Temer primeiro-ministro em 2019

A notícia do dia é a candidatura inviável e suicida para o PMDB da Câmara do presidente Michel Temer à reeleição em 2018. É também o primeiro balão de ensaio pega-trouxa para o projeto Temer primeiro-ministro em 2019. Não entendeu?

O jornal Valor Econômico traz que Temer quer PMDB, DEM, PP e PR unidos em sua chapa (aqui), o que dificilmente irá ocorrer. É impossível que o presidente consiga se reeleger ou que faça um sucessor. Temer é eleitoralmente tóxico para transferência de votos e virtualmente inelegível. Se antes mantinha ilusões – ou as projetava para angariar apoio – de que Doria poderia ser o candidato que defenderia o legado de sua gestão em troca do apoio do PMDB, hoje sabe que somente Temer poderia e teria coragem de defender Temer.

Com a melhora da economia e retomada da geração de empregos, as eleições irão ocorrer em um ambiente em que a renda será inferior à de 2010 (aqui) e o desemprego ainda alcançará dois dígitos (aqui). Dizer que isso permitirá ao governo fazer sucessor ou se reeleger é, novamente, projeção de poder para angariar apoio.

Voltando no tempo: Temer declarou que avalia aprovar o parlamentarismo em seu mandato, e, em um surto de otimismo, disse que poderia aprová-lo ainda em 2017 para ser testado em 2018. Ou seja, trabalhava com a hipótese de que as eleições de 2018 ocorreriam em um semipresidencialismo.

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Avançando no tempo: o ministro Alexandre de Moraes, do STF, pediu para ser incluída na pauta do STF a ação que pode permitir que o sistema de governo seja alterado (parlamentarismo, semipresidencialismo, monarquia, etc.) SEM A CONSULTA da população através de um plebiscito.

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Resumindo: Temer espera defender o seu legado durante as eleições, sair com uma áurea de que é o “presidente das reformas” e que a população não reconhece os seus méritos para, em 2019 – com apoio da classe política desesperada para manter o foro privilegiado e enfrentar a Lava Jato – assumir a chefia de governo com um presidente com poderes esvaziados.

Mirabolante e com tudo para jogar o país em uma crise sem precedentes, mas com todos os contornos de um grande acordo da classe política para fugir da cadeia que virá com o fim dos próprios mandatos.

O discurso em gestação pode ser conferido em um texto de Reinaldo Azevedo: “Estou enganado, ou Temer é o único com agenda? Acho que o lançarei para 2018″

Obs.: Entre os vários modelos de parlamentarismos no mundo, no britânico, por exemplo, não se exige que o primeiro-ministro ou os integrantes de seu gabinete sejam sequer membros eleitos do parlamento, isso é uma tradição. Normalmente, o presidente ou o monarca convida o primeiro-ministro a formar um governo em seu nome, mas o Brasil já teve a experiência de a maioria parlamentar impor o gabinete de Tancredo Neves durante a presidência de João Goulart.

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