Charles Gomes

@CGomesV

Por que as pessoas modernas não acreditam em milagres?

Esse é um dos textos que gostaria de ter escrito mas o luterano Dr. Jack Kilcrease o fez antes de mim com muito mais propriedade, me dando o (difícil!) trabalho de traduzi-lo. Nesse texto destaco a fundação da era pós-cristã, os princípios da perseguição moderna aos cristãos no ocidente e o pressuposto diabólico do estatismo.

Como todos sabem a Modernidade nasce em 1648 na Paz de Vestfália. A Paz de Vestfália findou a Guerra dos 30 Anos e estabeleceu a relação moderna entre a Igreja e Estado. Parte deste acordo foi a criação de um sistema dentro do Sacro Império Romano que deu controle irrestrito da Igreja para o Estado Secular. Outras confissões de fé seriam toleradas (por exemplo, Luteranos em territórios Católicos), mas seus cultos teriam de ser privados e ocorrer em lugares e horários determinados pelo Estado Secular. O soberano deveria ditar sobre a estrutura da Igreja e doutrina.

Devemos observar que relações de poder não são simplesmente causalidades. Ela inculcou nas pessoas, e também pressupôs, uma estrutura ôntica particular da realidade. Logo, o dever do Cristianismo ser restrito ao domínio privado com total subordinação da Igreja ao Estado nos deve dizer certas verdades sobre religião e sua autoridade, assim como algumas coisas sobre metafísica.

O que nos diz? Especificamente, se assume que criação é um reino fechado e autônomo onde Deus, religião, e o sobrenatural estão separados desse domínio estando somente na região da consciência (praxis religiosa) e o transcendente. Contrário às tradições cristãs antigas de lei natural e interpretação Escritural tipológica (ambas as quais assumem um padrão de eventos históricos e a estrutura da natureza possui significado inerente.), a realidade aqui não tem sentido inerente. A Realidade é um reino neutro, autônomo, feito de causas materiais, discernível e facilmente controlados por sujeitos humanos racionais e autônomos (pense Descartes e Bacon). Os homens podem desta perspectiva impor subjetivamente algum significado nas causas neutras e eventos materiais mas isso é um juízo privado que não tem valor como real e objetivo no domínio público.

Quando se confirma esses pressupostos se torna claro o motivo pelo qual a religião, ciência e secularidade se desenvolveu  do jeito que vimos nesses recentes séculos. Como podemos ver, no fundo, a emergência da Modernidade tem pouco a ver com o início da investigação racional da realidade, o reconhecimento da dignidade humana e a destruição da autoridade arbitrária (de fato, se alguém buscar a história da Modernidade, o oposto acontece!). Antes, a divisão moderna de fato/valor e que as causas materiais são inerentemente mais racionais que as sobrenaturais são um subproduto de uma narrativa social da realidade que emergiu das relações entre Igreja e Estado. Em suma: o reino do material, onde o Estado possui o monopólio do controle, é o reino do real.

Logicamente, o Estado Secular pode controlar somente causas materiais. Ele não pode controlar causas sobrernaturais. Dizer que há causas que não são materiais mas sobrenaturais é colocar certas realidades fora do controle do Estado. Isto é visto como algo perigoso porque a inferência de reivindicações sobrenaturais sobre o real resultaria em rompimento social. De fato, isso é o que os arquitetos da modernidade acreditaram que aconteceu durante a Guerra dos 30 Anos onde Luteranos, Calvinistas, e Católicos estavam todos competindo sobre quem possuía a autoridade sobrenatural. O Estado, não podendo freá-los foi tragado a essa longa guerra irracional. Os Autores ingleses viam a guerra civil inglesa da mesma forma. É claro, não é bem assim que aconteceu, mas é assim que eles acreditavam ter acontecido e então eles consideraram importante remediar isso.

Por essa razão, não surpreende que Thomas Hobbes (por exemplo), começa Leviatã com uma visão materialista da natureza humana. Em outras palavras, se tudo é material, então o Estado pode controlar tudo e então não haverá outra guerra civil inglesa (i.e., uma guerra sobre verdades sobrenaturais). Voilá, Hobbes aceita que o estado irá possuir uma religião, mas que o rei ou quaisquer que seja o soberano terminará tendo direito de interpretar a Escritura. Qualquer Interpretação contrária é traição e o Estado tem o direito de bani-la. No Contrato Social, Rousseau nos conta que o Estado deve simplesmente impor uma religião monopolista e não importa o que ela ensina, mas se as pessoas a contrariarem elas devem ser mortas. Os revolucionários franceses seguiram esse aviso e estabeleceram a “Deusa da Razão” na Catedral de Notre Dame.

