outros. Se estranhamos o consenso com Brandes é pela própria natureza psicopata do contrato. Até mesmo crianças compram coisas com dinheiro dos pais e não são impedidas por causa de sua idade. De novo: se voluntarismo é sempre moral, que crime cometeu Meiwes? Porque não houve hashtags #lovewins e protestos com sua prisão? Os defensores de direitos sexuais, que protagonizam muito mais que o direito à vida de bebês, não quiseram dar sua opinião?

Se Peter Singer – um favorito de juristas como Luiz Flávio Gomes – crê que animais podem participar de consentimento com humanos, como não Meiwes e Brandes, mesmo que sejam dois psicopatas?

Como seria, para libertários, mais socialmente – e politicamente – aceitável alguém matar o parceiro e comê-lo com a conivência dele do que dar palmadas nos filhos, como proíbe Molineux? É difícil uma doutrina ficar mainstream quando dificulta os pais darem vacinas nos filhos.

Nem os progressistas baseiam-se puramente no consenso como os libertários: os tolerantes querem que tratemos minorias como Kim Jong-Un é tratado por norte-coreanos ou seremos presos. O libertarianismo acredita que o pacifismo, e portanto todas as relações voluntárias, pode reduzir ou eliminar a violência e portanto a necessidade de Estado, mas mesmo um anarquista cristão como Tolstoi estando certo em acreditar que o Estado é essencialmente violência organizada, a justa violência é uma necessidade humana fazendo sobreposição, ao menos idealmente, ao might makes right. Miguel Reale sabia que não pagamos impostos com um sorriso.

É fato que nos Estados Unidos e em mais países economicamente liberais do mundo, se proíbe a prostituição, enquanto que países economicamente fechados como o Brasil reconhecem a atividade com o nobre alvo de que “participam em ações educativas no campo da sexualidade“. Isso é relevante pois a liberdade não resiste sem uma cultura de moderação e responsabilidade: não é compreensível que prostituição é forte em países de esquerda como Cuba na mesma proporção em que empreendedorismo é proibido?

Estabelecer uma ética baseada na liberdade é uma causa que soa nobre mas o ser humano não é perfeito, há liberdade para fazer o mal e liberdade para fazer o bem. Tudo o que fazemos tem resultados sociais, não vivemos em uma bolha e tudo em tese pode virar crime se fugir da moderação. Um farol em mal funcionamento um dia não é grande problema, em mal funcionamento todos os dias é uma calamidade. Com homens não é particularmente diferente: Mentir sobre o peso da esposa não é crime mas mentir para uma determinada audiência é (artigo 342 do Código Penal).

Quanto mais cedo não-argumentos clichês como o consentimento forem eliminados mais podemos estudar a realidade das ações humanas e assim saber se temos a obrigação ou o dever de, com base no que é objetivamente justo segundo os direitos naturais, iniciar alguma forma de reprimenda – social ou estatal – para as desestimularem de ocorrer e assim criar boas políticas. Foi por isso que Jonah Goldberg lançou o Tirania de Clichês e assim libertar os debates políticos americanos de argumentos falsos mas que possuem enorme força emocional.

Se há uma repulsa moral em você pelo que fez Meiwes que não é compartilhada por sua ideologia, talvez seja hora de trocar de ideologia para uma mais reacionária. E um apologeta do cristianismo pode te ajudar nisso. Conheça William Lane Craig e o argumento pela objetividade moral no próximo artigo.

Post-Scriptum: Depois do artigo estar quase finalizado, descubro que Theodore Dalrymple fez o mesmo argumento. Para um revolucionário ser original é maravilhoso, mesmo que originalmente errado, mas para um conservador, quanto mais repetitivo seja um argumento verdadeiro, melhor.

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

Papa, e a Ganância do Socialismo?

A passagem do Papa pela América tem levado a inúmeros artigos devido às suas críticas ao capitalismo. Do NYpost ao Breitbart e ao USAToday, ninguém da mídia ficou indiferente. O papa tem sido criticado e aplaudido por sua posição. Mas será que essa não é uma posição inadvertida? Veremos se o capitalismo não é o maior aliado do Papa.

Dinesh D’Souza em seu livro America: Imagine a World Without Her comentou que ninguém defenderia um sistema imoral somente porque funciona. É fácil defender o capitalismo e sua ilimitada geração de riqueza mas quase impossível defender capitalistas. Transformar em virtude algo que por toda a história compreendemos como um pecado capital é um golpe civilizacional. Quem é John Galt diante de Jesus Cristo? Quem é John Galt indeed! Se estamos defendendo um sistema baseado no menos pior, significa que não há modelo econômico para pessoas boas?

O problema ético também reside na popularidade de profissões heróicas que caracteristicamente pertencem ao Estado. Policiais, bombeiros e soldados são figuras indispensáveis que decidem colocar a vida em jogo e não importa o quanto recebam, jamais se superará o que podem perder exercendo o serviço. São essas pessoas que tornam sair na rua possível e mesmo os que não entendem de economia entendem o valor do sacrifício por essa razão. O american way of life seria impossível sem o mais poderoso exército já criado. As pessoas não trabalham na polícia porque não têm nada melhor para fazer que usar um colete no dia a dia como ferramenta de trabalho.

Como bem observado por Jonah Golberg em seu imprescindível Fascismo de Esquerda, a esquerda sempre slippery slope* para o militarismo por essa razão. No militarismo se encontram os ingredientes necessários como vigilância, coletivismo, obediência hierárquica e sacrifício ao dever. O socialismo não existe um dia sem um estado de guerra constante e sem forçar virtudes militares na sociedade e na economia, militarizando-os. As pessoas boas vêem, ao menos na juventude ou até chegar ao poder, o socialismo como um ideal heróico a ser alcançado, um bem fantástico que vale todo sacrifício, mas será que capitalismo exclui pessoas boas e não oferece um bem a ser realizado muito mais concreto?

O capitalismo como diz George Gilder, obriga até o mais ganancioso dos homens a colocar o outro sobre si mesmo. Ele não pode forçar ninguém a entregar dinheiro para ele então precisa dar algo de valor aos outros em troca Assim como o casamento constrita o desejo sexual em algo benéfico ao parceiro e toda a sociedade, o capitalismo ordena um sacrifício pelos interesses da sociedade. Um capitalista não necessariamente trabalha somente para si, mas para os interesses também de sua família, amigos, de sua Igreja e tem de colocar a sociedade sobre tudo para suprir esses interesses.

Os consumidores também não procuram comprar de pessoas gananciosas e imorais, a competição por preços acessíveis sempre vai beneficiar quem produz melhor com menos ganância, serviços são boicotados diariamente baseados na conduta de seus donos e empregados. Levar uma vida sem vícios, sem filhos fora do casamento ajuda a acumular fortuna enquanto que o socialista defende o vício com social safe nets** para que as pessoas dependam mais do Estado, e portanto dependam mais dele. O fato de milionários como Zuckerberg e muitos outros terem continuado trabalhando mesmo após não precisarem mais de dinheiro prova que há coisas que escaparam aos intelectuais, como o prazer de ver as pessoas aprovarem seu trabalho.

Nâo é o mesmo comportamento de um ganancioso que adentra o governo, que através de sindicatos e outros meios, com violência, toma dos outros para seu próprio welfare***, estando protegido por estabilidade e como está fora das regras CLTistas do trabalhador comum, não é possível boicotá-lo nem negociar com ele sem a ajuda de um político. Por ele dizer que oferta tudo de graça enquanto cobra pelos seus serviços ele pode ser o mais ganancioso dos homens. Ao caridoso seria menos penoso buscar ofertas no livre mercado que gerariam menos custos e ajudariam mais pessoas, mas não é assim quando é o socialista que monopoliza esse serviço. O socialista fica livre para cobrar o dobro do que qualquer empresário lucra em nome do hipossuficiente.

Direita: Lavando a louça antes de salvar o mundo.

Direita: Lavando a louça antes de salvar o mundo.

O capitalista tem de restringir seus apetites para ter sucesso, ao socialista basta transformar seus desejos em ordens aos políticos. Não importa agradar o pagador de impostos, mas fazer pressão sobre os eleitos pelo seu voto.

Não é difícil notar que é pior quando a ganância vem com violência e sutileza. É fácil admirar a austeridade thatcherista de Mujica – o primeiro socialista sem rolex – mas um governo que não oferte salário de megaempresários a funcionários públicos é hostilizado como se não desse valor ao serviço público: se quer ver o mais fiel comunista defender meritocracia e desigualdade econômica, critique a indústria do concurseiro. Pelo visto custa caro pregar igualdade econômica.

Veja como Estados ficam acorrentados demais pelos gananciosos para negociar austeridade. Sabemos que se o Estado demitir os gananciosos do seu meio, ainda assim haverá milhares de outros profissionais dispostos a fazer o mesmo serviço público com regras mais flexíveis que folgariam para o pagador de impostos ou abririam vaga para investimentos, mas o Estado não pode ofertar mais por menos porque todo um sistema paralelo ao governo foi gerado para proteger a ganância de uns poucos contra a sociedade e isso é visto como uma atitude libertária anti-Estado.

Ganância também é o que motiva Estados comunistas: O trabalho que fazem coletivamente é para superar um Estado que lhes seja concorrente, especialmente se for um Estado capitalista. O socialismo pode não desejar que empresários concorram entre si, mas fazem o que podem para que seu Estado seja mais forte que o do vizinho, econômica e militarmente, como a rivalidade da Coréia do Norte com a do Sul. Liberais, com bom senso, não são sempre pró-ganância, especialmente por pedirem limitações à ganância monopolizadora estatal e moderação nas aventuras militares, pena que perdem o bom senso quando não percebem que é a ganância que desrespeita as regras da competitividade e cria o protecionismo.

Capitalismo também justifica a caridade como melhor que o roubo.

Caridade e roubo tem os mesmos efeitos de redistribuição de renda, mas foge ao socialista que ao momento em que todos têm o mesmo nível econômico, a mesma quantidade de dinheiro, a mesma quantidade de propriedades, o que haverá em seguida? As pessoas criarão desigualdade porque irão comprar dos ricos de novo. Os ricos serão eternamente necessários para produzir os bens que precisamos comprar.

Esse é o problema da “caridade” governamental: a caridade não destrói o rico, não o sequestra e parasita, não usa violência para tomar seus bens, seu foco não é uma reivindicação de um direito sobre as propriedades dele, isso se assemelha mais ao pensamento de um assaltante. A caridade redistribui renda protegendo o direito de propriedade, o socialismo transformou o assalto privado em público, gratuito e de qualidade.

Mais importante, um ladrão pode usar o dinheiro que toma de forma ordeira e até gerar riqueza com ele, é fácil notar que se roubo fosse parte das estatísticas de redução de desigualdade, ajudaria a eliminá-la. Porque você acha que a esquerda defende sempre o lado errado em um assalto?

Fica bem claro qual sistema econômico promove a ganância em nome da utopia e qual coloca cada vez mais barreiras a ela em nome do bem comum, basta ao Papa ter essa percepção. Podemos discutir o problema ético das escolhas individuais dos consumidores mas não se trata de um problema econômico e sim cultural, basta o motto “O capitalismo é bom, o homem o corrompe” para entender esse problema. O Papa certamente tem grande dificuldade em achar virtuoso um sistema que transforma Nicky Minaj em milionária.

