Imprensa Golpista – 4 : Qualquer inocente pode ser vítima

A série “Imprensa Golpista” continua para mostrar que ninguém está imune a erros cometidos com ou sem motivação. Como já foi dito, pode haver apenas uma preferência do jornalista embutida, incompetência, preguiça, uma série de fatores ou apenas prssa. A reportagem analisada abaixo  é um caso a ser estudado e tem o título “Aumento de R$ 0,20 na passagem obriga paulistanos de baixa renda a pular refeições

Vamos ao primeiro destaque, já no início da reportagem:

Reportagem estranha aclamada por gente ...

Reportagem estranha repercutindo…

“Aqueles que usam dois transportes para ir e dois para voltar do trabalho, por exemplo, gastam R$ 400, mais de 50% do salário mínimo no Estado, que é de R$ 740.”

Vamos calcular? 1 passagem = R$ 3,20. 2 passagens = R$ 6,40. 4 passagens = R$ 12,80.
Vamos ignorar a possibilidade dessa pessoa usar o Bilhete único(até 4 viagens em 3 horas pagando uma tarifa) ou o Bilhete único integrado (R$ 5,00 para ônibus + metrô ou trem). Para esse caso bastante atípico, seria necessário trabalhar 31,2 dias por mês para gastar os supostos R$ 400 inventados pela reportagem. Acontece, matemática não é pra todos e tabuada não existe pra humilhar ninguém…

A reportagem segue com dois exemplos de mulheres, uma chamada Humbertina Lima da Silva, que trabalha de cuidadora e a outra se chama Caldineya Oliveira Santos,estudante além de auxiliar administrativa. Acontece que o repórter mirou numa coisa e acertou em outra: provavelmente o empregador de Caldineya Oliveira Santos é um empresário maléfico que precisa ser visitado por fiscais do ministério do Trabalho e agentes da Lei pois não está pagando vale-transporte a sua funcionária. Os empregadores têm direito a descontar no máximo 6% do salário do funcionário para repôr os gastos com transporte, no caso de Caldineya (senhores fiscais do Trabalho, não será difícil encontrar essa jovem e seu empregador desonesto pois ela tem um nome incomum. Tão incomum que não há nenhum registro no Google, Facebook ou Orkut, deve ser uma pessoa tão pobre que está totalmente alheia às redes sociais e internet ).

Há então outro caso, e aqui a coisa é mais grave. O do gari Célio Ferreira, de 35 anos. Leiam o interessante trecho da reportagem:

“Deixo de comprar alimentos ou às vezes até mesmo uma garrafa de água”, afirmou. Segundo ele, que recebe R$ 800 por mês, o preço justo para o transporte público seria “no máximo R$ 1,50”. Após o reajuste na passagem, Célio passou a gastar R$ 26 a mais por mês. “

R$ 26 a mais? Voltemos à bendita matemática… Para gastar R$ 26 a mais em transporte devido ao aumento de R$ 0,20 é necessário que o trabalhador pegue 130 conduções por mês. Se esse Gari então trabalha 26 dias por mês, como a cuidadora Humbertina, seriam necessárias 5 conduções para cada dia de trabalho. 3 para ir, duas para voltar, ou vice-versa. E em nenhum caso o Bilhete Único ou o Bilhete Único Integrado poderiam ter-lhe servido. Só que o agravante na situação do Célio é que ele aparece na reportagem, em foto , com uniforme da sua empresa. A empresa em que Célio trabalha DEVERIA pagar-lhe a condução, descontando também no máximo 6% de seu salário. Como Célio ganha R$ 800,00, o máximo de desconto e impacto financeiro pelos transportes deveria ser mensalmente de R$48. Entramos em contato com a empresa INOVA para saber se eles estão respeitando os direitos trabalhistas de Célio mas até agora não tivemos resposta. Se houver irregularidade, tudo é mais grave pois, como pode ser lido no site, “A INOVA foi criada a partir da concorrência estabelecida pela Prefeitura de São Paulo, realizada em outubro 2011.

O último exemplo é do office boy Rodrigo Oliveira, que recebe um vale transporte no valor de R$ 3 ( a reportagem não deixa claro se é este valor por dia ou por condução ). Mais um caso de empresa que está sabotando os direitos trabalhistas. Como é que o jornalista não percebeu que está diante duma série de irregularidades e violências cometidas contra os trabalhadores mais humildes? Se ele recebe um Vale Trasporte de R$ 3, significa que a empresa está pagando-o por fora, quando deveria fornecer-lhe os passes em troca de desconto de, repito, 6% de seu salário bruto. A reportagem informa que o Office Boy ganha R$ 700, logo o máximo que sua empresa deveria descontar-lhe é de R$ 42. Que diabos de repórter-cidadão é esse que vê a injustiça desfilando à sua frente e a ignora? Como um experiente repórter, que até mesmo já se encontrou com Nem antes de sua prisão (link), pode não ter notado nada disso?

