Charles Gomes

@Chrlsgms

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Mesmo Sem Corrupção o Socialismo Não Funciona

Quando a coisa começa a apertar e os corsários eleitos pela mídia e universidades dominadas pela esquerda querem parte dos espólios, os socialistas apelam para a beleza da utopia e as falhas morais de uma sociedade. Como um alfaiate que corta o cliente para o terno servir, o socialismo não está dando certo no Brasil pois o brasileiro vez ou outra apronta. Se o brasileiro tivesse uma cultura impoluta o ideal seria alcançado.

Mas é assim?

Bryan Caplan, professor de economia na George Maison, popular autor do The Myth of Rational Voter: Why Democracies Choose Bad Policies e curador do site Museu do Comunismo percebeu algo em comum nos genocidas líderes comunistas que tanto estuda. Ele diz:

Tanto quanto sei, Robespierre, Lenin, Stalin, Mao, e Pol Pot foram extraordinariamente incorruptíveis, e eu os odeio por essa característica.

Por quê? Porque quando seu objetivo é assassinato em massa, a corrupção salva vidas. A corrupção te seduz ao caminho mais fácil, a se conciliar, a concordar em discordar. Corrupção não é um veneno que faz tudo pior. É um agente diluidor como água. A corrupção faz políticas boas menos boas, e políticas más menos más.

Eu li milhares de páginas sobre Hitler. Eu não me lembro do registro de nenhum ínfimo sinal de “corrupção”. Como Robespierre, Lenin, Stalin, Mao e Pol Pot, Hitler era um fanático assassino sincero. O mesmo acontece para a maioria dos maiores vilões da história – Leia o clássico de Eric Hoffer, The True Believer. Sinceridade é superestimada. Se somente alguns desses monstros farisaicos tivessem sido hipócritas corruptos, milhões de suas vítimas poderiam ter barganhado e comprado sua saída do inferno.

Bryan está certo. Por exemplo, o republicano Lincoln aproveitou-se da corrupção para avançar a agenda abolicionista. Em tempos de totalitarismo e abusos do poder, a corrupção acaba vindo a ser fortuna dos justos: não vejo os judeus salvos por Schindler reclamando.

Quando uma ideologia defende o fim da propriedade privada ou sua relativização através de um remanejo, o Leviatã virá para os nossos bolsos por força coerciva de lei. O socialismo é a defesa moral de um assalto em larga escala. A teoria é má.

Com o discurso malicioso de culpar a sociedade pela corrupção, os socialistas conseguem fazer com que o brasileiro lute contra a corrupção por mais Estado dizendo que a corrupção rouba da sociedade um colégio ou hospital, como expressado pela ministra do STF Cármen Lúcia. Quanto mais a esquerda se corrompe, mais se torna necessário fortalecer o Estado, se possível com um discurso ainda mais radical. A corrupção deles os ajuda a crescer, estatizar a economia e se manter no poder. É difícil explicar a uma parte dos brasileiros que se indigna, que até foram às ruas, que a demagogia populista sobre saúde e educação é pensamento mágico. O mercado pode oferecer esses mesmos serviços por preços muito mais baratos que aquele servido pelo Estado e sem prejuízo à saúde econômica, ao contrário, mas o caminho de dar mais enriquecimento aos socialistas e sua aristocracia burocrática continua sendo vista como a via moral.

Os socialistas não foram os primeiros e nem serão os últimos a defenderem Estados tiranos e totalitários, tampouco corrupção não existe em outros lugares, mas nós sabemos que o comunismo não funciona exatamente porque ele foi testado diversas vezes em culturas diferentes com o mesmo resultado. Seus líderes foram assassinos idealistas, perfeccionistas na sua arte genocida, crentes fanáticos do marxismo e da força do Estado. Assim como o assaltante pode se livrar da polícia e usufruir o prêmio do furto impune, o socialismo pode até funcionar muito brevemente para os seus ladrões, mas uma nação que acredita em bom assalto não vai ter para sempre o que roubar, o parasita sempre engorda antes de morrer junto com o hospedeiro.

