Meirelles na Fazenda é a primeira tragédia do governo Temer

O vice-presidente Michel Temer tem o desafio de garantir o PSD em sua base. Quanto mais partidos do “centrão” apoiando, menos força o PT terá na oposição e menos poder os palpiteiros do PSDB terão para influir no governo.

Henrique Meirelles, ex-PSDB, ex-PMDB e atual PSD, possui duas características políticas fundamentais: o arrivismo e a lealdade de ocasião.

A formação e o sucesso do PSD decorrem da garantia que Kassab deu aos parlamentares de total autonomia e maior divisão do fundo partidário com os diretórios estaduais da sigla.

A votação do impeachment mostrou que os deputados do partido não reconhecem a liderança de Kassab, estão muito mais ligados à suas bancadas estaduais ou a frentes parlamentares. Desde a eleição para a presidência da Câmara, as votações têm mostrado que Cunha manda mais na bancada do PSD do que Kassab. Nomear Meirelles não vai garantir os deputados do PSD. Esse é o erro político #1.

A Fazenda não é um ministério de obras, o que no futuro poderia trazer o PSD para a órbita da pasta. Esse é o erro político #2.

Meirelles não responde pelo PSD, possui apenas lealdade política a Kassab, que por sua vez não tem influência sobre os deputados. No Senado o cenário é pior, os senadores do partido possuem total autonomia em relação à executiva do PSD. Esse é o erro político #3.

Lula é um mito, assim como Meirelles. Os palpiteiros da opinião pública impressa repetiram à exaustão um chavão mentiroso que aos poucos têm sido desconstruído: “o grande mérito do governo Lula foi ter mantido a política econômica de FHC e ampliado os programas sociais”. Parte do prestígio de Meirelles vem daí, dessa mentira. O boom das commodities que garantiu o sucesso dos governos Lula (não o tripé econômico da era FHC) permitiu uma política de superávits vultosa, a “genialidade” atribuída a Meirelles foi a gestão dos recursos durante sua gestão no BC. A especulação cambial, a demora em baixar os juros durante a crise de 2008 e a falta de articulação com a Fazenda são esquecidos da biografia do genial ex-presidente do BC. Quem não tem ascendência sobre a própria bancada e não consegue se articular com a equipe econômica do próprio governo que compõe é um bom nome para a Fazenda? Evidente que não. Esse é o erro político #4.

Meirelles possui articulação entre os empresários, o mercado financeiro, os banqueiros e nenhuma articulação com o Congresso Nacional. Assim como Levy. Com Meirelles na Fazenda, o próprio presidente ficaria sobrecarregado ao ter que articular sua política econômica (nesse cenário, não há liderança de governo no Congresso que salve).  Esse é o erro político #5.

Atribui-se a Meirelles uma estreita ligação com Lula, o que faz com que haja quem aposte que o lulismo pouparia Michel Temer de críticas na política econômica por se sentir representado. Esse é o erro político #6.

Tudo que o Brasil quer neste momento é se livrar do PT e de tudo o que lembre o lulismo no poder. Resgatar Meirelles é resgatar políticas do governo Lula. Esse é o erro político #7.

O vice-presidente Michel Temer não deve ter dúvidas que 10 em cada 10 articulistas de oposição irão se manifestar contra Meirelles. O PMDB já vai contar com a oposição dos articulistas governistas, vai atrair também a fúria de quem faz oposição ao PT? Esse é o erro político #8.

Meirelles na Fazenda é a primeira tragédia do governo Temer. O Brasil não aguenta mais tragédias.

Henrique Meirelles, ex-presidente do BC :DIDA SAMPAIO/AGÊNCIA ESTADO/AE/Codigo imagem:55540

Henrique Meirelles, ex-presidente do BC :(FOTO: DIDA SAMPAIO/AGÊNCIA ESTADO/AE)

Atualização: O mercado é como a sociedade, tem gente com todo o tipo de opinião. Já o “mercado” que apoia Meirelles é composto por meia dúzia de pistoleiros que sabem chantagear o governo vendendo opinião em artigos encomendados no Valor Econômico, na revista Exame e nos cadernos de economia. O “mercado” que apoia Meirelles é aquele Dantas-Esteves.

Revisado por Maíra Adorno @mairamadorno

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Um comentário para “Meirelles na Fazenda é a primeira tragédia do governo Temer

  1. maria

    com certeza será um erro, concordo com a matéria, sem contar que na época Meireles não articulava, o PT comandava a política econômica, que nada tinha a ver com a politica de FHC (mas essa é outra discussão) e Palloci sem fazer julgamentos sobre os escândalos posteriores, dava o tom na economia, tanto que não foram várias a s vezes que a oposição tentou enlaça-lo em alguma sujeira para derrub[á-lo e atingir o governo Lula, ninguem nunca tentou derrubar meireles, pois sabiam que era uma figura substituível

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