É curioso o apelo famélico para sensibilizar os leitores quanto ao aumento da tarifa pois, se há algo que está afetando toda a população brasileira ultimamente e fazendo-a comer menos é a escalada inflacionária dos produtos alimentares, que só recuou recentemente justamente pela queda nas vendas. Não faltam notícias por aí para se informar:

  • Inflação de alimentos afeta orçamento das famílias e reduz vendas do varejo – Estadão 
  • “Desoneração ajuda, mas inflação dos alimentos segue alta, diz IBGE  – Valor  
  • Inflação recua com consumo menor e desaceleração de alimentos – Folha 
  • Gastos com alimentação diminuem e inflação desacelera para menor taxa desde junho de 2012 –InfoMoney

Essa série não é uma Jihad declarada ao mau jornalismo. Antes de tudo, serve para ajudar as pessoas a compreenderem que jornalistas são seres humanos e podem errar, ainda que muitas, muitas vezes. O jornalismo apressado comete erros potencializados pelos inocentes que, no afã de ajudar alguma causa que lhes pareça justa, acabam por alastrá-los. Um jornalista pode ser como twittêro: cheio de paixões, defeitos e, em muitos casos, alguém que quer fazer sua parte.

Cada um fazendo sua parte...

Cada um fazendo sua parte…

52 comentários para “Imprensa Golpista – 4 : Qualquer inocente pode ser vítima

  1. Gilvan Caputira

    O protesto é bem vindo quando feito com ordem. O problema é que a multidão passa e arrebenta estabelecimentos comerciais, batem em jornalistas, e prejudicam outros trabalhadores. Podem até tirar a Presidente e ai, será que eu terei meu emprego para pagar tarifas baratas???? Porque o Brasil tem hoje uma taxa baixa de desemprego, e isso não é bom? ou eu tô enganado.

    Responder
  2. Paula

    Tudo bem, ocorrem erros sim, mas essa manifestação não é apenas pelos 0,20 centavos, que ao meu ver, pra você não faz falta. Mas se você não sabe, TCHARÃN, aí está a novidade, grande parte da população brasileira trabalha em condições inapropriadas e irregulares. Agora que vem a pergunta..
    O que fazer diante disto se a pessoa precisa desse dinheiro para se sustentar e não tem outro emprego em vista??
    Essa é a principal questão então! Não tem como parar de trabalhar ali porque ela não recebe o que é previsto pela lei. Vai sair desse emprego pra ir trabalhar onde? As coisas não são tão simples, infelizmente. Falo isso por experiência própria! É fácil falar quando nunca passou por uma situação como essa. Mas devo admitir que tem que haver manifestação porém de forma pacífica e ordenada. Sem violência!
    O fato é que esse aumento na passagem foi a gota d’agua, foi o que faltava pra todo mundo começar a tirar a bunda (desculpa o termo) da cadeira e se mexer! Lutar pelo que acha correto e não só ficar escrevendo em internet que isso tá ruim, que aquilo tem que mudar, que ninguém faz nada. Temos que apoiar o nosso povo e lutarmos juntos por um país melhor em que todos tenham direitos iguais.
    Não é por 0,20 centavos e sim para lutarmos pelos nossos direitos e mostrar que “O jovem no Brasil tem que ser levado a sério” com certeza! Desse jeito não tá legal!
    Ou para a roubalheira ou paramos o Brasil! E isso é pra todo tipo de roubalheira, pra essa exploração sem limite, pra todos esses impostos que não são investidos para o bem da população e vão para o bolso dos governantes sem escrúpulos!
    Todos temos direito de reivindicarmos pelo que achamos certo e é isso que estamos fazendo!

    Responder
  3. Regan

    “O jornalismo apressado comete erros potencializados pelos inocentes que, no afã de ajudar alguma causa que lhes pareça justa, acabam por alastrá-los.”

    Responder
  4. Joao Batista

    A quem acha que 20 centavos é muito… To pagando 10 reais, 50x mais que 20 centavos, por um bolagato de uma mulher esquerdista.

    E ai, quem quer ficar milhonaria?

    Responder
  5. Danilo Angeloni

    Será que a Caldinéia na verdade não foi erro de digitação? Pode ser Valdinéia, o “c” e o “v” no teclado são próximos. Mas matéria muito boa! Texto excelente!

    Responder
  6. Carlos

    Qualquer atitude contra o governo ladrão, que faz negócios safados com empresas podres (como as de transporte) tem de quebrar tudo…

    E também não adianta falar mal de empresa, não pagar imposto no Brasil se chama evitar ser roubado e não roubar…

    Responder
  7. Mauro

    Mas que curioso, quem reclama são pejotas!
    As pejotas foram inventadas pelos maléficos patrões para pagarem menos impostos e encargos ao governo – e mais dinheiro ao empregado pejota!
    Logo, moças pejotas, vocês estão batendo à porta errada: exijam que seus patrões registrem vocês e lhes dê o Vale Transporte!
    Vejam: se vocês não são registradas, o seu patrão paga menos impostos e todos perdemos – menos vocês (que têm um salariozinho melhor) e os seus patrões!
    Ou então acorram à Justiça do Trabalho (poucos, lá, gostam dessa tal pejotização) e busquem seus direitos sob o teto das instituições. Quebrar estação de metrô, sejam vocês pessoas físicas ou jurídicas, não vai resolver seus problemas.

    Responder
  8. Mauro

    As mocinhas que reclamam do post estão chutando a santa errada: as duas reclamam do aumento do ônibus porque são pejotas e não têm vale-transporte.
    Mas, ora, Justiça do Trabalho não perdoa a pejotização.
    Se querem “fazer valer os seus direitos”, comecem por aí: vocês, como pejotas, recebem mais do que receberiam como pessoas físicas – justamente porque não se pagam os encargos e impostos.
    Digam pro patrão que querem registro em carteira e vale-transporte. Ou contentem-se em receber mais e pagar menos impostos.
    Ou metam uma reclamação trabalhista – taqui o meu cartão…

    Responder
    • Elica Magalhães

      E que país vc vive? Vc acredita msm que quem não tem registro em carteira vai pressionar o patrão a andar conforme as leis trabalhistas? Se até o Mc Donald’s tem problemas com a justiça do trabalho, imagina essas “bocas de porco”! Eu trabalhei na BioRitmo – Abril e pagava a minha condução (Ônibus+metro+trêm)!

      Responder
        • Regina

          engraçado que pessoas como o senhor que reclama tanto do” quebra quebra, que faz conta tão bem, parabens !ao inves de jornalista deveria ser matemático , que contesta tudo, afinal 20 centavos não deve ser nada, mas com certeza o Sr gosta de viajar também?,de avião ,de primeira classe? pelo ser senso pernóstico é a melhor opçao Vem muito europa? acho que não pois o velho mundo não deve lhe interessar, pois aqui as pessoas tem direitos sim, não precisam ir ao ministério da justiça ou do trabalho existem sindicatos fortes. Incendeiam ônibus? sim, e por muito menos dos 20 centavos, E é por isso que é tao fácil andar de metro ou de ônibus aqui, mesmo com um salario minimo muito maior, e uma desigualdade social menor, mas felizmente esse brasileiros que reclamam, das manifestações , não vivem aqui, só vem passear, e adoram andar de metro, acham ótimo, e sabe porque? porque a sociedade é bem menos desigual e se tem menos violência ,mesmo tendo, melhores transportes e melhor qualidade de vida. desolé sua mentalidade pequenina mostra bem o que é o Brasil hoje .Sinceramente! quebraram pouco

          Responder
          • Ludlow

            O cidadão mostra, com toda a propriedade, que a reportagem mentiu descaradamente naquilo que apresentou e tudo o que você tem a dizer é:

            1. O autor só pode ser rico que viaja de avião pra Europa e não entende dos problemas brasileiros. Irônico que seja você quem está na Europa agora (e tenho certeza que não foi praí de ônibus). Irônico também que é você quem destila o ódio de classe aqui, abertamente, inclusive fazendo suposições pra justificar a agressividade, embora acuse o autor de ser um magnata que escreveu o texto porque odeia gente pobre.
            2. Que deveriam ter quebrado mais. Pura raiva e falta de noção. Incitação à violência descerebrada que atrapalha o próprio movimento que você pretende apoiar, e vitimiza exatamente aqueles cidadãos que usam a via pública e os que trabalham no comércio de rua.
            3. Que o Brasil deveria seguir o exemplo dos sindicatos europeus. Os mesmos que lutam até hoje por políticas do Estado de Bem Estar Social que ameaçam estilhaçar a Europa e afundam sua economia de maneira tão desastrosa que até conquistas-símbolos dos direitos trabalhistas estão sendo destruídas em razão da sangria dos cofres públicos.

            À argumentação do autor e aos fatos, você não dedicou uma só palavra. Releia este comentário que você fez (se você conseguir entender este seu português) e reflita novamente antes de se esvair em ódio. Pense com a cabeça, não com a barriga.

            Responder
          • danir

            Regina.
            Seu discurso é muito sem noção. Você já foi à Europa ou o que você está dizendo é fruto de doutrinação? Lembre que pessoas que estudam, sobem na escala social devido á sua competência e saber, acabam ganhando mais, e com alguma economia, podem viajar de avião, na classe econômica ou em algum tour, e quando muito usar a classe executiva. Primeira classe é para potentados e adversários das zelites como um Lula, um José Dirceu e outros com as mesmas qualificações. Procure se informar melhor antes de dar chutes, como se fossem verdades insofismáveis.

            Responder
      • Gravataí Merengue

        Elica, por favor! Você aí DEFENDENDO o povo que tem coragem de ir às ruas e colocar a própria integridade física em risco e, ao mesmo tempo, COM MEDINHO DO PATRÃO? Vamos lá! Peça seus direitos! Não precisa quebrar nada, é só falar com o RH.

        Nasce a “esquerda vai você”. Muito ardor para defender a galera que luta, mas sem qualquer coragem de reclamar direitos próprios.

        Responder
  9. Otávio Zonatto

    Realmente a matéria é cheia de erros infantis. Já ouvi falar de mau jornalismo e jornalismo preguiçoso, mas isso é realmente inacreditável!

    PORÉM…

    isso não tira a legitimidade dos protestos porque os aumentos que acontecem quase todo ano só aumentam o lucro dessas empresas (que são uma máfia) e nada de melhorar a qualidade do transporte. E não me venha o governador falar que o aumento foi abaixo de inflação como se isso fosse algo maravilhoso!

    Responder
    • Flavio Augusto

      Quem disse isso foi o Prefeito, não o Governador, meu caro.
      Aliás o prefeito de cujo partido o movimento passe livre sempre apoiou.
      E ninguém está dizendo que o protesto não tem legitimidade, só que está se discutindo uma porçãozinha de areia sendo que tem um mar de problemas para se debater que fica fora da pauta, pois criticar a Dilma essa turminha não quer né?

      Responder
    • Denis Robson

      Concordo plenamente, o problema não é esse, o problema é que aceitamos as coisas passivamente, não é apenas o preço da passagem, é a Luz que é uma das mais caras do mundo, é a saúde que não funciona, é a segurança que não presta, o aumento das passagens, foi apenas o estopim de uma explosivo prestes a ser detonado. Tem que protestar sim, sem luta não há mudança.

      Responder
  10. Bruno

    Rapaz, quer dizer então que todas as passagens custam R$3,20? Sei de passagens que facilmente R$7,00 e moro em BH/MG. Acontece que utilizam os dados a favor da reportagem, apenas isso, não acredito em cálculos de matemática básica terem sido feitos erroneamente. Simplesmente devem ter pegado um das conduções mais caras e utilizado nas estatísticas. De toda forma, deveria ser subsidiado pelo governo!

    Responder
    • Leonardo

      “De toda forma, deveria ser subsidiado pelo governo!”

      Quantos bilhões de vezes terá que ser explicado aqui que não existe nada “subsidiado pelo governo”? Não existe dinheiro do governo, existe dinheiro MEU, SEU e dos outros. O dinheiro “do governo” nada mais é que o dinheiro da população tomado na forma de impostos obrigatórios (carinhosamente chamados de “contribuição” ou “arrecadação”).

      Se você não paga o serviço diretamente, vai invariavelmente financiá-lo de forma indireta, através dos impostos.

      Responder
      • Kleiton

        Esse pessoal tem que ser apresentado urgentemente ao Bastiat, quando ele diz que “O Estado é essa grande ficção através da qual todo mundo se esforça para viver às custas de todo mundo”. Tinha que ensinar Bastiat no ensino fundamental, que é pra acabar de vez com essa ideia – embora já esteja provado que racionalidade não é o forte desse pessoal…

        Responder
  11. Ana Claudia

    No mesmo universo que não existe jornalista perfeito, também não existe empresa perfeita. Eu tenho sorte de ser funcionaria da livraria cultura e receber quase 500 reais de vale transporte (entre o bilhete único e o BOM) por mês com o desconto de no máximo 6% do meu salário, mas a realidade apontada pelo jornalista é verdadeira. Mtas empresas simplesmente não pagam mais de duas conduções para seus funcionários.
    O aumento de 0,20 não é nd para alguém que anda de ônibus, mas para alguém que precisa encher o tanque de seu carro é um absurdo, não é?

    Responder
  12. Thiago

    Na teoria, quem deveria estar indo para as ruas são os empregadores…
    Mas de qualquer forma, acho qualquer tipo de manifestação legítima, entretanto a mídia prefere retratar os vândalos.

    Responder
    • Jeremias

      Tiago, aí que você se engana.

      O empregador não paga essa conta do bolso. 2 opções existem:
      1-) Oferecer menos dinheiro aos novos contratados para arcar com as despesas;
      2-) Aumentar o preço dos seus produtos, que ocasionará um efeito em cadeia até chegar ao produto final, que os próprios empregados pagarão mais caro, ou seja, pagarão o preço.

      Responder
  13. Mariana Rosa

    A verdade é que quem já chega ao final do mês sem dinheiro, vai ficar sem dinheiro mais cedo.

    Sou profissional liberal, e, como todos sabem, as regras não se aplicam a nós. Eu, todos os profissionais liberais e todos os Pejotinhas por aí não temos direito à Vale Transporte.

    E mesmo que tivéssemos, ainda assim existem deslocamentos que não são cobertos pelo recebimento do vale transporte, calculado para ir e vir do trabalho, e não para ir ao cinema no final de semana, para fazer compra à noite, para as aulas que acompanho na faculdade: para o acesso à cidade que eu deveria ter garantido.

    Eu tenho o direito de me deslocar pela cidade que também é minha: eu não posso ser obrigada a me manter no trajeto casa – trabalho. É um dos objetivos do Estado – esse Estado que tão é meu, eu que não tenho dinheiro sobrando, tanto de quem anda de carro blindado – erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais.

    A diferença mensal que o aumento vai causar no meu bolso, R$22,00, é todo o orçamento que eu tenho para o meu lanche da tarde de uma semana (as frutas, o suco, o pão que eu compro toda segunda feira de manhã no mercado para durar a semana inteira). Se eu vou ficar sem o lanche da tarde? Não. Vou dar meus pulos, porque é isso que a gente faz: eu vou tirar do valor que eu guardo para um dia ter minha casa. Mas e quem não tem o que guardar? E quem já tem que escolher que incêndio apagar, faz o quê?

    Não está certo. Porque só não enxerga quem quer que o transporte público deveria SIM ser subsidiado e mais barato e acessível, com o valor suportado em porcentual maior pelo governo: é assim em todas as cidades com altos índices de qualidade de vida. E só não enxerga quem quer, também, que os R$0,20 do ônibus foram a gota d’água de uma população que não mais suporta viver em uma cidade com tão baixa qualidade de vida.

    Se duvidam, é só ver as pessoas que estão aderindo aos protestos: no último, professores e funcionários da saúde. Acredito que essa onda de protestos vai apenas aumentar. Por enquanto, não posso, mas espero que eu possa estar lá também nos próximos. Porque protesto também se faz pela causa, mesmo que ela não seja apenas sua.

    (Não sei se vocês vão moderar meu comentário ou autorizá-lo. Mas eu cansei de ver esse texto republicado na minha timeline: porque eu acho que vocês estão completamente cegos para a realidade da cidade)

    Responder
    • André

      Uh! A Tropa de Choque veio parar aqui com seus argumentos sentimentaloides.
      Buá, buá, vou ficar sem meu suquinho. Ah! Classe-média-sofre.
      Sabe como se resolve isto? Diminuindo este monte de imposto e acabando com gratuidade, aí as pessoas terão dinheiro para pagar R$3,20 e outras coisas.
      Vocês são um bando de mimados, querem tudo, só querem direitos, querem que o governo dê tudo, subsidie tudo. O que se vê nas ruas de São Paulo é esta geração mimada, criada com internet, com tudo de graça (música, filme, série), que não paga para estudar (a universidade não é pública, ela é gratuita, o que é muito diferente), que não quer pagar para ir a cinema, teatro, shows (acha que o governo tem que dar cultura). É uma geração que quer estalar os dedos e receber tudo sem trabalho, sem esforço, porque acha que tem direito de ter tudo.

      Responder
    • Flavio Augusto

      Ninguém está impedindo seu direito de ir e vir pela cidade. Você vê barricadas, muros ou cercas te impedindo de ir para algum lugar público por aí? Eu não vejo e acho que você também não. A viagem de ônibus é um serviço, não um direito.
      Existem alguns direitos subsidiados, como a passagem gratuita para idosos, deficientes, a meia-passagem para alguns beneficiados. Mas são direitos que tem um porquê social.
      Ninguém pode impedir você de utilizar um serviço. Um serviço público não pode barrá-lo por ser negro, por ser branco, gay, religioso ou torcer para o Juventus, apenas se você não pagar a conta. E entende-se serviço público por espaço público. Você não tem o direito de frequentar um bar, você PODE frequentar um bar se puder pagar pelo que consumir. Da mesma forma que PODE usar o serviço de uma empresa de ônibus, desde que pague pelo serviço.
      O homem viu a necessidade de se deslocar cada vez mais rápido e em longas distâncias no decorrer do tempo, desde a invenção da roda projetou bicicletas, descobriu que podia utilizar animais para locomoção em montarias ou para puxar charretes ou carruagens, depois com a industrialização criou navios à vapor, o sistema ferroviário, carros engenhosos, descobriu como construir máquinas que pudessem voar, submarinos nucleares, naves espaciais. Mas em toda forma de locomoção, que não seja usando os próprios pés, têm-se um custo. Sempre tem um custo.
      Você fala em subsídio. Você sabe o que é subsídio? Pense que você tem uma empresa de transporte aeroviário. Daí algum deputado aprova um projeto de lei que determina que qualquer cidadão do seu país tem o direito de viajar de avião, e que para isso, as passagens não podem custar mais que R$ 30,00. Você sabe que esse valor não cobre nem os custos da operação e, junto com a sua classe de aeroviários procura o Governo para reclamar a questão. Se seguir essa lei sua empresa quebra, se as empresas quebrarem, a lei fica inútil, pois não terá mais por que existir se o serviço for extinto por falta de interesse dos empresários continuarem com um negócio que não se paga. Se não dá lucro, pra que investir? O governo não quer ceder, quer manter essa política, para beneficiar os eleitores, então se chega nessa solução: subsídio. A empresa cobra os R$ 30,00 do consumidor final, e os outros R$ 60,00 que completam os seus custos e lhe proporcionam uma pequena margem de lucro serão pagas pelo governo.
      O governo gera riqueza? Não.
      De onde vem o dinheiro para o subsídio? Dos impostos que o governo recolhe.
      O que são os impostos? São tributos instituídos por lei que obrigam cada cidadão a dar uma porcentagem dos seus ganhos para o governo.
      Ou seja, você quer que o transporte seja totalmente pago pelo governo, mas o dinheiro que o governo usa para custear os serviços são pagos por todos os cidadãos. Mesmo aqueles que não utilizam o serviço.
      Pensando nisso te pergunto, é justo o serviço ser “gratuito” e o governo subsidiar tudo?
      Por exemplo, o metrô da capital São Paulo se torna “gratuito”. O metrô é bancado por verbas estaduais. O metrô só atende a cidade de São Paulo. Portanto, é justo o cidadão de Pindamonhangaba, que paga impostos estaduais, bancar o transporte gratuito do cidadão paulistano?
      Se o preço pode ser mais baixo é outra conversa, que envolve muito mais discussão, desde o controle da inflação até o endividamento da máquina pública, investigação de cartéis do transporte e da corrupção. É contra isso que temos que combater, a irresponsabilidade e incompetência dos gestores, que são muito mais graves do que 0,20 centavos a mais, que oneram não só a corrida de ônibus, mas todo o Custo Brasil.

      Responder
      • Mariana Rosa

        A viagem de ônibus seria um serviço, se eu tivesse outra forma de me locomover por São Paulo. São Paulo é uma cidade GIGANTE, muito maior em espaço que as outras grandes cidades do Brasil. Se o meu deslocamento casa-trabalho é de 36km o transporte não é serviço, é obrigação.

        O custo do transporte é um tipo de impedimento sim: não é apenas barricadas que impedem a ocupação da cidade pelas pessoas. O raciocínio para quem não pode bancar a passagem é o mesmo para pessoas com dificuldade de locomoção: um cadeirante não é impedido de se deslocar, mas a própria cidade o impede, já que a cidade não está adequada á ele. Não é apenas uma barricada que impede o direito de locomoção.

        Não disse em momento nenhum que o transporte deveria ser gratuito. Eu disse que ele deveria ser mais subsidiado. E eu acredito sim em solidariedade tributária – transponha o seu raciocínio para a União: se fosse assim, todos os outros Estados receberiam menos que São Paulo.

        Responder
        • Jeremias

          Você admira a Suíça, como um dos países mais desenvolvidos do mundo? Sabia que lá não existem hospitais públicos (com pequenas exceções no cantão de Genebra). Sabe por que? Porque não é cobrado imposto sobre saúde e todo mundo é obrigado a pagar um plano de saúde privado. Você deixa pessoas competentes cuidando da saúde pública e não um governo sujo te tirando o dinheiro do bolso através de impostos e te fornecendo a saúde que “ele” sabe dar.

