A nova procuradora-geral da República é inimiga da Lava Jato?

O Conselho Nacional do Ministério Público – CNMP – tem serialmente arquivado processos contra os procuradores da Lava Jato. Em especial, contra Deltan Dallagnol. A maioria das representações são apresentadas pela defesa do ex-presidente Lula (PT), outras por parlamentares petistas.

A última representação contra Dallagnol foi feita pelos deputados federais Paulo Pimenta e Wadih Damous, ambos do PT, que pediram que o CNPM investigue as palestras legais feitas pelo procurador. Na visão das excelências, o procurador e coordenador da força tarefa estaria lucrando com a derrocada petista. Deltan já demonstrou que tem doado o dinheiro arrecadado para ações de combate à corrupção. Em 2016, todo o dinheiro recebido foi doado para a construção do Hospital Oncopediátrico Erasto Gaertner, uma instituição filantrópica destinada a tratar crianças com câncer.

O procurador não tem nenhuma obrigação de doar o fruto de suas palestras, que são completamente legais. Mesmo assim, o faz e desde muito antes da patrulha petista.

Pois bem, o mandato de conselheiro do CNMP dura apenas dois anos. Durante o julgamento da cassação da chapa Dilma-Temer no TSE, o Senado aprovou a indicação de Luciano Nunes Maia Freire, sobrinho do ministro Napoleão Nunes Maia (aquele que quer a degola pela ‘fúria do profeta’ e votou pela absolvição da chapa), para compor o CNMP. Coincidência?

O presidente do CNMP é o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Em setembro, a subprocuradora-geral Raquel Dodge será a nova procuradora-geral da República e presidente do CNMP.

Quem acompanha a política interna do CNMP? Quem sabe o que pensam seus conselheiros? Pelo menos aqui neste site, a única vez que demos atenção para uma de suas sessões foi quando transmitimos o julgamento sobre o pedido de afastamento do promotor Cássio Conserino, do MP-SP, que pediu a prisão de Lula. O pedido foi rejeitado por unanimidade.

O vídeo abaixo, publicado pelo portal O Antagonista, contém o trecho de uma sessão do CNMP em que a subprocuradora-geral Raquel Dodge advoga pela transferência dos procuradores da Lava Jato. Na visão da procuradora, a Lava Jato é uma conquista do MPF e a mudança no seu comando não afetaria a operação. Já o procurador-geral defende a manutenção da mesma equipe, caso contrário, ocorreriam prejuízos à operação.

O nível de tensão política nesse microcosmo da Lava Jato é impressionante.

Uma das batalhas vencidas por Janot no CNMP foi a criação da força tarefa, nos moldes da Lava Jato, do Eletrolão. Se o Petrolão teria como mandante máximo o ex-presidente Lula, no Eletrolão essa figura seria ocupada pela ex-presidente Dilma, ex-presidente do Conselho da Petrobras, ex-ministra de Minas e Energia e ex-ministra-chefe da Casa Civil. Onde foi parar a força tarefa? O CNMP autorizou a montagem da equipe? O CNMP destinou recursos para a investigação?

Quanto tempo até a nova PGR mudar a equipe da Lava Jato ou decidir que os recursos da operação seriam melhor utilizados em outras ações do MPF?

Após a sessão retratada no vídeo acima, o jornal O Estado de São Paulo publicou um editorial intitulado ‘Sabotagem contra a Lava Jato‘ em que aponta a subprocuradora-geral Raquel Dodge como uma inimiga da operação.

Diz o editorial, grifos nossos:

“Quem quiser identificar um foco de sabotagem contra a continuidade das investigações da Operação Lava Jato, que estão sendo conduzidas pela força-tarefa da Procuradoria-Geral da República (PGR), não precisa ir muito longe. Basta olhar para o próprio Ministério Público Federal (MPF).

Numa proposta que não deixa margem a dúvidas quanto às verdadeiras intenções de sua autora, a subprocuradora-geral da República Raquel Elias Dodge apresentou ao Conselho Superior da instituição um projeto de resolução que obriga o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a ter de mudar a equipe que o assessora no momento em que a Lava Jato se encontra numa de suas fases mais importantes.

A votação da proposta só não foi concluída na sessão de ontem porque Rodrigo Janot pediu vista, quando 7 dos 10 conselheiros já haviam se manifestado a favor da resolução e 1 contra. O procurador-geral alegou que em momento algum foi consultado sobre a resolução e afirmou que, por causa das especificidades técnicas das investigações, não tem como mudar sua equipe. Como só faltam votar dois conselheiros, a aprovação da resolução é uma questão de tempo.

