Charles Gomes

@Chrlsgms

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Contra a Hoplofobia

Foi coincidência que na madrugada em que lia “Adiós, América” um filho de imigrantes poderia se tornar mais um caso escrito no livro por Ann Coulter se ele não tivesse sido lançado antes. A musa conservadora que foi talvez a maior responsável pela vitória de Trump nas primárias também acertou quando no dia seguinte a mídia se esforçava em soltar inúmeras cortinas de fumaça, culpando todos sem contar o fato do terrorista islâmico ser eleitor democrata filho de um imigrante legal – Na América dos democratas um defensor do Talibã tem mais chances que um cientista sueco de conseguir seu green card.

Países atrasados naturalmente buscam acompanhar os países de primeiro mundo, não é incomum o debate brasileiro ser dominado por problemas de países desenvolvidos e buscarmos importar legislações estrangeiras, mas a questão é bem mais interessante quando países de primeiro mundo querem importar políticas de países que estão atrás de seu nível de desenvolvimento. O desarmamento já mostrou ser um fracasso no Brasil. E não adiantou fazer passeatas de paz para responder bandidos que amarram pessoas em colchões e ateiam fogo (parece que bandidos não obedecem quando usamos cores que soldados usam para se renderem).

Talvez por isso o Brasil não se conforme à lei: em matéria de resultados de políticas atrasadas, estamos à frente dos americanos. Por isso em cada tragédia nos EUA o debate sobre desarmamento volta a ocorrer no Brasil instantaneamente em sentido contrário, pela armamentização, mesmo que a mídia brasileira se esforce em repetir o lero-lero da mídia progressista. O país mostra sinais de saúde quando deseja no meio da desordem ao menos poder proteger o seu bem mais imediato: a vida.

O brasileiro não foi deseducado pelo MEC ao ponto de crer, como esquerdistas, no pensamento primitivo de que é possível uma sociedade desarmada se livrar da violência. Para a esquerda, a arma é um item que não existirá no mundo que sonham, portanto quanto mais nos livrarmos delas mais próximos ficamos do mundo perfeito. Esse pensamento é um desvario sobre a natureza humana. Mais que um fracasso observado pelas estatísticas, o desarmamento é imoral.

Estes indivíduos sonhadores jogam no debate público para confundir as pessoas que matar e assassinar são a mesma coisa, portanto armas são irremissíveis e más em si mesmas por servirem para matar.

Mas a justa razão pela qual todo cidadão pode usar uma arma advém da mesma razão pela qual as forças públicas existem: auto-defesa de si ou dos outros. As armas policiais e militares existem precisamente para defender o direito à vida de todo cidadão em território nacional. É curioso assumir que os cidadãos não possuam igual interesse para si mesmos e possa assumir todos os deveres que vêm desse direito. Armas não são carros que possam vir a ser igualmente letais, elas são melhores pois não é propósito de um carro salvar vidas. A primeira função de uma arma é matar pessoas, não assassinar pessoas. Nós não assassinamos mosquitos nem agressores que atentam contra nossas vidas. As armas possuem um bom propósito. Assassinar, matar um ser humano inocente, é um desvio de finalidade.

Se todo disparo efetuado é um assassinato, elas não deveriam estar nas mãos de nossos oficiais públicos. Ao pressupor que a ferramenta de trabalho mais comum do Estado – que até quando dispõe a capturar armas usa armas – é uma espécie de fruto proibido, chama-se todos os agentes da força policial e militar de homicidas por conclusão, esta é a chave para entender porque é popular na esquerda a idéia de desarmar policiais e não condecorá-los quando salvam pessoas. Quando o terrorista de Orlando foi morto por uma arma em uma gun free zone, ele não foi assassinado.

Em Ferguson, Mike Gutierrez e Adam Weinstein protegeram seus negócios dos saques com Ar-15s

Em Ferguson, Mike Gutierrez e Adam Weinstein protegeram seus negócios dos saques com Ar-15s

Uma mulher pode encontrar uma gangue de estupradores, um comerciante uma turba de vândalos, e a indústria bélica tem sido eficiente em criar diversidade para toda demanda. Não consta que as fabricantes criam armas visando vender para criminosos. Sabe-se que certas armas não são para a sociedade, sempre haverá um controle legítimo sobre armas. A NRA não deseja que um Jihadi as obtenha.

A sociedade reconhece como herói a vítima que vira o jogo. Quando a lei de desarmamento tira uma arma das ruas, a esquerda dorme tranquilamente imaginando que evitou que ela fosse usada em um assassinato, quando em efeito ela deixou de ser usada em legítima defesa. O Estado, na sua força policial, não é onipresente para atender orações e os bandidos sempre podem contar com seus cúmplices ideológicos derrubando as cercas para os lobos entrarem.

Estes pacifistas subliminarmente acreditam que é melhor que a vítima morra do que permitir que tenha acesso à meios de defesa testados todos os dias por policiais. Se somos obrigados a culpar alguma fobia pelos homicídios e atentados: é a hoplofobia.