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

Acuse-os do que você é

Nesses dias a Folha publicou um artigo com o título “A farsa de Cunha, Jihadista da Direita Corrupta”, o caso virou piada nas redes.

Se fosse somente o tom exagerado de um colunista ex-editor da Folha que faz parte da lapdog media tudo bem, mas o próprio Planalto considerou como jihadista a carta vazada de Michel Temer! Assim, dignificou a excentricidade do insulto como argumento pró-governo contra o PMDB. Com tanto desespero por causa de falta de argumento dos governistas, é difícil saber se não estão levando a sério chamar a oposição de terrorista.

12341500_563047167177607_654357599968468411_nEm defesa do governo ou não, a indireta foi para a direita.

A direita é sempre acusada exatamente daquilo que é contra. Insultos como fascista e nazista são lançados na nossa face quando a direita da Segunda Guerra era Charles de Gaulle e Winston Churchill e a esquerda, bem.. era fascista e nazista; E agora somos jihadistas quando a esquerda no mundo luta contra líderes “islamofóbicos” e “xenofóbos”. Cabe lembrar: apesar de Temer e Cunha nunca terem lido um autor de direita estão sendo considerados assim, da mesma forma como o PSDB é considerado por eles como direita. Se está difícil eles entenderem que um partido que leva Nacional Socialista no nome é de esquerda, imagina os Social Democracia daqui… Nem pintando.

Para Stalin, Trotsky era direita e para Trotsky, Stalin era direita. Quem quer que ganhe a direita perde.

A esquerda busca um nome político feio e cola na direita, mesmo quando esse vilão é ela mesma.  Isso sinaliza que a esquerda está construindo outro espantalho a colar nos direitistas das próximas gerações.

Hoje é piada, como seria piada chamar direitista de nazista e fascista décadas atrás. Agora nós temos que ensinar seriamente que nossa tradição política passa longe desses movimentos revolucionários.

Somos obrigados a escrever livros explicando como a esquerda incensava seus ditadores como hoje incensam tipos como Fidel Castro. Nossas universidades recebem professores apologistas de regimes totalitários porque eles têm o DNA de esquerda mas não aceitam nenhum conservador.

2938562O deputado homossexual Jean Willys colabora com a inclusão do islamismo nas escolas ao mesmo tempo em que homossexualismo é banido nos países que seguem a Sharia.

E é a direita que é jihadista, mas não creio que somos bem vindos.

Hoje damos risada, mas e nossos filhos quando forem de direita não terão de ensinar contra mais um revisionismo histórico? Se os terroristas comunistas financiados por Cuba que explodiam aeroportos são considerados heróis da democracia liberal hoje, o quão absurda poderá ser a próxima manipulação histórica da esquerda?

Não podemos relaxar e subestimar a capacidade da esquerda distorcer a realidade a seu favor, com uma educação recordista em ser pior há décadas. Uma nação que passa pela educação burocrática se mostra muito vulnerável a idéias radicalmente mentirosas.

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

Quando vai ter Black Friday do Judiciário?

Quem fizer uma breve pesquisa dos salários de quem prega desigualdade econômica no país, descobrirá não só o sentido da hipocrisia, mas que está custando cada vez mais caro manter esses anjos entre nós. Um governo estrangulado por sindicatos tem pouca capacidade para negociar redução de salários nessa crise nascente, por meio de cortes ou com abertura oportunidades a quem poderia fazer dez vezes mais por dez vezes menos. Dada a situação brasileira, não seria difícil encontrar substitutos mais vocacionados e com consciência fiscal.

Os privilégios perturbantes do judiciário chamaram a atenção do deputado Nelson Marchesan Jr. (PSDB/RJ), que está na luta contra os salários de megaempresários do STF, juízes e desembargadores. O Deputado, pelo seu twitter, tem recebido apoio popular e aplausos de quem exige que todos vivam sob a CLT. Apesar de críticas ferinas serem mais comumente dirigidas aos políticos, a fonte de renda de todos os que trabalham no setor público é a mesma. E o desperdício do erário popular é a norma, não a exceção. Diz o deputado em seu site:

O relatório do Deputado Federal Nelson Marchezan Jr., ao projeto de Lei 3123/2015, que tenta mais uma vez limitar o teto de remuneração de todos os servidores públicos, conforme determina a Constituição, deverá ser votado amanhã, pela Câmara dos Deputados.

Hoje, o teto de remuneração é a remuneração dos Ministros do STF, que é de R$ 33.763,00. Com as interpretações que privilegiam apenas a si próprios, as carreiras que já atingiram o teto, passaram a agregar outras vantagens às suas remunerações. Dessa forma, existem dezenas de milhares de servidores ganhando salários de R$ 60, R$ 80, R$ 90 mil, e outros ganhando ainda mais. Não há limites para as ilegalidades e abusos.

A intenção do projeto, que num ambiente jurídico sério seria desnecessário, é definir melhor o teto como tal. E, ao final, expressar que o cidadão não quer pagar a mais que o teto determinado, que já é um supersalário. “Temos verdadeiros abusos, uma corrupção legalizada, com interpretações das mais absurdas. Se antigamente tínhamos os nobres que cobravam tributos e deixavam migalhas para os cidadãos, hoje temos a neo-nobreza, essa casta dos servidores públicos que se acha melhor que todos os brasileiros”, reforça Marchezan.

Dar apoio ao deputado é ainda mais importante depois da vitória da pauta bomba, que mostra que a causa do funcionalismo é gerar mais desigualdade econômica. Precisamos pressionar a nobreza estatal a explicar o quão meritosos eles são para famílias que vivem com menos de dois mil reais por mês, que pagam aluguel e compram leite com o salário dos funcionários públicos embutidos nos preços. Quão necessários eles são ao criarem mais burocracias com o objetivo de gerar mais empregos no setor público?

Juízes teorizam que seus altos salários são justificados para se distanciarem do poder econômico, assim evitariam a sedução pelo setor empresarial em suas decisões. Com isso, eles chantageiam a população brasileira a pagar propina pela sua honestidade, e, quando achamos que estão satisfeitos, descobrimos que somos reféns. É impossível achar alguém no Brasil que seja honesto de graça?

Boa parte desse apelo popular de redução dos privilégios do judiciário são esforços de Claudia Wallin para mostrar a diferença entre modéstia dos funcionários públicos escandinavos aos sibaríticos servidores brasileiros. A página da jornalista tem o apoio de 22 mil pessoas, que regularmente assistem passivas à corrupção realizada pela via da legalidade.

O funcionalismo no Brasil é preocupante, pois não permite que funcionários sejam cortados quando tais medidas são necessárias. No casamento há divórcio por virtualmente qualquer motivo, mas demitir um funcionário público é virtualmente impossível. Uma vez passado no concurso, o servidor está ligado ao pagador de impostos até que a morte os separe. O serviço público perde sua função pública quando pensa em proteger mais os servidores do que o público.

Talvez, como gostam de dizer, a situação seja de inveja, mas só inveja quem quer imitar. Atrapalhar e trabalhar podem ser atividades forçosas, mas não são a mesma coisa. Há mais gente ganhando fortunas para atrapalhar a economia brasileira do que trabalhando para erguê-la. Não dá para se defenderem na ganância em que vivem, pois não fazem serviços públicos voluntariamente e recebem até mais que os gananciosos capitalistas do setor privado.

O funcionalismo é a maior base eleitoral da esquerda. Isso se dá não só por culpa do welfare interno ao sistema, mas porque se sua herança veio de um funcionário público e isso te tirou da pobreza, não importa se você é um empresário de sucesso, você ainda sentirá estar em dívida com o Estado, algo que dificultaria a formação de um pensamento cético com relação ao expansionismo estatal. Se Dilma resolveu mexer nos concurseiros, é porque a crise está pior do que pensamos.

Se querem discutir meritocracia e eficiência, podem vir! Irão finalmente entender porque a direita é a favor do capitalismo. Exatamente porque a ganância e prodigiosidade são fatores negativos na economia livre. Se liberais fossem menos míopes, enxergariam que só defendem esse sistema quando ele limita a ganância e beneficia toda a sociedade.

Ao fim, o funcionalismo está apenas atrasando o progresso do Brasil. O parasita mata o hospedeiro e morre com ele, e de nada adianta ir para a popa do Titanic na última hora. O poder de consumo distancia-se cada vez mais do salário, e tanto pobres quanto ricos sentirão isso. Talvez haverá um dia em que um funcionário do governo se pergunte: se o Mujica, que possui a responsabilidade de governar um país pode viver assim, eu não posso?

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

STF, não queremos essa droga!

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O STF nessa semana está já com 3 votos a favor da legalização das drogas. Com um STF dominado pelo petismo, ficou mais fácil ao partido governar o país com juízes do que legislar através de uma presidente infame. Mas a tramóia (que até quem é a favor da legalização deveria ficar atento) não nos impede de dizer que a legalização das drogas não é assunto de países verdadeiramente democráticos que têm dificuldade em por fim a questão.

É impossível dizer que por nós estarmos falhando na guerra contra o homicídio, assalto e estupro (e estamos) as leis contra o homicídio, assalto e estupro se tornaram um impedimento a vencer esses crimes, mas é precisamente essa anomia que é transportada para causas como aborto e drogas. Ora, se o pacifismo libertário não conseguiu convencer Caim – quando não havia nenhum governo – é difícil crer que convenceria toda a humanidade. Libertários devem sofrer com farmacêuticos não querendo vender remédios tarja preta a eles.

A guerra contra a guerra às drogas é uma das causas liberais com melhor apelo hoje em dia, até porque é capitaneada pela esquerda, passando a impressão aos libertários de que estão vencendo ao se juntar à corrente. Mesmo que médicos não subam o morro em busca de material para curar o câncer talvez porque usuários de maconha tenham fumado tudo por lazer o que aliviaria a dor de muitos, a aceitação social tem só crescido enquanto o vício que é o liame de amizade entre meninos ricos de condomínio e assassinos sequestradores é ignorado. Usuários de drogas estão mais propensos a boicotar  a Friboi que criminosos.

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Poucos libertários discordariam que liberar as drogas aumenta o poder do Estado. O controle que já é exercido em substâncias como álcool e fumo passará a ser pior em substâncias mais perigosas.

Libertários quando defendem o fim da guerra às drogas passam a desejar maior controle mudando simplesmente o front da guerra. É contraditório imaginar, enquanto a indústria do fumo e álcool tem de fazer publicidade para vender menos, que o Estado não vai dobrar seus esforços no controle de outras indústrias. Aumentando esforços, aumenta-se o lucro dos esquerdistas que só apoiam causas que fortalecem o poder de influência e negociação do Estado e suas agências reguladoras para que então possam arrancar mais dinheiro da população através deles, já que dependem da violência tributária.

Como sabemos que o discurso de igualdade econômica não se dá entre os agentes do Estado e sociedade privada, essa violência tributária encarece o produto. É a razão pelo qual filmes em dvds piratas são mais vendidos que dvds originais. A legalização nada promete senão encarecer o preço do legalizado em face dos preços baixos do tráfico e aumentar a demanda pois provar a origem, se ilegal ou legal, será mais difícil.

O que sobra para comemorar é a arrecadação de impostos, que também aconteceria se fosse tributado o ar. Mas o que um  governo que bate recordes anuais em arrecadação precisa é de mais dinheiro? A bandeira acaba perdendo boa parte do seu appeal liberal com isso.

Guerra aos consumidores nem sempre resulta em derrota, mercados bastante estigmatizados como barriga de aluguel, tráfico de órgãos, armas automáticas, venda de crianças e da pornografia infantil sofrem grandes quedas de investimento com o apoio popular em discriminar tanto o consumidor quanto o fornecedor, mesmo que haja quem declare pornografia infantil algo mais inofensivo que maconha. Aliás, liberação da pornografia infantil é uma das causas libertárias menos conhecidas. Talvez, como a California fez com a pornografia, atuar e fazer sexo são coisas distintas.