Entre outras inovações, o projeto de resolução limita em 10% o número de procuradores que uma unidade do Ministério Público Federal pode ceder para participar de investigações em outra unidade. Isso atinge o coração da Operação Lava Jato, pois desde sua instalação ela sempre contou com especialistas do MPF vindos de todo o País.”

Quanto tempo até o CNMP ter uma maioria contra Lava Jato? Ou será que o CNMP já possuiu uma maioria contra a operação e Janot tem exercido o pedido de vista como poder de veto?

É assustador.

Conheça quem são os conselheiros do CNMP aqui.

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10 comentários para “A nova procuradora-geral da República é inimiga da Lava Jato?

  1. Pedro Rocha

    Como dizia Sun Tzu, é necessário deixar uma brecha para o inimigo achar que pode fugir e gastar energias nesse intuito, pois se ele estiver totalmente encurralado vai usar todas as suas forças para prolongar sua vida e causar danos.

    O establishment está cada vez mais acuado e, consequentemente, cada vez mais agressivo. A “brecha” para escaparem é a eleição presidencial de 2018, quiçá com o próprio Lula como salvaguarda de todos.

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  2. Gustavo

    olha o trouxa achando que é vantagem reconhecer medidas corretas do inimigo.. enquanto ele nos massacra independente do nosso mérito… o reacionaria deveria ler mais o guerrapolitica

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      • Editor Posts do autor

        Esse ponto que você reforça e que nos recomenda a leitura é furado e só vale para quem só é anti-alguma coisa, como anti-socialista ou anti-petista.

        Se o PT conquista metade do eleitorado, falar que a outra metade tem que se unir na guerra política para derrotar o inimigo comum não é análise política, é falar o óbvio.

        Nós não somos só anti, somos pró os valores que acreditamos.

        Defender o Temer de quê se ele não governa com uma agenda que apoiamos? Nós defendemos os nossos valores e tentamos propagá-los.

        Temer botou na secretaria nacional de direitos humanos uma abortista militante.

        O Ministério da Educação continua distribuindo livros com doutrinação esquerdista, auditoria só depende da vontade do ministro. A medida que o MEC bate no peito para dizer que fez alguma coisa é a reforma do ensino médio que ACELERA a implementação das Bases Curriculares Nacionais Comum do PT que vai ser a morte do ensino básico (https://oglobo.globo.com/opiniao/a-revolucao-cultural-do-pt-18407995).

        Por que defender um governo que corre para implementar a agenda do PT? Só porque não tem o carimbo ‘PT’ na testa?

        Cadê a auditoria dos empréstimos do BNDES? Cadê o fim do sigilo do financiamento das ditaduras africanas? Cadê a prestação de contas da grana que irrigou o Foro de SP?

        A guerra política real é por valores. Dizer que atacar x fortalece y é picaretagem se o x implementa as agendas do y.

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  3. Vagner Luis

    Vcs estão defendendo Janot? Sério, foi isto mesmo? Parem de se preocupar um pouco com a Lava Jato, seja um canal mais “reacionário” e menos político. Janot, dentre outras coisas contra o conservadorismo, tem atuado contra as prefeituras que rejeitaram o ensino da ideologia de gênero nas escolas! Sem contar que, se não fose Rachel a escolhida, teria sido o irmão de um governador do… PC do B!!! Teria maior afronta à Lava Jato do que isto?

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    • Editor Posts do autor

      Elogiar Janot? Não somos incapazes de elogiar medidas corretas independente das pessoas que as tomaram. E é isso que existe no texto, o elogio de medidas corretas.

      A Lava Jato de Curitiba não teria chegado onde chegou sem o apoio do PGR. Isso é evidente e a força tarefa de Curitiba nunca deixou de reconhecer isso publicamente.

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        • Editor Posts do autor

          Acho que esse comentário é achar que existe uma agenda oculta quando a gente noticia alguma coisa.

          O governo Temer conseguiu com muito sucesso passar para a sociedade a impressão de que Fachin e Janot são os maiores bandidos do Brasil e que eles, do governo, não devem ser responsabilizados enquanto Lula e o PT ficarem impunes.

          Então qualquer coisa sobre Janot vira uma defesa de Janot. Qualquer crítica ao governo Temer vira ‘fazer jogo da esquerda e do Joesley’.

          A atuação de Janot com a Lava Jato em Curitiba foi correta. Respondi sobre o comentário de Janot porque PODE SER que o texto tenha mesmo uma defesa não consciente da atuação dele como PGR, mas o espírito do texto é reforçar a vocação que a nova cúpula da PGR tem para desmantelar a Lava Jato.