Não obstante, como homossexuais foram vítimas, foi necessário culpar os cristãos por algo que pregam em púlpito em meio à uma lista que vai de bêbados, meretrizes, ladrões, fornicadores, mentirosos à petistas. Difícil correlação pois qualquer que busque converter outro pela violência também ganha passagem só de ida para o inferno por cuspir no amor demonstrado na cruz. Segundo essa forma de raciocinar, quem condena ladrões se torna responsável pelas centenas de crianças mutiladas por roubar, punição prescrita no Hudud. Se bêbados começassem a reclamar de bebumfobia quando apanham por serem incômodos, os cristãos ganhariam mais uma dor de cabeça.

Nós nunca vamos ter uma tradição armamentista como a dos EUA porque nosso país não foi fundado por uma milícia, razão da revolução americana ter obtido sucesso sobre o então mais poderoso exército do mundo. Para o americano não é irracional o cidadão ter armas potentes o suficiente para resistir a seu governo, e esse é o principal propósito da Segunda Emenda. Um país que está sempre pronto a combater tiranias caseiras e estrangeiras nunca poderá transferir o domínio sobre sua vida para o elitismo estatal.

Mas tanto lá quanto aqui é perigoso permitir que somente os maus possam usar armas, o mundo já conhece o que houve quando só a esquerda podia usá-las, nem mesmo o domínio total sobre a sociedade parou o que caminha com a humanidade desde Caim. Se há alguma cura para esse pecado original, ou o mal inerente do homem, talvez esteja nas mãos dos cristãos “homofóbicos”, pois afinal, eles foram os únicos a colocar o temor de Deus em mujahidins.

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

Capitalismo, Vampiros e Prometeu

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Não se pode prever com exatidão se o governo Temer conseguirá fazer os cortes que o país precisa, contudo, o país não sobreviverá sem eles. O ímpeto não pode ser tímido e Temer tem demonstrado seguir a auto-preservação razoável de todo pai de família que se encontra no vermelho. O corte de gastos e o aumento de produtividade são medidas certas para o momento e tudo isso é bom, apesar de tardias, mesmo que esquerdistas do establishment que levem os louros da história. Todavia, há algo que não é dito por ninguém: o porém.

A melhor característica do capitalismo é também sua pior. Como o mito grego Prometeu era forçado a se regenerar e nunca morrer ao ser prisioneiro e alimento de corvídeos, o socialista pode dar liberdade para o mercado se regenerar para assim não perder a gordura. E essa é uma direção muito desejável de governar se sua vocação é parasitária.

Michel-Temer-Vampiro-foto-site-repúblicadosbananasA face de Temer lembra o Drácula, e, em versões mais realistas do mito de Vlad Tepes, vampiros cultivam humanos em fazendas de sangue, como em Blade e Daybreakers. Um artigo de Don Feder explica melhor a essência esquerdista do mito anti-aristocrático, mas, em particular nesses filmes, os vampiros, criaturas que por natureza são predadoras de homens, exercem o domínio sobre os humanos em muito pelo fascínio destes que querem se tornar aqueles.

Liberais que comemoram o atual pacto com socialistas, eis os seus senhores. Se sua função social é produzir, a deles é consumir – há uma complementação, um acordo. Nunca tivemos uma face tão próxima de representar o esquerdismo, melhor que isso só um vampiro de verdade.

A igualdade econômica é a proposição de um luxo impossível, um conforto psicológico a quem isso importa, mas não é justiça, que se dá quando o trabalho encontra seu salário, quando o que se planta é colhido. O melhor projeto de discurso para o momento não é “a corrupção corrói o poder, portanto a sociedade deve investir ainda mais no Estado forte que crie o paraíso igualitário”, mas a melhor proposta é que já seria suficientemente justo manter o dinheiro investido nas mãos dos agentes da economia. É por isso que a sonegação tem ganho eficácia de rebeldia civil, mesmo que ela não seja em si mesmo justa.

Há uma década, ou até mais que isso, empresários do país estiveram bastante dispostos a tornar realidade as utopias da esquerda e hoje todos os brasileiros estão pagando o preço de um país que poderia ter sido e não foi. Cypher, em outro filme, em que humanos eram meras baterias de um sistema sem alma, vendeu sua liberdade e a dos amigos pois cria que seria mais livre em um mundo de artifícios criados por uma máquina.

Aos empresários do Brasil de hoje: não há glória em vender a liberdade dos brasileiros para continuar a ser a bateria da máquina que te mantém preso por causa de uma vida um pouco melhor do que a maioria. A economia até poderá voltar à normalidade, como Prometeu irá novamente regenerar seus órgãos, mas ainda não há vista de termos tomado a decisão de sermos livres e não um sustentáculo dos que danam todos os brasileiros ao tormento eterno.

P.S.: o autor lamenta não citar nenhum filme italiano da década de 70.

Saiba como continuar usando o WhatsApp depois do bloqueio: Bloqueie o Marco Civil

Quem acordou na Coréia de Norte esses dias talvez não se lembre quando o TJSP ordenou a queda do YouTube em todo o país por ter um vídeo vazado da Cicarelli fazendo sexo em público. Foi na época em que AVGN era então o PewDiePie e o dedinho do Charlie era mordido. Sob muitos virais, let’splays e gatinhos, o YouTube guarda muitas coisas de interesse público underground, como aulas e palestras gratuitas, reviews, podcasts e a internet se revoltou com o ocorrido.

 Na ocasião o desembargador Ênio Santarelli Zulliani nos remeteu o seguinte:

O bloqueio do site está gerando uma série de comentários, o que é natural em virtude de ser uma questão pioneira, sem apoio legislativo. O incidente serviu para confirmar que a Justiça poderá determinar medidas restritivas, com sucesso, contra as empresas, nacionais e estrangeiras, que desrespeitarem as decisões judiciais. Nesse contexto, o resultado foi positivo.

Não havia base legal sólida para o que ele desejava fazer, contudo ele fez mesmo assim. Agora entra o Marco Civil da Internet e não um, mas dois juízes, de São Paulo e Sergipe fazem algo em comum. Ambos não mais fundamentam suas decisões em fontes secundárias como princípios, costumes ou jacuzice, mas na fonte primária: a lei, que é o Marco Civil. O Marco Civil serve para bloquear Whatsapp, mas não consegue bloquear Juiz.

O MCI é uma lei que foi aprovada por causa de fearmongering, no imaginário anti-mercado dos pessimistas defensores da neutralidade de rede, os problemas virtuais iriam vir a existir como uma profecia apocalíptica a ser evitada.

Querem nos fazer acreditar que o Marco Civil veio combater as mesmas coisas que hoje estão fundamentando em sentenças de um judiciário sedento para atrapalhar a vida de milhares de brasileiros.  Se pelo frutos os conhecereis, o Mises tem registrado uma lista com os frutos da Neutralidade da Rede, e a maioria é de não permitir benesses para a população. Screenshot_2 (1)

Ferramentas como o Whatsapp entraram no cotidiano do povo brasileiro e não são brinquedos, mas possuem todas as funções que a comunicação humana pode oferecer. Uns usam para trabalhar, como a costureira com seus clientes e grupos criados por lojas, outros criam grupos de corrida e estudos, e até hospitais usam de algum jeito pela acessibilidade e gratuidade do serviço (serviço gratuito que compete para melhorar, só no capitalismo, mas divago).

Se faz necessário lembrar que o princípio de neutralidade é um nome bonito para o transporte de um modelo igualitário de economia socialista para a internet, onde todo byte deve ter o mesmo valor independente do valor atribuído pelo consumidor. Portanto, é um princípio anti-capitalista que visa regular a livre concorrência, como bem demonstra esse vídeo do reason.org (sem tradução). É a criação de um cartel dos bytes. Talvez aí notemos porque toda corporação veio apoiar uma lei que se dizia anti-corporatista.

Não se pode responsabilizar apenas o juiz, ou tinta em papel, mas aqueles que antes da lei ser aplicada, resolveram justificar um meio de atrapalhar a vida de milhares de brasileiros, incluso as corporações virtuais que apoiaram o Marco Civil e hoje estão sofrendo em território brasileiro.

Por isso eis então uma lista de quem não desejaria ser no dia do Juízo Final. Obrigado Paula Rosiska:

Famosos e entidades divulgam apoio ao Marco Civil da Internet em redes sociais

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Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

Os defeitos dos políticos são os da sociedade brasileira?

“Se eu fosse Dilma… Pobre Dilma. Não posso dizer o que eu faria no lugar dela”, disse o ex-presidente do Uruguai sobre a crise política brasileira. “A direita tem os meios de comunicação, os defeitos não são do PT. São da sociedade brasileira.”

E é assim que Mujica justifica uma das maiores organizações criminosas da América Latina: a culpa é nossa. Se o partido no governo compartilha da mesma genética que o povo brasileiro, somos todos cúmplices dos seus crimes.

Isso não é totalmente falso, afinal, em alguma medida até os santos batalham com o próprio mal como explícito em Romanos 7:19, mas o pecado original não desculpa a ausência de punição e uma visão desproporcional dos males cometidos. Só em mentes trevosas que temos de ter a mesma misericórdia com um ladrão de bala para um serial killer. A solução para a corrupção governista não é caso de conversão religiosa mas caso de polícia. Se Jack o estripador não inventou o assassinato, mas o deu suas qualidades doentias,  o PT deu à corrupção as suas qualidades psicopáticas não imitadas por nenhum outro corrupto: transformou a corrupção em instrumento de acúmulo de poder com toques de narcisismo.

O “Somos Todos Corruptos” só tem servido a quem o diz, afinal são todos corruptos menos quem diz “Somos Todos Corruptos”. É uma maneira fácil de ser holier than thou sem precisar subir o Cristo Redentor na escadaria de joelhos. Culpar a corrupção no povo brasileiro é a mesma coisa que fanáticos religiosos culparem desastres naturais nos pecados babilônicos das sociedades modernas. A corrupção não é um castigo divino e o PT não é o instrumento sagrado de Deus para punir a nação brasileira.

Mesmo se acreditarmos que culturas são diferentes, e há culturas melhores e piores, para que a corrupção no governo reflita a corrupção da população é preciso crer que vivemos em uma democracia e que por essa razão o povo está sendo bem representado pela sua classe política.

É uma presunção fácil de refutar pois não há partidos de direita – embora haja nomes dentro de partidos de esquerda que são centro-esquerda, centro, ou centro-direita – e não espera-se que o partido que leva o nome de progressista seja conservador, ou que o partido social-democrata seja idêntico ao GOP.

