Charles Gomes

@CGomesV

O Problema Ético do Consenso Parte 2

William Lane Craig fotografado por Jenniina Nummela

William Lane Craig fotografado por Jenniina Nummela

Em texto anterior refleti sobre como o consenso é bom, mas não pode ser a norma de ouro que guia a moral humana, como bem sabem conservadores como Theodore Dalrymple. Uma república não é uma democracia, não podemos simplesmente votar nossa moralidade. Neste texto pretendo dar uma alternativa mais sólida à crise de valores ocidentais que refletem positiva ou negativamente nas políticas externa e interna.

Quando você é uma fraude, sua teoria econômica não funciona, sua fantasia política fez milhões de mortos e isso é historicamente repetido milhares de vezes, parece um bom cop out¹ apelar à inexistência da verdade e de uma moral em que o bem e o mal não existam para manter-se em pé. Libertários, por sua vez, têm absoluta fé no nobre selvagem de Rousseau: para eles, o homem nasce bom mas o Estado o corrompe. E qual seria a opção para explicar o mal que se origina no ser humano e lidar com ele?

Dr. William Lane Craig é reconhecidamente o maior apologeta cristão vivo da atualidade. Conservador crítico do Obamacare, ele mais de uma vez debateu o absurdo de uma vida sem Deus diante de campeões do secularismo. Se pegarmos sua defesa do segundo ponto da defesa moral para a existência de Deus (sem tradução), temos a melhor apreciação do que seria objetividade moral. Sem compreender a existência de uma moral objetiva é impossível compreender como um conservador pensa.

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Objective Moral Values and Duties for Dummies

Ele explica que acreditamos na objetividade moral assim como acreditamos que nossos sentidos naturais são testemunhas honestas. Que a toda contradição à objetividade moral pode-se fazer um paralelo contradizendo os sentidos (o mundo externo dos objetos), e cita o filme Matrix como exemplo de que todos acreditamos que nossos sentidos não estão sendo manipulados. O senso moral humano evidentemente não é guiado pela evolução como meta de sobrevivência, mas da percepção da verdade. A objetividade moral é mais óbvia que os argumentos contra ela.

Por exemplo, torturar uma criança por diversão causa repulsa, talvez só maior a quem achar uma brecha em que estupro de crianças seja moralmente bom, como fez Dan Baker (Chega próximo da esquerda aceitar infanticídio pelo bem da soberania indígena. Fica a dica aos separatistas paulistas: falem que São Paulo é uma tribo).

Mesmo se os nazistas tivessem ganhado a guerra e seus inimigos fossem varridos da Terra, eles ainda assim estariam errados. Mandar todos os aidéticos a um campo de concentração pode ser uma solução racional à contenção da doença, mas não é uma solução moral porque respeitamos seu direito à vida e à liberdade. Da mesma forma, os socialistas fizeram soar racional e tornaram popular uma solução radical que relativiza o direito de propriedade, mas continua sendo uma solução imoral.

Um policial pode eventualmente acabar sacrificando a vida para trazer de volta o carro ao dono, não pelo valor do carro ou amor pelo dono, mas pela Justiça que incorpora o direito de propriedade, assim enviando uma mensagem contra a ética da conquista e à anomia. O policial, um agente do Estado, faz uma defesa do liberalismo econômico impossível ao padeiro de Adam Smith.

Uma boa ou má jogada de xadrez não é o mesmo que o bem ou mal. O bem e o mal são crenças e o apoio em crenças e valores são a herança judaica ao ocidente. O bem não depende simplesmente de racionalidades, como mostra Dennis Prager:

É fácil entender então como ser contra a pena de morte a assassinos, ser a favor da eutanásia ou do aborto humanitário possui razoabilidade que pode seduzir até alguns conservadores. Isso só é possível quando, por uma falha humana, conservadores não refletem sobre pressupostos que a esquerda baseia seus raciocínios ou até mesmo os compartilham. Um conservador preservará o direito à vida assim como um policial busca preservar a Justiça, reconhecendo a vida como um valor e sabendo do impacto de se desmoralizar um valor. Se policiais racionalizassem sua profissão para o mal, não seriam policiais, pois há muito mais excelentes razões para não sê-lo. O que se pode perder na profissão é muito maior do que o salário que se ganha. O valor do heroísmo cobre a impotência da razão. Nós podemos não gostar de certas leis e policiais corruptos, mas a profissão idealmente existe para o exercício do bem.

Liberais entendem que é racional fazer o mal, por isso defendem que é racional um liberal ser servidor público enquanto ataca a moralidade desses serviços. Liberais, como utilitaristas, nada podem fazer contra o utilitarismo que vive no serviço público, onde votariam até no Anticristo se isso significasse um aumento salarial que crescesse a desigualdade de renda entre eles e o contribuinte: os pipoqueiros que não podem ter mais direitos que eles pois têm de pagar a conta e trabalhar por dois ou três. Ética de mercenário é a ética liberal e o serviço público está cheio de mercenários.

É importante compreender que não há neutralidade metafísica, do esquerdista secular ao conservador religioso, todos possuem uma. Uma moral objetiva não só explica a existência de um Criador, como concluiu William Lane Craig, mas explica a lei natural de forma teleológica e não somente descritiva, a Lei de Hume não pode guilhotiná-la.

Sem Deus, o homem comum começa a buscar a moralidade na natureza e dar ouvidos ao panteísmo. A natureza pode estar ao alcance dos tubos de ensaio, mas moralidade é um sistema de crenças objetivas, os valores, e isso é campo da estética, metafísica, filosofia, e está além da ciência. A tentativa de subtrair da natureza alguma norma e valor sem a inteligência de um Criador falha quando se descobre que a natureza se importa tanto com o holocausto como se importou com a extinção dos dinossauros. E se animais não tem deveres nem direitos, o homem quando se rebaixa a comparar-se com o reino animal também se subtrai de deveres e direitos e tudo se torna padrão de comportamento que a evolução nos introduziu e que poderia ter feito diferente. É possível no materialismo defender tanto o genocídio de judeus quanto ser contra o aborto de bebês, até mesmo ao mesmo tempo, porque não é um princípio solidificado o suficiente para enxergar o mal e o bem.

William explica que um leão pode matar, mas não pode assassinar uma zebra, mesmo que ele a trucide brutalmente no processo. O dever ser não existe para um leão, só para homens, que compreendem que não nasceram bons e vivem o drama de recuperar ser imago Dei. A humanidade não enxerga tudo o que pode ser feito como tudo que deve ser feito.

Graças a uma pressuposição naturalista da moral que diz que se os apetites animais forem satisfeitos o homem não se corrompe, libertários chegam a defender prostíbulos para reduzir estupros. A esquerda defende o criminoso com base na sua insatisfação e mal estar. Mas os maiores corruptos da história foram também os homens mais satisfeitos: os monarcas absolutos, tiranos e ditadores.

Não se pode contrastar uma vida boa com uma vida prazerosa. Um soldado que não entrega seus companheiros, mesmo sob tortura, está colocando o seu prazer em segundo plano. Nós não condecoramos soldados que entregam seus companheiros porque no fundo sabemos que o prazer não é premiável. A caridade liberal “de fazer o bem faz bem” está bem representada em programas populares de TV onde empresas fazem assistencialismo em troco de publicidade e imagem favorável, mas não é capaz de explicar o sacrifício de soldados.

As pessoas podem estar certas pelos motivos errados, ou erradas pelos motivos certos. Trabalhar com valores não é tão simples como espremer estatísticas, como faz nossa tradição positivista de tecnocratas que colocam a riqueza como o bem absoluto, mas é a melhor maneira de fazer uma política para as futuras gerações. Uma sociedade justa pode ser pobre, e é por isso que a direita tem a desvantagem de não poder seduzir eleitores prometendo riqueza, mas criando a oportunidade de obtê-la.

Um conservadorismo defensável em face de seus rivais políticos tem de possuir uma cosmovisão sólida, afinal, se valores não são objetivos e mudam conforme a opinião, o que há para conservar senão o status quo atual? O que podemos propor para uma sociedade mais justa sem fazer como a esquerda e ferir a Justiça? São figuras heroicas, de Moisés à Jesus, que formam a sensibilidade ética da humanidade, são os paragons que nos instruem o que devemos fazer.

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Para haver musculatura moral é necessário subir os padrões moralmente aceitáveis, não baixá-los. Por exemplo, há povos que regulam formas não cristãs de casamento e não caem em extinção. Os egípcios já concluíam que matar e roubar era errado antes dos dez mandamentos, mas após os dez mandamentos essas duas regras são objetivas e universais, não por causa dos egípcios, mas por causa de Deus. Uma vez sabendo que sem Deus não há objetividade moral, a apologética passa a ter implicação política. A vontade de Deus para a humanidade, não alcançada por entendimento humano, mas revelada, quando em questões sociais, seja em figura proféticas, apostólicas ou Dele próprio em Jesus Cristo, supera a opinião humana e ignorá-la é um atraso, mesmo que não incida em nada mais do que isso.

Não superamos a escravidão por consenso e leniência, mas por um longo comprometimento com a liberdade ao qual o cristianismo teve imensa participação. Países onde o cristianismo não trouxe os direitos naturais ainda possuem problemas com escravidão, como os próprios países da África.

Bem percebe Selwyn Duke, do American Thinker, que o conservadorismo de alguns é como um boxeador que nunca bate mas se alegra de apanhar cada vez menos. Em uma sociedade com instituições progressistas, nada é mais revolucionário que ser conservador. Só se perguntar: quem está propondo transformações para uma sociedade livre e justa no cenário político brasileiro e quem está lutando para manter “as conquistas” (muitas delas de ditadores do nosso período militar que provam que a esquerda defende sua tradição fascista)?

Créditos: YouTube

Créditos: YouTube

Edward C. Feser é um dos melhores filósofos católicos da atualidade, aristotélico-tomista e libertário, professor de filosofia na Pasadena City College, foi graduado na Universidade da Califórnia com um PhD em filosofia. Feser escreve para o Whiterspoon Institute e combate o neo-ateísmo em seu blog, além de ter publicado sete livros. Para ele, a lei natural só é possível graças ao imanentismo teleológico, e para termos um entendimento completo, não somente parcial, de obrigações morais, necessitamos de um Deus legislador.

É só por isso que a Declaração da Independência Americana não só fere os sentimentos contemporâneos com a expressão “Criador” como é por isso que todo presidente que esquece dessa parte fundamental vira notícia. O americano não teme buscar a proteção de Deus contra seu governo em vez de um time nobel de economistas. Foi o Pai Fundador John Adams que uma vez disse “Nossa Constituição foi feita somente para um povo moral e religioso. É completamente inadequada ao governo de qualquer outro.”

Em seu artigo “as metafísicas do conservadorismo”, ele elucida os quatro grupos conservadores. O Conservadorismo Realista, que “afirma a existência de uma ordem objectiva de formas ou universais que define a natureza das coisas, incluindo a natureza humana, e as instituições que busca conservar são somente aquelas que refletem um reconhecimento e respeito por essa ordem objetiva, ele respeita a religião por sua obediência à lei natural”. O Conservador Conceptualista, que “não nega a existência de universalidade, mas que esses universais só existem na mente humana”. O Conservadorismo Reducionista, que “concorda com o Realista que há algo como uma natureza humana, mas não baseia essa afirmação em algo platônico, mas fatos contingentes da biologia humana, até nas leis da economia e ou em uma teoria de evolução cultural”. Por fim, o Conservador Anti-Realista, que “valoriza somente estabilidade e ordem”. Conservadores podem exibir essas tendências do pensamento vez ou outra.

Feser põe a prova os rivais do Realismo Conservador ao comentar que não são claramente conservadores, assim como nominalismo ou conceptualismo não são mais que versões do realismo. Isso é importante para o conservadorismo brasileiro entender além das aparências do pensamento e começar a fundamentar políticas para ter o mesmo efeito que a carta política americana. Basear-se em um jusnaturalismo não superficial, monista e materialista, mas em uma teoria de Direito que permita um documento que não seja alterado por modismos ideológicos. Enquanto o povo americano teve uma constituição, nós tivemos nada menos que seis constituições. A Constituição Americana teve vinte e sete emendas expansivas, não contraditórias enquanto só a Constituição de 88 passou de sessenta pelo seu pragmatismo revolucionário. Um povo não pode suportar tantas modificações fundamentais em sua maneira de pensar a pólis em tão pouco tempo impunemente.

