Marcelo Parada, o diretor que calou Rachel Sheherazade – Parte 1: sócio de Rui Falcão?

Rachel Sheherazade foi contratada pelo SBT a pedido direto de Sílvio Santos. Foi trazida para a emissora para não apenas apresentar o noticiário SBT Brasil, mas também para dar suas opiniões. Como foi muito comentado recentemente, Rachel está proibida de manifestá-las no telejornal, mesmo tendo sido esse o principal motivo e função de sua contratação. Os boatos dizem que tal proibição se deu por pressão do governo federal, que ameaçou cortar todo o investimento em publicidade na emissora.

Mas será possível mesmo que o governo federal fez isso? Estamos presenciando a mais aberta ação de caça às bruxas na imprensa pelo governo do PT? São perguntas inquietantes. E é para respondê-las, ou ajudar a entender tudo o que houve, que começamos aqui na Reaçonaria uma série de posts sobre o tema. Na verdade o nosso foco é a pessoa central para o cala-a-boca dado em Rachel Sheherazade: Marcelo Parada. Quem é esse estranho responsável pela área de jornalismo do SBT, que assumiu o posto há tão pouco tempo e já tanto barulho causou?

O ponto inicial é a demissão de José Nêumanne Pinto. Colunista de inúmeros jornais impressos, programas de rádio e TV, Nêumanne foi o primeiro a ser calado por Marcelo Parada.  Para ser mais exato, a ação foi capitaneada por Ricardo Melo, agora colunista da Folha de São Paulo, que simplesmente deixava de levar ao ar as opiniões de Nêumanne gravadas para exibição no telejornal. Mas a informação mais relevante da carta de Nêumanne encontra-se no final e refere-se a Marcelo Parada:

Também não acredito que suas notórias ligações societárias com Rui Falcão possam ter interferido na decisão de demitir quem ele sempre chamou de “amigo”. Seria uma imprudência. Fica, de qualquer maneira, a consequência a lamentar mais institucional do que pessoal: o ano eleitoral começa com a demissão de um crítico contumaz de Dilma Rousseff, favoritíssima à reeleição, mas ainda assim temerosa de que ela não ocorra.

É uma acusação gravíssima. Se não infringe nenhuma lei, há de se reconhecer uma relação pra lá de perigosa entre o responsável pelo conteúdo jornalístico de uma emissora de TV (concessão pública) e o presidente nacional do partido que comanda o país. Marcelo Parada nega veementemente que seja ou tenha sido sócio de Rui Falcão. O que ele não pode negar é que, em 2010, participou da vitoriosa campanha da Presidente Dilma Rousseff. Quem diz isso é, dentre tantas, seu currículo no “Portal dos Jornalistas“:

Após fazer parte do grupo de coordenação de comunicação da candidatura de Dilma Rousseff à Presidência da República, foi consultor da emissora de tevê Esporte Interativo.

Isso não responde à pergunta da sociedade com Rui Falcão, apenas confirma a enorme ligação profissional entre Parada e o governo Dilma Rousseff.

A campanha de Dilma Rousseff viu-se envolvida em escândalos de sabotagem, desonestidade, produção de dossiês e invasão de sigilos. Um membro da equipe de “inteligência” da campanha petista publicaria, tempos depois, um livro que atacava o processo de privatizações. Boa parte do material colhido para o livro foi recolhido pela equipe “de inteligência” de Dilma, mas isso também gerou conflitos internos. E é resgatando esses conflitos internos que chegamos a mais uma evidência de que Marcelo Parada, embora não tenha formalizado legalmente, era mesmo sócio de Rui Falcão.

Segundo declaração de Amaury, Lanzetta solicitou o afastamento da campanha, após a publicação da revista Veja, e os trabalhos foram assumidos pela empresa Pepper, de Brasília. Afirmou que após todos os desdobramentos internos provocados por esta publicação, a empresa Marka, de propriedade de Rui Falcão, Gustavo Garreta e Marcelo Parada, assumiu campanha da candidata Dilma Rousseff no Estado de São Paulo, apesar dos sócios terem pleiteado a campanha nacional.

Além da informação dada por Amaury Júnior constar em seu depoimento à Polícia Federal, ela também foi parar no livro. Segue trecho do “Privataria Tucana” dedicado aos bastidores da campanha de Dilma Rouseff. O livro celebrado nas hostes petistas por conter acusações contra líderes da oposição, mas no ponto a seguir entrega outras informações. Atenção aos nomes destacados em negritos: aqueles que não foram tratados neste post serão apresentados mais adiante, no prosseguimento da série:

Foi no dia 20 de fevereiro de 2010, durante o Congresso Nacional do PT, quando a candidatura Dilma foi oficializada pelo partido. Pimentel levou Lanzetta a tiracolo. Também estava no almoço João Santana, o marqueteiro de Dilma. Durante o almoço, Palocci disse que Garreta e Parada estavam prontos para apresentar um projeto à campanha. Para o mesmo serviço que já estava sendo desenvolvido por Lanzetta… No almoço, Garreta praticamente exigia que Lanzetta apresentasse o seu projeto. Como a situação tornou-se constrangedora, mesmo com a condução habilidosa de Palocci, foi marcada uma reunião posterior, somente entre Garreta, Parada e Lanzetta.