O maior dano que políticas socialistas causam é no caráter moral de uma nação, deseducando para de forma legal e com aparência de justiça justificarem a cobiça e a inveja aos que são maiores porque servem aos outros. Então nós temos um sistema que premia o auto-sacrifício, que limita a ganância, que limita a prodigiosidade, que desencoraja os vícios, contra uma ideologia que dá a todos os defeitos de caráter um passe livre usando o Estado. É fácil saber qual é a escolha das pessoas que desejam ser virtuosas e qual em tese, deveria ser a escolha aprovada do Papa.

Críticas ao comunismo certamente ficarão para uma próxima passada em Cuba.

* Trocadilho que em português ficaria algo como “corre inevitavelmente”

** Rede de proteção social

*** Bem-estar

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

Partido Brasileiro Homenageia a URSS

468px-Kremlin_Star (1)

Estrela do Kremlin

Parece impossível provar a existência do comunismo no Brasil sem sofrer com a ridicularizarão de ser um lunatic fringe. Ainda há uma maioria da população – constituída até de petistas – ignorante que acredita que o petismo é apenas um tucanismo colorado, que o apreço do partido pela democracia, por bancos e pelo progressismo supera qualquer intento revolucionário e radical. O vermelho até se disfarça pela utilização da cor por partidos Labour europeus e pelo GOP, mas a estrela é o maior sinal de que Lula é mais do que um fã da Heineken.

Sim, são muito poucos os que percebem que o maior ícone petista compete com o ícone do PCdoB em carga histórica, mas não recebe a mesma antipatia nas urnas dentro da nossa democracia por ignorância do eleitorado. Quando se vota no PT se vota na URSS, em Fidel, em FARC, mas muitos dos eleitores não sabem disso, o petismo seguiu o conselho de que “se quer esconder algo, coloque em plena vista”:

sogenteboa

"É esses protestos aí que apóiam ditadura militar"

“É esses protestos aí que apóiam ditadura militar”

Como o maior e mais forte partido do país pode dispor de um dos símbolos mais genocidas da história, usado por inúmeras ditaduras assassinas, e as pessoas ainda acreditarem que somos quintal de ditaduras militares da esquerda latina para não sermos quintal do imperialismo Yankee?

A inspiração soviética no petismo não para em seu símbolo, mas continua por toda sua estética. Até mesmo o punho em riste, usado por Dirceu e Genoíno em suas prisões e nas postagens oficiais do partido no facebook, lembram o antigo red salute, ícone revolucionário.

Por qual razão somos refúgio de revolucionários radicais como Battisti e membros da FARC como Medina e não para atletas foragidos de Cuba como Erislandy Lara? Por que Lula preencheu os rankings do partido de ex-guerrilheiros comunistas nomeando uma como sua sucessora?

Poucos dão verdadeira atenção aos amigos radicais do petismo na América Latina. Se o PT não é radical o suficiente para ser amigo do PCdoB e PSOL no Brasil, como o é para ser amigo e aliado de sujeitos como Hugo Chavez, Evo Moralez e Fidel Castro, figuras que o PCdoB e PSOL colocam na parede? Isso não é em virtude de Fidel, Chavez e as FARC não acreditarem na imagem de moderado que Lula transmite no Brasil? Lula pode se fazer de moderado em questões internas, mas diplomaticamente é tão radical a ponto de considerar Ahmadinejad um companheiro e dizer que há excesso de democracia na Venezuela.

A força política de Lula dentro do partido advém da mitificação do líder revolucionário: a mesma mitificação cultista que colocou em lágrimas milhões de Norte-Coreanos na morte de Kim II-Sung por força de lavagem cerebral; a mesma mitificação canonizadora de Stalin, de Guevara, de Mao Tse Tung. Com ajuda de estatísticas artificiais, propaganda mentirosa e acusações de traição contra os rivais – armas geneticamente soviéticas -, o petismo disfarça a sua mitologia religiosa em pseudo-conhecimento ao transformar Lula na figura heroica de um venerável santo dos pobres. Mesmo que falhem continuamente em espalhar isso pelo simples fato da mensagem ser claramente falsa, não é isso que buscam fazer em toda propaganda partidária?