Sim, não existe nenhum estrangeiro nas nossas instituições e tampouco lhes faltam eleitores, mas mesmo se formos dizer que somos bem representados e vivemos em uma democracia, ignoraríamos que:

1) Há um eleitorado que não é corrupto: Procure o histórico de brasileiros no campo e se descobrirá um povo com uma moral sacerdotal. Eles passavam muita fome, trabalhavam no sol quente todos os dias juntos com os filhos sem expectativa de luxo e glória terrena. Mesmo com pouca comida e muito trabalho não buscavam fazer disso justificativa de dependência de Estado, ou cotas, ou direitos humanos, e era taxativamente proibido furtar o trabalho de outrem. Se ocorria sonhar com algum luxo, a educação moral impedia de ser rico através de outra coisa que não o caminho duro do trabalho.

Observe também a ética de catadoras de lixo, que mesmo sob extrema pobreza trabalham e defendem suas famílias com unhas e dentes carregando peso em vez de pedir ajuda de governo que, ao contrário, o custeiam através dos impostos que vão aos think tanks de esquerda que viraram nossas universidades¹. Feministas que precisam de mulheres assim para seu sustento, afinal, ser bela, recatada e trabalhar no lar não é opção. A exploração das mulheres se dá pelas próprias mulheres de esquerda alienadas pelo feminismo.

A isso se dá nome de genuíno trabalho, não o trabalho que no Brasil leva o mesmo nome e é o que a esquerda defende. Afinal, o sentido que a esquerda dá de trabalho é físico e não axiológico. Trabalho ou esforço não agrega valor financeiro por si mesmo. Pense o trabalho que o assinante paga para fazer na academia, o trabalho que exercia Sísifo que não gerava nenhuma alteração no mundo à sua volta, empilhar cartas, ou brincadeiras com dominós, ou brincadeiras de crianças em geral: todos são fisicamente trabalhos, produzindo alguns um grande número de esforço para se concretizar com eficiência, mas que não geram riqueza. Alguém pode ser tão bom em cavar e tapar buracos quanto carimbar papéis do governo no Ministério da Pesca, o efeito na prática é o mesmo. As pessoas pagam para ver rolarem uma bola porque isso empreende um valor² que em cadeia é compartilhado por milhões de outros trabalhadores na forma de médicos, fabricantes de camisas, pipoqueiros de estádio, mas somos forçados a ser a bola sendo passada em jogos burocráticos sem beleza nem virtude para aplauso de sadoesquerdistas. Assim é aquele cujo trabalho deveria inexistir por sua deficiência econômica, afinal, cada excelente carimbador é sustentado por três a quatro reais trabalhadores brasileiros que prefeririam ter mais poupança para investir em futuros brasileiros.

O resultado de políticas de esquerda é atrapalhar a economia até o ponto em que as pessoas não trabalhem mais: o desemprego. Quanto mais a esquerda defende o trabalhador, menos trabalhadores há para serem defendidos. A esquerda também veio nos convencer que o roubo é um caminho justo para enriquecer, que trabalho duro é possível de se desviar com um atalho e eles são esse atalho. Esse pensamento maligno se infiltrou por toda a sociedade brasileira, principalmente por culpa da mídia e universidades, mas a maioria dos brasileiros, de todas as camadas sociais, continua sendo otimista com o potencial do trabalho como único caminho justo para o progresso econômico. A maioria acredita no motto reaganiano que “um emprego é o melhor programa social’.

Tanto o roceiro quanto a catadora de lixo sem ensino formal possuem uma ética de trabalho superior à de muitos universitários de influência, senão a maioria deles, que advogam uma ética similar à do crime, e contudo, seus valores que poderiam transformar o país não se transmitem às novas gerações com facilidade.

As pessoas estão indo às ruas não para mendigar direitos a canetada de político por serem coitadistas profissionais, mas porque exigem receber os frutos dos seus esforços. Quando a sociedade não tiver mais trabalhadores reclamando por serem roubados ou atrapalhados pelos seus governos na rua, o Brasil irá parar. E é essa classe trabalhadora que nenhum partido de esquerda que leva o nome de Trabalhadores jamais defendeu, apenas calou e explorou.

Observe os marchantes de março, da maior manifestação popular da história do Brasil… Os corruptos não representam essa parte da sociedade que não votou neles. Se vivemos em uma democracia, esse raciocínio é simplesmente lógico. 

Mas não vivemos pois não há oposição partidária que os represente, não há líderes que os convençam. Com Lula se jactando de não haver direita no país, culpar a sociedade é aceitar como de bom tom os abusos que silenciaram o contraditório.

2)Dilma-Rousseff-selfie-jornalistas_cafe-da-manha (1) Há um eleitorado especialmente corrupto: Uma pequena elite midiática e universitária de esquerda cria e decide os figurantes políticos no país. Eles estão sendo bem representados pois são os verdadeiros pais fundadores do Brasil que temos hoje. Eles criaram a narrativa que levou o PT ao poder e são os canais de influência de votos, os que instruem uma parcela de eleitores que roubar com a função de reduzir desigualdades não é corrupção. Assim como um milionário pode contratar um bom ladrão para lhe roubar algo de valor em seu lugar, estão elegendo políticos e criando leis com a mesma função: roubar o trabalhador pelo bem geral. Assim como o traficante do morro faz assistencialismo, o corrupto de estima da esquerda é tratado como um bom ladrão. Mas ladrão bom só o foi na crucificação.

