Janaina Paschoal esclarece fala de General Mourão

A professora Janaina Paschoal (USP) abordou em seu perfil no Twitter a fala do General Mourão. Confira a série de 20 tweets:

“1) O CSP é o Curso Superior de Polícia, equivale ao doutoramento; o CSP constitui requisito para os policiais chegarem ao topo da carreira.

2) Os tenentes coronéis e majores, que querem chegar a coronéis, fazem o CSP; os Delegados que querem ascender à classe especial, também.

3) Atualmente, eu não tenho vínculo nem com a Academia da Polícia Civil; nem com a Academia da Polícia Militar.

4) Mas, esporadicamente, Ministro aulas no CSP, o que muito me honra. Por volta de 2002/2003, eu tive uma turma fixa no CSP. À época, as aulas ocorriam perto da Estação Tiradentes. Hoje, não mais.

5) Uma das discussões que propus foi a seguinte: havendo divergência entre o Presidente e a CF, quem as Forças Armadas devem obedecer?

6) Alguns responderam que as Forças Armadas deveriam atender ao Presidente; a maioria disse que as FA defendem a Constituição Federal.

7) Por que a Venezuela está do jeito que está? Porque as Forças Armadas foram aparelhadas por Maduro, abandonando a Constituição Federal.

8) Para a preservação da ordem constitucional, as Forças Armadas só devem atender ao Presidente, enquanto ele observa a Constituição Federal

9) Foi isso que o Gen. Mourão tentou explicar, ao dizer que o Judiciário não pode se curvar ao crime,ou as Forças Armadas terão que agir.

10) A fala do General Mourão é, a um só tempo, um alerta (respaldado pelo Direito Constitucional) e um pedido. Instituições, funcionem!

11) Se eu, uma pobre professora reprovada na Usp, estou preocupada com o discurso pró-nulidades de membros do STF, imaginem o General!

12) Passados anos, começa a vir à tona o que, ao que parece, estava por trás do enterro da Castelo de Areia. Vão enterrar a Lavajato?

13) É sobre os rebuscados discursos Pró-nulidade, que o General Mourão está a falar, de forma diplomática.

14) A Castelo de Areia foi enterrada, sob o argumento de que as investigações foram iniciadas por denúncia anônima. Aniquilaram-se provas.

15) O Gen. Mourão, pelo bem do Brasil, está pedindo para a Lavajato não virar um Castelo de Areia. Que não finjam que as provas não existem

16) Vocês acham que o Gen Mourão não tem razões para se preocupar? Pensem no julgamento do TSE, que deixou de cassar a Chapa Dilma/Temer.

17) Apesar de reconhecer a existência de provas de fatos graves, o TSE as desprezou, alegando que queriam fazer um levantamento!?!

18) E se também o STF decidir tratar a Lavajato como uma grande pesquisa de campo? O Gen. Mourão está dizendo que a CF terá que imperar.

19) Goste-se, ou não, de Rodrigo Janot, qualquer pessoa justa há de reconhecer que, ao descrever os quadrilhões, ele falou a verdade!

20) Se o crime tomou conta do país, alguém tem que defender a Constituição Federal. Foi isso que disse o Gen. Mourão. Eu assino embaixo.”

Confira a fala completa do General:

Pergunta da plateia: “A Constituição Federal de 88 admite uma intervenção constitucional com o emprego das Forças Armadas. Os poderes Executivos [sic] e os Legislativos estão podres, cheio de corruptos, não seria o momento dessa interrupção, [corrigindo] dessa intervenção, quando o presidente da República está sendo denunciado pela segunda vez e só escapou da primeira denúncia por ter ‘comprado’, entre aspas, membros da Câmara Federal? Observação: fechamento do Congresso, com convocações gerais em 90 dias, sem a participação dos parlamentares envolvidos em qualquer investigação. Gente nova.”

Resposta do General Mourão: Excelente pergunta. Primeira coisa, o nosso comandante, desde o começo da crise, ele definiu um tripé pra atuação do Exército. Então eu estou falando aqui da forma como o Exército pensa. Ele se baseou, número um, na legalidade, número dois, na legitimidade que é dada pela característica da instituição e pelo reconhecimento que a instituição tem perante a sociedade. E número três, não ser o Exército um fator de instabilidade, ele manter a estabilidade do país. É óbvio, né?, que quando nós olhamos com temor e com tristeza os fatos que estão nos cercando, a gente diz: ‘Pô, por que que não vamos derrubar esse troço todo?’ Na minha visão, aí a minha visão que coincide com os meus companheiros do Alto Comando do Exército, nós estamos numa situação daquilo que poderíamos lembrar lá da tábua de logaritmos, ‘aproximações sucessivas’. Até chegar o momento em que ou as instituições solucionam o problema político, pela ação do Judiciário, retirando da vida pública esses elementos envolvidos em todos os ilícitos, ou então nós teremos que impor isso. Agora, qual é o momento para isso? Não existe fórmula de bolo. Nós temos uma terminologia militar que se chama ‘o Cabral’. Uma vez que Cabral descobriu o Brasil, quem segue o Cabral descobrirá alguma coisa. Então não tem Cabral, não existe Cabral de revolução, não existe Cabral de intervenção. Nós temos planejamentos, muito bem feitos. Então no presente momento, o que que nós vislumbramos, os Poderes terão que buscar a solução. Se não conseguirem, né, chegará a hora que nós teremos que impor uma solução. E essa imposição ela não será fácil, ele trará problemas, podem ter certeza disso aí. E a minha geração, e isso é uma coisa que os senhores e as senhoras têm que ter consciência, ela é marcada pelos sucessivos ataques que a nossa instituição recebeu, de forma covarde, de forma não coerente com os fatos que ocorreram no período de 64 a 85. E isso marcou a geração. A geração é marcada por isso. E existem companheiros que até hoje dizem assim, ‘poxa, nós buscamos a fazer o melhor e levamos pedradas de todas as formas’. Mas, por outro lado, quando a gente olha o juramento que nós fizemos, o nosso compromisso é com a nação, é com a pátria, independente de sermos aplaudidos ou não. O que interessa é termos a consciência tranquila de que fizemos o melhor e que buscamos de qualquer maneira atingir esse objetivo. Então, se tiver que haver, haverá. Mas hoje nós consideramos que as aproximações sucessivas terão que ser feitas. Essa é a realidade.

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Um comentário para “Janaina Paschoal esclarece fala de General Mourão

  1. Airton Martins

    Creio que a intervenção já deveria ter acontecido, após a libertação de um condenado muito importante do mensalão em que a “justiça” simplesmente o deixou escapar, propositadamente, alegando não ser um perigo à sociedade?!

    Responder

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