Mensagem de Natal 2015

Em um momento de crise moral, institucional e econômica no Brasil, os poucos oásis de realidade e normalidade que nos restam são as atividades comuns, simples, do dia a dia, que não possuem objetivo de poder ou prestígio. Entre elas estão aquelas ligadas à família e à religião.

A família é o primeiro organismo social que fazemos parte. É o mais simples, o mais orgânico e, ao mesmo tempo, o mais complexo, pois é o que mais possui humanidade. Dentro da família nós somos pessoas reais, temos valor, sentimentos e relações com todos. Não escolhemos fazer parte dela, simplesmente nascemos naquele ambiente, mas, simultaneamente, somos parte essencial de seu funcionamento. Se alguém viaja para longe, se perde no mundo das drogas ou do crime, ou morre, sentimos uma perda imensa, uma dor profunda que não sentimos em nenhuma outra forma de convívio social, muito menos no Estado. Na família não somos um número, um CPF, um RG, um ser atomizado, um indivíduo recipiente de privilégios e direitos; somos seres humanos, com falhas e acertos, e somos valorizados nessa plenitude, nas nossas diferenças, como indivíduos materiais e imateriais (nossos sentimentos, ambições, tristezas, realizações, etc).

A religião é o que nos dá base para enfrentar o mundo. As desconstruções, a corrupção, os ataques aos valores fundamentais e eternos, tudo isso é feito para destruir a nossa ligação com Deus. O cristianismo é a última barreira contra a avalanche de loucura generalizada pregada pelos mais diversos grupos revolucionários. O nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo e, depois, a sua morte, são fatos que nos permitem reconhecer que somos falhos, limitados, humanos. O perdão, característica básica do cristianismo, procede do fato de que nós erramos, que nossas vontades não são o que distingue o certo do errado e, portanto, são muito menos capazes de moldar uma sociedade ou o próprio ser humano. Toda visão revolucionária quer acabar com as diferenças e imperfeições do ser humano por meio da força, da reformulação total, do terror. O cristianismo reconhece e entende a natureza humana pecadora, oferece um caminho voluntário de salvação eterna, não mundana.

No Brasil, nos últimos anos, principalmente os do governo do PT, fomos obrigados a falar de política, discutir política, criar sites sobre política, etc. Mesmo o lado bom disso, o aumento da participação do povo em matérias importantes que influenciam a vida de todos, só valerá se conseguirmos trazer a normalidade de volta. É um meio, não um fim.

Inevitavelmente o assunto “política” surgirá neste Natal e em todas as reuniões de família. Papos leves, piadas, contos fantásticos (aquela história clássica de pescador) e brincadeiras entre os familiares serão substituídos por discussões intermináveis sobre a situação brasileira. Isso é importante, claro, é bom que todos estejam atentos ao que anda acontecendo em Brasília, mas não o suficiente para transformar toda relação humana em relação política.

Que o nascimento do Nosso Senhor Jesus cristo sirva para valorizar as coisas que são essenciais, naturais e reais: nossa família, nosso amor e nossa religião.

Nascimento de Cristo, Marioto Albertinelli, 1503 (fonte: Web Gallery of Art)

Nascimento de Cristo, Marioto Albertinelli, 1503 (fonte: Web Gallery of Art)

Feliz Natal!

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