Entendo que o povo brasileiro possui instintos conservadores mas ainda raciocinam como não realistas, falhando na construção de argumentos pois confunde as duas noções de jusnaturalismo. Copiar o conservadorismo americano seria hastear bandeiras tão pesadas que poucos teriam a força de mantê-las em pé. Por mais que queremos ser herdeiros políticos do conservadorismo anglo-americano, acabamos nos distanciando dele quando queremos as consequências (liberdade, riqueza, poder) e não as causas (religião, resiliência, sacrifício).

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Prostituição reduz estupros

O consenso pode não atrapalhar, mas não é a regra de ouro moral que aparenta ser. Para o liberal, tudo que vira bom negócio se torna invencível às leis: de prostituição e maconha a jogos de azar. Mas mercados não são invencíveis, como prova o mercado de órgãos. O mercado de pedofilia e de barrigas de aluguel são tabus por uma boa razão. Por isso não é imoral a discriminação e até a criminalização de alguns mercados. A escravidão foi um bom negócio por séculos, e não foi consenso que expurgou esse mercado, ele só sumiu quando o moralismo se aliou ao poder de Estado. Foi a não-violência de Martin Luther King que hoje motiva leis a usarem violência para prender racistas. Não existe política sem violência fora de algumas pequenas tribos indígenas e comunidades Amish, a questão é se ela é justa.12654472_10154441551530400_4466787936447831591_n

Quando liberais se deparam com problemas morais, eles apostam no aumento do Estado, na alta regularização e impostos, afinal, para eles, o livre mercado gera riqueza mas estranhamente tudo o que legalizam sob o nome de liberdade, como a maconha, tem seu uso reduzido. Isso porque nessa causa não defendem o uso como bom, mas sim um maior domínio do Estado na economia, mudando para agências reguladoras funções que outrora eram somente trabalho policial, multiplicando assim os burocratas. As ideias de livre mercado trazidas para o país símbolo do capitalismo tiveram como hospedeiros os cristãos puritanos, conhecidos pelo seu extremo moralismo, razão de seu enorme sucesso. Não há como julgar errado o roubo se podemos vender nossos filhos. Os Estados Unidos só resistiu a apelos socialistas quando esteve sob intensos períodos de pobreza por culpa de sua resiliência moral.

É nossa opção defender valores baseados em algo fixo, objetivo, ou nos basearmos em princípios tão flexíveis a ponto de sermos indistinguíveis do esquerdismo. Não existe governo perfeito, a lei positiva acerta a lei eterna por acidente. Governos possuem leis corruptas e virtuosas ao mesmo tempo e há um ponto em que o mal dele se torna intolerável. Por centenas de anos os escravos morreram escravos e senhores de escravos que roubavam seus trabalhos morreram ricos. A causa da justiça precisa de sangue e suor humanos para se concretizar, por isso se não focarmos no fortalecimento ético dos eleitores mais do que no fortalecimento econômico, não teremos quem possa votar em eventuais políticos de Direita para criar maior distância da nossa herança esquerdista. Se não soubermos qual a fonte da virtude e dos nossos princípios, se não podemos raciocinar nesse nível, pouco podemos fazer para restaurar a ética de auto-sacrifício necessária para a saúde do setor público. Legisladores cristãos, tomem nota: Se não representarmos a boa vontade de Deus seremos mais parte do problema que da solução.

1.Escapada.

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

Mesmo Sem Corrupção o Socialismo Não Funciona

Quando a coisa começa a apertar e os corsários eleitos pela mídia e universidades dominadas pela esquerda querem parte dos espólios, os socialistas apelam para a beleza da utopia e as falhas morais de uma sociedade. Como um alfaiate que corta o cliente para o terno servir, o socialismo não está dando certo no Brasil pois o brasileiro vez ou outra apronta. Se o brasileiro tivesse uma cultura impoluta o ideal seria alcançado.

Mas é assim?

Bryan Caplan, professor de economia na George Maison, popular autor do The Myth of Rational Voter: Why Democracies Choose Bad Policies e curador do site Museu do Comunismo percebeu algo em comum nos genocidas líderes comunistas que tanto estuda. Ele diz:

Tanto quanto sei, Robespierre, Lenin, Stalin, Mao, e Pol Pot foram extraordinariamente incorruptíveis, e eu os odeio por essa característica.

Por quê? Porque quando seu objetivo é assassinato em massa, a corrupção salva vidas. A corrupção te seduz ao caminho mais fácil, a se conciliar, a concordar em discordar. Corrupção não é um veneno que faz tudo pior. É um agente diluidor como água. A corrupção faz políticas boas menos boas, e políticas más menos más.