          Não existe subsídio, é isso que você tem que entender. O governo não é uma empresa e o governo não ganha dinheiro! Ele toma dinheiro através de impostos… Se ele subsidiar mais alguma coisa, esse dinheiro vai sair do montante de impostos. O montante de impostos sai do meu e do seu bolso!

          Responder
        • Alex Mamed]

          O que passa na cabeça dessa moça? Por acaso, o conjunto da população que paga imposto tem o dever de bancar seu transporte? Meu Deus… é essa geração que vai tomar conta do país? Se somos 26 milhões que declaram e pagam Imposto de Renda, sustentando um governo perdulário e seus 70 milhões do Bolsa Família (alguns precisam mas a maioria que vimos na TV eram bem nutridos e bem podiam usar uma enxada) agora teremos que bancar o transporte alheio? E o que vai acontecer com esses 26 milhões se cansarem e deixarem de pagar imposto? Aí eu quero ver quem vai pagar a conta.

          Responder
    • Luiz

      Hahaha. Esses vagabundos do passe livre acham que enganam alguém se travestindo de trabalhadores. Deus do céu.

      Já começa com a história do aumento de 22 reais por mês. Se você, além do serviço, também se desloca pra faculdade, logo, você tem direito a bilhete de estudante e a pagar meia passagem. Meio complicado aumentar tudo isso aí hein? E outra, eu, quando tenho dinheiro contado até pra comprar o lanche no almoço, não fico passeando em shopping, indo em cinema, fazendo compras à noite… Vida meio burguesa pra quem tem que contar até o dinheiro do lanche hein?

      Outro ponto que te entrega, mafaldinha, é esse delírio de achar que se o transporte for subsidiado, tudo fica resolvido. Minha cara, ele já é subsidiado. Se aumentar mais ainda o subsídio, o dinheiro terá que vir de algum lugar, logo, sairá do seu bolso também. Do seu, do meu, e até de quem não pega ônibus. Só que de outra maneira.

      Na boa… a única pessoa aqui que está cega para realidade, é você.

      Responder
      • Mariana Rosa

        Prezado Luis,

        Não devo à você nenhum tipo de explicação, mas como me senti diretamente atacada (e de certa forma elogiada, afinal, Mafalda é uma personagem incrível), esclareço a você que eu realmente tenho uma vida muito boa, quando comparada às outras pessoas – que sofrerão muito mais do que eu.

        Estudei Direito em uma universidade particular com uma Bolsa Integral fornecida pelo governo. Tive bolsas de mérito acadêmico para estudar inglês e espanhol. Hoje em dia, me preparando para as provas do mestrado e como forma de me manter atualizada, eu frequento a universidade como aluna ouvinte e como assistente.

        Como qualquer pessoa da minha idade, e como me é garantido e assegurado como Direito Humano, eu tento manter o meu acesso à cultura de forma integral: vou ao cinema, ao teatro, aos museus, compro livros…. Tudo bem que normalmente no SESC, mas ainda bem que existe uma consciência geral de que isso não deve ser assegurado apenas à “quem pode pagar”, não é? Mesmo porque é tanto MEU DIREITO HUMANO ter o acesso à cultura quanto à alimentação, correto? Se você não sabia disso, acredite, é assegurado à você também. Tanto a cultura, quanto a alimentação.

        Moro com meus pais na Zona Leste, e costumo fazer parte das compras da nossa casa à noite. Não vejo problema nenhum… ou eu deveria ir à pé para o supermercado? Moro em um lugar inseguro, não acho que atravessar a Cohab II com as compras nos braços seria uma boa ideia.

        Aliás, mesmo que nenhuma dessas coisas bastasse, ainda devo esclarecer à você que não existe um patamar mínimo para poder usufruir de qualquer direito: todos eles são assegurados a mim. São independentes, interdependentes e eu não devo condicionar o exercício de qualquer direito à satisfação de outro. Nem eu, nem você.

        Por fim, como eu disse: protesto também se faz por acreditar. Foram 0,20, mas também foram a gota d’água.

        Obrigado pelo Mafalda. Era meu apelido quando eu era adolescente, e, olha, é muito bom lembrar disso. <3

        Responder
          • Alex Mamed]

            Isso mesmo. Eu não entendo o que esse pessoal vem fazer aqui. Só podem ser remunerados, para defender o PT. Vão as duas chupar dedo na esquina.