Países de primeiro mundo como Japão e Suécia são lugares onde o combate às drogas deu certo porque houve real combate à drogas, não atitudes covardes ou desinteressadas de políticos cuja ideologia é a da liberalização. Mesmo a lei seca estava dando certo à princípio.

anti-drug-psa-1229__iphone_640Liberalismo econômico só pode ser mantido com conservadorismo cultural, não com o liberalismo social. Causas do liberalismo social são causas que defendem a liberdade como toda boa intenção ingênua do esquerdismo mas decaem em uma maior repressão e crescimento do domínio estatal.

Isso não é alarmismo, a escravidão não destruiu a humanidade, tampouco os coliseus destruíram Roma, mesmo tendo sido piores que o roubo socialista pois a destruição direta do capital humano é pior que a destruição da economia. Há até quem veja nesses crimes civilizacionais alguma razoabilidade por terem sido eficientes para a época. É mais do que provável que as causas do liberalismo social não destruirão toda sociedade como pequenos e até grandes males não o fazem, mas criará um bom número de prejudicados. Enfim, o liberalismo social acaba esmagando a menor das minorias que diz defender, o indivíduo.

Não haverá partidos e políticos com medidas positivas para reforçar a paternidade, a família dentre outras prevenções, mas haverá partidos defendendo como caridade medidas à Robin Hood para ajudar as vidas que eles destruíram em primeiro lugar.

Os interessados no liberalismo econômico poderiam evitar isso sendo conservadores, ou podem jogar contra si mesmos sendo parte do problema. Uma pequena intervenção pode em muito evitar uma grande intervenção do governo. Os custos de uma polícia forte que atuará não só nesse campo é menor do que várias agências reguladoras, sem contar os gastos com uma saúde pública que não discrimina quem coloca sua saúde em risco por lazer. A melhor agência reguladora é a polícia.

Sem mencionar que o tráfico de álcool e cigarro não desapareceram, a experiência deveria contar aos liberais que vamos gastar tanto com uma polícia forte como em agências reguladoras, para satisfazer a todos mas principalmente a quem pertence o Estado.

E sim, Marisa Lobo estava certa.

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

 

Problema Ético do Consenso Parte 1

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Com a eutanásia sendo aprovada recentemente na Califórnia, somos novamente surpreendidos que o ativismo homicida da esquerda continua forte e ganhando território para terem o direito de matar com forte apelo emocional. Se o comunismo matava friamente multidões para o bem da humanidade, hoje o esquerdismo ficou mais modesto, só quer matar algumas pessoas para o bem delas.

Nos lembramos facilmente de Jack Kevorkian, o Dr. Morte, como principal divulgador da eutanásia, cujo argumento, como diz Matt Walsh, de tratar a eutanásia como uma decisão corajosa é chamar quem combate a doença até o fim de covarde… Mas eu quero trazer outro “ativista” do direito de morrer, menos conhecido mas igualmente monstruoso.

Em março de 2001, um psicopata chamado Armin Meiwes visitava a deep web em busca de uma vítima para canibalizar, mas não se tratava uma vítima qualquer, ela tinha que se voluntariar ao seu anúncio. Entre centenas de pessoas (foram 400 e-mails!) entra Brandes, uma vítima voluntária que não só deixou ser filmado, amou homossexualmente seu algoz e até mesmo participou do “banquete”. Brandes foi assassinado com uma piedade Kevorkiana.

Eis o problema: se a eutanásia é moralmente louvável, que crime cometeu Meiwes? Se consentimento da vítima é o que basta para justificar matar alguém, como criminalizar tal forma de sadomasoquismo?

Eu não vou confrontar eutanásia diretamente, mas o princípio libertário que deu a essa idéia um status de moralidade. O principal problema está na extrema popularidade de que o consenso entre adultos é uma regra de ouro, que tornam não só eutanásia mas consequentemente muitas outras causas defendidas por progressistas como casamento homossexual, aborto, legalização de drogas, vantajosas no comércio das idéias e passam a impressão de que libertários estão saindo do fringe por concordar com o mainstream de esquerda que até defende algum individualismo, desde que seja para deixar as pessoas na fila do SUS e Bolsa-Família. Afinal, para essas pessoas tirania não é uma afronta aos direitos naturais, é pura e simplesmente alguém contrariar sua vontade.

Lembro que Meiwes não só realizou contratos voluntários com Brandes mas com padeiros, vendedores de roupa e supermercados. Não havia nada que sua psicopatia o impedisse de negociar com outros. Se estranhamos o consenso com Brandes é pela própria natureza psicopata do contrato. Até mesmo crianças compram coisas com dinheiro dos pais e não são impedidas por causa de sua idade. De novo: se voluntarismo é sempre moral, que crime cometeu Meiwes? Porque não houve hashtags #lovewins e protestos com sua prisão? Os defensores de direitos sexuais, que protagonizam muito mais que o direito à vida de bebês, não quiseram dar sua opinião?

Se Peter Singer – um favorito de juristas como Luiz Flávio Gomes – crê que animais podem participar de consentimento com humanos, como não Meiwes e Brandes, mesmo que sejam dois psicopatas?

Como seria, para libertários, mais socialmente – e politicamente – aceitável alguém matar o parceiro e comê-lo com a conivência dele do que dar palmadas nos filhos, como proíbe Molineux? É difícil uma doutrina ficar mainstream quando dificulta os pais darem vacinas nos filhos.

Nem os progressistas baseiam-se puramente no consenso como os libertários: os tolerantes querem que tratemos minorias como Kim Jong-Un é tratado por norte-coreanos ou seremos presos. O libertarianismo acredita que o pacifismo, e portanto todas as relações voluntárias, pode reduzir ou eliminar a violência e portanto a necessidade de Estado, mas mesmo um anarquista cristão como Tolstoi estando certo em acreditar que o Estado é essencialmente violência organizada, a justa violência é uma necessidade humana fazendo sobreposição, ao menos idealmente, ao might makes right. Miguel Reale sabia que não pagamos impostos com um sorriso.

É fato que nos Estados Unidos e em mais países economicamente liberais do mundo, se proíbe a prostituição, enquanto que países economicamente fechados como o Brasil reconhecem a atividade com o nobre alvo de que “participam em ações educativas no campo da sexualidade“. Isso é relevante pois a liberdade não resiste sem uma cultura de moderação e responsabilidade: não é compreensível que prostituição é forte em países de esquerda como Cuba na mesma proporção em que empreendedorismo é proibido?

Estabelecer uma ética baseada na liberdade é uma causa que soa nobre mas o ser humano não é perfeito, há liberdade para fazer o mal e liberdade para fazer o bem. Tudo o que fazemos tem resultados sociais, não vivemos em uma bolha e tudo em tese pode virar crime se fugir da moderação. Um farol em mal funcionamento um dia não é grande problema, em mal funcionamento todos os dias é uma calamidade. Com homens não é particularmente diferente: Mentir sobre o peso da esposa não é crime mas mentir para uma determinada audiência é (artigo 342 do Código Penal).

Quanto mais cedo não-argumentos clichês como o consentimento forem eliminados mais podemos estudar a realidade das ações humanas e assim saber se temos a obrigação ou o dever de, com base no que é objetivamente justo segundo os direitos naturais, iniciar alguma forma de reprimenda – social ou estatal – para as desestimularem de ocorrer e assim criar boas políticas. Foi por isso que Jonah Goldberg lançou o Tirania de Clichês e assim libertar os debates políticos americanos de argumentos falsos mas que possuem enorme força emocional.

Se há uma repulsa moral em você pelo que fez Meiwes que não é compartilhada por sua ideologia, talvez seja hora de trocar de ideologia para uma mais reacionária. E um apologeta do cristianismo pode te ajudar nisso. Conheça William Lane Craig e o argumento pela objetividade moral no próximo artigo.

Post-Scriptum: Depois do artigo estar quase finalizado, descubro que Theodore Dalrymple fez o mesmo argumento. Para um revolucionário ser original é maravilhoso, mesmo que originalmente errado, mas para um conservador, quanto mais repetitivo seja um argumento verdadeiro, melhor.

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

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