Eu li milhares de páginas sobre Hitler. Eu não me lembro do registro de nenhum ínfimo sinal de “corrupção”. Como Robespierre, Lenin, Stalin, Mao e Pol Pot, Hitler era um fanático assassino sincero. O mesmo acontece para a maioria dos maiores vilões da história – Leia o clássico de Eric Hoffer, The True Believer. Sinceridade é superestimada. Se somente alguns desses monstros farisaicos tivessem sido hipócritas corruptos, milhões de suas vítimas poderiam ter barganhado e comprado sua saída do inferno.

Bryan está certo. Por exemplo, o republicano Lincoln aproveitou-se da corrupção para avançar a agenda abolicionista. Em tempos de totalitarismo e abusos do poder, a corrupção acaba vindo a ser fortuna dos justos: não vejo os judeus salvos por Schindler reclamando.

Quando uma ideologia defende o fim da propriedade privada ou sua relativização através de um remanejo, o Leviatã virá para os nossos bolsos por força coerciva de lei. O socialismo é a defesa moral de um assalto em larga escala. A teoria é má.

Com o discurso malicioso de culpar a sociedade pela corrupção, os socialistas conseguem fazer com que o brasileiro lute contra a corrupção por mais Estado dizendo que a corrupção rouba da sociedade um colégio ou hospital, como expressado pela ministra do STF Cármen Lúcia. Quanto mais a esquerda se corrompe, mais se torna necessário fortalecer o Estado, se possível com um discurso ainda mais radical. A corrupção deles os ajuda a crescer, estatizar a economia e se manter no poder. É difícil explicar a uma parte dos brasileiros que se indigna, que até foram às ruas, que a demagogia populista sobre saúde e educação é pensamento mágico. O mercado pode oferecer esses mesmos serviços por preços muito mais baratos que aquele servido pelo Estado e sem prejuízo à saúde econômica, ao contrário, mas o caminho de dar mais enriquecimento aos socialistas e sua aristocracia burocrática continua sendo vista como a via moral.

Os socialistas não foram os primeiros e nem serão os últimos a defenderem Estados tiranos e totalitários, tampouco corrupção não existe em outros lugares, mas nós sabemos que o comunismo não funciona exatamente porque ele foi testado diversas vezes em culturas diferentes com o mesmo resultado. Seus líderes foram assassinos idealistas, perfeccionistas na sua arte genocida, crentes fanáticos do marxismo e da força do Estado. Assim como o assaltante pode se livrar da polícia e usufruir o prêmio do furto impune, o socialismo pode até funcionar muito brevemente para os seus ladrões, mas uma nação que acredita em bom assalto não vai ter para sempre o que roubar, o parasita sempre engorda antes de morrer junto com o hospedeiro.

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

Acuse-os do que você é

Nesses dias a Folha publicou um artigo com o título “A farsa de Cunha, Jihadista da Direita Corrupta”, o caso virou piada nas redes.

Se fosse somente o tom exagerado de um colunista ex-editor da Folha que faz parte da lapdog media tudo bem, mas o próprio Planalto considerou como jihadista a carta vazada de Michel Temer! Assim, dignificou a excentricidade do insulto como argumento pró-governo contra o PMDB. Com tanto desespero por causa de falta de argumento dos governistas, é difícil saber se não estão levando a sério chamar a oposição de terrorista.

12341500_563047167177607_654357599968468411_nEm defesa do governo ou não, a indireta foi para a direita.

A direita é sempre acusada exatamente daquilo que é contra. Insultos como fascista e nazista são lançados na nossa face quando a direita da Segunda Guerra era Charles de Gaulle e Winston Churchill e a esquerda, bem.. era fascista e nazista; E agora somos jihadistas quando a esquerda no mundo luta contra líderes “islamofóbicos” e “xenofóbos”. Cabe lembrar: apesar de Temer e Cunha nunca terem lido um autor de direita estão sendo considerados assim, da mesma forma como o PSDB é considerado por eles como direita. Se está difícil eles entenderem que um partido que leva Nacional Socialista no nome é de esquerda, imagina os Social Democracia daqui… Nem pintando.