            Responder
        • Luiz

          Uau. Deixa eu ver se eu entendi. Você tem inglês, espanhol, é formada em direito, faz mestrado, é assistente na faculdade e ainda assim o aumento do ônibus vai fazer com que você perca o dinheiro do lanche na semana? (22 reais a mais, o que deve dar por aí umas 132 viagens de ônibus por mês – sem integração, é claro).

          É… Tá certo. É como diz a propaganda… não tá mole pra ninguém.

          Responder
        • Alex Mamed]

          “Bolsa Integral fornecida pelo governo.” “assegurado como Direito Humano” Petista doente! Como toda esquerdopata, acredita piamente que os outros devem sustentá-la. Direito humano de cú e rola, mocinha. Vá trabalhar como todos reacionários fazem.

          Responder
    • Renan

      Você tem sim o direito de se locomover, sendo a passagem mais ou menos 20 centavos. Ou você é tetraplégica e não tem cadeira de rodas? Se for, desculpe-me.

      Responder
    • Rodolfo

      a ideia da “pejota” é diminuir os custos do tomador e aumentar os ganhos do prestador… não se sinta rogada e embuta o valor do aumento no seu serviço, seu patrão vai pagar com prazer… tenha certeza…

      Responder
  14. Marta

    Cês tão esquecendo uns detalhes na sua bendita matemática. Não para estes casos específicos, mas veja bem: existem outros modelos de contratação onde o modelo trabalhista não vigora – como no meu caso, que sou “pessoa jurídica”.

    Além disso, há quem pegue mais ônibus do que apenas os dentro da cidade de São Paulo. A integração do Sacomã morreu. Quem pagava R$1,60 + R$3 + R$1,20 (R$5,80) para voltar para casa agora paga os R$5 da integração e outros R$4,50 do intermunicipal (R$9,50). É uma diferença grande. Estou pagando R$20 por dia para vir trabalhar e voltar pra casa.

    Eu entendo que o post não foi feito para falar disso, que o foco é outro; mas se o foco é outro, que seja realmente outro então! Reclamar pelo preço de um serviço mal prestado é justo; mal jornalismo por mal jornalismo temos a imprensa toda fazendo esse des-serviço de falar que “são só R$0,20″…

    Responder
    • Da CiaDa Cia Posts do autor

      A crítica foi quanto à reportagem e, como tal, trata apenas do universo apresentado pela reportagem. Não foi dito ali que alguém mora no interior de SP e pega outros tipos de condução para o transporte, foi dito que o aumento de R$0,20 teria todo aquele impacto na vida deles.

      Responder
    • Flavio Augusto

      Então quer dizer que a culpa é do governo de você morar em outra cidade e precisar vir todo dia à capital para trabalhar?
      Você tem duas saídas: mude-se para perto do seu emprego ou mude para um emprego na sua própria cidade.
      Você até tem razão em reclamar, até mais do que os outros. Não sei que tipo de empresa que tem, ou se presta serviços como freela, mas se tem funcionários provavelmente deve pagar vale-transporte para eles. Se sim, é lógico que esse aumento terá um custo maior para você.
      Eu também sou pessoa jurídica e como tal isso tem um preço a se pagar, contador, pró-labore, uma porção de impostos etc. O que fazemos com essa quantidade de coisas para pagar? Trabalha-se muito e insere-se o custo desse trabalho no preço que se cobra dos clientes. Diminui-se o lucro se necessário, investe-se o que se pode, contrata quando dá, demite quando não dá mais, e vai tocando até não mais poder. Se o que se ganha não está dando para cobrir o custo, repensa-se se vale a pena manter uma empresa e buscar um emprego assalariado, com todos os direitos trabalhistas que os empresários não tem direito, inclusive o vale-transporte.
      Infelizmente no Brasil é assim, de nada adianta reclamar do aumento da tarifa de ônibus. O foco dos protestos deveria ser outro, em vez de brigarem por misérias deveriam jogar na cabeça do Governo Federal sem dó nem piedade, mas respeitando as leis, toda a culpa pelas burradas da equipe econômica, pelos nada investimentos do Governo Lula que nos levaram a esse cenário de agora.
      Nós poderíamos ser o melhor país do mundo, temos todos os recursos para isso, só que não sabemos governar, não sabemos votar, não sabemos administrar, não sabemos educar. Então, paciência, qualquer 20 centavos a mais vira um caos.

      Responder
    • Rodolfo

      “pejota” é pra diminuir os encargos da contratação… inclua o aumento no seu preço, seu patrão não vai ligar, até porque, lembre-se, a prerrogativa de levar seu vínculo empregatício ao litígio é sua, caso não se sinta satisfeita com o módulo de contratação…

      Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *