Ministra substituta da Educação defende aprovação automática e culpa professores e diretores por índice de reprovação no Brasil

O Ministério da Educação anunciou hoje os números do Censo Escolar 2017. Em uma cerimônia de auto-louvação, foram selecionados os números mais positivos para tentar mostrar otimismo diante da calamidade do sistema educacional brasileiro. Provocada a falar sobre os problemas da área, a ministra interina da Educação, Maria Helena de Castro, deu a seguinte resposta ao tratar do número de reprovações:

– Ter apenas 88% de aprovação é muito pouco. Significa que esses alunos terão uma enorme dificuldade de continuar na escola, de ter prazer em aprender, em conviver com os colegas, a ter curiosidade. Vão se sentir muito mal, com a autoestima péssima. É inútil reprovar e não mudar (a escola). Significa sobretudo um fracasso da escola, não é do aluno.

O sistema de ensino tem, basicamente, quatro vetores principais: as unidades educacionais, os profissionais da educação, os alunos e o sistema de ensino. Se a ministra frequentasse uma escola pública poderia perceber que há um problema grave de desrespeito e perda de autoridade dos funcionários da rede de ensino, além da questão da violência. Se tivesse um mínimo de auto-crítica, poderia questionar se a metodologia e a filosofia de ensino no Brasil dos últimos 30 anos é correta.  Essas são as partes que o Ministério poderia atuar diretamente, mudando metodologia e apresentando sugestões de leis. Em vez disso, o que ela fez foi jogar toda a culpa nos profissionais da educação.

O fim da repetência é uma bandeira histórica das políticas educacionais de esquerda no país. Chamada de Progressão Continuada, a metodologia foi adotada por Paulo Freire quando secretário municipal de Educação no governo Luiza Erundina (então no PT). Depois o método foi ampliado a todo Estado de São Paulo com o nome de “Sistema de Ciclos” pela secretária tucana Rose Neubauer. Ao eliminar a chance de reprovação e retirar o peso das avaliações, o sistema fez com que tivéssemos a triste realidade em que alunos concluem o 9º ano (antiga 8ª série) com conhecimentos mínimos de operações matemáticas e domínio nulo da própria língua.

Maria Helena de Castro, Ministra substituta da Educação no governo Michel Temer

Maria Helena Guimarães de Castro tem um longo histórico de ocupação de cargos em governos tucanos, tendo trabalhado no governo de FHC e nos governos estaduais de José Arruda (Distrito Federal), Geraldo Alckmin e José Serra (São Paulo).

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10 comentários para “Ministra substituta da Educação defende aprovação automática e culpa professores e diretores por índice de reprovação no Brasil

  1. Claudio

    Acredito que o erro da reprovação está no fato de não ser uma estratégia pedagógica, ou seja, não ajuda os estudantes, de forma geral, na sua formação pessoal e cidadã, pois alguns reprovados serão prejudicados em seu futuro! E esse não é o objetivo de nossa educação! A reprovação é um mecanismo de poder que o professor tem em suas mãos e que deve ser substituído por outro mecanismo mais adequado!

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  2. anizio

    Anizio Rocha fiquem tranquilos a verdade dói mas passa e sempre traz boas soluções quem sabe um Enem para limpar a área e renovar nosso magistério que já provou sua incompetência no primeiro e segundo grau com raríssimas exceções

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  3. Alisson

    É uma verdadeira catástrofe! e olha que ela é ‘ministra da educação’… imagina se não o fosse. Eu fui bastante prejudicado por esse ‘método’ de progressão continuada, teve até um dia em que o meu professor de matemática falou a turma nesse termo: ”olha, eu não vou reprovar nenhum de vocês, então, fiquem cientes disto(…)” é sério, isso me chocou bastante. Hoje em dia eu mesmo faço um estudo mais aprofundado das matérias e não tenho a mínima vontade de ir para a escola para ser burro/militante político, faço o meu próprio ”homeschooling”… garanto que estou aprendendo muito mais.

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  4. Roberto

    Educação sempre é um tema quente.
    Algumas perguntas:
    – Trocando-se o governo, as crianças ficarão livres dos métodos “Paulofreirianos” que as corrompem?
    – Quem é “o governo” dentro das salas de aula senão os próprios professores e diretores?
    – Podem fazer prédios bonitos, computadores, laboratórios o escambau mas o que sempre vai prevalecer nos resultados são as pessoas (alunos, professores, diretores). E aí?

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    • Elaine Amieiro de Souza Moreira

      Concordo com vc. Nunca ouvi tanta asneira.
      É uma grande imbecil. Onde já se viu culpar a escola e os professores pela reprovação do aluno!!!!!!!
      Sai de sala de aula em 2015,os alunos um horror,não querem aprender,só querem falar no celular no meio da aula,se estapeiam, jogam cadeira uns nos outros e o professor fica refém .da falta de educação.
      Educação nunca mais!!!!

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  5. José Celso

    Esta mulher está no cargo errado. Ela não sabe o que é uma sala de aula e se um dia soube, já tem muito tempo. Parece que ela não sabe que diretores e professores dependem da boa vontade dos governos para que as escolas tenham condições dignas de utilizaçao e funcionamento. Por exemplo ministra, cadê uma rede de internet que atenda a demanda de utilização de novas tecnologias?

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