Não foi culpa da oposição que Lula frustrou seu potencial de se tornar mais um tiranete latino, foi mais por culpa de seus próprios vícios e de seu partido que, sedentos por poder além da legitimidade, não pensaram duas vezes em usar a corrupção como arma política, comprando votos e financiando com estatais sua assimilação com o Estado.

Só quem vive em uma bolha pode ostracizar quem observa que Lula se jacta abertamente de não haver eleições com Direita¹ enquanto comenta os sucessos do Foro em palestras universitárias² e coloca o Itamaraty para servir a linha Havana de diplomacia, excluindo países que enfrentam a sede de poder permanente dos candidatos do Foro de São Paulo, como em Honduras e no Paraguai. Essas idéias não saíram da boca de Olavo de Carvalho, mas do próprio PT na figura de seu líder máximo.

É só uma teoria da conspiração

É só uma teoria da conspiração

Os países vizinhos do Brasil tem, com sucesso, colocado no mainstream cultural o culto ao líder similar ao tentado pelo petismo no Brasil: na Bolívia e na Venezuela se mistura marxismo e indigenismo sem que a população creia estar adotando uma ideologia geneticamente alemã. Exotismo atrai socialistas do mundo todo pois um povo exótico é geralmente menos influenciado por uma cultura de universalidade, além de ser mais voltado a políticas tribais, classistas. É por isso que o socialismo faz sucesso entre povos que se sentem marginalizados pela cultura européia. Há até alguma tentativa forçada de fazer o Brasil ser mais oriental que ocidental, por isso há uma imagem turística divulgada lá fora de maior afinidade cultural do Brasil com China, Irã, Índia e Russia do que com países modernos como Portugal, Chile, Japão e Estados Unidos; mas uma parcela pequena da população se relacionou com a Caxirola.

A estrela vermelha é banida de países como Lituânia, Hungria e Ucrânia e só não é em mais por proteção da Corte Europeia de Direitos Humanos à liberdade de expressão. Claro, pode-se dizer que o PT tem seguido o fabianismo do PSDB mais de uma vez para agradar uma parcela do eleitorado. Um partido desse porte contém diversos interesses e não se ignora que boa parte deles sejam egoístas de gente cafona; mas tirando o variável fator humano e contingências temporárias para manutenção do poder, como instituição, a que direção se move o PT?

Será que somos mais aliados da Bolívia que do socialismo escandinavo por mera vizinhança? Por que damos tanto para Cuba sem pedir nada em troca? Quais são os nossos interesses nacionais e por que os colocamos de lado? Por que a esquerda progressista não se pergunta se é realmente necessário vir com a ditadura cubana na bagagem para militar por coisas como direitos homossexuais, direito ao aborto, educação e saúde gratuitas? Para demonstrar ceticismo anti-americano temos de desejar ser parte do eixo do mal ao ficarmos aliados de proto-ditadores de inspiração estalinista, de Ahmadinejad e de Cuba?

Se este artigo não é capaz de convencê-lo, ao menos parece ter convencido os membros do Foro de São Paulo. Se para você Fidel Castro é presidente e Kim Jong-Un um ditador, perco as esperanças. Se você acredita que o comunismo não é ameaça aos anti-corpos democráticos brasileiros é bom não subestimar a informação de que perdemos para Botswana em educação e um dia os black blocks se formam em pedagogia: Tudo é possível.

Talvez a nossa esquerda, que tanto se justifica sobre o socialismo escandinavo enquanto pratica o chavismo mais chinfrim, aprenda com os nórdicos a não ter o sovietismo como fonte de seus símbolos.

Scandinavian-Flags

Cruzes Socialistas?