Isso também coloca em nova perspectiva o Liberalismo teológico. Para não dizer pior, o Liberalismo teológico tem pouca consistência lógica. O bispo Spong ensina que não não podemos acreditar em milagres. Mas porque não? É um silogismo fácil: se Deus é Deus e portanto o Criador, ele pode fazer tudo. O nascimento virginal, água em vinho, a encarnação e todo o resto caem como “tudo”. Mas quando você perceber que na modernidade, a narrativa social da realidade restringe a religião ao reino do julgamento privado (valor e não fato!), então fará mais sentido do porque Liberalismo teológico se encaixa melhor nela.

Primeiro as Escrituras seriam simplesmente reinterpretadas com base na distinção moderna entre fato/valor. Se nós admitirmos que o sobrenatural ocorreu como narrado biblicamente, então significa que o real não está restrito ao material e portanto o monopólio do Estado Secular seria quebrado. Daí o empreendimento de modernos estudos críticos da Bíblia, inventados por Spinoza e Thomas Hobbes no (adivinha!) meio do século 17, que simplesmente pega a bíblia e reinterpreta o texto como um produto de forças sociais em vez de sobrenaturais. Tem esses estudiosos acesso à essas forças sociais? Não. Podem eles provar que elas existiram? Não. Apesar disso, o que falha logicamente e historicamente funciona para as pessoas modernas num nível retórico. Para alguém que foi aculturado a ler toda a realidade puramente com base nas causas materiais controláveis pelo Estado, seria um desafio ler as Escrituras diferentemente (algumas vezes nos dizem para ler a bíblia como “um livro como qualquer outro”). Como as Escrituras ainda pode prover algum “significado” e “valor” (Mesmo que sejam considerados majoritariamente falsos), nenhum dano teológico é feito. De fato, se você participar de um seminário protestante mainline (como eu) reconhecer essa distinção de fato e valor como uma base de interpretação Escritural é visto como sinal de maturidade teológica. Pensar que “essas coisas tinham que realmente acontecer” para conterem verdades teológicas é vista como criancice. É algo que as pessoas irão superar assim que elas amadurecerem e aprenderem mais.

Logo, o Liberalismo teológico (e outras formas de teologia moderna) tende então a restringir sua teologia ao valor e significado. Isso pode ser visto em maior ou menor grau. Para pessoas como Schleiermacher o Cristianismo é somente sobre a experiência de absoluta dependência mediado por Jesus. Algumas alegações históricas e objetivas para isso são necessárias (Jesus teria de existir e ter divina consciência), mas mínimas. De novo, a teologia e Deus ficam restritas ao domínio privado. Eles não são perigo aos pressupostos do reino secular. A Neo-Ortodoxia (tanto Barthianas e Bultmannianas) também se alinha nisso. Barth em menor grau pela enganosa e pia retórica de transcendência; Bultmann (e Ebeling com ele) com sua inversão do relacionamento reformado entre fé e a Palavra de Deus. Por essa razão, Cristo “revelou-se na mente dos discípulos” e toda aquela conversa oca. Em vários níveis a teologia dita “significados” ao reino dos “fatos”. Sendo esses significados meramente subjetivos, ela perde a força de verdades públicas sobre como a realidade realmente funciona e então perpetua o establishment modernista, deste modo dando forças ao poder irrestrito do Estado de controlar cada aspecto da vida humana – incluindo o que para ele constitui o real. Alternativamente, quando teologia diz algo sobre como o domínio público devia ser regulado, ela é vista como destrutiva (i.e., o movimento anti casamento-gay.) ou útil ao ponto de fazer o jogo da narrativa Iluminista de progresso (i.e., teologia feminista e da libertação).

Como este vai ser minha última publicação antes do Natal, quando o milagre do nascimento virginal é debochado a ponto de muitos cristãos acharem motivos mesquinhos para não comemorar uma data que pese-lhe toda a influência pagã ainda é muito mais cristã que eles, quero desejar a todos os leitores do Reaçonaria um…

Feliz Natal!

