Polícia Federal nas ruas contra quadrilha que atuou em campanha de Haddad

O Polícia Federal está hoje nas ruas na Operação Cifra Oculta, desdobramento da Lava Jato após delação de executivos da UTC e investiga desvios e fraudes nas contas da campanha vitoriosa de Fernando Haddad em 2012. Então desconhecido, Haddad saiu vencedor em uma campanha em que tinha o maior arco de apoios partidários, incluindo a histórica reunião e acordo com Paulo Maluf na mansão do histórico inimigo do PT. Já em 2016, sem dinheiro do Petrolão, Haddad foi derrotado vergonhosamente e nem sequer foi ao segundo turno.

O G1 informa sobre a Operação:

Trinta policiais federais cumprem 9 mandados de busca e apreensão, expedidos pela 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, nas cidades de São Paulo, São Caetano e Praia Grande.

O inquérito apura o pagamento, pela empreiteira, de dívidas da chapa de Haddad (PT/PP/PSB e PCdoB) à campanha de 2012 à Prefeitura de São Paulo, referentes a serviços gráficos no valor de R$ 2,6 milhões. A gráfica pertencia a familiares do ex-deputado estadual Francisco Carlos de Souza.\

Segundo a PF, “a dívida teria sido paga por meio de um doleiro, em transferências bancárias e dinheiro vivo, para empresas. Uma empresa mencionada na delação aparece como fornecedora de serviços, com valores informados de R$ 354.450,00. Somente consta na prestação de contas ao TSE outra prestação de serviços gráficos de R$ 252.900,00, valores bem inferiores à soma de R$ 2.600.000,00, que teria sido paga pela empreiteira UTC a gráficas.”

Em 2015, trouxemos dados que evidenciavam a frequência do uso de gráficas para operações suspeitas em campanhas petistas. Relembrem alguns trechos:

* A VTPB faturou oficialmente com campanhas eleitorais em 2014 R$ 26,8 milhões;

* Com a campanha de Dilma Rousseff, foram na verdade R$ 22,898 milhões;

* A primeira nota da VTPB para a campanha de Dilma Rousseff foi a de número 190, no dia 29 de julho, 4 dias após mudarem o ramo de atividade da empresa;

* A gráfica paulista VTPB também fez boas vendas para a campanha petista ao governo da Bahia, de Rui Costa. Foram R$ 1,568 milhões;

* Arlindo Chinaglia, deputado federal pelo PT de São Paulo, gastou impressionantes R$ 2 milhões com a gráficaVTPB na última campanha;

* Os gastos de Arlindo Chinaglia com a gráfica impressionam se levarmos em conta o total gasto pelo candidato nestas eleições: R$ 8,4 milhões. Os gastos de impressão de santinhos apenas nesta gráfica representam 25% do total de sua candidatura;

* Os gastos de Arlindo Chinaglia com a gráfica assustam quando nota-se que Andrés Sanchez, o grande puxador de votos do PT no Estado de São Paulo, teve como gasto total em sua campanha para deputado federal praticamente o mesmo valor de Chinaglia apenas com essa gráfica: R$ 2,1 milhões;

* Alguns outros candidatos gastaram com a VTPB, mas não de forma milionária: Jandira Feghali, do PCdoB do RJ (R$ 13 mil), Carlos Felipe Vazques de Souza Leão, do PP da BA (R$ 55 mil), Nacib Duarte, do PSD de MG (R$ 40,4 mil) e Floriano Pesaro, do PSDB de SP (R$ 800). A soma desses gastos não chega nem a 1% do faturamento declarado da empresa no período eleitoral.

Leia Também:

Arlindo Chinaglia, Rui Costa e a super gráfica VT

Revisado por Maíra Pires @mairamacpires

 

Loading...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *