VÍDEO: Aliança política entre católicos e evangélicos, por Padre Paulo Ricardo

“Por Padre Paulo Ricardo

Não podemos tolerar que as nossas escolas se tornem fábricas de destruição do patrimônio moral judaico-cristão.

Por isso, católicos e evangélicos devem deixar de lado as suas diferenças para trabalharem juntos pelo bem comum e pelas nossas famílias, antes que seja tarde demais.

Hoje, não é possível contribuir para o bem do Brasil sem que haja uma sólida aliança política entre os católicos e os protestantes, embora existam muitas pessoas trabalhando contra isto.

Antes de explicar por que esta aliança é importante, urge que se explique o que é política. O Papa Francisco, durante sua visita ao Brasil, disse: “O futuro exige hoje o trabalho de reabilitar a política (…), que é uma das formas mais altas da caridade”01. Esta frase tem sido recorrente nos discursos do Santo Padre: a política é uma elevada forma de caridade. Trata-se de um esforço, um trabalho sistemático em prol do bem comum. E justamente por isto ela é uma forma de caridade: para buscar o bem comum, é preciso renunciar a algo que nos é próprio.

Encontramo-nos na seguinte situação: uma ideologia internacional, bem financiada e determinada, está cooptando milhares de pessoas para trabalhar pela destruição do patrimônio moral multissecular do Ocidente. Um antro de criminosos pôs na cabeça que precisa acabar não só com a moralidade judaico-cristã, mas com a própria família. Como eles têm consciência de que a população como um todo é contrária aos seus anseios, eles manipulam a linguagem para destruir essas instituições sem que ninguém perceba. “Mudar o significado e o conteúdo das palavras é uma artimanha para que a reengenharia social seja aceita por todos sem protestos”02.

Para combater esta investida perversa contra os próprios fundamentos da civilização, é necessária uma coalizão conservadora de católicos, protestantes, espíritas, judeus e todos os homens de boa vontade que querem verdadeiramente conservar o patrimônio espiritual, moral e jurídico que forjou o Ocidente.

É evidente que, na prática religiosa do dia a dia, todo bom católico continuará acolhendo o chamado à missão e procurando a conversão dos outros. A mesma coisa acontecerá do lado dos protestantes. Ou seja, para um bom católico, o protestante continuará sendo um herege e, para um protestante convicto, um católico permanecerá sendo um idólatra. Onde há liberdade religiosa, é normal que as pessoas empreendam o diálogo entre si, tentando convencer as outras.

Não é preciso, pois, revirar o passado para procurar alguma forma de desunir os cristãos. Os católicos e os evangélicos estão perfeitamente de acordo que, no plano religioso, não há acordo nenhum. É em outro campo que se quer firmar um acordo: o campo político. Para firmar este acordo, é preciso deixar de lado as diferenças para trabalhar juntos. Nesta coalizão, é preciso travar uma luta para salvar a família, a moralidade e a própria civilização, que estão sendo atacadas por uma horda de bárbaros.

Esses “novos bárbaros” não vêm com a guerra, cruzando os limites geográficos de nossos territórios; mas vêm com uma ideologia, como serpentes, com a língua bifurcada: com as palavras, dizem uma coisa; mas, no fundo, querem insinuar outra. Encapam seus propósitos sórdidos com termos sofisticados, como “discriminação” e “identidade de gênero”; mas, na verdade, desejam destruir os papéis familiares de pai, mãe, esposo, esposa e filhos, e implantar suas estratégias nos currículos escolares de nossas crianças. Aplicam-se a eles as palavras do salmista: “Enquanto eles bendizem com os lábios, no coração, bem lá do fundo, amaldiçoam”03.

Ninguém discute que é preciso respeitar as minorias, mas não se pode tolerar que as nossas escolas se tornem fábricas de destruição do patrimônio moral judaico-cristão. Por isso, católicos e evangélicos devem deixar de lado as suas diferenças para trabalhar juntos pelo bem comum e pelas nossas famílias, antes que seja tarde demais.

Referências

  1. Papa Francisco, Encontro com a classe dirigente no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, 27.07.2013
  2. Juan Claudio Sanahuja. Poder Global e Religião Universal. 1. Ed. Katechesis/Ecclesiae: Campinas, 2012. p. 39
  3. Sl 61, 5″

Conheça o site do Padre Paulo Ricardo: https://padrepauloricardo.org

Revisado por Maíra Pires @mairamacpires

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10 comentários para “VÍDEO: Aliança política entre católicos e evangélicos, por Padre Paulo Ricardo

  1. Flávia

    Enquanto a igreja católica se ocupa de colocar as famílias contra as escolas e contra os professores, os protestantes vão formando professores de Ensino Religioso com mestrado e doutorado e as crianças católicas vão abandonando o catolicismo para acompanhar a religião de seus professores, evangélicos, em sua maioria.Depois, acabam por abandonar também a igreja protestante. Isto é o que venho observando em 23 anos de magistério.

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  2. DAMASSA

    A “DIVISÃO” SÓ NÓS ENFRAQUEÇEM….

    ENQUANTO OS “INIMIGOS” POSSUEM O ESTABILISHMENT.

    ENQUANTO O INIMIGO MATA EM NOME DA “SHARIA”, E SE REODUZEM IGUAL A COELHOS….NÃO PODEMOS PERDER O FOCO EM “PICUINHAS” TEOLÓGICAS.

    TEMOS UM “INIMIGO” EM COMUM, E PRECISAMOS UNIR-MOS CONTRA TODA A VONTADE MUNDANA DE MATAR “DEUS” DA SOCIADADE.

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    • Pedro Rocha

      Como nos unir contra o Islã com um movimento que nasceu com o lema “antes turcos do que papistas”? Viram o caso da “pastora” que destruiu a imagem de Nossa Senhora Aparecida e a quantidade de protestantes em áreas de comentários dos sites que noticiaram esse crime apoiando a ação dela?

      Já disse no comentário abaixo, o protestantismo é um movimento revolucionário e esquerdista à sua maneira e contexto histórico; assim como os esquerdistas liberais e libertários, nos traem à primeira oportunidade. Basta ver o que o PSC fez com Bolsonaro, usando-o para promover filiações e na campanha municipal ao mesmo tempo que o Everaldo apoiava pessoalmente um comunista!

      Os “protestantes” como tal não vão nos apoiar, mas as pessoas sensatas, independentemente de crenças pessoais, sim!

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  3. Ricardo Bordin

    “Não podemos tolerar que as nossas escolas se tornem fábricas de destruição do patrimônio moral judaico-cristão.”

    Me ganhou na primeira frase! Mas vai dizer isso para o pessoal da teologia da “libertação”…

    OFF-TOPIC: fui questionado por um libertário como era possível funcionário público ser liberal. Redigi a seguinte resposta:

    https://bordinburke.wordpress.com/2017/01/11/funcionario-publico-liberal-pode-isso-arnaldo/

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  4. CAL

    A “DIVISÃO” SÓ NÓS ENFRAQUEÇEM….

    ENQUANTO OS “INIMIGOS” POSSUEM O ESTABILISHMENT.

    ENQUANTO O INIMIGO MATA EM NOME DA “SHARIA”, E SE REODUZEM IGUAL A COELHOS….NÃO PODEMOS PERDER O FOCO EM “PICUINHAS” TEOLÓGICAS.

    TEMOS UM “INIMIGO” EM COMUM, E PRECISAMOS UNIR-MOS CONTRA TODA A VONTADE MUNDANA DE MATAR “DEUS” DA SOCIADADE

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  5. Pedro Rocha

    Vou ser bem sincero: isso nunca vai dar certo!

    Protestantes estão para os Católicos como os liberais estão para os conservadores: compartilham algo em comum mas tão logo puderem, protestantes/liberais viram à esquerda e nos esfaqueiam pelas costas.

    Fazendo uma análise puramente histórico-sociológica e sem entrar no mérito da crença, o protestantismo é um movimento de extrema-esquerda e foi rapidamente absorvido por governantes que queriam se ver livres do regramento moral da Igreja Católica, por isso mesmo tornando-se teocrático em vários países como Inglaterra, Noruega e Suécia. Os próprios luteranos tinham um lema: “antes turcos (muçulmanos!) do que papistas (termo depreciativo para designar os católicos)”. Depois muita gente pergunta o porquê da esquerda se aliar ao islã contra o pouco que ainda resta de catolicismo e não sabe que há precedentes…

    Para quem acha que estou “viajando”, o que se conhece hoje como “protestantismo” nada mais é do que o compêndio de diversas ideias heréticas que pululavam na Europa desde o século XII, sendo uma delas o neo-maniqueísmo, uma doutrina pagã persa grotescamente misturada com Cristianismo mal-entendido cujo resultado se parece muito com o que conhecemos hoje como comunismo, pois tratava a matéria como má e antagônica e em oposição à espiritualidade: bem fácil identificar de onde saiu a “Lei dos Contrários” de Engels e sua resultante “luta de classes”. Nessa época, a ideia foi fortemente expressa pelos cátaros albingenses, que em casos mais radicais matavam grávidas por trazerem matéria ao mundo e considerarem a procriação como pecaminosa: alguém identificou o germe maligno do feminazismo?

    Esse proto-comunismo chegou mesmo a Thomas Müntzer, um discípulo renegado de Lutero, que promoveu uma tentativa de imposição de suas ideias à força e foi morto em combate com as forças de segurança da época. Mais uma vez vemos Engels, pois este realizou um estudo sobre Müntzer pois percebeu semelhanças entre o marxismo e esse movimento em particular. Ainda sobre a sujeição ao governante, as ideias de Lutero foram fortemente influenciadas por John Wycliffe, um bajulador que criou a infame “teoria do direito divino dos reis”, que alegava que o rei também era representante de Deus na terra, dispensando e mesmo opondo-se à reverência ao Papa.

    Destarte, vemos que o protestantismo per si não pode ser visto como aliado da “direita”, tanto na teoria como na prática, pois sendo um movimento grande, doutrinariamente incoeso e acéfalo (Lutero nunca foi unanimidade entre os próprios luteranos, tanto que após sua morte vários de seus ensinamentos foram repudiados) é facilmente cooptável desde sua origem e é um movimento “teocrático” e “socialista”, sociologicamente falando.

    O que devemos fazer é arregimentar em um partido político pessoas sensatas que compartilhem um conjunto mínimo de valores que esse partido representará. Com esse conjunto mínimo de ideias, as pessoas poderão se unir e combater a esquerda tucano-petralha. Mas tentar fazer um “fechamento” entre grupos antagônicos (conservadores e liberais/libertários, católicos e protestantes, “direita limpinha” e “esquerda sensata” etc.) é inútil porque simplesmente impossível.

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      • Pedro Rocha

        O livro de Engels se chama “A Guerra Camponesa Alemanha”. Quanto ao restante, foram diversas fontes, mas basta um bom livro de História, embora saibamos que é difícil achar isso no Brasil hoje em dia.

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