 Revisado por Maíra Pires @mairamadorno

O Bananaman sabe mais que um Juiz do STF

“Em temas moralmente divisivos, o papel adequado do Estado não é tomar partido e impor uma visão, mas permitir que as mulheres façam a sua escolha de forma autônoma.”

– Ministro Barroso do STF

Mais uma vez o Direito brasileiro prova que está nas mãos de juízes sem juízo, reforçando meu dever moral de atuar a favor da justiça na marginalidade do sistema desde que obtive meu bacharelado.

Ray Comfort ficou muito conhecido por usar o argumento do design inteligente em uma banana, dizendo em tom desafiador que a fruta seria como uma lata de coca-cola desenhada por Deus para a mão humana. Por causa dessa gafe gravada em vídeo e muitas outras, Ray se tornou meme de cristão ignorante sobre a ciência ganhando de Dawkins a pecha – justificável – de “homem da banana”.

Mas ainda que erre mais que acerte, Ray é um bom cristão, pois mesmo não tendo alta capacidade intelectual é capaz de acertar pela sinceridade com que busca a verdade, foi assim que nasceu o documentário 180:

Nele aos 14:50, Ray faz um argumento que derruba o comentário do Ministro da Suprema Corte Barroso: O que se diria a alguém que vai demolir um prédio sem ter a informação que todas as pessoas saíram e estão fora do perigo?

Para o Ministro Barroso, que está investido no dever constitucional de proteger o direito à vida, a posição magnânima é que deixe que exploda e depois nós torcemos para não dar falta do Jorge ou do Mauro.

Assassinato não é uma posição moralmente divisiva mesmo que tenha variações semânticas como infanticídio e aborto. O pecado de Pôncio Pilatos foi ter lavado as mãos sobre uma vida inocente (considerado por Jesus um pecado menor em João 19:10-11, mas ainda pecado).

É exatamente por causa da prudência que a posição agnóstica do Ministro favoreceria em tese a posição pró-vida, mas escapou a conclusão das premissas da excelência da intelectualidade jurídica do país, uma conclusão tão simples que não escapa a um cristão comum.

O argumento de Comfort não é feito de maneira tão sofisticada quanto o do professor Peter Kreeft, que tem uma aula completa sobre a filosofia pró-vida que diz a mesma coisa tendo em conta uma apresentação mais adequada ao ambiente universitário, mas inegável que se ocupasse a posição de Barroso, decidiria com mais sabedoria.

É um dever moral que a mulher sustente a gravidez mesmo quando não a deseje, e isso até libertários radicais concordam, do Lew Rockwell:

Imagine que você está navegando com seu barco no mar, cuidando da própria vida, quando você ouve um barulho. Você se vira e encontra um maltrapilho escalando das águas para sua nave.

“Graças a Deus você apareceu!” ele diz. “Meu barco afundou, e eu estava apegado ao mastro já faz um dia. Eu quase abandonei a esperança.”

Você acena com a cabeça a ele, caminha pelo convés, levanta-o e o joga de volta ao oceano. Você explica a um audiência imaginária de espectadores chocados, “ele estava invadindo. Eu vim aqui para ficar sozinho, e a idéia que tenho de acomodá-lo me torna um escravo, não?”.

Para a maioria das pessoas e na maioria dos regimes legais, essa justificativa é patética e você é culpado de assassinato. E eu creio que esse veredito é correto. (…)

(…)  Uma mulher pode não ter desejado “pegar” o passageiro e pode achar sua presença irritante, inconveniente, etc. Entretanto, é certo que não é culpa do passageiro que ele se encontra lá, e ele não cometeu nenhum prejuízo contra ela. Matá-lo deliberadamente é um ato de assassinato tanto quanto jogar a vítima de naufrágio de volta ao mar – de fato, é mais forte o argumento para o feto que para o náufrago, porque o náufrago teve de propositadamente adentrar ao barco, enquanto o feto se encontra ali quer queira, quer não.

Pelo pouco que sabe e mesmo sendo sinônimo de cristão ignorante na internet, Comfort já nos soa mais perspicaz que maioria do STF. Será que algum dia teremos alguém entre nossos ministros capaz de nos enviar algum sinal de inteligência? Que se importam em estudar as causas que caem em suas mãos? Com cérebros incompetentes no motor da Justiça, a balança muito mais vezes penderá para o lado errado.

Quando se dá tal autoridade à juízes com a moralidade duvidosa, só podemos lamentar que agora o país paga com a vida. Clive Staples Lewis dizia que o cristianismo é como o sol, não por aquilo que é mas por causa que através dele podemos ver todas as coisas. Quando o cristão mais ignorante do mundo enxerga uma polêmica jurídica com mais clareza que o indivíduo pertencente à mais alta corte do país temos um testemunho disso.

Ao ministro Barroso e demais, cabe a leitura de quem estudou o mínimo sobre o assunto no link abaixo.

Scott Klusendorf e Como Defender a Posição Pró-vida em 5 Minutos

*Usuários de maconha tomam as ruas para defenderem seu vício em um país sem saneamento básico, diante disso não parece justificável a falta de coragem de botar a cara a bater para defender causas menos estúpidas.

Revisado por Maíra Pires @mairamadorno

As mulheres esquecidas pelo feminismo

Falar sobre o feminismo é algo que tenho adiado por ser costumeiramente um assunto poluído de comentários paranóicos que tornam distantes a compreensão da realidade. Como não escrevo o que não esteja madurado, aguardei o tempo necessário para escrever de forma genuína sobre um tema que invade nossas vidas através da TV, cinema e até video game.

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De Caça-Fantasmas à Caça-Machistas

Primeiramente observo que povos de culturas não cristãs geralmente elegem a mulher como inferior ao homem: Da oração judaica do “obrigado Deus por não ter me feito mulher” à venda de escravas sexuais cristãs feitas pelo ISIS a mulher é alvo preferencial em praticamente todas as outras culturas. Honor killings nos países islâmicos e epidemias de estupro causados por imigrantes islâmicos na Europa são crimes em que as vítimas se não todas, a maioria, são mulheres. Em caso de guerra as mulheres são vistas como espólio. Então é inegável que machismo, ou ver a mulher como inferior, existiu, existe e talvez sempre existirá. Se é necessário prender homens grosseiros em um país cuja educação é inferior à de Ruanda é outro assunto.

O cristianismo historicamente combateu essa formulação de machismo. No casamento a mulher é a Igreja e o homem é Cristo a ser sacrificado por amor a ela (Efésios 5:25). O pudor e modéstia no vestir é para selar o corpo como prudentemente se esconde um tesouro dos olhos dos ladrões. Tratar alguém como inferior por causa do sexo também é visto como um pecado, pois diante de Deus “não há homem nem mulher” (Gálatas 3:28). A educação sexual cristã cria pais de família, não Dan Bilzerians. A poligamia de outras culturas vê o lado do homem que pode fertilizar infinitas mulheres em um dia, mas a monogamia vê a mulher que espera nove meses. É por isso que a cultura do ocidente estende à mulher uma visão privilegiada, a família ocidental nasce dessa sensibilização com o lado feminino, no tratamento diferenciado que não é o mesmo que tratar como inferior, e quanto maior o afastamento dessa cultura maior é o número de homens e mulheres bestializados.

Não é preciso dizer que o feminismo fere inúmeras mulheres precisamente por ser contra as barreiras cristãs ao machismo enquanto silencia sobre o machismo em outras culturas. Se feminismo se importasse com as mulheres, seria de direita e não de esquerda. O cristianismo criou instituições para a proteção de mulheres e nunca precisou se chamar feminismo para isso. Quando feminismo ataca o pudor e bons costumes, a família, o casamento e a castidade, ele deixa os homens maus livres e mulheres vulneráveis.

E uma das teses falsas do feminismo é a de que os homens são o motor da história ocidental e por isso mulheres históricas foram jogadas por baixo do tapete para sugerir que a tese infantil do patriarcado seja verdadeira.  As mulheres abaixo parecem não concordar que o patriarcado tinha tanta influência assim sobre o ocidente, o que as feministas tem a dizer sobre elas?

Boadicéia

Vingança tem um nome. Após ser torturada e ter as filhas estupradas, a rainha desafiou o Império Romano. Suas diversas vitórias pela Britânia fez o poderoso Imperador Nero considerar se devia ou não enfrentá-la.

Bouboulina

A mulher que insurgiu uma rebelião grega contra o Império Otomano obteve diversas vitórias ao mar e é um símbolo nacional.