São estes que impedem que bons valores se transmitam ao poder público. Para eles, causas populares moralizantes como armamento, pena de morte para bandidos ou impeachment da presidente não devem possuir voz, pois eles tomaram o domínio da voz, fazendo-se avatares da consciência popular. É por isso que Bolsonaro é muito mais popular que Dilma, suas intenções de votos ultrapassam o número de aprovação do governo da presidente: porque lidera e defende valores genuinamente sociais e não de uma pequena elite esclarecida de esquerda que é paga para nos substituir. A população das ruas, formada de militantes não profissionais, que paga a consciência dos movimentos sociais que o governo diz ser os verdadeiros representantes do povo pois são históricos, é considerada burra e manipulada por esses mesmos movimentos e feita de chacota pela mídia que recebe licença estatal para existir.

Levantamento da audiência e repasses de verba federal, feito por Fernando Rodrigues no UOL (FONTE)

Levantamento da audiência e repasses de verba federal, feito por Fernando Rodrigues no UOL (FONTE)

Desde que a internet cresceu no país, o ambiente ficou mais aberto à influência de idéias e notícias que antes eram mais facilmente filtradas conforme o design e narrativa da esquerda. Se antes era difícil encontrar alguma oposição à única via racional possível, hoje há mais formas de pensamento a trilhar. Há uma oportunidade de as pessoas buscarem se educar sobre vários temas. E a liberdade proporcionada por essa ferramenta aculturou os brasileiros a amarem serem livres talvez pela primeira vez em sua história, percebendo que a liberdade ajuda a sociedade a se fortalecer, a se unir contra o mal. Não precisamos mais de atores nos representando diante dos políticos, a internet nos deu poder de representarmos a nós mesmos. Portais mantidos por jovens como o Reaçonaria atingem melhores resultados que os que o governo comprou com verba de publicidade.

Há uma reformulação radical no ideário da América Latina se aproximando. A esquerda sabe disso, e o Foro de São Paulo tem colecionado várias derrotas com Lugo, Zelaya e agora Dilma. E tem somente perdido sobre aquele ente único que não se pode dominar: o povo.

As pessoas descobriram o Partido dos Trabalhadores. E isso por culpa do próprio Partido dos Trabalhadores que, por viver sem oposição partidária, se tornou arrogante ideologicamente, cafona esteticamente e sem fibra. Uma oposição nasceu no eleitorado e está pedindo representatividade com um objetivo bem claro: remover a corrupção de todas as esferas do Estado. Qualquer tendência aparente só acontece pois o peixe maior são membros da elite do Partido dos Trabalhadores. E acertando o mal na cabeça, intimida-se que novos ratos do setor público ganhem coragem. Não é que a Câmara seja composta de heróis: os partidos pró-impeachment eram base do governo há pouco tempo, mas mudaram pois estão sofrendo pressão para exercer a vontade do povo, que é a verdadeira oposição ao PT.

Toda a força moral do momento reside nesse apartidarismo, na manifestação autêntica. Afastados das consciências compradas dos movimentos sociais dos governistas, as pessoas comuns saem de suas casas para lutar contra um governo cada vez mais alienígena. O brasileiro que saiu as ruas representar a si mesmo teve uma surpresa: não está sozinho e ele é maioria, a espiral do silêncio foi quebrada.

É esse também um bom momento para a Direita pois, se os valores do povo não foram representados por seus governos, é hora da classe política buscar romper com a esquerda para alcançar votos. O eleitorado mudou e está com sede de quem tenha bravura política para representá-lo, por isso Bolsonaro mantém-se bem votado, continuando presidenciável mesmo com todas as polêmicas em que conscientemente entra.

É razoável uma revolução ideológica pois um discurso de pacificação pode ser mais radical que um discurso de ruptura. Soa mais radical que, cortando a cabeça de todos os corruptos da nação, mantenham-se firmes sua projeção sobre o Brasil, salvando investiduras e imposturas por culpa que, uma vez, foram aprovadas por outros corruptos na forma de leis, de nomes só louvados pela mesma categoria política profissional. O Brasil precisa recomeçar e apagar da sua história no mínimo 40 anos de trevas: o povo precisa de outra estrada para caminhar, não sapatos novos. Todo povo que passou pela febre do socialismo teve de reiniciar.

Não existe sociedade composta de pessoas perfeitas. Os europeus ou os asiáticos não são pessoas perfeitas e o Brasil não pode justificar ser um dos países mais atingidos pela corrupção no mundo por não ser a exceção, por não sermos uma sociedade angélica. Que as fraquezas pessoais nunca nos tornem hipócritas diante de ladrões profissionais, criminosos que dominaram as vias de poder e pessoas que nos usam para alcançar o topo sem os esforços da caminhada. O juiz que sentencia o criminoso na visão de Deus também é pecador, mas sua função é punir o mal e com a punição dos maus se premia o bem.

1: Ótima observação de Filipe Garcia.

2: Valor esse que remove da favela os pobres, para rancor da educação da esquerda universitária que pode doutriná-los para virarem bucha de canhão em protestos.  O esporte foi a maneira que o capitalismo encontrou de ajudar os pobres do brasil tirando vários da pobreza e dando a alguns o mundo, coisa que nenhum professor marxista conseguiu fazer. O futebol é um melhor programa social que qualquer um inventado por Lula.

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

O Problema Ético do Consenso Parte 2

William Lane Craig fotografado por Jenniina Nummela

William Lane Craig fotografado por Jenniina Nummela

Em texto anterior refleti sobre como o consenso é bom, mas não pode ser a norma de ouro que guia a moral humana, como bem sabem conservadores como Theodore Dalrymple. Uma república não é uma democracia, não podemos simplesmente votar nossa moralidade. Neste texto pretendo dar uma alternativa mais sólida à crise de valores ocidentais que refletem positiva ou negativamente nas políticas externa e interna.

Quando você é uma fraude, sua teoria econômica não funciona, sua fantasia política fez milhões de mortos e isso é historicamente repetido milhares de vezes, parece um bom cop out¹ apelar à inexistência da verdade e de uma moral em que o bem e o mal não existam para manter-se em pé. Libertários, por sua vez, têm absoluta fé no nobre selvagem de Rousseau: para eles, o homem nasce bom mas o Estado o corrompe. E qual seria a opção para explicar o mal que se origina no ser humano e lidar com ele?

Dr. William Lane Craig é reconhecidamente o maior apologeta cristão vivo da atualidade. Conservador crítico do Obamacare, ele mais de uma vez debateu o absurdo de uma vida sem Deus diante de campeões do secularismo. Se pegarmos sua defesa do segundo ponto da defesa moral para a existência de Deus (sem tradução), temos a melhor apreciação do que seria objetividade moral. Sem compreender a existência de uma moral objetiva é impossível compreender como um conservador pensa.

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Objective Moral Values and Duties for Dummies

Ele explica que acreditamos na objetividade moral assim como acreditamos que nossos sentidos naturais são testemunhas honestas. Que a toda contradição à objetividade moral pode-se fazer um paralelo contradizendo os sentidos (o mundo externo dos objetos), e cita o filme Matrix como exemplo de que todos acreditamos que nossos sentidos não estão sendo manipulados. O senso moral humano evidentemente não é guiado pela evolução como meta de sobrevivência, mas da percepção da verdade. A objetividade moral é mais óbvia que os argumentos contra ela.

Por exemplo, torturar uma criança por diversão causa repulsa, talvez só maior a quem achar uma brecha em que estupro de crianças seja moralmente bom, como fez Dan Baker (Chega próximo da esquerda aceitar infanticídio pelo bem da soberania indígena. Fica a dica aos separatistas paulistas: falem que São Paulo é uma tribo).

Mesmo se os nazistas tivessem ganhado a guerra e seus inimigos fossem varridos da Terra, eles ainda assim estariam errados. Mandar todos os aidéticos a um campo de concentração pode ser uma solução racional à contenção da doença, mas não é uma solução moral porque respeitamos seu direito à vida e à liberdade. Da mesma forma, os socialistas fizeram soar racional e tornaram popular uma solução radical que relativiza o direito de propriedade, mas continua sendo uma solução imoral.

Um policial pode eventualmente acabar sacrificando a vida para trazer de volta o carro ao dono, não pelo valor do carro ou amor pelo dono, mas pela Justiça que incorpora o direito de propriedade, assim enviando uma mensagem contra a ética da conquista e à anomia. O policial, um agente do Estado, faz uma defesa do liberalismo econômico impossível ao padeiro de Adam Smith.

Uma boa ou má jogada de xadrez não é o mesmo que o bem ou mal. O bem e o mal são crenças e o apoio em crenças e valores são a herança judaica ao ocidente. O bem não depende simplesmente de racionalidades, como mostra Dennis Prager:

É fácil entender então como ser contra a pena de morte a assassinos, ser a favor da eutanásia ou do aborto humanitário possui razoabilidade que pode seduzir até alguns conservadores. Isso só é possível quando, por uma falha humana, conservadores não refletem sobre pressupostos que a esquerda baseia seus raciocínios ou até mesmo os compartilham. Um conservador preservará o direito à vida assim como um policial busca preservar a Justiça, reconhecendo a vida como um valor e sabendo do impacto de se desmoralizar um valor. Se policiais racionalizassem sua profissão para o mal, não seriam policiais, pois há muito mais excelentes razões para não sê-lo. O que se pode perder na profissão é muito maior do que o salário que se ganha. O valor do heroísmo cobre a impotência da razão. Nós podemos não gostar de certas leis e policiais corruptos, mas a profissão idealmente existe para o exercício do bem.

Liberais entendem que é racional fazer o mal, por isso defendem que é racional um liberal ser servidor público enquanto ataca a moralidade desses serviços. Liberais, como utilitaristas, nada podem fazer contra o utilitarismo que vive no serviço público, onde votariam até no Anticristo se isso significasse um aumento salarial que crescesse a desigualdade de renda entre eles e o contribuinte: os pipoqueiros que não podem ter mais direitos que eles pois têm de pagar a conta e trabalhar por dois ou três. Ética de mercenário é a ética liberal e o serviço público está cheio de mercenários.

É importante compreender que não há neutralidade metafísica, do esquerdista secular ao conservador religioso, todos possuem uma. Uma moral objetiva não só explica a existência de um Criador, como concluiu William Lane Craig, mas explica a lei natural de forma teleológica e não somente descritiva, a Lei de Hume não pode guilhotiná-la.

Sem Deus, o homem comum começa a buscar a moralidade na natureza e dar ouvidos ao panteísmo. A natureza pode estar ao alcance dos tubos de ensaio, mas moralidade é um sistema de crenças objetivas, os valores, e isso é campo da estética, metafísica, filosofia, e está além da ciência. A tentativa de subtrair da natureza alguma norma e valor sem a inteligência de um Criador falha quando se descobre que a natureza se importa tanto com o holocausto como se importou com a extinção dos dinossauros. E se animais não tem deveres nem direitos, o homem quando se rebaixa a comparar-se com o reino animal também se subtrai de deveres e direitos e tudo se torna padrão de comportamento que a evolução nos introduziu e que poderia ter feito diferente. É possível no materialismo defender tanto o genocídio de judeus quanto ser contra o aborto de bebês, até mesmo ao mesmo tempo, porque não é um princípio solidificado o suficiente para enxergar o mal e o bem.

William explica que um leão pode matar, mas não pode assassinar uma zebra, mesmo que ele a trucide brutalmente no processo. O dever ser não existe para um leão, só para homens, que compreendem que não nasceram bons e vivem o drama de recuperar ser imago Dei. A humanidade não enxerga tudo o que pode ser feito como tudo que deve ser feito.

Graças a uma pressuposição naturalista da moral que diz que se os apetites animais forem satisfeitos o homem não se corrompe, libertários chegam a defender prostíbulos para reduzir estupros. A esquerda defende o criminoso com base na sua insatisfação e mal estar. Mas os maiores corruptos da história foram também os homens mais satisfeitos: os monarcas absolutos, tiranos e ditadores.

Não se pode contrastar uma vida boa com uma vida prazerosa. Um soldado que não entrega seus companheiros, mesmo sob tortura, está colocando o seu prazer em segundo plano. Nós não condecoramos soldados que entregam seus companheiros porque no fundo sabemos que o prazer não é premiável. A caridade liberal “de fazer o bem faz bem” está bem representada em programas populares de TV onde empresas fazem assistencialismo em troco de publicidade e imagem favorável, mas não é capaz de explicar o sacrifício de soldados.

As pessoas podem estar certas pelos motivos errados, ou erradas pelos motivos certos. Trabalhar com valores não é tão simples como espremer estatísticas, como faz nossa tradição positivista de tecnocratas que colocam a riqueza como o bem absoluto, mas é a melhor maneira de fazer uma política para as futuras gerações. Uma sociedade justa pode ser pobre, e é por isso que a direita tem a desvantagem de não poder seduzir eleitores prometendo riqueza, mas criando a oportunidade de obtê-la.

Um conservadorismo defensável em face de seus rivais políticos tem de possuir uma cosmovisão sólida, afinal, se valores não são objetivos e mudam conforme a opinião, o que há para conservar senão o status quo atual? O que podemos propor para uma sociedade mais justa sem fazer como a esquerda e ferir a Justiça? São figuras heroicas, de Moisés à Jesus, que formam a sensibilidade ética da humanidade, são os paragons que nos instruem o que devemos fazer.

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Para haver musculatura moral é necessário subir os padrões moralmente aceitáveis, não baixá-los. Por exemplo, há povos que regulam formas não cristãs de casamento e não caem em extinção. Os egípcios já concluíam que matar e roubar era errado antes dos dez mandamentos, mas após os dez mandamentos essas duas regras são objetivas e universais, não por causa dos egípcios, mas por causa de Deus. Uma vez sabendo que sem Deus não há objetividade moral, a apologética passa a ter implicação política. A vontade de Deus para a humanidade, não alcançada por entendimento humano, mas revelada, quando em questões sociais, seja em figura proféticas, apostólicas ou Dele próprio em Jesus Cristo, supera a opinião humana e ignorá-la é um atraso, mesmo que não incida em nada mais do que isso.

Não superamos a escravidão por consenso e leniência, mas por um longo comprometimento com a liberdade ao qual o cristianismo teve imensa participação. Países onde o cristianismo não trouxe os direitos naturais ainda possuem problemas com escravidão, como os próprios países da África.

Bem percebe Selwyn Duke, do American Thinker, que o conservadorismo de alguns é como um boxeador que nunca bate mas se alegra de apanhar cada vez menos. Em uma sociedade com instituições progressistas, nada é mais revolucionário que ser conservador. Só se perguntar: quem está propondo transformações para uma sociedade livre e justa no cenário político brasileiro e quem está lutando para manter “as conquistas” (muitas delas de ditadores do nosso período militar que provam que a esquerda defende sua tradição fascista)?

Créditos: YouTube

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Edward C. Feser é um dos melhores filósofos católicos da atualidade, aristotélico-tomista e libertário, professor de filosofia na Pasadena City College, foi graduado na Universidade da Califórnia com um PhD em filosofia. Feser escreve para o Whiterspoon Institute e combate o neo-ateísmo em seu blog, além de ter publicado sete livros. Para ele, a lei natural só é possível graças ao imanentismo teleológico, e para termos um entendimento completo, não somente parcial, de obrigações morais, necessitamos de um Deus legislador.

É só por isso que a Declaração da Independência Americana não só fere os sentimentos contemporâneos com a expressão “Criador” como é por isso que todo presidente que esquece dessa parte fundamental vira notícia. O americano não teme buscar a proteção de Deus contra seu governo em vez de um time nobel de economistas. Foi o Pai Fundador John Adams que uma vez disse “Nossa Constituição foi feita somente para um povo moral e religioso. É completamente inadequada ao governo de qualquer outro.”

Em seu artigo “as metafísicas do conservadorismo”, ele elucida os quatro grupos conservadores. O Conservadorismo Realista, que “afirma a existência de uma ordem objectiva de formas ou universais que define a natureza das coisas, incluindo a natureza humana, e as instituições que busca conservar são somente aquelas que refletem um reconhecimento e respeito por essa ordem objetiva, ele respeita a religião por sua obediência à lei natural”. O Conservador Conceptualista, que “não nega a existência de universalidade, mas que esses universais só existem na mente humana”. O Conservadorismo Reducionista, que “concorda com o Realista que há algo como uma natureza humana, mas não baseia essa afirmação em algo platônico, mas fatos contingentes da biologia humana, até nas leis da economia e ou em uma teoria de evolução cultural”. Por fim, o Conservador Anti-Realista, que “valoriza somente estabilidade e ordem”. Conservadores podem exibir essas tendências do pensamento vez ou outra.

Feser põe a prova os rivais do Realismo Conservador ao comentar que não são claramente conservadores, assim como nominalismo ou conceptualismo não são mais que versões do realismo. Isso é importante para o conservadorismo brasileiro entender além das aparências do pensamento e começar a fundamentar políticas para ter o mesmo efeito que a carta política americana. Basear-se em um jusnaturalismo não superficial, monista e materialista, mas em uma teoria de Direito que permita um documento que não seja alterado por modismos ideológicos. Enquanto o povo americano teve uma constituição, nós tivemos nada menos que seis constituições. A Constituição Americana teve vinte e sete emendas expansivas, não contraditórias enquanto só a Constituição de 88 passou de sessenta pelo seu pragmatismo revolucionário. Um povo não pode suportar tantas modificações fundamentais em sua maneira de pensar a pólis em tão pouco tempo impunemente.

Entendo que o povo brasileiro possui instintos conservadores mas ainda raciocinam como não realistas, falhando na construção de argumentos pois confunde as duas noções de jusnaturalismo. Copiar o conservadorismo americano seria hastear bandeiras tão pesadas que poucos teriam a força de mantê-las em pé. Por mais que queremos ser herdeiros políticos do conservadorismo anglo-americano, acabamos nos distanciando dele quando queremos as consequências (liberdade, riqueza, poder) e não as causas (religião, resiliência, sacrifício).

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Prostituição reduz estupros

O consenso pode não atrapalhar, mas não é a regra de ouro moral que aparenta ser. Para o liberal, tudo que vira bom negócio se torna invencível às leis: de prostituição e maconha a jogos de azar. Mas mercados não são invencíveis, como prova o mercado de órgãos. O mercado de pedofilia e de barrigas de aluguel são tabus por uma boa razão. Por isso não é imoral a discriminação e até a criminalização de alguns mercados. A escravidão foi um bom negócio por séculos, e não foi consenso que expurgou esse mercado, ele só sumiu quando o moralismo se aliou ao poder de Estado. Foi a não-violência de Martin Luther King que hoje motiva leis a usarem violência para prender racistas. Não existe política sem violência fora de algumas pequenas tribos indígenas e comunidades Amish, a questão é se ela é justa.12654472_10154441551530400_4466787936447831591_n

Quando liberais se deparam com problemas morais, eles apostam no aumento do Estado, na alta regularização e impostos, afinal, para eles, o livre mercado gera riqueza mas estranhamente tudo o que legalizam sob o nome de liberdade, como a maconha, tem seu uso reduzido. Isso porque nessa causa não defendem o uso como bom, mas sim um maior domínio do Estado na economia, mudando para agências reguladoras funções que outrora eram somente trabalho policial, multiplicando assim os burocratas. As ideias de livre mercado trazidas para o país símbolo do capitalismo tiveram como hospedeiros os cristãos puritanos, conhecidos pelo seu extremo moralismo, razão de seu enorme sucesso. Não há como julgar errado o roubo se podemos vender nossos filhos. Os Estados Unidos só resistiu a apelos socialistas quando esteve sob intensos períodos de pobreza por culpa de sua resiliência moral.

É nossa opção defender valores baseados em algo fixo, objetivo, ou nos basearmos em princípios tão flexíveis a ponto de sermos indistinguíveis do esquerdismo. Não existe governo perfeito, a lei positiva acerta a lei eterna por acidente. Governos possuem leis corruptas e virtuosas ao mesmo tempo e há um ponto em que o mal dele se torna intolerável. Por centenas de anos os escravos morreram escravos e senhores de escravos que roubavam seus trabalhos morreram ricos. A causa da justiça precisa de sangue e suor humanos para se concretizar, por isso se não focarmos no fortalecimento ético dos eleitores mais do que no fortalecimento econômico, não teremos quem possa votar em eventuais políticos de Direita para criar maior distância da nossa herança esquerdista. Se não soubermos qual a fonte da virtude e dos nossos princípios, se não podemos raciocinar nesse nível, pouco podemos fazer para restaurar a ética de auto-sacrifício necessária para a saúde do setor público. Legisladores cristãos, tomem nota: Se não representarmos a boa vontade de Deus seremos mais parte do problema que da solução.

1.Escapada.

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

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