Vamos ficar de olho em Gilmar Mendes

Gilmar Mendes é o ministro do Supremo Tribunal Federal de mais desavergonhada atuação política. Diferente de Tóffoli e Lewandowski, em que também é notável a ligação de seus votos com tendências partidárias, Gilmar Mendes extrapola sua atuação fazendo uso da imprensa como tribuna de suas preferências.

Recentemente, Gilmar Mendes tem atacado Sérgio Moro e Deltan Dallagnol como forma de desacreditar a Lava Jato. Nesta segunda foram registradas as delações dos executivos da Odebrecht, documentos que numa república saudável e que trabalhasse como devido, levaria toda a elite política do país para a prisão. É nesta hora que os ataques às investigações devem se acentuar.

Vamos ver se o ministro Gilmar Mendes manterá, quanto ao denunciado pelos executivos da Odebrecht, o que já manifestou sobre Caixa 2 e corrupção passiva no julgamento do Mensalão. Vejam abaixo algumas frases e momentos de Gilmar Mendes ao condenar petistas no Mensalão:

No dia 27/09, eis Gilmar Mendes no auge da forma condenando o crime de Caixa 2:

Essa supostamente inventiva tese do caixa dois, propalada como natural, não se sustenta. A origem dos recursos é de peculato, no caso da Visanet, ou de práticas de corrupção. Falar-se de recursos não contabilizados tratados como mera falha administrativa no âmbito eleitoral é o eufemismo dos eufemismos.

Pouco importa se os parlamentares entregaram a sua parte na barganha. O que o Código Penal incrimina é a barganha em si.

No dia 17/10/2012 , Gilmar se manifestou assim sobre condenar deputados que lavavam dinheiro do crime e alegavam não ter conhecimendo da procedência:

É certo que o réu precisa saber da ocorrência de um crime constante no catálogo. Mas não é necessário conhecimento exato sobre a procedência criminosa dos bens e capitais.”

No dia 22/10//2012, Gilmar Mendes se manifestava sobre a relação dos políticos do PT com a empresa que era usada para lavar dinheiro (exercício: troquem PT e governo por políticos e Banco Rural por Odebrecht):

Sem dúvida, entrelaçaram-se interesses. Foi inegável a contribuição que visou lograr o interesse de todos. Não se resolveu apenas o problema do PT, do Banco Rural e do governo, houve a formação de uma engrenagem ilícita que atendeu a todos e a cada um”

No mesmo dia, falando sobre Organização Criminosa:

O crime de quadrilha não se confunde com o instituto do concurso de pessoas. [Os acusados] formam uma associação organizada, estável e permanente. Em verdade, não se apresenta o conceito da paz pública em sentido material, e sim da quebra do sentimento geral de paz e sossego

Bastava que a quadrilha tivesse sido constituída para um número indeterminado de crimes. Não é necessário que o bando tenha cometido um crime

Esperamos que Gilmar Mendes atue sempre com as convicções de que a lei deve ser respeitada e bandidos devem ser punidos independente de sua importância, influência, cargo e, principalmente, filiação partidária.

Revisado por Maíra Pires @mairamadorno

3 comentários para “Vamos ficar de olho em Gilmar Mendes

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