1-


2-

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

Por que o Japão não odeia os Estados Unidos?

Em todo aniversário do lançamento da bomba atômica sobre Hiroshima e Nagasaki observo que anti-americanismo e ressentimento são muito mais fortes em países que não foram vítimas – como o Brasil – que no próprio Japão. Se o Japão hoje é um dos melhores aliados dos americanos na Ásia, adorando o capitalismo e a cultura “imperialista” que ama carros, animes e jogos japoneses, então por que ouvimos comparação dos americanos à terroristas nesta data?

Para entender a decisão de lançar a bomba atômica é necessário compreender que suicídios em massa faziam parte da ética militar japonesa. O povo japonês, em tese, preferia morrer a se entregar, pois morrendo de forma honrosa se alcançaria o céu.

Em Saipan, segundo o premiado historiador Herbert Bix, o Imperador Hirohito ordenou que todos os civis cometessem suicídio em massa para garantirem o mesmo paraíso dos militares. Em Okinawa, parte da população da ilha cometeu suicídio e, não poucas vezes, acompanhou militares em ataques suicidas. Isso sem contar as baixas do exército, em que entre milhares que atacavam o exército americano, sobreviviam apenas algumas centenas: na batalha de Saipan, dos 31 mil homens da força japonesa apenas 921 foram feitos prisioneiros.

Sem as mortes civis das bombas atômicas, estimadas em quase 200 mil, o Japão já havia perdido 350 mil civis, boa parte da conta em suicídios voluntários ou obrigados por militares. O Imperador Hirohito e os militares eram piores que duas bombas atômicas.

Uma invasão poderia causar um grande genocídio do povo nipônico perpetrado pelo próprio exército japonês, como ocorreu em Saipan. Sem a bomba o desaparecimento do povo japonês era uma possibilidade, foi ela quem salvou o povo japonês de morrer por causa de seus maus governantes.

Após a guerra, o surpreendente milagre econômico japonês tinha como principal presença os Estados Unidos: foram os americanos que acabaram com monopólios japoneses, abrindo a economia; derrubaram a religião estatal – o shinto – e criaram uma constituição liberal que permitiu o povo japonês votar pela primeira vez. Até mesmo a tão invejável educação japonesa teve influência dos Estados Unidos. Sem a opressão do Império, da religião e dos militares, os japoneses puderam experimentar a cidadania e prosperar para ser um grande player do primeiro mundo.

Os Estados Unidos ocuparam o país, o modernizaram e o reconstruíram sem pedir absolutamente nada em troca, algo raro na história da humanidade. Essa atitude mostrou a nobreza de caráter daquela geração que provou ter caridade até com o seu inimigo mais mortal, refletindo os valores evangélicos do ocidente. Cabe saber se os seus detratores teriam a grandiosidade moral de fazer igual.

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

Precisamos de Uma Cultura do Carro

Essa semana houve a maravilhosa notícia para quem quer tirar sua carteira de habilitação (eu incluso): o governo finalmente quer que gastemos algum tempo em frente a um simulador, o que vai tornar ainda mais caro e demorado o curso para finalmente poder dirigir. O blog “tem algo errado ou estamos ricos” comenta que o preço  para tirar a carteira nos EUA é  tão baixo que se você ficar no semáforo uma tarde pedindo dinheiro dá para conseguir juntar.

Os valores do blog são antigos, mas se já reclamavam de 1000 reais da época, hoje valor dobrou para 2000 reais. E vi isso antes da regra do Ridge Racer – conservadores preferem Cruisin Usa e libertários Road Rash, divago.

Como mostra o site MyCSF o processo nos Estados Unidos é extremamente simples, rápido e barato:

  • Você não precisa assistir as aulas de legislação em uma escola conveniada, você estuda por conta própria e faz a prova;
  • Caso você reprove na prova de legislação, você pode tentar novamente no mesmo dia;
  • Caso você seja aprovado, você pode no mesmo dia tentar fazer a prova de direção;
  • Caso reprove na prova de direção, no dia seguinte você pode tentar novamente;
  • Você não precisa fazer aulas de direção. Ao passar na prova de legislação você recebe uma licença que te permite dirigir com alguém com experiência te acompanhando, dessa forma, os adolescentes (ou até mesmo adultos)  aprendem a dirigir com a ajuda de amigos/pai/mãe/familiares/etc.;
  • No Brasil o preço mínimo para tirar uma carteira de habilitação, é na faixa de 1000 reais. Nos EUA, com cerca de 30 dólares, você consegue ter sua carteira.

Não vejo acontecer mais acidentes nos EUA que no Brasil; pelo contrário, acho que o governo não quer que experimentemos as suas belas estradas.

O que acontece quando o governo encarece algo a ponto de se tornar inacessível e destruir os seus sonhos? Reduzir as regras e os gastos? Não! Ele torna isso gratuito. Agora ele pode forçar você a pagar de 10 a 30 carteiras através dos tributos. É uma maravilha para o governo e para quem fornece os serviços, afinal o governo toma o lugar do consumidor e é muito mais fácil agradá-lo do que um cliente. Logo estaremos dependendo do transporte público, e carteira será um item de luxo como por exemplo um certo smartphone de duzentos dólares.

O fetiche por ônibus que a esquerda possui supera o fetiche por caminhão do flogão. Bill Whittle, em um de seus melhores vídeos, comenta que a esquerda ama transporte público porque ama dizer quando e onde as pessoas devem ir. Carros e motos oferecem a cada pessoa a oportunidade de se programar e ir onde quiserem sem a ajuda dos iluminados do trânsito. É por isso que a cultura do carro nos Estados Unidos é tão forte que praticamente vem um na cesta básica.

Falando em carros, arrumaram um grande vilão para os preços absurdos praticados no Brasil: o lucro, mas das montadoras, não do governo. Qualquer um sabe – ok, políticos não – que é exatamente a busca por lucro que reduz a margem de ganho entre concorrentes livres (liberdade de concorrência no Brasil é estranho, mas temos bastante produtos em oferta). A suposta margem de lucro das montadoras, desconfio, é composta pelos tributos indiretos que ainda não vi serem contados: o preço do trabalhador brasileiro, os custos elevados de infraestrutura (energia, transporte, saneamento), e overall, respirar no brasil custa mais caro. Que dirá comer, pagamos mais caro não só por carro, mas até por salsicha.

Ao que parece, os Estados Unidos nunca condenou o lucro de ninguém. As gananciosas montadoras americanas e estrangeiras lá podem subir seus preços como quiserem e os preços ainda assim são mais baixos que aqui.

É a tributação indireta ou o protecionismo brasileiro mostra sua conta. Queremos garantia de empregos sobre poder de consumo, “ética protestante e o espírito do capitalismo” à brasileira.

De toda forma o lucro, em princípio, não é o vilão, é a salvação. Quanto maior a liberdade de barganha, maior o ganho do consumidor. Movimentar para haver mais concorrência é muito mais prático do que brincar de vaca amarela e fazer campanha para ninguém comprar carro novo. Quem comemora a saída de grandes marcas ou o fracasso geral da indústria automobilística brasileira pode começar a montar um estábulo.

Agora você sabe porque o governo quer investir em ciclovias. Corra que ainda dá tempo de achar alguma bicicleta em oferta antes que o governo comece a criar regras para ciclistas.

Cabe saber onde entram motos no esquema cicloativista. Essas maravilhas que tem tudo o que uma bicicleta tem, e mais, não fazem parte do plano porque poluem; e por isso, amigo motoqueiro, você que se vire costurando no meio dos carros.

Eu só acho que aquela idéia do governo construir estradas deu muito errado.

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

Página 4 de 6123456