Para Stalin, Trotsky era direita e para Trotsky, Stalin era direita. Quem quer que ganhe a direita perde.

A esquerda busca um nome político feio e cola na direita, mesmo quando esse vilão é ela mesma.  Isso sinaliza que a esquerda está construindo outro espantalho a colar nos direitistas das próximas gerações.

Hoje é piada, como seria piada chamar direitista de nazista e fascista décadas atrás. Agora nós temos que ensinar seriamente que nossa tradição política passa longe desses movimentos revolucionários.

Somos obrigados a escrever livros explicando como a esquerda incensava seus ditadores como hoje incensam tipos como Fidel Castro. Nossas universidades recebem professores apologistas de regimes totalitários porque eles têm o DNA de esquerda mas não aceitam nenhum conservador.

2938562O deputado homossexual Jean Willys colabora com a inclusão do islamismo nas escolas ao mesmo tempo em que homossexualismo é banido nos países que seguem a Sharia.

E é a direita que é jihadista, mas não creio que somos bem vindos.

Hoje damos risada, mas e nossos filhos quando forem de direita não terão de ensinar contra mais um revisionismo histórico? Se os terroristas comunistas financiados por Cuba que explodiam aeroportos são considerados heróis da democracia liberal hoje, o quão absurda poderá ser a próxima manipulação histórica da esquerda?

Não podemos relaxar e subestimar a capacidade da esquerda distorcer a realidade a seu favor, com uma educação recordista em ser pior há décadas. Uma nação que passa pela educação burocrática se mostra muito vulnerável a idéias radicalmente mentirosas.

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

Quando vai ter Black Friday do Judiciário?

Quem fizer uma breve pesquisa dos salários de quem prega desigualdade econômica no país, descobrirá não só o sentido da hipocrisia, mas que está custando cada vez mais caro manter esses anjos entre nós. Um governo estrangulado por sindicatos tem pouca capacidade para negociar redução de salários nessa crise nascente, por meio de cortes ou com abertura oportunidades a quem poderia fazer dez vezes mais por dez vezes menos. Dada a situação brasileira, não seria difícil encontrar substitutos mais vocacionados e com consciência fiscal.

Os privilégios perturbantes do judiciário chamaram a atenção do deputado Nelson Marchesan Jr. (PSDB/RJ), que está na luta contra os salários de megaempresários do STF, juízes e desembargadores. O Deputado, pelo seu twitter, tem recebido apoio popular e aplausos de quem exige que todos vivam sob a CLT. Apesar de críticas ferinas serem mais comumente dirigidas aos políticos, a fonte de renda de todos os que trabalham no setor público é a mesma. E o desperdício do erário popular é a norma, não a exceção. Diz o deputado em seu site:

O relatório do Deputado Federal Nelson Marchezan Jr., ao projeto de Lei 3123/2015, que tenta mais uma vez limitar o teto de remuneração de todos os servidores públicos, conforme determina a Constituição, deverá ser votado amanhã, pela Câmara dos Deputados.

Hoje, o teto de remuneração é a remuneração dos Ministros do STF, que é de R$ 33.763,00. Com as interpretações que privilegiam apenas a si próprios, as carreiras que já atingiram o teto, passaram a agregar outras vantagens às suas remunerações. Dessa forma, existem dezenas de milhares de servidores ganhando salários de R$ 60, R$ 80, R$ 90 mil, e outros ganhando ainda mais. Não há limites para as ilegalidades e abusos.

A intenção do projeto, que num ambiente jurídico sério seria desnecessário, é definir melhor o teto como tal. E, ao final, expressar que o cidadão não quer pagar a mais que o teto determinado, que já é um supersalário. “Temos verdadeiros abusos, uma corrupção legalizada, com interpretações das mais absurdas. Se antigamente tínhamos os nobres que cobravam tributos e deixavam migalhas para os cidadãos, hoje temos a neo-nobreza, essa casta dos servidores públicos que se acha melhor que todos os brasileiros”, reforça Marchezan.

Dar apoio ao deputado é ainda mais importante depois da vitória da pauta bomba, que mostra que a causa do funcionalismo é gerar mais desigualdade econômica. Precisamos pressionar a nobreza estatal a explicar o quão meritosos eles são para famílias que vivem com menos de dois mil reais por mês, que pagam aluguel e compram leite com o salário dos funcionários públicos embutidos nos preços. Quão necessários eles são ao criarem mais burocracias com o objetivo de gerar mais empregos no setor público?

Juízes teorizam que seus altos salários são justificados para se distanciarem do poder econômico, assim evitariam a sedução pelo setor empresarial em suas decisões. Com isso, eles chantageiam a população brasileira a pagar propina pela sua honestidade, e, quando achamos que estão satisfeitos, descobrimos que somos reféns. É impossível achar alguém no Brasil que seja honesto de graça?

Boa parte desse apelo popular de redução dos privilégios do judiciário são esforços de Claudia Wallin para mostrar a diferença entre modéstia dos funcionários públicos escandinavos aos sibaríticos servidores brasileiros. A página da jornalista tem o apoio de 22 mil pessoas, que regularmente assistem passivas à corrupção realizada pela via da legalidade.

O funcionalismo no Brasil é preocupante, pois não permite que funcionários sejam cortados quando tais medidas são necessárias. No casamento há divórcio por virtualmente qualquer motivo, mas demitir um funcionário público é virtualmente impossível. Uma vez passado no concurso, o servidor está ligado ao pagador de impostos até que a morte os separe. O serviço público perde sua função pública quando pensa em proteger mais os servidores do que o público.

Talvez, como gostam de dizer, a situação seja de inveja, mas só inveja quem quer imitar. Atrapalhar e trabalhar podem ser atividades forçosas, mas não são a mesma coisa. Há mais gente ganhando fortunas para atrapalhar a economia brasileira do que trabalhando para erguê-la. Não dá para se defenderem na ganância em que vivem, pois não fazem serviços públicos voluntariamente e recebem até mais que os gananciosos capitalistas do setor privado.

O funcionalismo é a maior base eleitoral da esquerda. Isso se dá não só por culpa do welfare interno ao sistema, mas porque se sua herança veio de um funcionário público e isso te tirou da pobreza, não importa se você é um empresário de sucesso, você ainda sentirá estar em dívida com o Estado, algo que dificultaria a formação de um pensamento cético com relação ao expansionismo estatal. Se Dilma resolveu mexer nos concurseiros, é porque a crise está pior do que pensamos.

Se querem discutir meritocracia e eficiência, podem vir! Irão finalmente entender porque a direita é a favor do capitalismo. Exatamente porque a ganância e prodigiosidade são fatores negativos na economia livre. Se liberais fossem menos míopes, enxergariam que só defendem esse sistema quando ele limita a ganância e beneficia toda a sociedade.

Ao fim, o funcionalismo está apenas atrasando o progresso do Brasil. O parasita mata o hospedeiro e morre com ele, e de nada adianta ir para a popa do Titanic na última hora. O poder de consumo distancia-se cada vez mais do salário, e tanto pobres quanto ricos sentirão isso. Talvez haverá um dia em que um funcionário do governo se pergunte: se o Mujica, que possui a responsabilidade de governar um país pode viver assim, eu não posso?

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

STF, não queremos essa droga!

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O STF nessa semana está já com 3 votos a favor da legalização das drogas. Com um STF dominado pelo petismo, ficou mais fácil ao partido governar o país com juízes do que legislar através de uma presidente infame. Mas a tramóia (que até quem é a favor da legalização deveria ficar atento) não nos impede de dizer que a legalização das drogas não é assunto de países verdadeiramente democráticos que têm dificuldade em por fim a questão.

É impossível dizer que por nós estarmos falhando na guerra contra o homicídio, assalto e estupro (e estamos) as leis contra o homicídio, assalto e estupro se tornaram um impedimento a vencer esses crimes, mas é precisamente essa anomia que é transportada para causas como aborto e drogas. Ora, se o pacifismo libertário não conseguiu convencer Caim – quando não havia nenhum governo – é difícil crer que convenceria toda a humanidade. Libertários devem sofrer com farmacêuticos não querendo vender remédios tarja preta a eles.

A guerra contra a guerra às drogas é uma das causas liberais com melhor apelo hoje em dia, até porque é capitaneada pela esquerda, passando a impressão aos libertários de que estão vencendo ao se juntar à corrente. Mesmo que médicos não subam o morro em busca de material para curar o câncer talvez porque usuários de maconha tenham fumado tudo por lazer o que aliviaria a dor de muitos, a aceitação social tem só crescido enquanto o vício que é o liame de amizade entre meninos ricos de condomínio e assassinos sequestradores é ignorado. Usuários de drogas estão mais propensos a boicotar  a Friboi que criminosos.