À saída, Lanzetta demonstrou sua preocupação a Pimentel. Principalmente porque Parada e Garreta não eram do ramo. Lanzetta havia sido sócio de duas grandes empresas do setor, CDN e InPress, e estava havia muitos anos na área, sendo um dos principais criadores da Abracom, a associação das empresas da área de relações públicas e assessoria de imprensa. Os outros dois eram neófitos na atividade, e Garreta, afamado por sua atuação em negócios suspeitos da Prefeitura de São Paulo. Em outro ambiente do mesmo restaurante, aparentemente esperando o resultado da reunião, estava Rui Falcão, recém-eleito vice-presidente nacional do PT. Dias antes dessa reunião, Lanzetta já havia sido procurado por um dos sócios de Garreta e Parada com os seguintes recados:

Uma das raras atividades de Falcão como coordenador de comunicação da campanha, além de vazar informações, foi forçar a entrada de seus sócios em cima da empresa já contratada. Na primeira reunião da coordenação, fez aprovar a contratação de Marcelo Parada e do jornalista Nirlando Beirão, este sem saber o que estava acontecendo com o seu nome. Na segunda reunião, já com Marcelo Parada a seu lado, apresentou um organograma onde só apareciam os nomes dele mesmo mais Marcelo Parada e Nirlando Beirão. Os demais jornalistas, já trabalhando e exercendo cargos de comando, como Helena Chagas — indicada por Dilma como coordenadora da imprensa da campanha e hoje ministra da Comunicação — nem sequer apareciam na hierarquia de Falcão.

— Isto não é um organograma. É um golpe — disse Lanzetta a Falcão.

A contratação de Beirão era um factoide. O jornalista foi convidado por Palocci, mas, sabe-se, nunca cogitou trabalhar na campanha. E realmente não atuou. O que interessava era fichar a empresa de Parada e Garreta para aninhá-la na estrutura. A partir daí, Falcão e Palocci começaram a levar para a campanha uma duplicidade de serviços já contratados. Criou-se, em São Paulo, uma espécie de empresa-espelho. Era só esperar a queda da principal.”

Parada_RuiFalcao

Amaury Júnior pode não gozar de credibilidade no mundo real mas, dentro das entranhas petistas, é certamente uma pessoa celebrada. Se ele, que esteve envolvido nas equipes de campanha de Dilma que articularam as ações mais baixas de 2010, diz que Marcelo Parada é sócio de Rui Falcão, é altamente provável que isso seja verdade, ou se tenha apresentado assim.

E então, será que Rui Falcão, presidente do PT, é mesmo sócio de Marcelo Parada, o homem que calou Rachel Sheherazade? Um ex-companheiro jornalista diz que sim. Outro ex-companheiro na campanha de Dilma Rousseff em 2010 também diz que sim. Já que Marcelo Parada insiste em negar a sociedade, só nos resta verificar a sua empresa, que prestou serviços à campanha de Dilma Rousseff. Isto será o tema da continuação dessa investigação.

Marcelo Parada, o diretor que calou Rachel Sheherazade – Parte 2: A empresa e seus sócios

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7 comentários para “Marcelo Parada, o diretor que calou Rachel Sheherazade – Parte 1: sócio de Rui Falcão?

  1. Neoliberal

    Marcelo Parada? Desde os tempos em que ouvíamos a Eldorado, eu, meu pai e meu irmão, nunca acreditamos que fosse além de um militante. Saudades do velho!!!!

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  2. Manuela de Lara

    Acho que Rachel Sheherazade deve ir para a REDE GLOBO!!!!
    Duvido que o grupo MARINHO seja ameaçado, dobrado e acovardado como o SBT. Uma vergonha total em plenos 2014, vivemos a sensura renascida!!!!!!

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    • Pedro Mascagni Filho

      Manuela. O grupo Marinho já não é o mesmo, infelizmente. Depois que o Dr. Roberto Marinho faleceu, homem de fibra e caráter inatacável, democrata e patriota assumido publicamente, que era com sinceridade e convicção, muita coisa mudou nas organizações que ele comandava. Nunca se esquecendo que a força do governo federal comandado pelo PT, pode e certamente irá ameaçar também a Rede Globo com de cortar de cortar as publicações oficiais, que significam milhões e milhões de reais. Não se esquecendo, ainda, que o controle do BNDES está na mão do governo, diga-se de DILMA, que se contrariada, principalmente em época de eleições onde pretende se reeleger, atrapalhará sobremaneira a obtenção de financiamentos de alto vulto que toda empresa do tamanho da GLOBO sempre necessita.

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  3. Ney S. Monteiro

    O problema não é com o SBT e sim com Sílvio Santos.
    A Receita Federal acredita, ou ACREDITAVA, que a venda do Banco Panamericano gerou lucro para Sílvio Santos sendo portanto passível de tributação.

    De repente, essa notícia desapareceu da imprensa.

    Esse “cala a boca” em Sheherazade será apenas uma mera “coincidência”?

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  4. zelinda franzoi ferrarin

    Inaceitável a intromissão desses pelegos do gvno Dilma na imprensa. Liberdade de expressão é uma das ultimas coisas que ainda temos direito.

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