Joana d’Arc

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Preciso dizer algo de uma mulher, comandante militar, que é objeto de reverência e devoção de todos os católicos do mundo?

Rainha Elizabeth I

O Feminismo não vinga na Inglaterra muito em razão de suas rainhas guerreiras. O maior feito de Elizabeth I foi ter destruído a invencível armada espanhola e salvo a Inglaterra.

Pouca coisa.

Eleonor de Aquitânia

A Segunda Cruzada não teria ocorrido sem ela que participava das batalhas com o marido.  É considerada uma das mulheres mais poderosas da Idade Média como rainha tanto da França como da Inglaterra.

Maria Teresa da Áustria

Ela foi simplesmente de facto imperatriz regente do imenso Sacro Império Romano (assim como Theophanu muito antes dela). Foi causa da Guerra de Sucessão Austríaca e figura importante da Guerra dos Sete Anos.

Seu maior brilho foi na administração, tendo sido considerada uma “déspota esclarecida”.

Imperatriz Teodora

A Imperatriz Bizantina é considerada co-regente de Justiniano I por ter participado das reformas espirituais e legais de seu império. Justiniano dizia que ela salvou seu trono na revolta de Nika. Ela foi hábil em proibir a prostituição forçada e fechar bordéis, instituindo leis que favoreciam as mulheres como pena capital para estupro sendo Bolsonaro antes de Bolsonaro.

Isabel I de Castela

A mulher acompanhava o marido nas guerras da Reconquista cuidando dos feridos, sua presença foi considerada causa da rendição dos mouros em Granada. Ela, e não seu marido, é conhecida por ter financiado Cristóvão Colombo.

Rainha Vitoria do Reino Unido

Seu nome virou uma Era. Precisa mais?

Bônus:

Mary Ludwig Hays

Na Revolução Americana, era costume mulheres irem com os maridos no campo de batalha para ficar no cargo de levar e trazer água, cozinhar  e cuidar dos feridos. Em 1776, Mary viu seu marido que estava manejando o canhão ser morto e ela fez exatamente o que toda boa moça faria:

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O Ocidente não só teve homens poderosos mas também mulheres que obtiveram imenso poder sem que alguém chegasse até elas dizendo que não poderiam exercer esse poder por serem mulheres. Foi uma mulher que tornou possível a descoberta da América, países chave do Ocidente como França e Inglaterra em momentos críticos dependeram de mulheres no comando, maioria das vezes chefiando homens.

Às trigglypuffs cabe a indigestão: ou essas valentes lutaram pelo patriarcado e machismo ou por algo melhor que os anti-ocidentais estavam oferecendo. De toda forma elas não usaram suas virtudes para guerrear contra a ditadura das lâminas.

Essas mulheres deixam exemplo para não cairmos na propaganda que é nosso dever moral vermos uma Clinton ou Dilma no poder porque como ocidentais temos que pagar penitência por termos sido machistas malvados.

Aqui é Palin 2024!!!

PS: Como não sou historiador releve alguma falta de acuidade ou pior, ter deixado de mencionar algum feito importante ou até mesmo alguém. Deixo de antemão meu mea-culpa.

Revisado por Maíra Pires @mairamadorno

ProgressExit

Dizem as más línguas que só pulei para o Trump Train depois de ver Mike Tyson pular nele, mas foi graças ao Filipe Garcia (cuja cobertura das eleições ontem humilhou todos os jornalistas bem pagos do Brasil) pude corrigir brevemente meus caminhos e evitar cair com Carly Fiorina logo nas primárias.

Até um moralista die hard como eu acabou não conseguindo entender como para os #NeverTrump esse homem pode se comparar a uma pessoa que não só politicamente defende a institucionalização de vícios sociais, como pessoalmente usou de juridicismos para proteger um pedófilo e sempre cobriu de insultos as vítimas sexuais de seu marido (Leia ou assista Hillary’s America de Dinesh D’Souza que defende a tese de que Hillary e Bill não tem um matrimônio e sim um acordo entre criminosos). Trump não pode ser o mesmo indivíduo 20 anos depois, ninguém é e não encontro quem pode desconsiderar que ele atualmente apresenta virtudes que são frutos de um amadurecimento moral, a notar sua coragem muito maior que a dos seus 11 primeiros concorrentes republicanos.