          A questão aqui não é sobre qualquer um dos candidatos para suceder Janot, mas as manobras que estão ocorrendo, em especial no CNMP, para desmantelar a força tarefa.

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          • Vagner Luis

            Quem aqui falou sobre Temer? Eu digo que o site, hoje, adotou um tom político, Janot apenas usou da Lava Jato para promover a sua caça às bruxas pessoal. Ele foi tão celere contra Cunha, lembram? Pq não abordaram NADA do que Janot vem fazendo e que nada tem a ver com a Lava Jato, como o que já mencionei sobre sua luta a favor da ideologia de gênero? Sim, a Lava Jato é importante, mas não é tudo. Não confio em Janot, mesmo, e desconfio, mesmo, desta “defesa” que ele faz da Lava Jato. Para mim, aliás para qualquer conservador, ele é um adversário, e vocês assim deveriam tratá-lo, como fazem com Dória, por exemplo, e, bem lembrei dele, vocês jamais fizeram qualquer defesa dele quando ele acertou (como no caso da cracolândia por exemplo). Por que com Dória vale tudo contra e com Janot o tratamento deste site, pelo menos nos últimos meses, tem sido diferente?

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            • Editor Posts do autor

              Questão de gênero é só buscar em nosso arquivo sobre nossa postura. Quanto ao Janot e essa questão, realmente não abordamos, também não abordamos a ação da procuradoria contra o Escola Sem Partido.

              Tanto gênero ou Escola Sem Partido são assuntos que nós promovemos, no âmbito pessoal, mobilização real, com participação em audiências públicas e mobilização em gabinetes.

              O fato de não existir ‘Janot e gênero’ aqui no site é por uma questão de priorizar assuntos e/ou perda do momento de abordá-lo. A nossa média de postagem é de um texto a cada dois dias, assuntos acabam se sobrepondo a outros. Tem semana que acaba e o site não tem texto novo (um site, aliás, que é um ajuntamento de blogs de amigos que não vivem em função do site). A maioria dos temas que gostaríamos de abordar acabam sendo deixados de lado. Nem sobre o Lula e a Lava Jato conseguímos abordar tudo, quanto mais sobre a questão de gênero que toda semana repercute em alguma comissão em alguma cidade do Brasil. Existe um movimento muito bem organizado que está vencendo a ideologia de gênero em todos os estados, a abordagem da PGR vem nesse contexto, provavelmente vamos abordar o tema quando ele estiver para ser julgado no STF, pois será resolvido com ativismo judicial e o Congresso, temos certeza, irá reagir com lei específica para barrar o progressismo dos ministros.

              Janot e gênero é só uma questão de ter passado batido.

              Quanto ao Doria, não é questão de vale-tudo. A gestão Doria é uma lepra. O pré-candidato Doria disputou as prévias com foto/áudio/vídeo de compra de votos e abuso de poder econômico e ficou por isso mesmo. Hoje, dizem que o criticam por ele ser uma ‘ameaça aos votos do Bolsonaro’, a gente já esculhambava o candidato por o considerarmos uma farsa antes de ser eleito.

              Falar o que de Doria e a cracolândia? A ação de Doria foi uma tragédia. A ação correta que ocorreu ali foi da PM.

              Em cinco minutos no Google você descobre que todo prefeito de SP realiza uma super ação de limpeza na cracolândia no começo do mandato. A diferença é que Doria é o maior influenciador digital em português no Facebook e consegue bater tambor em cima de uma medida que não é dele.

              A parte dele, da prefeitura, é ação social, de zeladoria da área e de assistência médica aos dependentes químicos. O que ele fez, até agora, além de nada?

              Houve a decisão política de dar apoio a PM. Tudo de maneira apressada, por parte da prefeitura, quebrando todo o vínculo de confiança entre os agentes de saúde e os agentes sociais da região com os dependentes químicos em nome da firula.

              Nem os secretários municipais responsáveis sabiam da ação para preparar os seus agentes!

              A gestão Doria é uma lepra.

              Confiar no Janot nem a gente confia. E, aliás, nem faz sentido responder como se estivéssemos defendendo o PGR, quando na verdade elogiamos medidas corretas em um texto que nem é sobre o Janot, mas sobre ter um CNMP que eventualmente possa barrar a ação dos procuradores de Curitiba. Ter desconfiança da nova PGR não é a mesma coisa que apoiar o candidato do Janot, irmão do Flavio Dino (PCdoB).

              Aliás, crítica ao Janot não falta aqui no site. Nós não defendemos pessoas, defendemos valores.

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