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Poucos libertários discordariam que liberar as drogas aumenta o poder do Estado. O controle que já é exercido em substâncias como álcool e fumo passará a ser pior em substâncias mais perigosas.

Libertários quando defendem o fim da guerra às drogas passam a desejar maior controle mudando simplesmente o front da guerra. É contraditório imaginar, enquanto a indústria do fumo e álcool tem de fazer publicidade para não vender menos, que o Estado não vai dobrar seus esforços no controle de outras indústrias. Aaumentando esforços, aumenta-se o lucro dos esquerdistas que só apoiam causas que fortalecem o poder de influência e negociação do Estado e suas agências reguladoras para que então possam arrancar mais dinheiro da população através deles, já que dependem da violência tributária.

Como sabemos que o discurso de igualdade econômica não se dá entre os agentes do Estado e sociedade privada, essa violência tributária encarece o produto. É a razão pelo qual filmes em dvds piratas são mais vendidos que dvds originais. A legalização nada promete senão encarecer o preço do legalizado em face dos preços baixos do tráfico e aumentar a demanda pois provar a origem, se ilegal ou legal, será mais difícil.

O que sobra para comemorar é a arrecadação de impostos, que também aconteceria se fosse tributado o ar. Mas o que um  governo que bate recordes anuais em arrecadação precisa é de mais dinheiro? A bandeira acaba perdendo boa parte do seu appeal liberal com isso.

Guerra aos consumidores nem sempre resulta em derrota, mercados bastante estigmatizados como barriga de aluguel, tráfico de órgãos, armas automáticas, venda de crianças e da pornografia infantil sofrem grandes quedas de investimento com o apoio popular em discriminar tanto o consumidor quanto o fornecedor, mesmo que haja quem declare pornografia infantil algo mais inofensivo que maconha. Aliás, liberação da pornografia infantil é uma das causas libertárias menos conhecidas. Talvez, como a California fez com a pornografia, atuar e fazer sexo são coisas distintas.

Países de primeiro mundo como Japão e Suécia são lugares onde o combate às drogas deu certo porque houve real combate à drogas, não atitudes covardes ou desinteressadas de políticos cuja ideologia é a da liberalização. Mesmo a lei seca estava dando certo à princípio.

anti-drug-psa-1229__iphone_640Liberalismo econômico só pode ser mantido com conservadorismo cultural, não com o liberalismo social. Causas do liberalismo social são causas que defendem a liberdade como toda boa intenção ingênua do esquerdismo mas decaem em uma maior repressão e crescimento do domínio estatal.

Isso não é alarmismo, a escravidão não destruiu a humanidade, tampouco os coliseus destruíram Roma, mesmo tendo sido piores que o roubo socialista pois a destruição direta do capital humano é pior que a destruição da economia. Há até quem veja nesses crimes civilizacionais alguma razoabilidade por terem sido eficientes para a época. É mais do que provável que as causas do liberalismo social não destruirão toda sociedade como pequenos e até grandes males não o fazem, mas criará um bom número de prejudicados. Enfim, o liberalismo social acaba esmagando a menor das minorias que diz defender, o indivíduo.

Não haverá partidos e políticos com medidas positivas para reforçar a paternidade, a família dentre outras prevenções, mas haverá partidos defendendo como caridade medidas à Robin Hood para ajudar as vidas que eles destruíram em primeiro lugar.

Os interessados no liberalismo econômico poderiam evitar isso sendo conservadores, ou podem jogar contra si mesmos sendo parte do problema. Uma pequena intervenção pode em muito evitar uma grande intervenção do governo. Os custos de uma polícia forte que atuará não só nesse campo é menor do que várias agências reguladoras, sem contar os gastos com uma saúde pública que não discrimina quem coloca sua saúde em risco por lazer. A melhor agência reguladora é a polícia.

Sem mencionar que o tráfico de álcool e cigarro não desapareceram, a experiência deveria contar aos liberais que vamos gastar tanto com uma polícia forte como em agências reguladoras, para satisfazer a todos mas principalmente a quem pertence o Estado.

E sim, Marisa Lobo estava certa.

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

 

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