Grab her by the pussy Reagan style.

A civilização ocidental mais de uma vez dependeu de homens imperfeitos, desde Churchill a direita está cheia dessas figuras que embora defeituosas nunca chegaram à psicopatia esquerdista. A direita é única em não negar homens imperfeitos e tem sido com esse material humano que temos montado a civilização cristã: uma sociedade que seja próspera com justiça. Se neoconversos sobem à posições de destaque e liderança no meio conservador rápido demais é uma crítica que guardo para outro dia. Moralismo, quando burro, opera o mal.

Inegável observar que antes de Trump, a internet estava em uma guerra cultural – que nós do Reaçonaria somos parte – para abrir espaço a ele (a internet é na maioria das vezes o único ambiente em que existe guerra cultural, já que as universidades públicas se fecharam para o conflito de idéias). A vitória de hoje em boa parte se deve à popularização de uma internet livre, que é o lugar onde a direita mais se espalha por ser um meio barato de comunicação em massa.

Assim como Obama em seu tempo, Trump se tornou o Presidente das mídias sociais (Ou Deus-Imperador), usando o Twitter como tribuna e tendo seus maiores defensores em sites como Reddit e 4chan, sem esquecer do fenomenal Milo, uma figura que nasceu para morar na internet. Foram esses zé-ninguém com cara de sapo que ajudaram a vencer o prestígio do establishment midiático para Trump. Foram canais como 50shades, Can’t Stump The Trump e Placeboing que fizeram vídeos que se tornaram virais e foram fundamentais para que uma das campanhas mais econômicas da história das eleições americanas fosse vitoriosa.

50 Shades, um dos mais interessantes, ridiculariza os SJWs que também poluem as universidades brasileiras (veja o Antes e Depois da Federal), e se quer entender um pouquinho do futuro da humanidade nas mãos da esquerda acompanhe os vídeos dele e de outros canais que fazem compilações semelhantes. É isso que a esquerda quer para o futuro dos seus filhos e o que chamam “progresso” para os negros, gays, hispânicos e mulheres. Vídeos assim são importantes porque depois deles a dívida histórica dos negros e outras minorias com a esquerda que devem ser pagos em votos desaparece. Não é necessário demonstrar com palavras o que é visível aos sentidos morais. 

Na hora de votar, ao menos no modelo republicano, tanto o voto do jornalista torcedor quanto o do torneiro mecânico tem o mesmo valor e ontem, “We The People” trumped essas monstruosidades criadas pelos “seus melhores”.

Revisado por Maíra Pires @mairamadorno

A Meta da Riqueza

Se perguntássemos hoje ou 500 anos atrás qual é a maior aspiração do Brasil como nação não se achará uma resposta que não seja prosperidade econômica. Não há espaço para objetivos modestos e menos radicais quando se quer atingir patamares europeus de qualidade de vida, se possível pulando etapas ou pegando atalhos. Com a remoção simbólica do PT do poder o país está ansioso para alcançar o primeiro mundo e isso não será um alvo impossível quando o Brasil deixar de sustentar ditaduras vizinhas.

Mas a recente canonização de Madre Teresa alerta, ou deveria alertar, que prosperidade não é o objetivo último da humanidade. Evidentemente não é errado o Brasil se unir contra seu problema da miséria, mas devemos estar cientes que a pobreza não é um pecado ou algo a se envergonhar. A tenra mulher era uma hábil administradora que enriqueceu a muitos optando livremente pela pobreza. Deus havia dado a ela todas as qualidades para ser rica, contudo a madre optou em ser o mais útil possível para a Igreja.

Essa não é uma época em que os ricos abraçam as causas da Igreja como outrora fizeram. Pelo contrário, a maioria descobriu como lucrar com a natureza decaída do homem. Basta ver como o mundo moderno investe pesado em novas tentações e obtém grande retorno: na música as cantoras são strippers com outro nome, todos os sites pornográficos se encontram nos mais acessados de toda a internet, o cinema, a moda, literatura e praticamente toda a cultura caminha para a pornograficação.

Os melhores artistas do Ocidente foram os vendidos para o Sistema

Os melhores artistas do Ocidente foram os vendidos para o Sistema

Servir a Igreja não é uma posição economicamente irracional. A Madre Teresa se fez pobre enquanto passageira nesse mundo, mas no eterno ninguém se engane: ela será mais rica que todos os bilionários da terra conjuntos. Eis um fato que várias parábolas do evangelho nos ensinam: o empreendedorismo espiritual é superior ao material.

Quando Cristo cobrou que o jovem rico desse todas as suas posses, o rapaz mal podia compreender a oportunidade que estava deixando passar. O mesmo Deus que criou todas as coisas boas e prazerosas desse mundo não terá criado coisas até mais sublimes e incorruptíveis no próximo?

A guerra pela cultura é uma guerra entre ricos. Se olharmos a lista da Forbes quantos pró-cristãos encontramos? Vamos ver na verdade uma lista de patrões do movimento da esquerda que financiam todas as causas anti-cristãs. Os cristãos tem de combater a inveja em seu meio pois claramente estamos em desvantagem, mas não podemos deixar de cobrar responsabilidade dos ricos pela administração dos bens emprestados por Deus.

O Criador do universo criou o mundo pensando no bem estar de suas criaturas, a geração de riquezas não é invenção de ideólogos mas de um relacionamento social entre os homens. Os ricos brotam naturalmente quando a sociedade depende de suas qualidades, o que gera investimento. Mesmo o direito à herança advém da vontade resguardada a quem possuía anteriormente o direito à propriedade. O Diabo por sua vez, nada criou, e apenas usa as coisas boas de Deus contra os homens, enganando sobre a meta delas e as desviando de suas finalidades.

Odiar o rico não só não é o evangelho, como é algo imoral, segundo Dalrymple:

Há um grupo de pessoas ao qual é permissível odiar, alguém que nesses tempos de códigos de liberdade de expressão é permitido ou até obrigatório falar de forma rábica: o rico. Soa curioso quando se reflete sobre isso, pois ressentimento econômico foi responsável por mais mortes no último século que ódio racial. Enquanto ser racista é colocar a si mesmo fora da paleta de uma sociedade decente; ser um igualitário econômico é estabelecer sua generosidade de espírito e profundo senso de justiça.

Não é difícil o caminho para a popularidade se condenar os ricos como o faz a teologia da libertação, a cultura dita que para ser melhor capitalista tem de se tornar cada vez mais mau, e para ser um melhor socialista tem de se tornar cada vez mais bom. Contudo, o que escapa é que os socialistas é que tornam os capitalistas selvagens – um caso de profecia auto realizável – afinal, para sustentar a classe burocrática do socialismo é necessário trabalhar em ritmo desumano e os patrões acabam sendo alvos fáceis como a face visível desse sistema de exploração.

É nessa condenação preconceituosa e mal refletida que se baseia o tabu contra as privatizações. Quando o dono da Nestlé achou melhor a administração particular de recursos naturais, na ocasião a água, o mundo teceu comentários que o colocaria no Sexteto Sinistro, comentários feitos por pessoas que não sabem o que acontece quando se deixa de pagar a conta de água ao governo. Não se ouviu em defesa dele o sucesso que houve quando uma corajosa Thatcher privatizou a água na Inglaterra. Pelo visto é a ideologia estatista, e não a água, que esperam que mate a sede.

A fortuna das futuras gerações depende dos ricos, os únicos que podem materializar idéias, abrir caminhos e levantar pessoas. A direita tem feito o (im)possível contra a corrente de dinheiro que financia a esquerda e não se sabe por quanto tempo ainda resistirá sem o apoio financeiro para essa cruzada. Calvino, considerado por algumas apostilas de ensino fundamental como ideólogo da burguesia, compreendia os deveres do rico com Deus. O reformador francês contava:

Da mão de Deus tens tu o que possuis. Tu, porém, deverias usar de humanidade para com aqueles que padecem necessidades. És rico? Isso não é para teu bel prazer. Deve a caridade faltar por isso? Deve ela diminuir? Não está ela acima de todas as questões do mundo? Não é ela o vínculo da perfeição?

Os Estados Unidos é a nação mais solidária do mundo como nos conta Peter Schweizer. Se desejamos ser uma nação de ricos é mais inteligente aprender a ser antes “a nation under God” para que quando todos os bens dessa terra deteriorarem-se, termos ainda algo a desfrutar na pátria eterna.

Revisado por Maíra Pires @mairamadorno

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